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Atlas da Violência liga alta de mortes no trânsito à precarização do trabalho por aplicativos
A motocicleta deixou de ser apenas um meio de transporte para se tornar ferramenta de sobrevivência econômica de milhões de brasileiros — e essa transformação já aparece nas estatísticas da violência no trânsito. O alerta está no Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que relaciona o crescimento das mortes de motociclistas à expansão da economia de aplicativos e à precarização do trabalho urbano.
Conforme o levantamento, o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024. As motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% desses óbitos. Entre 2019 e 2024, as mortes em sinistros com motos cresceram 38%, passando de 11.182 para 15.459 vítimas fatais. Para os pesquisadores, fatores como jornadas extensas, pressão por produtividade e ausência de proteção social transformaram trabalhadores de aplicativos em um dos grupos mais expostos ao risco letal no cotidiano urbano.
O relatório mostra que a dinâmica da mobilidade urbana brasileira mudou profundamente nos últimos anos. Em muitas cidades, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, a motocicleta passou a ocupar papel central tanto no deslocamento quanto na geração de renda.
A moto como ferramenta de trabalhoO Atlas da Violência destaca que a expansão da economia de aplicativos consolidou a motocicleta como instrumento de trabalho e sobrevivência econômica para parcelas vulneráveis da população. O fenômeno se intensificou especialmente após a ampliação dos serviços de entrega e transporte individual mediados por plataformas digitais.
Com menor custo em comparação ao automóvel e maior facilidade de circulação nos centros urbanos, a moto se tornou alternativa rápida para quem busca renda imediata. O problema, segundo os pesquisadores, é que o aumento do tempo de exposição ao trânsito acaba ampliando também o risco de envolvimento em sinistros graves e fatais.
O estudo chama atenção para fatores que passaram a fazer parte da rotina de muitos motociclistas:
- pressão por entregas rápidas;
- longas jornadas de trabalho;
- necessidade de realizar maior número de corridas;
- fadiga física e mental;
- circulação constante em ambientes urbanos de alto risco.
Embora o Atlas não responsabilize diretamente os aplicativos pelas mortes, o documento aponta que a lógica de produtividade e a precarização das relações de trabalho alteraram o perfil da mortalidade viária brasileira.
Segurança viária passa também pelas condições de trabalhoPara especialistas em trânsito, os números mostram que a discussão sobre segurança de motociclistas precisa ultrapassar a ideia de imprudência individual.
“O trânsito começa a refletir uma lógica de trabalho em que parar significa ganhar menos. Isso cria um ambiente de pressa permanente, em que o motociclista muitas vezes troca descanso, alimentação e até segurança por produtividade”, analisa Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.
De acordo com ele, o crescimento da mortalidade entre motociclistas não pode ser observado isoladamente. É preciso considerar as transformações recentes da mobilidade urbana e das relações de trabalho. “Hoje muitos motociclistas passam 10, 12 horas expostos ao trânsito diariamente. É diferente do uso ocasional da moto. Estamos falando de pessoas que vivem dentro de um ambiente de risco durante praticamente o dia inteiro”, explica.
O especialista destaca ainda que a vulnerabilidade física do motociclista amplia as consequências de qualquer falha no sistema viário. “Quando você soma pressão por tempo, cansaço, vias inseguras, tráfego intenso e um veículo que oferece pouca proteção ao corpo humano, o resultado aparece nas estatísticas de mortes”, afirma.
Regiões Norte e Nordeste concentram cenário mais críticoO Atlas da Violência aponta que as regiões Norte e Nordeste concentram alguns dos cenários mais preocupantes do país quando o assunto é mortalidade de motociclistas.
No Piauí, por exemplo, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas em 2024, índice muito acima da média nacional.
O estudo relaciona esse cenário ao crescimento do uso da motocicleta como principal ferramenta de trabalho e mobilidade em estados com menor cobertura de transporte público e maior presença da informalidade.
Além da questão econômica, especialistas apontam que o cenário é agravado por uma combinação de fatores, como infraestrutura viária precária, ausência de espaços seguros para circulação e fiscalização insuficiente. Além disso, crescimento acelerado da frota e a própria vulnerabilidade física do motociclista em caso de sinistros.
Debate deve envolver formação, infraestrutura e prevençãoO relatório também reforça que o enfrentamento da violência no trânsito exige políticas públicas integradas. A discussão envolve educação, infraestrutura segura, planejamento urbano, fiscalização e condições de trabalho.
Para Mariano, o debate precisa considerar que o trânsito brasileiro mudou rapidamente, mas as políticas públicas nem sempre acompanharam essa transformação. “A motocicleta cresceu muito mais rápido do que a capacidade das cidades de absorver esse aumento com segurança. Em muitos locais, faltam infraestrutura adequada, planejamento e políticas voltadas especificamente para quem trabalha sobre duas rodas”, avalia.
O especialista também chama atenção para a necessidade de qualificação permanente dos condutores profissionais. Além disso, para os impactos das recentes flexibilizações regulatórias no processo de formação de condutores.
“Quando a moto vira instrumento de sustento, a formação deixa de ser apenas uma exigência burocrática. Ela passa a ser ferramenta de proteção à vida”, conclui.
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Rodovias que matam
Por Adalgisa Lopes*
A colisão entre o ônibus e o caminhão na BR-251 não foi um acidente. Acidentes são inevitáveis; tragédias evitáveis são escolhas. Oito pessoas morreram e dez ficaram feridas em Santa Cruz de Salinas porque o poder público falhou simultaneamente em duas frentes: recusa em construir rodovias que perdoam erros humanos e abandono de uma política pública que integre medicina, psicologia e engenharia na prevenção de mortes no trânsito.
Minas Gerais, pela sua geografia, concentra a fórmula perfeita para o desastre. Tem a maior malha rodoviária do país, boa parte dela com pistas simples, curvas sinuosas, longos trechos sem acostamento e grande fluxo de carga. Essa geometria é exatamente o que eleva o risco de colisões frontais, o tipo de acidente mais letal. A BR-251 é o exemplo vivo dessa sentença de morte.
A ciência é clara ao demonstrar que 90% dos sinistros de trânsito são provocados por fatores humanos, como imprudência, desatenção, agressividade, sono e mal súbito.
Medicina e Psicologia do Trânsito são as principais armas para reduzir essas ocorrências.As avaliações psicológicas funcionam como barreiras que identificam problemas como ansiedade, imprudência, comportamentos agressivos, déficits de concentração, incapacidade de avaliar riscos e alterações emocionais, condições que elevam exponencialmente a probabilidade de erros fatais. Mas o Estado não as implementa regularmente para motoristas. Pelo contrário, pretende flexibilizar regras mínimas de segurança viária sob o pretexto eleitoreiro da desburocratização.
Da engenharia de tráfego vem o conceito de “rodovias que perdoam”, que implementa medidas de segurança desde a projeção até a sinalização para minimizar a gravidade dos sinistros. Não estamos falando de obras faraônicas e caras.
Um acostamento bem construído permite que um motorista que perca o controle recupere a estabilidade sem colidir frontalmente com um veículo vindo na mão contrária.
Barreiras metálicas separam as mãos de tráfego em pistas simples e reduzem drasticamente as colisões frontais. Curvas com raios adequados à velocidade permitida, pavimento em bom estado, sinalização redundante, placas de advertência, linhas de pintura visíveis e marcadores de curva reduzem erros de percepção.
Rodovias que perdoam não deixam margem para dúvida. Elas estão ali para minimizar os impactos dos erros humanos.
Mas, no Brasil, menos de 20% da malha rodoviária implementa corretamente esse conceito.As rodovias concedidas, que seguem padrões mais rigorosos de infraestrutura, apresentam 62,5% de alto perdão. Isso não é falta de conhecimento técnico. É falta de prioridade orçamentária. Há uma resistência estrutural em investir em prevenção, justamente o que faz diferença na preservação de vidas.
Enquanto o governo federal e Minas Gerais—que foi berço da Psicologia do Trânsito na década de 1970—continuarem construindo rodovias que punem cada erro com morte, continuaremos perdendo oito pessoas por vez. A segurança viária não é responsabilidade de um setor. Não é apenas do motorista, do engenheiro, do psicólogo ou do médico. É responsabilidade do poder público integrar essas disciplinas em uma política pública coerente. Medicina, psicologia e engenharia já sabem trabalhar juntas. O que falta é o Estado decidir que isso importa.
O comportamento humano muda. A infraestrutura precisa perdoar. As avaliações precisam ser frequentes. Enquanto esses três pilares não convergirem em uma política pública integrada, continuaremos perdendo oito pessoas por vez em trechos de pista simples.
*Adalgisa Lopes é especialista em segurança viária, psicóloga do Trânsito e presidente da Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans)
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Guia prático para dirigir com segurança sob condições adversas
Dirigir sob chuva intensa, neblina ou em pistas escorregadias exige muito mais do que cautela. Nessas situações, fatores como baixa visibilidade, perda de aderência e aumento da distância de frenagem podem transformar pequenos erros em situações graves no trânsito. Informações divulgadas pela Dunlop Pneus alertam que a condução segura em condições adversas começa antes mesmo de o motorista ligar o veículo.
Conforme a empresa, condições adversas não envolvem apenas chuva ou neblina. Buracos na pista, sinalização precária e trechos perigosos também interferem diretamente na capacidade de controle do veículo e na percepção do condutor. Nesse cenário, a direção defensiva e a manutenção preventiva ganham ainda mais importância.
Manutenção do veículo influencia diretamente na segurançaDe acordo com a Dunlop, o primeiro passo para reduzir riscos em situações críticas é garantir que o veículo esteja em boas condições de uso. Pneus, freios, faróis e limpadores de para-brisa estão entre os itens que mais impactam a segurança em dias de chuva ou baixa visibilidade.
O gerente de Vendas e Marketing da Dunlop Pneus, Fábio Torres Klabacher, destaca que os pneus têm papel fundamental na aderência do veículo, especialmente em pistas molhadas.
“Pneus em bom estado, com sulcos adequados e calibragem correta, são fundamentais para garantir a aderência, especialmente em pistas molhadas. Limpadores e faróis desempenham papel decisivo na visibilidade — tanto para enxergar quanto para ser visto. A segurança é uma escolha que começa antes mesmo de ligar o motor.”
A empresa também orienta os motoristas a planejarem previamente o trajeto, utilizando aplicativos e verificando pontos críticos da rota. A medida pode ajudar a evitar áreas de maior risco e permitir decisões mais seguras durante o deslocamento.
Velocidade menor pode evitar sinistrosOutro ponto destacado pela Dunlop é a necessidade de reduzir a velocidade em condições adversas. Com menos aderência entre o pneu e o asfalto, o veículo leva mais tempo para responder aos comandos e precisa de uma distância maior para parar completamente.
Além disso, manter distância segura do veículo da frente se torna ainda mais importante em chuva intensa ou neblina. A recomendação é ampliar esse espaço para reduzir o risco de colisões causadas por freadas bruscas ou perda de controle.
Esses cuidados fazem parte dos princípios da direção defensiva, estratégia que busca antecipar riscos e adaptar a condução às condições da via e do ambiente.
Uso correto dos faróis faz diferençaA visibilidade reduzida é um dos principais desafios enfrentados pelos motoristas em situações adversas. Conforme a Dunlop, utilizar corretamente os faróis ajuda tanto na percepção da pista quanto na sinalização do veículo para os demais usuários da via.
Entre as orientações estão:
- utilizar o farol baixo durante chuva ou neblina, inclusive durante o dia;
- evitar o uso do farol alto em neblina, já que a luz refletida pode piorar a visibilidade;
- manter os vidros limpos e desembaçados;
- utilizar luzes específicas de neblina, quando o veículo possuir esse recurso.
A atenção deve ser redobrada também durante a noite, quando o ofuscamento provocado por outros veículos pode comprometer a visão do motorista.
Aquaplanagem exige calma do motoristaEm pistas molhadas, um dos riscos mais perigosos é a aquaplanagem — situação em que os pneus perdem contato com o asfalto por causa do acúmulo de água. Nesses casos, reações impulsivas podem agravar ainda mais a perda de controle.
Fábio Torres Klabacher explica que frear imediatamente é justamente o erro que deve ser evitado.
“O impulso natural é frear — mas é exatamente o que não se deve fazer. O caminho é manter a calma, retirar o pé do acelerador, firmar o volante e aguardar que os pneus retomem o contato com a pista. Em condições adversas, o motorista precisa estar 100% focado na condução.”
Em alguns casos, a melhor decisão é pararAs orientações divulgadas pela Dunlop também reforçam que determinadas situações exigem decisões mais conservadoras por parte do motorista. Em alagamentos, por exemplo, a recomendação é evitar atravessar trechos onde o nível da água ultrapasse metade da roda do veículo.
Já em situações de neblina intensa, quando a visibilidade fica praticamente comprometida, interromper a viagem pode ser a alternativa mais segura. O ideal é procurar um local adequado fora da pista e aguardar melhores condições para seguir viagem.
De acordo com a empresa, todos esses cuidados fazem parte de uma postura preventiva no trânsito. A ideia é reduzir a exposição a riscos e aumentar a capacidade de reação diante de imprevistos.
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Infraestrutura pode estar pesando mais que imprudência nas mortes em rodovias
Mesmo com recorde de fiscalização e milhões de autuações por excesso de velocidade, o Brasil segue convivendo com um cenário alarmante nas rodovias federais. E os dados do novo Anuário da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ajudam a ampliar um debate importante: o erro humano continua existindo, mas a infraestrutura muitas vezes define o tamanho da tragédia. Em um sistema viário que ainda não é tolerante ao erro, falhas como distração, reação tardia ou ultrapassagens indevidas frequentemente terminam em colisões graves e mortes.
Os números reforçam essa percepção. Em 2025, as pistas simples registraram 4.143 mortes, enquanto as pistas duplas concentraram 1.603 óbitos. A diferença chama atenção porque evidencia que o problema vai além da imprudência individual e envolve também as condições das rodovias brasileiras.
Embora comportamento de risco, velocidade excessiva e distração continuem entre os principais fatores das ocorrências, especialistas defendem que o ambiente viário influencia diretamente na gravidade dos sinistros.
Rodovias que não “perdoam” falhasA própria PRF associa a alta mortalidade das pistas simples às colisões frontais, um dos tipos mais violentos de sinistro no trânsito rodoviário. Sem separação física entre os sentidos opostos, qualquer erro pode ter consequências devastadoras.
Na prática, isso significa que uma distração momentânea, uma ultrapassagem malsucedida ou até uma reação tardia acabam tendo potencial muito maior de provocar mortes quando acontecem em rodovias sem duplicação.
Para Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, os números ajudam a demonstrar que segurança viária não depende apenas do comportamento individual.
“Quando analisamos os dados das pistas simples, percebemos claramente que o erro humano continua existindo, mas a infraestrutura muitas vezes define o tamanho da tragédia. Rodovias brasileiras ainda não são tolerantes ao erro”, afirma.
Conforme ele, países que conseguiram reduzir de forma consistente as mortes no trânsito passaram a investir em conceitos de “Sistema Seguro”, que consideram o erro humano inevitável e buscam impedir que ele resulte em fatalidades.
Fiscalização cresce, mas redução das mortes segue tímidaO anuário mostra que a fiscalização da PRF permaneceu intensa em 2025. Foram mais de 10 milhões de pessoas fiscalizadas e quase 10 milhões de veículos abordados em rodovias federais. O excesso de velocidade, sozinho, gerou mais de 7,2 milhões de autuações.
Ainda assim, a redução nas mortes foi pequena. Em 2024, as rodovias federais registraram 6.160 mortes. Em 2025, o número caiu para 6.043. Os sinistros também tiveram leve redução, passando de 73.156 para 72.529.
Os dados levantam uma discussão importante: apenas ampliar fiscalização e aumentar multas é suficiente para reduzir a violência no trânsito brasileiro?
Mariano, por exemplo, defende que punição e fiscalização continuam sendo fundamentais, mas alerta que isso não substitui investimentos estruturais em engenharia viária, planejamento e infraestrutura segura.
Velocidade e infraestrutura formam combinação perigosaO levantamento da PRF também mostra como velocidade e infraestrutura acabam se relacionando diretamente.
Além dos milhões de autuações por excesso de velocidade, a PRF registrou quase 195 mil ultrapassagens em faixa contínua e mais de 10 mil saídas de pista ao longo de 2025.
Em rodovias simples, sem barreiras físicas ou áreas adequadas de recuperação, velocidades incompatíveis tornam qualquer falha muito mais grave. A chance de colisões frontais aumenta, assim como o risco de perda de controle do veículo e de impactos fatais.
Outro dado que chama atenção é o número de colisões traseiras: foram 14.360 casos em 2025, o tipo de sinistro mais frequente nas BRs federais.
O cenário ajuda a demonstrar que muitas rodovias operam atualmente sob forte pressão de fluxo, especialmente em regiões urbanizadas e corredores logísticos.
BR-101 e BR-116 seguem concentrando ocorrênciasAs rodovias com maior número de sinistros foram justamente algumas das mais movimentadas do país. A BR-101 registrou 13.014 ocorrências no ano, enquanto a BR-116 teve 11.021 casos.
As duas atravessam grandes centros urbanos e importantes corredores de transporte de cargas, convivendo diariamente com trânsito intenso, mistura de veículos pesados e leves, acessos urbanos e longos deslocamentos.
Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná lideraram o número de sinistros registrados pela PRF. Juntos, os três estados somaram 1.792 mortes em rodovias federais.
No caso do Paraná, corredores como as BRs 277, 376 e 116 frequentemente entram no debate sobre segurança viária por reunirem grande fluxo de caminhões, turismo e trechos de geometria complexa.
Debate sobre segurança viária vai além da puniçãoOs números do Anuário da PRF reforçam um entendimento cada vez mais presente entre especialistas: reduzir mortes no trânsito depende de um conjunto de fatores e não apenas da conduta individual dos motoristas.
Duplicação de rodovias, melhoria da sinalização, áreas de escape, controle inteligente de velocidade e projetos viários mais seguros aparecem entre as medidas apontadas como fundamentais para reduzir a letalidade nas BRs brasileiras.
“Mais do que cumprir regras, o trânsito exige compreensão de risco e responsabilidade coletiva”, afirma Celso Mariano.
De acordo com ele, o Brasil ainda precisa avançar na transformação dos dados estatísticos em políticas permanentes de prevenção e infraestrutura.
Clique aqui e acesse o Anuário completo da PRFThe post Infraestrutura pode estar pesando mais que imprudência nas mortes em rodovias appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
CIOT passa a ser obrigatório e muda transporte de medicamentos termolábeis no Brasil
Desde o dia 24 de maio de 2026, todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas no Brasil passaram a exigir o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). A mudança, determinada pela Resolução nº 6.078/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), deve impactar diretamente a logística de medicamentos e produtos termolábeis, que dependem de controle rigoroso de temperatura durante todo o trajeto.
No setor farmacêutico, especialistas alertam que qualquer atraso operacional pode comprometer a integridade de medicamentos sensíveis, vacinas, insumos e outros produtos que exigem cadeia fria.
Conforme a Temp Log, operadora logística especializada em produtos para medicina estética, a nova exigência aumenta a necessidade de controle e planejamento nas operações.
Controle passa a ser digital e preventivoCom a nova regulamentação, o CIOT passa a ser integrado ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e). Na prática, isso significa que o controle deixa de ocorrer apenas nas estradas e passa a acontecer de forma digital e preventiva.
Não será possível registrar regularmente operações que não estiverem em conformidade com as regras.
Além disso, o descumprimento das exigências pode gerar penalidades financeiras relevantes. Segundo a regulamentação, ausência do CIOT, inconsistências nos dados ou falta de vinculação ao MDF-e podem resultar em multa de R$ 10.500 por viagem.
Já as infrações relacionadas ao piso mínimo de frete seguem regras específicas, com sanções ainda mais elevadas.
Transporte de termolábeis exige atenção maiorNo caso de medicamentos e produtos sensíveis à temperatura, o desafio envolve principalmente o tempo operacional.
Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, explica que a exigência do código antes do fechamento do manifesto eletrônico pode tornar alguns processos mais lentos.
“Antes de fechar o manifesto eletrônico, precisamos inserir o código do CIOT. Isso pode tornar o processo um pouco mais lento e para termolábeis, já que qualquer atraso precisa ser mapeado e mitigado para não afetar o controle de temperatura”, afirma o especialista em logística de cadeia fria farmacêutica no Brasil.
Em operações desse tipo, atrasos aparentemente pequenos podem afetar diretamente a estabilidade térmica dos produtos transportados, especialmente em viagens longas ou em regiões com temperaturas elevadas.
Mudança amplia exigência para empresasAté então, aplicava-se a obrigatoriedade do CIOT principalmente em operações realizadas por Transportadores Autônomos de Cargas (TAC) e TAC-equiparados.
Com a nova resolução da ANTT, empresas que operam por meio de redes terceirizadas também passam a precisar se adequar às exigências regulatórias.
De acordo com a Temp Log, a empresa já contratou uma instituição habilitada para emissão do código e iniciou os ajustes necessários para operar dentro das novas regras desde o primeiro dia de vigência da norma.
Setor vê avanço na profissionalizaçãoApesar dos desafios operacionais, a avaliação da empresa é que a mudança tende a fortalecer a profissionalização do transporte rodoviário de cargas. “Todos os segmentos terão seus fretes monitorados, isso deixa menos espaço para amadorismos e exige que as empresas sejam cada vez mais qualificadas para atender aos grandes embarcadores. Para quem já está acostumado com altos padrões de conformidade, como exige a logística farmacêutica, é uma mudança bem-vinda”, avalia Canteras.
A expectativa do setor é que a rastreabilidade e o monitoramento mais rigoroso das operações contribuam para aumentar a segurança jurídica e operacional no transporte de cargas.
Dúvidas sobre veículos elétricos e combustíveis alternativosUm dos pontos que ainda gera dúvidas no setor envolve a aplicação das regras relacionadas ao piso mínimo de frete para veículos que não utilizam diesel.
Segundo Canteras, ainda faltam esclarecimentos sobre como devem ser enquadrados veículos movidos a gasolina, etanol ou eletricidade.
“Veículos movidos a gasolina, etanol e elétricos que, na nossa interpretação, não deveriam ser enquadrados nessa mesma lógica. O preenchimento correto do manifesto eletrônico para esses casos ainda precisa de mais clareza por parte da ANTT”, aponta.
A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) já encaminhou questionamentos formais à agência reguladora. O mercado aguarda a publicação de notas técnicas complementares nas próximas semanas.
Conformidade deixa de ser diferencialPara empresas que atuam no transporte farmacêutico e em operações de cadeia fria, a nova regulamentação reforça uma tendência crescente no setor: conformidade regulatória deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser requisito básico de operação.
No caso do transporte de medicamentos e insumos sensíveis, especialistas destacam que segurança logística, rastreabilidade e controle operacional têm impacto direto não apenas nos custos das empresas, mas também na qualidade e segurança dos produtos que chegam ao consumidor final.
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Pedágio eletrônico: entenda as regras para regularização de multas
Com a suspensão de 3,4 milhões de multas de pedágio eletrônico pelo Governo Federal quem foi afetado pode regularizar sua situação, mas a situação não é automática e exige ação direta de quem foi multado.
Como em qualquer processo de regularização é importante ter registro de comprovantes de pagamento e checar a situação de sua Carteira Nacional de Habilitação após os passos. Outro ponto importante é o prazo: a suspensão é válida por 200 dias, até 16 de novembro. Após essa data quem não regularizar sua situação poderá ser autuado novamente.
Atente também para o fato de que deve-se tratar cada autuação por evasão de forma independente. Embora algumas concessionárias permitam agrupar o pagamento de cobranças em trechos e mesmo em dias diferentes as multas não obedecem a mesma lógica e pendências diferentes podem gerar autuações distintas.
Também é importante não deixar passar o prazo de quitação, que é 30 dias após passar o trecho que tem a cobrança eletrônica.
O primeiro passo é o de regularizar a sua situação.Se ainda não o fez, pague os pedágios. Os sites das concessionárias são uma das opções mais acessíveis, mas quem tiver dificuldade pode procurar cabines de cobrança. As concessionárias são obrigadas a dar alternativas de pagamento, inclusive presenciais, conforme a Resolução ANTT Nº 6.079, de 26 de março deste ano.
Em seguida você deve procurar o órgão responsável pela multa. Em estradas federais a referência é a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para estradas estaduais a referência são os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). Você deverá recorrer da multa.
Se você não pagou a multa deve esperar a baixa dos pontos no sistema. O aplicativo CNH Digital é uma boa referência para acompanhar se a pontuação foi retirada da sua carteira.
Caso já tenha pago a multa você tem direito a pedir o valor de volta. Esse pedido ocorre dependendo novamente do órgão que emitiu a multa. Para estradas federais é possível pedir o reembolso pelo portal Gov.br. Nos estaduais é importante procurar a referência nos sites, podendo ser via Detran ou Secretaria da Fazenda). Lembrando que ele não é automático, a correção e devolução depende da iniciativa de quem recebeu a multa.
Um fator importante para a devolução é comprovar que você pagou a multa.Vale comprovante bancário, guia quitada, mas tem de ser um documento bancário oficial e precisará ser enviado, normalmente digitalizado. Também é possível enviar cópias físicas, em agências dos correios ou postos presenciais de atendimento das secretarias ou Detrans, mas será necessário se informar de prazos e exigências dos órgãos.
Após o pedido é importante acompanhar os processos. Guarde protocolos e consulte-os regularmente. Não há um prazo estabelecido para a resposta dos órgãos, que podem pedir documentos adicionais ou mesmo novo envio, caso faltem dados importantes ou haja problema para identificar os dados nos comprovantes.
As informações são da Agência Brasil
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Maio Amarelo reforça a importância do cuidado permanente na segurança nas operações de transporte de cargas
Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ano de 2025 registrou 72.483 sinistros de trânsito nas rodovias federais brasileiras, com 6.044 mortes e mais de 83 mil pessoas feridas. Embora os números indiquem redução em relação ao ano anterior, eles ainda permanecem elevados e reforçam a necessidade de ações contínuas voltadas à segurança viária.
Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente em decorrência de acidentes de trânsito. Nesse contexto, o movimento Maio Amarelo, iniciativa internacional de conscientização criada a partir de mobilização da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, tem o papel de ampliar a visibilidade do tema e estimular reflexões sobre segurança no trânsito. Em 2026, a campanha traz como tema: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), no entanto, a segurança viária precisa ser tratada como uma pauta permanente.A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) destaca que campanhas como o Maio Amarelo são importantes para ampliar o debate público e mobilizar a sociedade, mas que a construção de um trânsito mais seguro depende de ações contínuas ao longo de todo o ano.
“Campanhas como o Maio Amarelo têm um papel fundamental porque ajudam a manter o tema da segurança viária em evidência e reforçam que trânsito seguro é uma responsabilidade coletiva. No transporte rodoviário de cargas, essa conscientização ganha ainda mais relevância pela dimensão operacional do setor e pela importância para o abastecimento do país. Acidentes geram impactos humanos extremamente graves, além de prejuízos operacionais, econômicos e logísticos. Por isso, iniciativas de conscientização são importantes para reforçar que preservar vidas deve estar sempre no centro das operações”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Os fatores de risco para acidentes envolvendo veículos de carga são diversos. A falta de manutenção preventiva, o excesso de velocidade, a distração ao volante e o uso de celular durante a condução estão entre os mais recorrentes. Somam-se a esses fatores desafios estruturais das rodovias, sinalização inadequada e o aumento do fluxo de veículos leves em corredores utilizados intensamente por operações logísticas.
SegurançaPara a FETCESP, a segurança no transporte não depende apenas do motorista, mas envolve toda a cadeia operacional, desde a gestão das empresas e o planejamento das operações até a qualidade da infraestrutura viária, a fiscalização e a conscientização dos diferentes usuários das rodovias.
“A construção de uma cultura de segurança exige atuação contínua das empresas. Entre as principais boas práticas estão programas permanentes de treinamento e reciclagem, acompanhamento da jornada operacional, manutenção preventiva rigorosa da frota e utilização de tecnologias de monitoramento e telemetria. Hoje, muitas empresas já utilizam sistemas inteligentes capazes de acompanhar o comportamento de condução, frenagens bruscas, excesso de velocidade e padrões de risco em tempo real. Empresas que desenvolvem essa cultura conseguem reduzir acidentes, melhorar produtividade e criar um ambiente operacional mais eficiente e sustentável”, finaliza Panzan.
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Projeto cria auxílio emergencial para autoescolas afetadas por mudanças na formação de condutores
Um Projeto de Lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe a criação de um programa emergencial de apoio financeiro para autoescolas de todo o país. A medida tem como objetivo reduzir os impactos econômicos provocados pelas mudanças recentes no processo de formação de condutores implementadas pelo Poder Executivo Federal.
O PL 2272/2026, de autoria do deputado Jorge Goetten, institui o Programa Emergencial de Apoio Financeiro às Autoescolas, destinado aos Centros de Formação de Condutores (CFCs) regularmente credenciados pelos órgãos executivos de trânsito dos estados e do Distrito Federal.
Conforme o texto, o programa pretende garantir a continuidade das atividades das autoescolas e preservar empregos em um setor considerado essencial para a segurança no trânsito.
Como funcionará o auxílioDe acordo com a proposta, o apoio financeiro corresponderá ao pagamento mensal de R$ 1 mil por instrutor de trânsito vinculado à autoescola beneficiada. O benefício teria duração inicial de seis meses, com efeitos retroativos a 1º de dezembro de 2025.
O projeto ainda prevê a possibilidade de prorrogação do auxílio por mais seis meses, desde que haja decisão do Poder Executivo.
Pelo texto, consideram-se elegíveis os instrutores devidamente credenciados e vinculados à autoescola até 1º de dezembro de 2025. A definição da quantidade de profissionais aptos ao benefício ocorrerá com base nos registros oficiais dos órgãos executivos de trânsito estaduais e do Distrito Federal.
Recursos poderão vir do FUNSETA proposta estabelece que o financiamento do programa poderá ocorrer com recursos do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (FUNSET), além de dotações orçamentárias da União e outras fontes previstas em regulamento.
Para ter acesso ao auxílio, as autoescolas deverão cumprir alguns requisitos, entre eles:
- possuir credenciamento regular junto aos órgãos executivos de trânsito;
- manter regularidade fiscal;
- apresentar regularidade trabalhista.
O projeto também determina que caberá ao Poder Executivo regulamentar os procedimentos para habilitação das empresas, pagamento do benefício, mecanismos de fiscalização e eventual prorrogação do programa.
Projeto relaciona crise às mudanças na formação de condutoresNa justificativa do PL, o deputado Jorge Goetten afirma que as autoescolas foram diretamente afetadas pelas alterações promovidas na formação de condutores por meio da Resolução nº 1.020/2025, do Conselho Nacional de Trânsito.
Segundo o parlamentar, as mudanças flexibilizaram etapas do processo de habilitação, incluindo a retirada da obrigatoriedade do curso teórico e a previsão de carga horária mínima reduzida para aulas práticas.
Na justificativa, o autor afirma que as medidas acabaram produzindo impactos econômicos significativos sobre os Centros de Formação de Condutores.
Para o deputado, “as autoescolas exercem papel estratégico na formação de condutores e na promoção da educação para o trânsito, contribuindo diretamente para a redução de sinistros e para a preservação da vida”.
Ainda conforme o texto, o auxílio financeiro considera que os instrutores de trânsito representam o principal ativo operacional das autoescolas.
Medida é temporáriaA justificativa também destaca que o programa possui caráter emergencial e temporário. Segundo o autor, a previsão de prazo determinado e a possibilidade de prorrogação condicionada buscam atender às exigências de responsabilidade fiscal.
O deputado argumenta ainda que a proposta se alinha aos princípios constitucionais da valorização do trabalho e da livre iniciativa, além de buscar preservar um setor considerado importante para a mobilidade e a segurança viária no país.
Texto prevê regulamentação do programaCaso o projeto avance no Congresso Nacional e seja aprovado, o Poder Executivo deverá regulamentar detalhes operacionais do programa, incluindo mecanismos de controle e fiscalização dos pagamentos.
A proposta entrou em tramitação na Câmara dos Deputados e ainda deverá passar pelas etapas de análise legislativa antes de eventual aprovação e sanção.
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“O maior cuida do menor”: como veículos pesados influenciam a segurança viária
O movimento Maio Amarelo, dedicado à conscientização para a redução de acidentes de trânsito, coloca em evidência um tema de suma importância nos dias de hoje: a convivência segura entre diferentescategorias de veículos nas vias. Isso porque, em um cenário urbano cada vez mais complexo, veículos pesados (como caminhões e ônibus) exercem um papel decisivo na proteção de motociclistas e pedestres.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que os acidentes de trânsito causam cerca de 1,19 milhão de mortes por ano no mundo, sendo motociclistas e pedestres os mais vulneráveis. No Brasil, em 2024, foram registradas 37.150 mortes, das quais cerca de 60% envolveram motociclistas, além de uma parcela significativa de ciclistas e pedestres. Diante desse cenário, iniciativas de conscientização e prevenção têm potencial para reduzir de forma relevante esses números.
Nesse contexto, ganha força um princípio amplamente difundido na segurança viária e que você, que dirige, já deve ter escutado alguma vez: o de que “o maior cuida do menor”. Devido à sua massae potencial de impacto, caminhões e ônibus possuem maior capacidade de causar danos, o que amplia a responsabilidade de seus condutores, tanto do ponto de vista legal quanto ético.
Desafios técnicos que vão além da atençãoA condução de veículos pesados envolve limitações físicas que impactam diretamente a segurança. Entre os principais fatores estão, por exemplo, os pontos cegos (áreas ao redor do veículo que não são visíveisao motorista), capazes de ocultar motociclistas e pedestres, especialmente em conversões e cruzamentos.
Outro aspecto crítico é a distância de frenagem. Um caminhão carregado pode precisar de uma distância significativamente maior do que um veículo leve para parar completamente. Nesse cenário,os pneus têm papel decisivo: quando em boas condições, contribuem diretamente para reduzir o tempo de resposta e a distância de parada em emergências.
Enxergar o motociclista nem sempre é apenas uma questão de atenção, mas também de limitação técnica. Por isso, a condução preventiva aliada à manutenção adequada do veículo é indispensável para reduzir riscos no trânsito.
Segurança é responsabilidade compartilhadaO Maio Amarelo também reforça que a segurança no trânsito é uma responsabilidade coletiva. Para motociclistas, evitar permanecer nas zonas de ponto cego, especialmente na lateral direita decaminhões, é uma medida essencial. Já para pedestres, a travessia em locais sinalizados e a atenção em áreas de grande circulação fazem toda a diferença.
Para os condutores de veículos pesados, práticas como manter distância segura, evitar mudanças bruscas de faixa e respeitar limites de velocidade, principalmente em áreas urbanas e zonas de30 km/h, são determinantes para prevenir acidentes.
Além disso, a capacitação contínua de motoristas profissionais é um fator-chave. Antecipar situações de risco, bem como adotar uma condução defensiva são habilidades indispensáveis em um trânsito cada vez mais dinâmico.
Manutenção: fator silencioso, mas decisivo“Entre os diversos aspectos da segurança viária, também não poderíamos deixar de falar sobre a importância da manutenção do veículo, principalmente dos pneus, que ainda é um dos fatores mais subestimados. Componentes desgastados comprometem a aderência, aumentam a distância de frenagem e reduzem a estabilidade, ampliando os riscos em situações críticas” explica Fábio Torres Klabacher, Gerente Nacional de Vendas e Marketing da Dunlop Pneus.
Em um trânsito compartilhado, onde segundos podem evitar acidentes, garantir que o veículo esteja em condições ideais de rodagem é tão importante quanto a atenção ao volante.
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Exame toxicológico da CNH: veja quais substâncias podem impedir a emissão da habilitação
A exigência do exame toxicológico para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) voltou ao centro das discussões nas redes sociais e entre candidatos à primeira habilitação. Isso ocorreu após a divulgação de um ofício encaminhado aos Detrans de todo o país pela Secretaria Nacional de Trânsito. Ele determinou que os órgãos estaduais comecem a exigir toxicológico na 1ª habilitação de moto e carro, mesmo antes da regulamentação definitiva do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A ampliação da exigência do exame toxicológico para categorias A e B ocorreu com a aprovação da Lei nº 15.153/2025.
Na prática, a Senatran orienta que os Detrans já passem a cumprir os §§ 10 e 11 do artigo 148-A do CTB nos novos processos de primeira habilitação das categorias A e B — ou seja, para quem busca tirar a CNH de moto ou carro pela primeira vez. O ponto mais importante do documento é que ele define um procedimento operacional provisório até que o Contran publique regulamentação específica sobre o tema.
DúvidasCom essa informação, aumentaram as dúvidas também sobre quais substâncias podem levar à reprovação no exame e impedir a emissão da CNH.
Diferentemente do que muita gente imagina, o exame toxicológico utilizado no processo de habilitação não tem como foco avaliar apenas o uso recente de drogas, mas identificar padrões de consumo de determinadas substâncias psicoativas ao longo de um período prolongado.
O teste possui uma chamada “larga janela de detecção”, podendo identificar vestígios químicos presentes no organismo por até 90 dias ou mais, dependendo da substância e do material coletado. A análise normalmente é feita por meio de amostras de cabelo, pelos ou unhas.
Quais substâncias podem reprovar no exame?Entre as substâncias normalmente pesquisadas no exame toxicológico estão:
- cocaína e derivados;
- maconha e substâncias relacionadas;
- anfetaminas;
- metanfetaminas;
- ecstasy;
- opioides e opiáceos;
- rebites e estimulantes utilizados para inibir o sono.
Essas substâncias podem gerar resultado positivo e, consequentemente, impedir temporariamente a emissão da habilitação até que o candidato consiga apresentar novo exame negativo.
Além das drogas ilícitas, alguns medicamentos controlados também podem interferir no resultado, especialmente aqueles que possuem composição à base de anfetaminas ou opioides.
Por esse motivo, especialistas recomendam que candidatos informem ao laboratório eventuais tratamentos médicos realizados com prescrição.
Exame não funciona como bafômetroUma das principais confusões sobre o tema envolve o objetivo do exame toxicológico. Muita gente acredita que ele serve para verificar se o motorista está sob efeito de substâncias no momento da realização da prova ou da emissão da CNH. O exame, na verdade, possui finalidade completamente diferente dos testes feitos em fiscalizações de trânsito, ele busca identificar o consumo recorrente de determinadas substâncias ao longo do tempo.
Ampliação da exigência gerou debateA discussão ganhou força após mudanças recentes envolvendo o exame toxicológico para candidatos à habilitação.
Historicamente, a exigência estava associada às categorias C, D e E, voltadas ao transporte de cargas e passageiros. Agora, o tema passou a atingir também futuros condutores de carros e motocicletas, ampliando o impacto da medida.
Para o especialista Celso Mariano, independentemente do debate legislativo, é fundamental compreender o impacto do uso de substâncias na segurança do trânsito.
“A condução segura depende diretamente das condições físicas e cognitivas do motorista. Qualquer substância que altere percepção, reflexos ou capacidade de tomada de decisão representa um fator de risco”, alerta.
Resultado positivo impede emissão da CNH?Sim. Quando o exame apresenta resultado positivo para substâncias proibidas, o candidato não consegue concluir o processo de habilitação naquele momento.
Nesses casos, será necessário aguardar o prazo determinado e realizar um novo exame com resultado negativo para dar continuidade ao processo.
O que o candidato deve fazerA principal orientação é procurar laboratórios credenciados e buscar informações em fontes oficiais ou profissionais especializados.
Também é importante:
- informar o uso de medicamentos prescritos;
- guardar receitas médicas;
- evitar informações falsas divulgadas em redes sociais;
- entender que o exame possui critérios técnicos específicos.
Além disso, especialistas reforçam que o exame toxicológico não substitui outras formas de fiscalização no trânsito, como operações de alcoolemia e ações de combate à direção sob efeito de drogas.
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Quanto custa manter um carro em 2026? Zapay lista os principais gastos dos motoristas
O carro é o segundo maior compromisso financeiro das famílias brasileiras, atrás apenas da alimentação. De acordo com uma pesquisa da Serasa com 2.023 famílias, 67% dos proprietários confirmam que os custos com o veículo são o segundo maior gasto do orçamento, acima de contas básicas como água, luz e gás. Ainda assim, poucos motoristas têm clareza sobre o que compõe essa conta. Para mostrar como esses gastos impactam o orçamento, a Zapay, fintech especializada em débitos veiculares, listou os cinco principais custos de quem tem um carro no Brasil em 2026. Confira:
CombustívelO combustível é o maior custo recorrente de quem usa o carro no dia a dia. Estimativas do setor apontam que um motorista que percorre cerca de 1.000 km por mês gasta aproximadamente R$ 540 só em abastecimento, considerando gasolina a R$ 6,00 o litro e consumo médio de um veículo popular. É também o gasto mais subestimado, diluído em pequenos abastecimentos ao longo do mês, o impacto real no orçamento raramente é calculado com precisão.
SeguroO seguro automotivo varia conforme o perfil do motorista, a região e o modelo do veículo. De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), anualmente o seguro automotivo pode representar entre 3% e 7% do valor do veículo que, a depender do perfil do motorista, modelo e região, se traduz em custos mensais que vão de R$ 70 a mais de R$ 500. É um dos custos que mais surpreendem motoristas de primeira viagem, especialmente por se concentrar junto com outras despesas no início do ano.
ManutençãoRevisões periódicas, troca de óleo, freios, pneus e reparos compõem uma das fatias mais pesadas do orçamento automotivo. De acordo com o levantamento, a manutenção preventiva pode custar entre R$ 800 e R$ 1.200 ao ano, sem contar imprevistos. Já em uma pesquisa da Serasa/Zapay, troca ou conserto de pneus (50%), reparos mecânicos (46%) e multas (30%) lideram os gastos inesperados relatados pelos motoristas. Os dados reforçam que separar uma reserva mensal para manutenção é essencial para evitar que esses gastos peguem o motorista de surpresa.
DepreciaçãoO carro perde valor desde o momento em que sai da concessionária. Dados do setor apontam que veículos populares podem desvalorizar entre 10% e 15% ao ano nos primeiros anos de uso. Para quem pensa em trocar de veículo ou usa o carro como ativo, ignorar a depreciação distorce a percepção do custo real de ter um automóvel.
IPVA e licenciamentoO IPVA varia entre 2% e 4% do valor de mercado do veículo, dependendo do estado, dado confirmado pela legislação estadual vigente. Para um carro avaliado em R$ 90 mil em São Paulo, o imposto pode chegar a R$ 3.600 ao ano, ou R$ 300 por mês se diluído ao longo do exercício. Ainda assim, 21% dos proprietários ouvidos na pesquisa Serasa/Zapay entraram em 2025 sem saber como arcariam com o pagamento. Em 2025, 46% dos clientes da Zapay optaram por parcelar o imposto, e 43% desse grupo escolheu o parcelamento em 12 vezes.
O motorista brasileiro e o desafio do planejamentoMesmo com os custos, 57% dos proprietários ouvidos na pesquisa Serasa/Zapay afirmam que ter um veículo próprio vale a pena, com cerca de 63% que usam o carro todos os dias, principalmente para compras e tarefas do dia a dia (72%), deslocamento para o trabalho (66%) e transporte de familiares (60%).
O carro é essencial para a maioria dos brasileiros, mas o custo real vai muito além da parcela do financiamento. Organizar esses gastos ao longo do ano faz diferença no orçamento e evita surpresas.
Pelo aplicativo da Zapay, é possível consultar débitos veiculares gratuitamente e parcelar IPVA, licenciamento e multas em até 12 vezes.
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Quase 1 em cada 3 sinistros nas rodovias tem relação com a saúde do motorista, aponta estudo
Questões relacionadas à saúde física e mental dos motoristas estiveram por trás de quase um terço dos sinistros registrados nas rodovias federais brasileiras entre 2014 e 2024. O dado faz parte de um levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), elaborado com base em registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo a análise, 1.206.491 ocorrências tiveram relação com fatores como sono, ausência de reação, falta de atenção, transtornos mentais, mal súbito, uso de substâncias psicoativas, além de doenças oculares, problemas motores e neurológicos. Esse número representa 27,8% dos 4,3 milhões de sinistros contabilizados nas rodovias federais no período.
O levantamento surge em meio ao debate sobre a Medida Provisória 1.327/2025, que originalmente previa dispensar determinados condutores da realização de exames médicos na renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O texto acabou sendo alterado no Congresso Nacional para manter a obrigatoriedade do Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM).
De acordo com a Abramet, os dados reforçam a importância do acompanhamento periódico das condições de saúde dos condutores.
“Os números mostram que quase um em cada três sinistros nas rodovias federais têm como causa questões relacionadas à saúde física ou mental dos condutores. Ignorar a importância da realização dos exames de aptidão física e mental realizados pelos médicos do tráfego para renovação da CNH sob qualquer argumento, seria um equívoco”, afirma o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior.
Fator humano responde pela maior parte das ocorrênciasAlém das questões de saúde, o estudo aponta que outros 49% dos sinistros registrados nas rodovias federais tiveram relação com comportamentos inadequados dos condutores, classificados pela PRF como “fator humano”. Nesse grupo entram situações como excesso de velocidade assim como ultrapassagens em locais proibidos.
Somados, os fatores ligados ao comportamento e à saúde dos motoristas representam aproximadamente 80% de todas as ocorrências registradas no período analisado.
Já os problemas relacionados à infraestrutura viária corresponderam a 8% dos registros, enquanto falhas nos veículos representaram cerca de 7%. Aspectos ambientais, como chuva intensa e neblina, responderam por 4% das ocorrências.
Conforme a Abramet, a metodologia utilizada pela PRF permite identificar não apenas o tipo de sinistro, mas também os fatores que contribuíram para sua ocorrência, o que ajuda na elaboração de estratégias de prevenção.
Estados apresentam diferenças nos índicesA análise mostra ainda que o peso dos problemas de saúde varia entre os estados brasileiros. Em Roraima, por exemplo, as questões relacionadas à saúde estiveram presentes em 35,1% dos sinistros registrados. Mato Grosso do Sul aparece na sequência, com 32,1%, seguido por Pará (30,3%), Rio Grande do Sul (30,1%) e Piauí (30%).
Em números absolutos, Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 154.648 ocorrências relacionadas à saúde dos condutores. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo aparecem logo depois.
O estudo também chama atenção para as características das ocorrências nas rodovias federais. As colisões — frontais, traseiras e laterais — representaram mais da metade dos casos registrados entre 2014 e 2024. Na sequência aparecem saídas de pista, tombamentos, quedas e capotamentos.
Homens são maioria nos registrosOutro dado levantado pela Abramet aponta que os homens estiveram envolvidos em 66,1% dos sinistros registrados nas rodovias federais brasileiras. A predominância masculina se manteve na maior parte das categorias analisadas pela PRF.
Em relação à idade, a maior concentração de ocorrências foi observada entre condutores de 20 a 59 anos, especialmente nas faixas entre 30 e 39 anos e entre 20 e 29 anos.
O levantamento também identificou que jovens com até 19 anos e pessoas com 60 anos ou mais aparecem proporcionalmente mais entre as vítimas fatais, apesar de participarem menos do total de sinistros.
Renovação automática da CNH: retorno da exigência de examesO levantamento divulgado pela Abramet reforça um debate que ganhou destaque durante a tramitação da Medida Provisória 1.327/2025: a possibilidade de renovação automática da CNH para determinados condutores. Embora a proposta tenha surgido com a ideia de simplificar o processo, o texto aprovado no Congresso manteve a exigência dos exames médicos para renovação da habilitação.
De acordo com a Abramet, o acompanhamento periódico da saúde dos condutores continua sendo uma medida essencial para reduzir riscos no trânsito e prevenir mortes e feridos nas rodovias brasileiras.
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Atlas da Violência 2026: motociclistas já representam 41,6% das mortes no trânsito no Brasil
O trânsito brasileiro matou 37.150 pessoas em 2024 e consolidou uma mudança preocupante no perfil da violência viária: os motociclistas já representam mais de 4 em cada 10 mortes registradas no país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Conforme o levantamento, as motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% dos óbitos no trânsito em todo o Brasil. O número de mortes em sinistros envolvendo motos passou de 11.182, em 2019, para 15.459 em 2024, crescimento de 38% no período. Para os pesquisadores, a expansão da economia de aplicativos e o uso da motocicleta como instrumento de trabalho alteraram profundamente a dinâmica da mobilidade urbana e da mortalidade viária brasileira.
O relatório trata o trânsito como uma das principais frentes da violência letal no país. Assim, aproximando o debate da segurança viária de questões estruturais como desigualdade social, precarização do trabalho e ausência de proteção aos usuários mais vulneráveis do sistema viário.
O trânsito além da mobilidadeO Atlas da Violência 2026 reforça uma mudança importante na forma como o trânsito vem sendo analisado no Brasil. Mais do que um problema de circulação urbana ou fiscalização, os pesquisadores passam a tratar a mortalidade viária como um fenômeno social de grande impacto na saúde pública e na segurança da população.
O documento destaca que o aumento das mortes no trânsito está diretamente ligado às transformações econômicas e urbanas dos últimos anos. Ou seja, especialmente ao crescimento do trabalho por aplicativos e ao avanço da motocicleta como alternativa de renda para milhões de brasileiros.
“Quando o trânsito mata nessa escala, ele deixa de ser apenas um problema viário e passa a ser uma questão de saúde pública, trabalho e segurança”, explica Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.
Para ele, os números mostram que o debate sobre segurança viária precisa ir além da análise tradicional baseada apenas no comportamento individual dos condutores. “Mais do que cumprir regras, o trânsito exige compreensão de risco e responsabilidade coletiva. Isso inclui discutir infraestrutura, formação de condutores, condições de trabalho e políticas públicas voltadas aos usuários mais vulneráveis”, afirma.
Mortes com motos crescem em todo o paísO Atlas aponta que a motocicleta passou a ocupar papel central na mobilidade brasileira, principalmente em regiões com menor oferta de transporte público e maior presença da informalidade.
Com menor custo de aquisição e manutenção em comparação ao automóvel, a moto se tornou alternativa de deslocamento e, principalmente, ferramenta de trabalho. O problema é que esse crescimento veio acompanhado de maior exposição ao risco.
Entre 2019 e 2024, o Brasil registrou aumento de 38% nas mortes em sinistros envolvendo motocicletas. O salto de 11.182 para 15.459 mortes evidencia uma mudança importante no perfil da violência no trânsito brasileiro.
O relatório destaca ainda que trabalhadores ligados à economia de aplicativos estão entre os grupos mais expostos ao risco letal no cotidiano urbano. Isso acontece em razão de fatores como:
- jornadas extensas;
- pressão por produtividade;
- maior tempo de exposição no trânsito;
- ausência de proteção social.
Embora o documento não atribua o problema exclusivamente aos aplicativos, os pesquisadores apontam que a dinâmica econômica atual contribuiu para ampliar a vulnerabilidade dos motociclistas nas cidades brasileiras.
Norte e Nordeste concentram cenário mais críticoO Atlas também chama atenção para a desigualdade regional da violência no trânsito. De acordo com o levantamento, as regiões Norte e Nordeste concentram os cenários mais preocupantes relacionados às mortes de motociclistas.
O caso mais emblemático citado no estudo é o do Piauí. Em 2024, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas no estado — índice muito acima da média nacional.
Para os pesquisadores, isso mostra como a motocicleta se consolidou como principal meio de transporte e instrumento de sobrevivência econômica em diversas regiões do país.
Além da questão econômica, especialistas apontam que fatores como infraestrutura precária, fiscalização insuficiente, crescimento acelerado da frota e fragilidade da mobilidade urbana ajudam a explicar o avanço das mortes.
Segurança viária passa por discussão estruturalO Atlas da Violência 2026 reforça que o enfrentamento da mortalidade no trânsito exige políticas públicas mais amplas e integradas. A discussão envolve desde educação para o trânsito até planejamento urbano, infraestrutura segura e condições de trabalho.
Para Celso Mariano, a discussão precisa ir além da punição e focar prevenção, educação e escolhas seguras.
“O erro humano continua existindo, mas os ambientes viários precisam ser mais tolerantes aos erros. Quando há pressão econômica, fadiga e exposição constante ao risco, o sistema precisa oferecer mais proteção”, avalia.
Os dados do Atlas ainda devem alimentar novos debates sobre segurança dos motociclistas, condições do trabalho por aplicativos e políticas públicas voltadas à redução da violência no trânsito. Na próxima reportagem da série, o Portal do Trânsito vai aprofundar justamente a relação entre precarização do trabalho e o aumento das mortes envolvendo motociclistas no Brasil.
Clique aqui e acesse o Atlas da Violência 2026 na íntegraThe post Atlas da Violência 2026: motociclistas já representam 41,6% das mortes no trânsito no Brasil appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Maio Preto denuncia omissão do poder público diante da violência no trânsito
A morte de uma jovem de 20 anos, atropelada enquanto caminhava na calçada em Ipanema, no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre segurança viária no Brasil e sinaliza para a importância de uma verdadeira campanha de redução de mortes trânsito no país, envolvendo gestores públicos e toda a sociedade. O Maio Preto é um movimento que propõe um contraponto ao Maio Amarelo, com o objetivo de denunciar a falta de ação efetiva das autoridades diante das mais de 35 mil mortes registradas todos os anos no trânsito brasileiro.
O caso da jovem atropelada no Rio de Janeiro chamou a atenção por se tratar de filha de diplomatas brasileiros, o que motivou até mesmo referência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou carta de solidariedade à família.
“As mortes no trânsito acontecem todos os dias e todas elas mereceriam esse destaque”, analisa Daniel Bassoli, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive).
O diretor destaca, ainda, que o episódio também expõe uma contradição difícil de ignorar: o trânsito brasileiro continua produzindo números de guerra mesmo com leis, resoluções, metas nacionais e campanhas públicas já consolidadas.
Entre 2010 e 2019, o Brasil registrou média anual superior a 35 mil mortes no trânsito e mais de 300 mil feridos graves por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. “Houve uma redução importante nos índices a partir de 2014, mas essa queda perdeu força e não se consolidou como política estrutural de segurança viária”, aponta Bassoli.
ProblemasProblemas históricos como fiscalização insuficiente, envelhecimento da frota, ausência de inspeção técnica periódica e baixo cumprimento das normas de trânsito são alguns dos fatores que impactaram nas estatísticas. Segundo o Anuário Estatístico 2025 da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2025 as rodovias federais brasileiras registraram 72.529 sinistros de trânsito, com 6.043 mortes e 83.550 feridos.
“O Brasil não sofre por falta de legislação de trânsito. Sofre pela incapacidade de fazer cumprir aquilo que já está regulamentado. O Maio Preto é um alerta para essa omissão estrutural”, reflete Bassoli.
De acordo com o diretor da Fenive, o Brasil possui legislação suficiente para reduzir drasticamente as mortes no trânsito. O desafio é superar a incapacidade do poder público de garantir o cumprimento das normas já existentes. “Campanha educativa é importante, mas campanha sem fiscalização, sem inspeção e sem cumprimento das leis não reduz mortes de forma consistente”, afirma.
BurocraciaA crítica envolve não apenas a demora na publicação de resoluções importantes, mas, principalmente, a ausência de fiscalização contínua, a demora na correção de falhas sistêmicas, a falta de apuração de denúncias e o não cumprimento efetivo de medidas já regulamentadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Na opinião de Daniel Bassoli, há casos em que o próprio poder público acaba flexibilizando exigências previstas em lei. Um exemplo recente é a Medida Provisória 1.360, que altera regras relacionadas ao transporte por motocicletas e impacta exigências previstas no artigo 139-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), na Lei 12.009/2009 – lei federal que regulamenta o exercício das atividades de mototáxi e motofrete no Brasil – e em dispositivos da Resolução Contran 943, que tratam da regulamentação e das condições de segurança para motofrete e mototáxi. Segundo ele, mudanças sem fiscalização adequada e sem fortalecimento dos mecanismos de controle ampliam a sensação de fragilidade regulatória no trânsito brasileiro.
PnatransO Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), alinhado às metas da ONU para a Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, estabeleceu como objetivo reduzir em pelo menos 50% o índice nacional de mortes no trânsito até 2030, tomando como referência os dados de 2020. “Metas sem cronograma público, fiscalização permanente e responsabilização acabam se transformando apenas em compromissos formais”, critica o diretor.
Bassoli exemplifica que o mesmo ocorre com resoluções técnicas importantes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), como a Resolução 810, que trata da classificação de danos e regularização de veículos sinistrados, e a Resolução 859, voltada aos sistemas de segurança obrigatórios em caminhões basculantes – e que desde 2015 está sem efetividade. Embora sejam normas criadas justamente para reduzir riscos e evitar acidentes graves, a aplicação prática enfrenta problemas recorrentes, como baixa fiscalização, ausência de integração entre os órgãos responsáveis, dificuldades operacionais e sucessivas tentativas de adiamento ou flexibilização das exigências.
“O sistema brasileiro cria resoluções técnicas importantes, mas muitas vezes elas ficam sem fiscalização efetiva, sofrem postergações ou enfrentam pressões para não sair do papel”, afirma Bassoli.
Outro ponto de preocupação é o crescimento desordenado dos ciclomotores, bicicletas elétricas e veículos autopropelidos nas cidades brasileiras. Embora existam regras específicas para circulação e exigência de equipamentos obrigatórios, a fiscalização é considerada insuficiente em grande parte dos municípios, permitindo circulação irregular, ausência de equipamentos de segurança e desrespeito frequente às leis de trânsito.
Outro fator crítico, destaca o diretor da Fenive, é o envelhecimento acelerado da frota brasileira.Dados da Senatran mostram que o Brasil já ultrapassa 123 milhões de veículos em circulação. Paralelamente, estados ampliam políticas de isenção de IPVA para veículos antigos sem exigir qualquer tipo de inspeção técnica obrigatória. São decisões que contribuem para manter em circulação veículos envelhecidos, frequentemente sem manutenção adequada e sem controle mínimo das condições de segurança. “Toda morte no trânsito deveria gerar indignação pública. São situações evitáveis, porém o País parece ter se acostumado às milhares de mortes todos os anos”, ressalta.
Conforme ele, o Maio Preto representa justamente o luto silencioso de milhares de famílias brasileiras e a necessidade urgente de transformar segurança viária em política pública permanente, baseada em fiscalização efetiva, inspeção técnica, cumprimento das resoluções do Contran e responsabilização dos órgãos encarregados de executar essas medidas. “O Maio Preto representa o luto silencioso das famílias brasileiras que perderam alguém no trânsito enquanto o poder público continua tratando segurança viária apenas como campanha sazonal”, conclui Bassoli.
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IRPF 2026: motorista de aplicativo precisa declarar? Entenda o passo a passo
A temporada de declaração do Imposto de Renda traz dúvidas específicas para um grupo crescente de trabalhadores: os motoristas de aplicativo. Uber, 99, Lalamove e inDrive reúnem centenas de milhares de profissionais no Brasil e, diferentemente de quem recebe salário via CLT, esses trabalhadores precisam organizar suas próprias contas com o Fisco.
O ponto central é que as plataformas não são empregadoras. Elas apenas intermediam a relação entre motorista e passageiro, cobrando uma taxa pelo serviço. Por isso, não repassam automaticamente à Receita Federal informações sobre quanto cada motorista ganhou ao longo do ano. A responsabilidade de apurar e recolher o imposto recai integralmente sobre o profissional, por meio do carnê-leão, com recolhimento mensal.
Para fins de cálculo, motoristas e taxistas podem deduzir 40% da receita bruta como despesas operacionais, como combustível, manutenção e depreciação do veículo. Os 60% restantes compõem a base de cálculo do imposto. Caso esse valor ultrapasse R$ 35.584 anuais, a declaração é obrigatória. Se o trabalhador tiver outras fontes de renda, elas devem ser somadas à parcela tributável, mantendo-se o mesmo limite de obrigatoriedade.
RendaSegundo levantamento da fintech GigU, a renda líquida dos motoristas varia conforme a cidade e a carga horária. Em São Paulo, por exemplo, um profissional que trabalha 60 horas por semana tem lucro médio de R$ 4.252,24 após custos como combustível e IPVA. No Rio de Janeiro, a média é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas, enquanto em Belo Horizonte o lucro gira em torno de R$ 3.554,58 na mesma carga horária.
“É uma atividade que exige bastante, mas a autonomia e a rentabilidade, superiores às de algumas ocupações tradicionais, acabam sendo um grande atrativo”, afirma Luiz Gustavo Neves, co-fundador e CEO da plataforma.
Deve-se preencher o carnê-leão, disponível no sistema Meu Imposto de Renda da Receita Federal, mês a mês. Declarar os ganhos apenas na entrega anual pode gerar multa diária de 0,33% sobre o valor devido, limitada a 20% do imposto, além de juros de 1% ao mês.
Como preencherNa prática, o preenchimento é simples. Após acessar o carnê-leão, o motorista informa os valores recebidos mensalmente. Na declaração anual, os 60% tributáveis devem ser lançados na ficha “Rendimentos recebidos de pessoa física”, enquanto os 40% restantes entram como “Rendimentos isentos e não tributáveis”. Quem já realizou os lançamentos mensais pode importar os dados diretamente, reduzindo o risco de erros e multas.
O cenário evidencia uma transformação silenciosa no mercado de trabalho brasileiro. Com o avanço do trabalho autônomo, das plataformas digitais e dos serviços sob demanda, cresce também a necessidade de disciplina financeira e conhecimento fiscal. Para muitos motoristas, entender essas regras é tão importante quanto conhecer o melhor caminho para otimizar as corridas e garantir o rendimento mensal.
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Anuário da PRF revela mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2025
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou, neste mês, seu mais recente Anuário Estatístico que traça um retrato preocupante das rodovias federais brasileiras em 2025. Mesmo distante dos piores momentos da série histórica, o país ainda registrou 72.529 sinistros, 83.550 pessoas feridas e 6.043 mortes nas BRs federais ao longo do último ano.
Os dados mostram que, após uma forte queda observada até 2020, os índices de violência no trânsito voltaram a crescer gradualmente nos últimos anos. O cenário reforça o desafio brasileiro de reduzir de forma consistente a mortalidade nas estradas, apesar do aumento da fiscalização, da tecnologia embarcada nos veículos e das campanhas de conscientização.
Além dos números absolutos, o anuário chama atenção para fatores estruturais e comportamentais que seguem influenciando diretamente a gravidade dos sinistros, como pistas simples, excesso de velocidade, falhas de percepção dos condutores e colisões frontais.
Série histórica mostra queda em relação ao passado, mas tendência preocupaA análise histórica apresentada pela PRF mostra que o Brasil atingiu seu pico de violência nas rodovias federais entre 2010 e 2012. Em 2011, por exemplo, foram registrados:
- 192.322 sinistros;
- 106.827 feridos;
- 8.675 mortes.
Em 2020, durante a pandemia e com menor circulação nas estradas, o país chegou ao menor patamar da série histórica, com 5.292 mortes. Já em 2025, o número voltou a ultrapassar 6 mil óbitos.
Embora os indicadores atuais estejam abaixo dos registrados há mais de uma década, especialistas alertam que o crescimento gradual observado após 2020 merece atenção.
Para Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o país parece enfrentar uma espécie de estagnação na segurança viária. “O Brasil conseguiu reduzir significativamente os números ao longo dos últimos anos, mas agora enfrenta dificuldade para avançar além disso. Isso mostra que fiscalização e campanhas são importantes, mas talvez já não sejam suficientes sozinhas”, avalia.
Minas Gerais, Paraná e Bahia lideram número de mortesO anuário mostra que Minas Gerais continua concentrando os piores indicadores de sinistralidade do país. O estado liderou o número de mortes em rodovias federais em 2025, com 765 óbitos registrados.
Na sequência aparecem:
- Paraná: 593 mortes;
- Bahia: 583;
- Santa Catarina: 434;
- Pernambuco: 336.
Os dados refletem não apenas o tamanho territorial dos estados, mas também a intensidade do fluxo rodoviário, a presença de corredores logísticos e a concentração de veículos pesados.
No caso do Paraná e de Santa Catarina, por exemplo, rodovias federais convivem diariamente com tráfego intenso de cargas, turismo e deslocamentos urbanos.
BR-101 e BR-116 continuam entre as mais críticasAs BRs 101 e 116 seguem concentrando o maior volume de sinistros do país. Segundo a PRF, essas rodovias continuam sendo os principais corredores de ocorrências em nível nacional.
O trecho da BR-101 em Santa Catarina aparece como o segmento com maior número de sinistros do Brasil, com 4.222 registros em 2025. Já a BR-381, em Minas Gerais, foi apontada como a mais letal, contabilizando 158 mortes no período.
A combinação entre tráfego intenso, circulação de caminhões, áreas urbanizadas e alto fluxo diário ajuda a explicar os índices elevados.
Pistas simples seguem muito mais letaisUm dos dados que mais chamam atenção no levantamento da PRF envolve o tipo de pista. Embora o número de sinistros em pistas simples e duplas seja relativamente próximo, a diferença no número de mortes é expressiva:
- pistas duplas: 30.782 sinistros e 1.603 mortes;
- pistas simples: 34.733 sinistros e 4.143 mortes.
Na prática, isso significa que a chance de um sinistro resultar em morte é muito maior em rodovias sem separação física entre os fluxos.
O dado amplia o debate sobre infraestrutura viária e segurança no trânsito brasileiro.
“Quando uma falha acontece em pista simples, normalmente o impacto é muito mais severo. O sistema viário precisa ser pensado para reduzir as consequências do erro humano”, explica Celso Mariano.
Colisão frontal continua sendo a mais fatalA colisão traseira aparece como o tipo de sinistro mais frequente nas rodovias federais, com 14.360 registros em 2025.
No entanto, a colisão frontal continua sendo disparadamente a mais letal. Mesmo ocupando apenas o quinto lugar em frequência, ela provocou 1.863 mortes ao longo do ano.
Os atropelamentos de pedestres também preocupam. Foram 919 mortes para um total de 3.057 ocorrências.
De acordo com especialistas, esses dados reforçam como determinados tipos de sinistros possuem potencial destrutivo muito maior, especialmente em ambientes rodoviários de alta velocidade.
Falhas humanas lideram causas dos sinistrosO anuário mostra que fatores ligados ao comportamento e à percepção dos condutores continuam predominando entre as principais causas de sinistros.
A “ausência de reação do condutor” liderou o ranking, com 11.469 ocorrências e 855 mortes. Já a “reação tardia ou ineficiente” apareceu em 10.799 sinistros.
Outro dado que chama atenção é o número de mortes relacionadas a veículos transitando na contramão. Embora menos frequente, essa conduta foi responsável por 961 mortes em 2025, tornando-se a causa mais letal proporcionalmente.
Velocidade incompatível e ingestão de álcool também seguem entre os fatores críticos apontados pela PRF.
Educação e prevenção seguem como desafioAlém da fiscalização, o anuário destaca programas educativos desenvolvidos pela PRF, como o Cinema Rodoviário, o Educar PRF e o Festival de Teatro para o Trânsito (FETRAN).
As iniciativas buscam promover mudança de comportamento e conscientização sobre riscos no trânsito, especialmente entre crianças, adolescentes e motoristas profissionais.
Para Mariano, porém, os números mostram que o Brasil ainda precisa aprender a transformar estatísticas em políticas permanentes de prevenção.
“Fiscalização é importante, mas ela precisa caminhar junto com investimentos em infraestrutura, educação para o trânsito e planejamento viário para que as mortes nas rodovias realmente diminuam de forma consistente”, afirma Celso Mariano.
Clique aqui e acesse o Anuário completo da PRFThe post Anuário da PRF revela mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2025 appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Fiscalização eletrônica pode reduzir gravidade de sinistros com motos, aponta estudo em São Paulo
Motociclistas vítimas de sinistros graves em São Paulo estavam, em sua maioria, circulando por vias sem fiscalização eletrônica. É o que revela um estudo inédito realizado pelo Instituto Cordial em parceria com a Abramet, com apoio da Uber, a partir da análise de casos atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HDC).
O levantamento acompanhou a jornada de pacientes internados após sinistros de trânsito com moto e identificou uma forte relação entre a ausência de fiscalização viária e a gravidade das ocorrências. Segundo os dados, 95% dos acidentes analisados aconteceram em locais sem qualquer tipo de fiscalização eletrônica.
A pesquisa também apontou problemas relacionados à sinalização, infraestrutura urbana e comportamento de risco, reforçando o debate sobre segurança viária para motociclistas — atualmente um dos grupos mais vulneráveis no trânsito brasileiro.
Infraestrutura aparece como fator importante nos sinistrosOs dados obtidos junto às vítimas internadas no Hospital das Clínicas mostram um cenário considerado preocupante em relação às condições das vias onde ocorreram os acidentes.
Além da ausência de radares em 95% dos locais analisados, quase 70% dos motociclistas relataram que não havia sinalização de limite de velocidade nas vias. Nos acidentes registrados em cruzamentos — que representaram 28% da amostra — apenas 26% ocorreram em locais com semáforo.
Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a chamada “dinâmica de corredor”, situação em que motociclistas circulam entre veículos. Pelo menos 35% dos acidentes envolveram esse tipo de deslocamento.
O estudo também identificou que cerca de 21% das vítimas não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida.
Já em relação aos horários, os acidentes ocorreram com maior frequência às quintas-feiras, entre 5h e 8h da manhã.
Hospital atende casos de alta complexidadeDe acordo com os responsáveis pela pesquisa, o perfil do Hospital das Clínicas foi fundamental para compreender a gravidade dos casos analisados.
Por ser uma unidade estritamente referenciada, o hospital recebe pacientes encaminhados por serviços de resgate, como o SAMU, além de outras unidades de saúde. Assim, concentrando ocorrências de alta complexidade.
A análise dos dados hospitalares demonstrou que locais com presença de fiscalização eletrônica estavam associados a perfis de sinistros relativamente menos graves, mesmo considerando o padrão severo dos casos atendidos pela instituição.
Para os pesquisadores, o resultado reforça a importância de medidas voltadas à redução de velocidade e à proteção dos usuários mais vulneráveis do sistema viário. “A segurança viária não pode depender exclusivamente do comportamento individual do motociclista ou de suas escolhas”, destaca Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial.
“A infraestrutura e a gestão de vias precisam estar preparadas para absorver a inevitabilidade do erro humano, reduzindo sua gravidade e evitando a letalidade, tal como preconizado na abordagem dos Sistemas Seguros, defendida pela ONU, OMS e Ministério dos Transportes. A pesquisa mostra que muitos destes fatores ligados à via precisam melhorar, dos quais a sinalização e a fiscalização de velocidade se destacam”, argumenta.
Estudo também relaciona fiscalização à redução da letalidadeO relatório ainda chama atenção para os impactos do enfraquecimento de políticas de fiscalização no trânsito.
Segundo o estudo, o relaxamento da fiscalização eletrônica pode contribuir para o aumento de mortos e feridos. Ou seja, principalmente por reduzir a eficácia no combate ao excesso de velocidade.
O levantamento também cita mudanças recentes no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como a ampliação do limite para suspensão da CNH para até 40 pontos. Nesse sentido, apontando que isso prolonga a permanência de condutores infratores nas vias antes da aplicação de sanções mais severas.
A discussão ganha relevância diante do crescimento da frota de motocicletas e do aumento da participação desse tipo de veículo nos deslocamentos urbanos e no trabalho por aplicativos e entregas.
“A Uber entende que, por meio de pesquisas como essa, é possível enfrentar o problema da segurança viária como sociedade. Sabemos que o trânsito é um ecossistema que precisa de iniciativas tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Por conta disso, seguimos investindo intensamente em melhorias baseadas em dados que estudos como esse podem trazer”, afirma Rafael Thosi, Líder de Operações de Segurança da Uber no Brasil.
Como o estudo foi realizadoO projeto reuniu uma investigação multidisciplinar baseada em fontes primárias e entrevistas realizadas entre agosto de 2025 e março de 2026.
Ao todo, foram feitas 93 entrevistas com vítimas de sinistros envolvendo motocicletas. O trabalho contou com apoio de profissionais de saúde do Hospital das Clínicas. Além disso, utilizou também dados territoriais e informações secundárias para análise detalhada de cada caso.
Segundo os organizadores, esta foi a primeira pesquisa sobre o tema a conseguir mapear com elevado nível de detalhamento as circunstâncias de cada sinistro envolvendo motociclistas atendidos pela unidade hospitalar.
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Renovação automática da CNH não deve acontecer mais; entenda
Quando o governo federal editou a Medida Provisória (MP) 1.327/2025, um dos pontos que mais chamou a atenção dos brasileiros foi a possibilidade de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta previa que, em determinados casos, o processo pudesse acontecer diretamente pelo aplicativo “CNH do Brasil”, sem necessidade de exames presenciais.
A ideia rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e em reportagens sobre modernização e desburocratização dos serviços públicos. No entanto, após a tramitação da medida no Congresso Nacional, o cenário mudou significativamente.
O relatório aprovado na comissão mista responsável pela análise da MP retomou a obrigatoriedade dos exames médicos para renovação da CNH. Na prática, especialistas avaliam que isso esvazia a principal promessa da chamada “renovação automática”.
O que previa a MP da renovação automática da CNH?Quando foi publicada, a MP 1.327/25 propunha uma série de mudanças no sistema de trânsito brasileiro. Entre elas, a criação de um modelo mais automatizado para a renovação da habilitação.
A lógica seria baseada principalmente em:
- integração nacional de dados;
- uso do aplicativo “CNH do Brasil”;
- cruzamento eletrônico de informações;
- utilização do Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
A proposta indicava que condutores sem restrições e com situação regular poderiam renovar a CNH de forma praticamente automática, sem a necessidade de passar novamente por avaliações presenciais. Para utilizar o serviço, o condutor deveria aderir ao Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), que concede o selo de “Bom Condutor”, e precisava atender os seguintes requisitos:
- Não ter cometido infrações nos últimos 12 meses;
- Estar com a CNH vencida a partir de 1º de dezembro de 2025;
- Não possuir restrições médicas;
- Ter completado o prazo de validade do documento.
Foi justamente esse ponto que gerou maior repercussão pública.
O que mudou no Congresso?Durante a tramitação da MP, parlamentares e especialistas levantaram preocupações relacionadas à segurança viária e à importância das avaliações periódicas dos condutores. Com isso, o texto passou por alterações importantes.
A principal delas foi a volta da obrigatoriedade dos exames médicos para renovação da CNH, inclusive nos casos que poderiam ser automatizados pelo sistema digital.
Ou seja, embora o processo continue podendo ser iniciado eletronicamente e tenha etapas mais simplificadas, a avaliação médica permanece obrigatória.
Na prática, isso significa que a chamada “renovação automática” perde grande parte do efeito originalmente anunciado.
Então a renovação automática da CNH acabou?Na prática, sim — ao menos da forma como foi inicialmente divulgada.
Isso porque a expressão “renovação automática” criou na população a percepção de que seria possível renovar a habilitação sem qualquer tipo de reavaliação presencial.
Com a manutenção dos exames médicos obrigatórios, isso não deve acontecer.
O que permanece, provavelmente, é a digitalização do processo. Ou seja:
- solicitação eletrônica;
- integração de dados;
- envio digital de informações;
- acompanhamento pelo aplicativo;
- automatização de etapas administrativas.
Mas não haverá renovação sem análise de aptidão física e mental do condutor.
Por que os exames médicos são importantes?A decisão do Congresso reforçou um entendimento considerado essencial por especialistas em segurança viária: os exames de aptidão não representam apenas uma etapa burocrática. Eles têm a função de verificar se o motorista continua em condições seguras para dirigir.
Durante o processo de renovação, podem ser identificados problemas como: perda significativa da visão, limitações motoras, comprometimentos cognitivos, doenças neurológicas, condições que afetam reflexos e percepção e uso de medicamentos incompatíveis com a condução segura.
Além disso, o envelhecimento natural pode alterar capacidades importantes para a direção, o que torna a reavaliação periódica uma ferramenta relevante de prevenção.
O que muda daqui para frente?A partir de agora, o modelo de renovação da CNH deve seguir um caminho híbrido. Ou seja, o cidadão poderá ter mais facilidade no processo administrativo, mas continuará precisando comprovar que está apto para dirigir.
A mudança mostra que o Congresso aceitou avançar na digitalização dos serviços de trânsito, mas estabeleceu limites quando o assunto envolve segurança viária e avaliação das condições do condutor.
E quem está com a CNH vencendo agora?Para quem está com a habilitação vencendo neste momento, a recomendação é acompanhar os canais oficiais do Detran do seu estado e verificar a situação pelo aplicativo CNH do Brasil. Isso porque o presidente irá sancionar a nova regra e ela precisará p0assar por regulamentação antes da implementação definitiva.
Além disso, os procedimentos poderão variar temporariamente conforme a adaptação dos sistemas estaduais.
Na prática, a orientação é não presumir que a renovação ocorrerá automaticamente sem qualquer etapa adicional.
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Mobilidade urbana e custo de vida: ainda vale a pena ter carro?
Se locomover nas cidades, principalmente nas maiores e nas metrópoles, não é tarefa fácil. A mobilidade urbana como um todo passa por diversos desafios: falta de infraestrutura de ruas e avenidas, excesso de veículos, transporte público caro e ineficiente, em sua maioria, entre muitos outros.
Para se esquivar um pouco dos problemas, muitas pessoas recorrem a soluções individuais. Entre elas, o carro ainda segue sendo a opção número um para quem busca ter mais conforto e autonomia no trânsito. Muito embora o mercado de motos esteja aquecido, o número de carros nas ruas segue sendo superior.
A presença do carro no cotidiano familiarSegundo dados da PNAD Contínua, quase metade dos domicílios brasileiros possui pelo menos um carro, enquanto um quarto tem apenas motocicletas e cerca de 13% tem carro e moto. Na prática, são mais de 77 milhões de veículos e 35 milhões de motos circulando nas ruas brasileiras.
O carro possui diferenças importantes em relação a moto. Apesar de serem mais caros para adquirir, quando postos em comparação, o carro permite realizar viagens em família, possui porta-malas para guardar compras de supermercado, além de apresentar mais segurança no trânsito, muito pelo fato de ser uma “redoma de aço” e pelos itens que oferece, como air-bags.
Contudo, manter um carro pode representar um custo alto para as famílias. De acordo com levantamento feito pela Serasa, 67% dos lares têm o custo com o automóvel como um dos três principais gastos do lar, ficando apenas atrás dos gastos com alimentação.
Para estes brasileiros, o carro serve principalmente para fazer compras e tarefas do dia a dia, para lazer como passeios e como meio de transporte para trabalho ou local de estudo. Quase metade dos entrevistados pela pesquisa afirma também o uso para viagens a turismo.
Custos visíveis e invisíveis do automóvel próprioSeja um carro novo ou usado, o fato é que possui vários custos fixos que podem pesar no orçamento. Entre eles, as obrigações como IPVA e licenciamento aparecem todo ano. O seguro, embora não seja obrigatório, é um custo fixo para quem o contrata. No caso de um carro financiado, deve-se considerar o valor das parcelas como algo igualmente fixo.
Já entre os custos variáveis, é possível colocar o gasto com combustível (que varia conforme eficiência energética do carro, distância percorrida, tipo de combustível usado, entre outros), com manutenção (inclui-se a corretiva e também a preventiva, como troca de pneus, óleo, etc.) e também o que se gasta com estacionamento, pedágios, aluguel de vaga, entre outros.
Sendo assim, estima-se que um carro popular custa mensalmente, em média, R$ 2 mil, o que pode variar para mais ou para menos, dependendo do tipo de veículo, de quanto se roda por mês, se a manutenção do carro está em dia, entre outros fatores.
Alternativas ao carro próprioPor se tratar de um valor alto, é normal que muitas pessoas busquem alternativas. Por vezes, alternar com o transporte público pode ser viável para obter alguma economia. Muitas pessoas também optam pelo aluguel do carro somente aos finais de semana ou para alguma viagem programada.
O carro por assinatura também pode aparecer como uma opção para quem precisa mais do carro e busca um pouco de economia e menos burocracia. Até mesmo o transporte por aplicativo pode ser mais econômico, quando comparado com os gastos mensais que um carro proporciona.
De qualquer forma, é preciso ter um bom controle financeiro para saber o que vale a pena. Afinal, as necessidades variam de pessoa para pessoa. Manter as finanças organizadas auxilia muito na tomada de decisão, seja para colocar os gastos do carro próprio na ponta do lápis ou para entender qual cenário é mais vantajoso.
Levando em consideração o que é melhor para o orçamento, é possível até mesmo chegar a alguma economia no final do mês. Esse dinheiro pode ser usado para opções de investimento e título de capitalização, por exemplo, cuja rentabilidade e garantias podem certamente ajudar financeiramente no futuro.
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Tarifa zero no transporte pode atuar como “novo Bolsa Família”, aponta estudo
A possibilidade de implantar tarifa zero no transporte público brasileiro pode ir além da mobilidade urbana e se tornar uma política de impacto social semelhante ao Bolsa Família. É o que aponta um estudo recente divulgado pela Agência Brasil, com base em pesquisa acadêmica sobre o tema.
Conforme o levantamento, a gratuidade no transporte coletivo teria potencial para liberar renda no orçamento das famílias, funcionando como uma espécie de “salário indireto”.
Impacto econômico pode chegar a bilhõesDe acordo com o estudo, a implementação da tarifa zero nas capitais brasileiras poderia gerar uma movimentação expressiva na economia.
A estimativa aponta para um impacto total de cerca de R$ 60 bilhões por ano, considerando o dinheiro que deixaria de ser gasto com passagens e passaria a circular no consumo de bens e serviços.
Desse total, aproximadamente R$ 14,7 bilhões já circulam atualmente devido a gratuidades existentes — como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência. Isso significa que a injeção adicional seria de cerca de R$ 45,6 bilhões em novos recursos na economia.
Transporte gratuito como política socialA lógica por trás da proposta é simples: ao eliminar o custo do deslocamento diário, o trabalhador passa a ter mais renda disponível para outras necessidades.
Na prática, isso amplia o acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e emprego, além de reduzir desigualdades sociais e territoriais.
Pesquisadores destacam que o efeito distributivo da medida pode ser comparável ao de programas de transferência direta de renda, especialmente por atingir milhões de pessoas de forma ampla e contínua.
Debate envolve mobilidade e sustentabilidade do sistemaApesar do potencial impacto positivo, a adoção da tarifa zero ainda levanta desafios, principalmente relacionados ao financiamento do sistema de transporte.
Atualmente, o modelo brasileiro depende da cobrança de tarifas pagas pelos usuários, complementadas, em alguns casos, por subsídios públicos. A mudança exigiria novas fontes de custeio e reorganização da política de mobilidade urbana.
A discussão também envolve estados e municípios, responsáveis pela gestão do transporte público local.
Experiências já existem no BrasilA gratuidade no transporte público não é uma ideia inédita. O modelo já é adotado integralmente em dezenas de municípios brasileiros, principalmente de pequeno e médio porte, além de iniciativas parciais em grandes cidades, como gratuidade em dias específicos.
Essas experiências ajudam a embasar o debate nacional e indicam caminhos possíveis para ampliação da política.
Relação com segurança viária e mobilidadeEmbora o foco principal da proposta seja econômico e social, a tarifa zero também pode ter reflexos indiretos na segurança viária.
Com maior acesso ao transporte coletivo, há potencial de redução do uso de veículos individuais, o que pode impactar o volume de tráfego e, consequentemente, o risco de sinistros nas vias urbanas.
Debate deve avançar nos próximos anosA discussão sobre tarifa zero vem ganhando espaço no país, impulsionada pela necessidade de repensar o modelo atual de financiamento do transporte público.
Ao associar mobilidade urbana à distribuição de renda, o estudo reforça que políticas de transporte podem ter papel estratégico não apenas na circulação de pessoas, mas também na redução das desigualdades e no desenvolvimento econômico.
A partir dessas evidências, o tema tende a avançar no debate público, exigindo análises mais aprofundadas sobre viabilidade, custos e benefícios para a sociedade.
As informações são da Agência Brasil
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