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Carregar carro elétrico em tomada comum exige cuidados; especialista alerta para riscos das instalações inadequadas
O número de veículos eletrificados cresce rapidamente no Brasil, mas a infraestrutura de recarga ainda não acompanha esse ritmo. Diante desse cenário, muitos proprietários acabam recorrendo a tomadas residenciais para abastecer seus veículos, prática que exige atenção para evitar danos ao sistema elétrico, ao carregador e até ao próprio automóvel.
Conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mais de 200 mil veículos 100% elétricos já circulam no país. Considerando também os híbridos convencionais, híbridos flex e híbridos plug-in, a frota supera 620 mil veículos eletrificados.
Somente nos dois primeiros meses deste ano foram comercializadas 48.591 unidades, crescimento de aproximadamente 90% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram vendidos 25.544 veículos.
Infraestrutura ainda é um desafioApesar da expansão da frota, a rede de carregamento ainda está em desenvolvimento. De acordo com a ABVE, o Brasil possui cerca de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para aproximadamente 506 mil veículos plug-in, proporção que evidencia a necessidade de ampliar a infraestrutura disponível.
Enquanto isso, alguns proprietários recorrem a soluções improvisadas para recarregar os veículos em casa.
Instalação elétrica precisa ser adequadaPara o engenheiro eletricista Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, utilizar uma tomada residencial pode não ser a melhor opção quando a instalação elétrica não foi dimensionada para esse tipo de carga.
“O carregamento de um carro elétrico em uma tomada doméstica deve ser uma última alternativa, e não a solução principal para o dia a dia. Carregadores domésticos podem causar superaquecimento e incêndios, até porque a infraestrutura elétrica residencial nem sempre está preparada para suportar a demanda de energia. Os carros elétricos necessitam de estações próprias, pois trabalham com correntes altas”, explica.
Conforme o especialista, instalações inadequadas podem sofrer aquecimento excessivo durante o carregamento e aumentar o risco de falhas elétricas.
Oscilações podem danificar equipamentosOutro ponto de atenção são as oscilações na rede elétrica. De acordo com Bucko, variações de tensão podem comprometer componentes internos do carregador e, em situações mais severas, atingir a bateria e outros sistemas eletrônicos do veículo.
Como as baterias representam um dos componentes mais caros dos automóveis eletrificados, danos provocados por sobretensões podem gerar custos elevados de reparo.
Proteção contra surtosPara quem eventualmente precisar utilizar uma tomada residencial, o especialista recomenda verificar se a instalação elétrica possui um Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS).
Segundo ele, o equipamento ajuda a proteger tomadas e aparelhos contra picos de energia e descargas atmosféricas.
“O DPS funciona como uma barreira que detecta a sobretensão e a desvia rapidamente, impedindo que a alta tensão chegue aos equipamentos. Os DPS são a última linha de defesa”, argumenta.
O engenheiro explica que existem diferentes classes de DPS, sendo o Classe 1 normalmente instalado na entrada da rede elétrica para absorver surtos de maior intensidade e direcionar o excesso de energia ao sistema de aterramento.
Instalações elétricas exigem atençãoO alerta também ocorre em um contexto de preocupação com a segurança das instalações elétricas.
Conforme o Anuário da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), incêndios relacionados a falhas elétricas continuam associados a problemas como instalações inadequadas, falta de manutenção e descumprimento das normas técnicas.
De acordo com especialistas, à medida que cresce a frota de veículos eletrificados, também aumenta a importância de que residências e condomínios contem com infraestrutura elétrica compatível com a demanda desses automóveis, reduzindo riscos e garantindo carregamentos mais seguros.
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Transportadoras ampliam em 128% a regularização no RNTRC após revalidação da ANTT
As transportadoras brasileiras ampliaram em 128% a regularização de seus registros no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) após o processo de revalidação promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O dado, apresentado no Anuário TRC 2025, chama a atenção por evidenciar um movimento de adequação das empresas às exigências regulatórias do setor.
Conforme o advogado Cristiano José Baratto, especialista em Direito aplicado ao transporte e à logística, a recuperação dos registros demonstra que a conformidade passou a ocupar um papel estratégico na gestão das transportadoras.
“Esse porcentual não representa simplesmente um aumento no número de empresas, mas um esforço expressivo de regularização. As transportadoras perceberam que manter o cadastro em conformidade deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um requisito essencial para operar em um mercado cada vez mais fiscalizado, digitalizado e exigente”, analisa.
O levantamento da ANTT mostra que, após o impacto da revalidação cadastral, o número de Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETCs) – categoria que reúne as pessoas jurídicas habilitadas para o transporte rodoviário remunerado de cargas – passou de 123.003 para 280.036 registros ativos, pendentes ou suspensos até dezembro de 2025, representando uma recuperação de 128% em relação ao período imediatamente posterior à revalidação.
Na avaliação de Baratto, o dado revela uma mudança importante na forma como o setor passou a enxergar a regulação. “Durante muitos anos, tratavam-se questões cadastrais e regulatórias como demandas administrativas. Hoje elas impactam diretamente a continuidade das operações. A regularidade cadastral passou a ser um ativo para a empresa, porque influencia sua capacidade de contratar, atender clientes e responder às exigências dos órgãos reguladores.”
FiscalizaçãoO advogado observa que essa transformação acompanha a evolução da própria fiscalização do transporte rodoviário de cargas, que vem se tornando mais integrada e orientada por dados. Atualmente, além do RNTRC, a atividade é acompanhada por ferramentas como o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), utilizado para registrar operações de transporte remunerado, pelo Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), que reúne eletronicamente as informações das cargas transportadas, e por diversos controles relacionados à operação, ao pagamento eletrônico de frete e ao transporte de produtos perigosos.
Segundo ele, o desafio atual não é somente transportar cargas com eficiência, mas demonstrar conformidade durante toda a operação. “Quando analisamos o anuário como um todo, é possível perceber que ele retrata um setor muito mais monitorado do que há alguns anos. Isso significa que as empresas precisam investir não apenas em frota e operação, mas também em processos internos, organização documental e governança”, afirma.
Outro indicador reforça esse cenário: o Anuário TRC 2025 registra a emissão de 124 mil novos registros no RNTRC, o maior volume da série histórica e cerca de 50% superior ao observado em 2015. Para Baratto, o crescimento do cadastro confirma a expansão do setor, mas também amplia a responsabilidade das empresas.
“Quanto maior o volume de operações, maior também é a exposição a riscos regulatórios, contratuais e operacionais. Isso exige uma postura preventiva por parte das transportadoras. A gestão jurídica deixa de atuar apenas na solução de conflitos e passa a contribuir para a estruturação de processos que reduzam riscos e garantam maior segurança para o negócio”, pontua.
Na visão do especialista, o principal recado do Anuário TRC 2025 vai além dos indicadores econômicos. “O relatório mostra que o transporte rodoviário brasileiro está entrando em uma nova fase, em que eficiência operacional e conformidade caminham juntas. As empresas que compreenderem essa mudança estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável e enfrentar um ambiente regulatório cada vez mais sofisticado”, finaliza.
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Distância de segurança de caminhões: veja os erros que podem causar acidentes
Caminhões e ônibus fazem parte da rotina de quem dirige pelas estradas e cidades brasileiras. No entanto, muitos motoristas ainda subestimam os riscos de trafegar muito próximos desses veículos, seja durante uma ultrapassagem, em congestionamentos ou mesmo ao seguir atrás deles.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determine que todo condutor mantenha distância de segurança em relação aos demais veículos, essa recomendação ganha ainda mais importância quando se trata de caminhões e ônibus. O porte, o peso e as características de condução desses veículos fazem com que eles precisem de mais espaço para frear, realizar manobras e mudar de direção com segurança.
Respeitar essa distância não é apenas uma regra de boa convivência no trânsito. É uma medida que pode evitar colisões graves e proteger motoristas, passageiros e pedestres.
Caminhões não se comportam como um carro de passeioUma das principais diferenças entre um caminhão e um automóvel está na capacidade de frenagem.
Por transportar cargas pesadas e possuir maior massa, um veículo de grande porte necessita de uma distância significativamente maior para parar completamente, principalmente quando trafega em alta velocidade, em descidas ou sobre pistas molhadas.
Isso significa que, diante de uma situação inesperada, o caminhoneiro pode precisar de mais tempo e espaço para evitar uma colisão.
Da mesma forma, suas curvas costumam ser mais abertas e as mudanças de faixa exigem maior planejamento, o que torna ainda mais importante que os demais motoristas mantenham distância suficiente para reagir com segurança.
Os pontos cegos representam um riscoOutro aspecto frequentemente ignorado é a existência dos chamados pontos cegos. Mesmo equipados com retrovisores amplos, caminhões possuem áreas ao redor do veículo que não podem ser visualizadas pelo motorista. Essas regiões costumam estar logo atrás do caminhão, ao lado da cabine e muito próximas da parte dianteira.
Quando um automóvel permanece nessas áreas por muito tempo, aumenta o risco de não ser percebido pelo caminhoneiro durante uma conversão ou mudança de faixa.
Uma orientação bastante conhecida entre profissionais do transporte é simples: se o motorista do carro não consegue enxergar os retrovisores do caminhão, provavelmente também não está sendo visto.
Cinco erros que aumentam o risco de acidentesAlgumas atitudes comuns podem transformar uma viagem tranquila em uma situação de perigo.
Entre os erros mais frequentes estão:
- trafegar muito próximo da traseira do caminhão, reduzindo o tempo de reação em caso de frenagem;
- permanecer ao lado da cabine por longos períodos, aumentando o tempo dentro do ponto cego;
- iniciar uma ultrapassagem sem visibilidade suficiente da pista à frente;
- retornar para a faixa logo após ultrapassar, sem deixar espaço adequado para o caminhão;
- desconsiderar o efeito do deslocamento de ar provocado por veículos de grande porte, especialmente em velocidades elevadas.
Evitar esses comportamentos reduz significativamente o risco de colisões.
O que diz a legislaçãoO Código de Trânsito Brasileiro determina que os condutores mantenham distância de segurança lateral e frontal entre seus veículos e os demais, considerando velocidade, condições da via e demais circunstâncias do momento.
Embora a legislação não estabeleça uma metragem fixa para essa distância, o princípio é claro: o espaço deve ser suficiente para permitir que o motorista reaja diante de qualquer imprevisto sem colocar em risco a própria segurança ou a de terceiros.
Na prática, cabe ao condutor adaptar essa distância conforme fatores como chuva, neblina, velocidade, peso do veículo à frente e intensidade do tráfego.
A convivência segura depende de todosA presença de caminhões nas rodovias é indispensável para o transporte de mercadorias e o abastecimento do país. Por isso, a segurança no trânsito depende também da forma como os demais motoristas interagem com esses veículos.
Respeitar a distância de segurança, evitar permanecer nos pontos cegos e realizar ultrapassagens apenas em condições favoráveis são atitudes simples, mas que fazem diferença na prevenção de sinistros.
Mais do que cumprir uma regra prevista na legislação, manter uma condução prudente demonstra respeito aos limites dos veículos de grande porte e contribui para um trânsito mais seguro para todos.
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Motoristas passarão a receber alertas no Waze ao se aproximarem de escolas próximas a rodovias federais
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) está utilizando tecnologia e análise de dados para ampliar a segurança de crianças e adolescentes que estudam em escolas próximas às rodovias federais. A iniciativa mapeia unidades de ensino localizadas em áreas de maior risco e integra essas informações ao aplicativo Waze, que passa a alertar os motoristas sobre a aproximação de zonas escolares.
O trabalho é realizado por meio de levantamento georreferenciado das unidades de ensino, cruzando sua localização com a malha rodoviária federal e o histórico de sinistros de trânsito registrados nas proximidades. A metodologia, inicialmente aplicada às escolas participantes do Programa Nacional de Educação para o Trânsito Conexão DNIT, será gradualmente ampliada para outras instituições localizadas ao longo das rodovias federais.
A partir de 2026, o DNIT também passa a utilizar um modelo de classificação que considera o número de mortes, feridos e a quantidade de estudantes atendidos por cada escola, permitindo identificar os trechos com maior necessidade de intervenções preventivas.
Alertas em tempo real aos motoristasPor meio do programa Waze for Cities, as áreas escolares mapeadas são transformadas em zonas de atenção. Após validação, o aplicativo passa a emitir alertas visuais e sonoros aos condutores quando se aproximam desses locais, orientando a redução da velocidade e o aumento da atenção.
A proposta busca antecipar a percepção de risco, favorecendo mudanças imediatas no comportamento dos motoristas e reduzindo a possibilidade de sinistros envolvendo estudantes nos horários de entrada e saída das escolas.
A iniciativa está alinhada às diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que incentiva o uso integrado de engenharia, educação, fiscalização e tecnologia para salvar vidas nas vias brasileiras.
Proteção dos usuários mais vulneráveisPara o coordenador de Multas e Educação para o Trânsito do DNIT, Julio Pellizzon, áreas escolares exigem atenção especial por concentrarem usuários mais vulneráveis do sistema viário.
“Quando somamos a presença dos estudantes à limitação de visibilidade em determinados trechos das rodovias, fica evidente a necessidade de medidas preventivas e antecipatórias. Crianças e adolescentes têm menor capacidade de percepção do risco e maior imprevisibilidade de comportamento, o que exige dos condutores um nível ainda maior de atenção, prudência e responsabilidade ao se aproximarem dessas áreas.”
Além dos alertas aos motoristas, o DNIT pretende ampliar a comunicação com gestores e comunidades escolares, fortalecendo a integração entre tecnologia e educação para o trânsito.
Segundo Pellizzon, o objetivo é construir uma abordagem cada vez mais preventiva para reduzir mortes e lesões graves nas rodovias. “A expectativa é que a iniciativa contribua para reduzir os sinistros nas proximidades das escolas e fortaleça uma segurança viária baseada na antecipação do risco e na proteção dos usuários mais vulneráveis.”
Ao combinar georreferenciamento, análise de dados e plataformas de navegação, o DNIT reforça o uso da tecnologia como aliada da prevenção e da construção de um trânsito mais seguro para todos.
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IPVA poderá deixar de ser calculado pelo valor do carro; proposta avança na Câmara
A forma de calcular o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) poderá mudar no Brasil. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2026, que altera a base de cálculo do tributo para que ele deixe de considerar o valor de mercado do veículo e passe a levar em conta apenas o seu peso. A proposta também estabelece que o IPVA não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do automóvel.
A aprovação na CCJ representa apenas uma das primeiras etapas da tramitação. Antes de entrar em vigor, a proposta ainda precisará ser analisada por uma comissão especial da Câmara e, posteriormente, votada em dois turnos pelo Plenário da Casa. Caso seja aprovada, seguirá para análise do Senado.
De autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), a PEC altera o artigo 155 da Constituição Federal para modificar a forma como o imposto é calculado em todo o país. Atualmente, o IPVA é cobrado com base no valor venal do veículo, utilizando critérios definidos por cada estado.
O que prevê a propostaSe aprovada em todas as etapas do processo legislativo, a PEC estabelece duas mudanças principais na cobrança do IPVA:
- a base de cálculo deixará de ser o valor de mercado do veículo e passará a considerar exclusivamente o seu peso;
- o imposto não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do automóvel.
Conforme o autor da proposta, o modelo atual penaliza proprietários de veículos mais caros, ainda que eles tenham impacto semelhante ou até menor sobre a infraestrutura viária quando comparados a veículos mais pesados. A justificativa apresentada é que o desgaste causado às vias públicas está relacionado principalmente ao peso dos veículos, e não ao seu valor comercial.
Relator defende critérios mais justosO relator da proposta na CCJ, deputado Mendonça Filho (União-PE), apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC. Para ele, a proposta atende aos requisitos constitucionais e pode contribuir para tornar a tributação mais equilibrada.
Em seu parecer, o relator afirma que a iniciativa busca “corrigir distorções” existentes no modelo atual de cobrança do IPVA e destaca que a proposta respeita os limites constitucionais para alteração do sistema tributário.
Mudança ainda depende de aprovação do CongressoApesar da aprovação na CCJ, a proposta ainda está longe de produzir efeitos práticos para os proprietários de veículos. Nesta fase, a comissão analisou apenas a constitucionalidade da matéria, sem discutir seu mérito.
O próximo passo será a criação de uma comissão especial, responsável por analisar o conteúdo da PEC. Ou seja, depois disso, o texto precisará ser aprovado em dois turnos pelo Plenário da Câmara, com apoio de pelo menos três quintos dos deputados. Em seguida, seguirá para o Senado, onde também deverá passar por comissões e ser votado em dois turnos antes de uma eventual promulgação.
Até que todas essas etapas sejam concluídas, nada muda na forma de cobrança do IPVA. Os estados continuam aplicando as regras atualmente em vigor, com o imposto calculado conforme a legislação estadual e tendo como referência o valor do veículo.
A proposta, no entanto, reacende o debate sobre os critérios utilizados para a tributação da frota brasileira e poderá influenciar futuras discussões sobre a forma de financiamento dos estados e o impacto da cobrança para os proprietários de veículos.
Com informações da Agência Câmara
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Motos mudam o perfil das mortes no trânsito no Brasil, aponta Atlas da Violência
O trânsito brasileiro mudou — e as estatísticas de mortes mostram isso de forma contundente. O Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que os motociclistas passaram a ocupar o centro da tragédia viária nacional. Em 2024, as motocicletas estiveram envolvidas em 41,6% das 37.150 mortes registradas no trânsito brasileiro.
Mais do que um dado isolado, o número evidencia uma transformação no perfil da mortalidade viária do país. Entre 2019 e 2024, as mortes em sinistros envolvendo motocicletas cresceram 38%, passando de 11.182 para 15.459 óbitos. O Atlas aponta que mudanças econômicas, sociais e na própria dinâmica da mobilidade urbana contribuíram para consolidar a moto como protagonista das estatísticas de violência no trânsito.
A motocicleta deixou de ser coadjuvanteDurante décadas, o debate sobre segurança viária esteve fortemente associado aos ocupantes de automóveis. No entanto, a expansão da frota de motos alterou esse cenário.
A motocicleta passou a desempenhar múltiplas funções no cotidiano dos brasileiros. Além do deslocamento pessoal, tornou-se alternativa de mobilidade em cidades com transporte coletivo insuficiente e instrumento de geração de renda para milhões de trabalhadores.
Com isso, cresceu também a exposição ao risco.
O Atlas demonstra que o aumento das mortes envolvendo motos não é episódico. Trata-se de uma tendência consolidada que acompanha a crescente presença desses veículos nas ruas brasileiras.
O usuário mais vulnerável do sistemaAo contrário dos ocupantes de automóveis, motociclistas contam com proteção física limitada. Em caso de colisões, quedas ou atropelamentos, a probabilidade de lesões graves e fatais é significativamente maior.
Para Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, os dados revelam uma mudança que exige revisão das prioridades em segurança viária.
“Durante muito tempo, o trânsito foi pensado a partir da lógica do automóvel. O Atlas mostra que essa realidade mudou. Hoje, proteger quem utiliza a motocicleta precisa ser prioridade, porque é esse usuário que aparece com maior frequência nas estatísticas de mortes.”
De acordo com ele, a adaptação das políticas públicas não acompanhou a velocidade dessa transformação. “As campanhas, a infraestrutura e até parte da fiscalização ainda refletem um cenário de décadas atrás. Enquanto isso, a motocicleta ganhou espaço nas cidades brasileiras e assumiu um protagonismo que exige respostas específicas.”
Crescimento exige novas estratégiasOs dados do Atlas sugerem que reduzir a violência no trânsito passa necessariamente pela compreensão desse novo perfil de vítimas.
Isso significa desenvolver estratégias direcionadas aos motociclistas, incluindo:
- formação adequada;
- campanhas específicas;
- fiscalização orientada à redução de riscos;
- infraestrutura mais segura;
- políticas públicas voltadas aos usuários mais vulneráveis.
Embora o estudo não detalhe soluções, os números indicam que insistir em abordagens genéricas pode não ser suficiente diante da nova realidade.
Uma mudança que veio para ficarA presença crescente das motocicletas nas estatísticas reflete transformações estruturais da sociedade brasileira.
Se antes a moto era vista como alternativa complementar, hoje ela ocupa posição central na mobilidade urbana e regional.
Conforme Mariano, reconhecer essa mudança é o primeiro passo para enfrentá-la.
“Não estamos diante de uma situação passageira. A motocicleta passou a integrar definitivamente a paisagem urbana brasileira. Ignorar isso significa continuar perdendo vidas sem adaptar nossas estratégias de prevenção.”
Os dados do Atlas da Violência 2026 mostram que compreender quem morre no trânsito é tão importante quanto entender por que essas mortes acontecem. E, atualmente, essa compreensão passa necessariamente pelos usuários sobre duas rodas.
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Atenção, motoristas de Minas: Detran define quando o CRLV 2026 passa a ser obrigatório
Os proprietários de veículos registrados em Minas Gerais já podem se programar para o licenciamento anual de 2026. O Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) publicou o calendário que define a data a partir da qual passará a exigir o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2026 durante as fiscalizações no estado.
A Portaria nº 0993/26 estabeleceu a medida e organiza o cronograma de exigência do documento de acordo com o final da placa do veículo. Até a data correspondente, os proprietários devem regularizar a situação do veículo para emitir o novo CRLV.
Confira o calendário de exigência do CRLV 2026O Detran-MG definiu o seguinte cronograma:
Final da placaCRLV 2026 passa a ser exigido1, 2 e 31º de setembro de 20264, 5 e 61º de outubro de 20267, 8, 9 e 01º de novembro de 2026A partir dessas datas, circular sem o CRLV 2026 poderá resultar nas penalidades previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O que é necessário para emitir o documentoPara obter o CRLV 2026, o proprietário precisa manter o veículo totalmente regularizado.
Isso inclui o pagamento do IPVA, da Taxa de Renovação do Licenciamento Anual do Veículo (TRLAV), além da quitação de multas e da regularização de eventuais impedimentos cadastrados no veículo. Somente após a compensação desses débitos o documento fica disponível para emissão em formato digital ou impresso.
É possível apresentar o documento em formato digitalDepois da emissão, é possível apresentar o CRLV tanto na versão digital quanto na impressa durante as abordagens de fiscalização.
O documento digital pode ser acessado pelos canais oficiais do governo e tem a mesma validade jurídica da versão em papel.
Regularização antecipada evita transtornosEmbora a fiscalização siga o calendário por final de placa, o Detran-MG orienta que os proprietários não deixem a regularização para a última hora.
Antecipar o pagamento dos débitos e emitir o documento com antecedência ajuda a evitar imprevistos e garante que o veículo esteja apto a circular quando a exigência do CRLV 2026 ocorrer nas rodovias e vias urbanas do estado
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Boom dos autopropelidos exige atenção: veja os erros mais comuns de quem compra a primeira vez
A mobilidade elétrica vive um momento de forte expansão no Brasil. Segundo dados da Abraciclo, os modelos elétricos foram o grande destaque de abril de 2026, consolidando-se como a segunda categoria mais produzida do país, com 6.768 unidades fabricadas. O crescimento acompanha a busca por alternativas mais econômicas e sustentáveis para os deslocamentos urbanos, mas também amplia a oferta de equipamentos disponíveis e torna a decisão de compra mais complexa para quem está entrando nesse mercado.
Segundo David Peterle, CEO da StreetGo, esse crescimento exige que o consumidor esteja cada vez mais bem informado. “Hoje existe uma oferta muito maior de modelos e marcas, o que é positivo para o mercado. Ao mesmo tempo, isso faz com que muitas pessoas comprem o primeiro autopropelido sem saber exatamente o que precisam observar em relação à segurança, qualidade dos componentes e suporte da marca. Informação é tão importante quanto o produto nesse momento de expansão do setor”, explica.
De acordo com Peterle, a decisão deve considerar o custo-benefício ao longo da vida útil do equipamento, e não apenas o preço de compra.
“Mais do que autonomia ou design, vale avaliar fatores como assistência técnica, disponibilidade de peças, procedência da bateria e qualidade dos componentes. Um autopropelido é um meio de transporte para uso diário e precisa oferecer confiabilidade para acompanhar a rotina do usuário durante muitos anos”, orienta.
O que observar antes de comprar um autopropelido? 1. Verifique se o modelo atende à legislação brasileiraAntes de fechar a compra, é importante entender se o equipamento está enquadrado na Resolução CONTRAN nº 996/2023. Os autopropelidos precisam atender a critérios técnicos específicos, como limite de potência e velocidade, além de contar com itens obrigatórios, como velocímetro, campainha e sistema de iluminação dianteira, traseira e lateral. Um equipamento que não atende a essas exigências pode gerar dúvidas sobre onde pode circular e até impedir que o usuário aproveite todas as vantagens previstas para essa categoria de veículo.
2. Desconfie de preços muito abaixo da médiaNa hora da compra, o preço costuma chamar atenção, mas nem sempre representa economia no longo prazo. Equipamentos muito baratos podem utilizar baterias sem certificação, motores menos eficientes, materiais de menor resistência e sistemas de freio mais simples. Isso pode resultar em menor durabilidade, maior necessidade de manutenção e até comprometer a segurança durante o uso diário. Vale analisar o conjunto do produto e não apenas o valor da etiqueta.
3. Avalie a bateria, não apenas a autonomiaÉ comum que o consumidor compare apenas a quantidade de quilômetros informada pelo fabricante, mas a bateria merece uma análise mais completa. Além da autonomia, é importante verificar a capacidade, a procedência das células, o tempo de recarga, a vida útil estimada e a disponibilidade para substituição futura. Baterias de fabricantes reconhecidos costumam oferecer maior estabilidade, desempenho consistente e mais segurança durante o uso, reduzindo riscos de perda precoce de capacidade.
4. Confira se há assistência técnica e peças de reposiçãoUm dos erros mais frequentes é pensar apenas na compra e esquecer o pós-venda. Como qualquer veículo, o autopropelido está sujeito a revisões, troca de componentes e eventuais reparos. Antes de escolher a marca, vale verificar se existe assistência técnica autorizada no Brasil, disponibilidade de peças de reposição e suporte ao consumidor. Esses fatores fazem a diferença para manter o equipamento funcionando por muitos anos e evitam que pequenos problemas se transformem em grandes dores de cabeça.
5. Observe a qualidade dos freios e da estruturaQuem utiliza o autopropelido diariamente enfrenta buracos, lombadas, pisos irregulares e diferentes condições de trânsito. Por isso, componentes como freios, suspensão, pneus e quadro têm impacto direto na estabilidade e na segurança. Um conjunto estrutural mais robusto proporciona maior controle da condução, reduz desgastes prematuros e oferece mais confiança em frenagens e mudanças rápidas de direção, principalmente em centros urbanos.
6. Escolha um modelo adequado para sua rotinaNem todo autopropelido foi desenvolvido para o mesmo perfil de usuário. Antes da compra, vale refletir sobre como o equipamento será utilizado. Quem pretende usá-lo para ir ao trabalho todos os dias, por exemplo, deve priorizar autonomia, conforto, ergonomia e capacidade de carga. Já quem pretende utilizá-lo apenas em passeios ou deslocamentos ocasionais pode dar mais importância ao peso, à facilidade de transporte ou ao design. Entender a própria rotina ajuda a escolher um modelo que realmente atenda às necessidades do dia a dia e evita frustrações após a compra.
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Dormir mal pode ser tão perigoso quanto beber antes de dirigir, diz especialista
Dormir pouco ou mal pode comprometer a capacidade de dirigir de forma segura. Embora a embriaguez ao volante seja amplamente reconhecida como um fator de risco para acidentes de trânsito, a fadiga e a sonolência ainda são frequentemente subestimadas, mesmo reduzindo a atenção, o tempo de reação e a capacidade de tomar decisões.
Conforme o médico Alberto Ogata, conselheiro da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), o funcionamento do relógio biológico influencia diretamente o estado de alerta ao longo do dia e pode tornar determinados horários mais críticos para quem está ao volante.
“Dirigir é uma atividade que exige vigilância constante. Em determinados períodos do dia, especialmente durante a madrugada e no início da tarde, nosso organismo apresenta uma queda natural do estado de alerta. Se isso se soma à privação de sono, o risco de microssonos e lapsos de atenção aumenta de forma significativa”, explica.
O relógio biológico interfere na direçãoO organismo humano funciona de acordo com um ritmo biológico que regula diversas funções, como o sono, a vigília, a temperatura corporal, a produção hormonal e os níveis de atenção.
Em determinados momentos do dia, principalmente durante a madrugada e logo após o almoço, ocorre uma redução natural do estado de alerta. Se o motorista já estiver cansado ou tiver dormido pouco, essa condição pode favorecer episódios de sonolência ao volante.
De acordo com o especialista, a situação pode se tornar crítica em velocidades elevadas.
Ele lembra que um motorista que adormece por apenas quatro segundos enquanto trafega a 100 km/h percorre mais de 100 metros sem qualquer controle do veículo, distância suficiente para provocar um sinistro grave.
Cada pessoa responde de forma diferente aos horáriosOutro aspecto importante é o cronotipo, ou seja, a tendência natural de cada pessoa apresentar melhor desempenho em determinados períodos do dia.
Quando um motorista trabalha em horários incompatíveis com seu relógio biológico, ocorre um desalinhamento que compromete funções cognitivas importantes para a condução, como atenção, memória, percepção de riscos e velocidade de resposta.
Esse problema costuma ser mais frequente entre motoristas profissionais submetidos a jornadas prolongadas, trabalho noturno e períodos insuficientes de descanso.
Segundo Ogata, essa condição favorece o chamado “jet lag social”, associado ao aumento do risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.
Ficar muitas horas acordado compromete a direçãoEstudos científicos também demonstram que permanecer acordado por longos períodos provoca alterações semelhantes às observadas após o consumo de bebidas alcoólicas.
De acordo com o especialista, aproximadamente 17 horas contínuas de vigília podem comprometer o desempenho de forma comparável a uma concentração de álcool de 0,05%, enquanto permanecer 24 horas sem dormir pode produzir efeitos semelhantes aos de uma alcoolemia de cerca de 0,10%.
“A grande diferença é que o álcool é facilmente reconhecido como um risco. Já a sonolência costuma ser negligenciada. Muitas pessoas acreditam que conseguem resistir ao sono, mas os microssonos acontecem sem que o motorista perceba”, compara.
Distúrbios do sono também aumentam os riscosA preocupação não se limita ao número de horas dormidas. Distúrbios como apneia obstrutiva do sono, insônia, narcolepsia e síndrome das pernas inquietas podem comprometer a qualidade do descanso e aumentar significativamente o risco de acidentes.
Na apneia, por exemplo, a respiração é interrompida diversas vezes durante a noite, impedindo que o organismo tenha um sono realmente reparador.
Como consequência, a pessoa pode acordar cansada, apresentar sonolência durante o dia e dificuldade para manter a concentração.
Além dos riscos no trânsito, a apneia também está associada ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Empresas também têm papel na prevençãoPara Alberto Ogata, reduzir os acidentes relacionados à fadiga não depende apenas dos motoristas.
Segundo ele, empresas que possuem condutores em suas operações devem incorporar a gestão da fadiga às estratégias de segurança e saúde ocupacional.
Entre as medidas recomendadas estão:
- identificação de distúrbios do sono;
- avaliações periódicas dos trabalhadores;
- encaminhamento para diagnóstico e tratamento quando necessário;
- organização de escalas compatíveis com os períodos de descanso;
- planejamento de pausas durante a jornada;
- incentivo para que os profissionais relatem sintomas de fadiga sem receio de punições.
Segundo o especialista, investir em programas estruturados de gestão da fadiga beneficia tanto os trabalhadores quanto as empresas e representa uma importante estratégia para reduzir acidentes e tornar o trânsito mais seguro.
“Quando a empresa enxerga a sonolência como um fator de risco gerenciável, ela protege o trabalhador, reduz acidentes, diminui custos assistenciais e contribui para uma mobilidade mais segura para toda a sociedade”, finaliza.
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Detran reativa atendimento gratuito para vítimas de trânsito e familiares: saiba como participar
O Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) retomou as atividades do Núcleo de Apoio a Vítimas de Trânsito e Familiares (NAVI), serviço gratuito voltado ao acolhimento de sobreviventes de sinistros de trânsito, familiares e pessoas que perderam entes queridos em ocorrências nas vias. A iniciativa oferece atendimento psicológico, orientação social e grupos de apoio. Dessa forma, reforçando a assistência às vítimas e a conscientização sobre os impactos da violência no trânsito.
A retomada do serviço ocorre em um momento em que cresce o debate sobre a necessidade de ampliar não apenas as ações de prevenção de sinistros, mas também o suporte às pessoas que convivem com as consequências físicas e emocionais desses eventos.
Atendimento busca apoiar vítimas e familiaresO NAVI disponibiliza atendimento psicológico, acompanhamento de assistente social e atividades em grupo destinadas a sobreviventes de sinistros de trânsito bem como pessoas em processo de luto. O objetivo é contribuir para a recuperação emocional dos participantes e oferecer um espaço de acolhimento e troca de experiências.
Além do atendimento às vítimas e familiares, o programa também busca ampliar a conscientização sobre os impactos sociais e humanos dos sinistros de trânsito.
Integração com hospitaisComo parte da retomada das atividades, a assistente social do núcleo realizará visitas a unidades da rede estadual de saúde para apresentar o programa e fortalecer o encaminhamento de pacientes e familiares.
Nesta etapa, as ações ocorrerão no Hospital Estadual Getúlio Vargas e no Hospital Estadual Carlos Chagas, com o objetivo de integrar o serviço às equipes de saúde e facilitar o acesso das pessoas que necessitam de apoio especializado.
Como participarOs interessados podem solicitar atendimento preenchendo o formulário disponível na área de Educação do portal oficial do Detran-RJ ou enviando e-mail para navi.educacao@detran.rj.gov.br.
Após o cadastro, a equipe do núcleo entra em contato para orientar sobre o atendimento. Os plantões acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras.
Apoio após o sinistro também faz parte da segurança viáriaEmbora as ações de educação e fiscalização tenham papel fundamental na prevenção de sinistros, especialistas destacam que o atendimento às vítimas e familiares também integra uma política de segurança viária mais abrangente.
As consequências de um sinistro de trânsito frequentemente ultrapassam os danos físicos, envolvendo impactos emocionais, sociais e familiares que podem perdurar por muitos anos. Serviços de acolhimento psicológico e orientação social contribuem para que sobreviventes e pessoas enlutadas encontrem apoio durante o processo de recuperação.
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Frio pode aumentar o risco de pane no carro; veja 5 cuidados
Com a chegada do inverno, os motoristas devem redobrar a atenção com a manutenção preventiva dos veículos. As baixas temperaturas podem afetar o desempenho de diversos componentes, como bateria, sistema de partida e fluidos, aumentando o risco de panes e de despesas inesperadas com reparos.
Conforme especialistas da Lwart, a revisão preventiva continua sendo a melhor forma de evitar problemas mecânicos durante os meses mais frios, especialmente para quem pretende viajar ou utiliza o veículo diariamente.
Troca de óleo continua sendo um dos principais cuidadosEntre os itens que mais costumam ser negligenciados pelos condutores está a troca do óleo do motor.
De acordo com Paulo Henrique Cantero, mecânico da Lwart, muitos motoristas priorizam outros componentes da revisão e deixam de substituir o lubrificante dentro do prazo recomendado pelo fabricante.
“É comum que o motorista só perceba a importância da troca de óleo quando surge algum problema no veículo. No entanto, respeitar os intervalos indicados pelo fabricante é uma das formas mais simples de preservar o motor. Isso vale também para o óleo do câmbio, que é fundamental para a lubrificação e funcionamento da transmissão. A manutenção adequada desses fluidos ajuda a evitar desgastes prematuros e reduz o risco de reparos mais complexos e caros”, orienta.
O óleo é responsável por lubrificar, proteger e auxiliar na refrigeração das peças internas do motor. Com o uso, ele perde suas propriedades e, se permanecer além do período recomendado, pode aumentar o desgaste dos componentes, elevar o consumo de combustível e provocar danos mecânicos.
Carro parado também exige cuidadosMesmo veículos que permanecem pouco tempo em circulação precisam de manutenção periódica. De acordo com os especialistas, o óleo lubrificante sofre processos naturais de degradação e oxidação, mesmo quando o veículo roda pouco. Por isso, a troca deve respeitar não apenas a quilometragem, mas também o intervalo de tempo indicado pelo fabricante.
Cinco cuidados com o carro durante o invernoPara reduzir o risco de falhas mecânicas durante a estação, a Lwart recomenda:
- respeitar os prazos de troca do óleo do motor previstos pelo fabricante;
- substituir o filtro de óleo sempre que o lubrificante for trocado;
- verificar as condições da bateria, que costuma ser mais exigida em dias frios;
- conferir pneus, freios e demais sistemas de segurança;
- realizar revisões periódicas para identificar possíveis problemas antes que evoluam.
Além de preservar o funcionamento do veículo, a troca de óleo realizada corretamente também contribui para reduzir impactos ambientais.
De acordo com João Vianney, diretor de coleta da Lwart Soluções Ambientais, o óleo lubrificante usado pode retornar ao processo produtivo por meio do rerrefino, desde que receba a destinação adequada.
“Quando o óleo lubrificante usado é destinado corretamente, ele pode ser regenerado por meio do rerrefino e retornar à cadeia produtiva na forma de óleo básico, matéria-prima para a produção de novos lubrificantes”, explica.
A empresa alerta ainda que o descarte inadequado do óleo pode contaminar o solo, a água e o meio ambiente. Por isso, a recomendação é realizar a troca apenas em estabelecimentos autorizados, que façam a coleta e a destinação correta do material.
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Frustração pode afetar o comportamento no trânsito; saiba como lidar com ela
A eliminação da Seleção Brasileira da Copca do Mundo deixou milhões de torcedores frustrados. Para alguns, a sensação passou rapidamente. Para outros, a decepção se estendeu por horas ou até dias. Embora esse seja apenas um episódio esportivo, ele ajuda a chamar a atenção para um aspecto pouco discutido da segurança viária: o impacto das emoções, como a frustração, no trânsito e no comportamento dos motoristas.
A frustração não surge apenas no futebol. Ela pode aparecer após uma discussão familiar, um problema no trabalho, uma notícia inesperada, uma meta não alcançada ou qualquer situação que contrarie as expectativas. Quando isso acontece, o estado emocional pode interferir na atenção, no julgamento e na forma como as pessoas reagem no trânsito.
De acordo com especialistas, dirigir exige muito mais do que habilidade técnica. A condução segura depende de concentração, autocontrole e capacidade para tomar decisões rápidas. Quando esses fatores são afetados pelas emoções, aumentam as chances de cometer erros.
A frustração pode alterar a forma como dirigimosNem toda pessoa frustrada irá dirigir de maneira insegura. No entanto, estados emocionais intensos podem influenciar o comportamento ao volante.
Alguns motoristas tendem a agir com mais impulsividade, acelerando além do necessário ou demonstrando menor tolerância diante de situações comuns do trânsito, como congestionamentos, atrasos ou erros de outros condutores.
Outros apresentam um comportamento diferente: permanecem distraídos, revivendo mentalmente o motivo da frustração e deixando de perceber informações importantes da via, como mudanças na sinalização, aproximação de pedestres ou necessidade de reduzir a velocidade.
Em ambos os casos, o resultado pode ser uma redução da capacidade de antecipar riscos, habilidade fundamental para uma direção segura.
O trânsito exige equilíbrio emocionalDirigir é uma atividade que envolve decisões constantes. A todo momento, o motorista precisa avaliar distâncias, velocidades, condições da pista e o comportamento dos demais usuários da via.
Quando a mente está tomada por pensamentos relacionados a um problema recente, parte dessa capacidade de processamento pode ficar comprometida.
Por isso, especialistas recomendam que o condutor faça uma rápida autoavaliação antes de iniciar a viagem, especialmente após vivenciar situações de forte impacto emocional.
Nem sempre o melhor é sair dirigindo imediatamenteDepois de uma emoção intensa, seja ela positiva ou negativa, o organismo leva algum tempo para retornar ao estado de equilíbrio.
Esperar alguns minutos antes de pegar o carro pode ser uma atitude simples, mas importante. Respirar profundamente, beber água, conversar com alguém ou apenas permitir que a tensão diminua são estratégias que ajudam a recuperar o foco necessário para dirigir.
Essa recomendação vale tanto para momentos de frustração quanto para situações de euforia, como comemorações esportivas ou grandes conquistas pessoais.
Reconhecer o próprio estado emocional também é uma atitude responsávelDe acordo com o especialista em trânsito Celso Mariano, a segurança viária começa antes mesmo de o veículo entrar em movimento.
“Costumamos falar muito sobre as condições do veículo, da via e da sinalização, mas existe um fator igualmente importante: o estado emocional do condutor. Quando alguém dirige dominado pela raiva, pela frustração ou pela ansiedade, pode reagir de forma diferente do habitual. Ter consciência disso e esperar alguns minutos antes de dirigir, quando necessário, também faz parte da direção responsável”, alerta Mariano.
Conforme o especialista, reconhecer as próprias limitações naquele momento não representa falta de habilidade, mas sim maturidade para compreender que o trânsito exige atenção integral.
Como reduzir o impacto da frustração antes de dirigirEmbora não seja possível evitar todas as situações frustrantes do dia a dia, algumas atitudes ajudam a recuperar a tranquilidade antes de assumir o volante:
- Faça uma pausa de alguns minutos antes de sair.
- Respire lentamente e procure reduzir a tensão.
- Evite iniciar a viagem ainda discutindo ou revivendo o motivo da frustração.
- Se possível, espere até sentir que consegue manter a atenção totalmente voltada para o trânsito.
- Durante o percurso, mantenha uma condução tranquila e evite reagir impulsivamente ao comportamento de outros motoristas.
Essas medidas não eliminam a frustração, mas contribuem para que ela não interfira nas decisões tomadas durante a condução.
Mais do que dirigir bem, é preciso dirigir com equilíbrioA derrota da Seleção Brasileira foi apenas um exemplo de uma situação capaz de despertar emoções intensas. Amanhã, o motivo pode ser outro. O importante é lembrar que sentimentos como frustração, raiva, ansiedade ou euforia fazem parte da vida, mas não devem acompanhar o motorista ao volante.
Preservar a calma, reconhecer quando a emoção ainda está elevada e adotar alguns minutos de pausa antes de dirigir são atitudes simples que ajudam a manter a atenção onde ela realmente precisa estar: na via, nos demais usuários do trânsito e na segurança de todos.
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Comissão aprova fim dos pontos na CNH por infração na Zona Azul; entenda o que pode mudar
Motoristas que estacionarem de forma irregular em vagas de estacionamento rotativo pago, conhecidas como Zona Azul em diversas cidades brasileiras, poderão deixar de receber pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A mudança foi aprovada pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados e ainda precisa avançar na tramitação para entrar em vigor.
O texto aprovado mantém a aplicação da multa por estacionamento irregular, mas retira a penalidade de cinco pontos na CNH e também impede a remoção do veículo nessas situações. A proposta altera as regras previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) apenas para as infrações relacionadas ao estacionamento rotativo pago.
Como funciona hojeAtualmente, estacionar em desacordo com a regulamentação das vagas de estacionamento rotativo é considerado uma infração grave.
Nesses casos, o motorista está sujeito à multa de R$ 195,23, ao registro de cinco pontos na CNH e à remoção do veículo, conforme as regras vigentes do CTB.
Caso o projeto seja transformado em lei, a multa continuará sendo aplicada. No entanto, a pontuação deixará de ser registrada na carteira de habilitação e o veículo não poderá ser removido por esse motivo.
Mudança vale apenas para a Zona AzulO parecer aprovado pelo colegiado foi apresentado pelo deputado Zé Trovão, relator do Projeto de Lei 2816/2025 e de uma proposta apensada.
Conforme o substitutivo aprovado, a retirada da pontuação será restrita às infrações relacionadas ao estacionamento rotativo pago.
Outras condutas previstas no mesmo artigo do CTB, como estacionar em vagas destinadas a idosos, pessoas com deficiência, ambulâncias, táxis ou outras áreas especiais, continuarão sujeitas à multa e à pontuação na CNH por impactarem diretamente a segurança e a fluidez do trânsito.
Relator considera punição desproporcionalAo defender a proposta, o relator argumentou que a penalidade atualmente aplicada aos motoristas que descumprem as regras da Zona Azul é desproporcional quando comparada a infrações que oferecem maior risco à segurança viária.
De acordo com ele, o sistema de pontos deve priorizar condutas que representem ameaça à vida e à segurança dos usuários das vias.
O parlamentar também destacou que a mudança pode beneficiar especialmente motoristas profissionais, que permanecem mais tempo no trânsito e, consequentemente, estão mais expostos ao acúmulo de pontos na habilitação.
Projeto ainda não altera a legislaçãoApesar da aprovação na Comissão de Viação e Transportes, a proposta ainda não muda as regras para os motoristas.
O texto seguirá para análise, em caráter conclusivo, da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado, ainda precisará passar pelo Senado Federal antes de seguir para sanção presidencial. Somente após a conclusão desse processo a mudança poderá entrar em vigor.
Enquanto isso, permanecem válidas as regras atuais do Código de Trânsito Brasileiro para quem estacionar irregularmente em vagas de Zona Azul.
Com informações da Agência Câmara
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Pesquisadora derruba mito de que biocombustíveis competem com a produção de alimentos
A ideia de que a produção de biocombustíveis necessariamente ameaça a segurança alimentar global, uma das críticas mais recorrentes ao setor, especialmente no debate europeu, não encontra respaldo nos dados científicos disponíveis. É o que afirma a professora Glaucia Mendes Souza, titular da Universidade de São Paulo (USP) e líder da Força-Tarefa de Biocombustíveis para a Descarbonização do Transporte da IEA Bioenergy (Programa de Cooperação Tecnológica de Bioenergia da Agência Internacional de Energia), em entrevista ao podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta. “A bioenergia não é um jogo de soma zero. Um time não teve que perder para o outro ganhar”, disse a pesquisadora.
“O discurso da competição entre alimentos e bioenergia é muito simplista. O mais acertado é falarmos em food and fuel.”
A afirmação é sustentada por evidências científicas robustas.Uma meta-análise internacional abrangendo 224 artigos sobre o tema concluiu que não existe correlação estatística entre a produção de biocombustíveis usando culturas comestíveis ou não comestíveis, e a segurança alimentar. Segundo a pesquisadora, quando há algum efeito sobre preços, ele ocorre majoritariamente em países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, ou não há impacto ou o acesso ao alimento melhora.
O caso brasileiro é citado pela professora como a evidência mais contundente. Nos 50 anos do Proálcool, o Brasil passou de importador a um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, ao mesmo tempo em que consolidou o programa de etanol e implementou o Código Florestal. “Dá para fazer as três coisas ao mesmo tempo”, afirmou Glaucia Mendes Souza, referindo-se à produção de bioenergia, expansão da agricultura e preservação ambiental.
Conforme José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho do Instituto MBCBrasil, os dados falam por si.
“Em 2025, o Brasil produziu aproximadamente 37 bilhões de litros de etanol combustível e quase 10 bilhões de litros de biodiesel, reduzindo significativamente as emissões de CO₂ pela substituição, respectivamente, da gasolina e do diesel fóssil.”
Luzzi também destacou que 65% da mata nativa brasileira é preservada e que há uma estimativa de cerca de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas no país com potencial de uso para expansão da bioenergia e da produção de alimentos, sem necessidade de desmatamento.
A pesquisadora aponta ainda uma dimensão frequentemente ignorada no debate, de que a principal causa da fome no mundo não é a escassez de alimentos, mas a falta de renda para adquiri-los e a falta de acesso à energia para conservá-los. “A fome no mundo não é causada pela produção de biocombustíveis”, afirmou a professora. “Comunidades sem energia elétrica têm dificuldades de armazenamento de alimentos. A produção de biocombustíveis também leva bioenergia para esses locais.”
Nesse sentido, a bioenergia contribui em duas frentes simultâneas, ao gerar renda nas regiões produtoras, ampliando o poder aquisitivo de populações rurais, e ao oferecer acesso a energia onde redes elétricas convencionais não chegam.
Do ponto de vista regulatório, o Brasil também avança. O RenovaBio, programa nacional de biocombustíveis vinculado ao Código Florestal, é citado pela professora como um exemplo internacional de política pública que une descarbonização e proteção ambiental. “Quem é certificado, produzindo biocombustível sem desmatamento, ganha CBIOs, créditos de descarbonização negociados na Bolsa de Valores”, explicou Glaucia Mendes Souza.
“Os registros do CAR incluem imagens de satélite. Dá para saber que não foi desmatada a área.”
É possível obter a expansão da produção, de acordo com estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), sem ampliar a área agrícola, por meio de milho de segunda safra, aumento de produtividade, uso de pastagens degradadas e melhor aproveitamento de resíduos. O potencial projetado é de adicionar cerca de 24 bilhões de litros de etanol.
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CNH cassada x CNH suspensa: entenda as diferenças
Receber uma notificação do órgão de trânsito informando a suspensão ou a cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) costuma gerar muitas dúvidas entre os motoristas. Afinal, ambas impedem o condutor de dirigir, mas possuem causas, consequências e procedimentos bastante distintos.
Na prática, a suspensão é uma penalidade temporária. Já a cassação é considerada a sanção administrativa mais severa prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), pois faz com que o motorista perca o direito de dirigir e tenha que passar por um novo processo de habilitação após cumprir o período determinado pela legislação.
Entender essa diferença é importante para evitar desinformação e compreender os direitos e deveres previstos no processo administrativo de trânsito.
Suspensão da CNH: quando ela acontece?A suspensão do direito de dirigir está prevista no artigo 261 do CTB e pode ocorrer em duas situações.
A primeira é quando o motorista atinge o limite de pontos na CNH dentro do período de 12 meses, observando as regras de pontuação estabelecidas pela legislação.
A segunda ocorre quando o condutor comete uma infração autossuspensiva, ou seja, uma infração que, por si só, já prevê a suspensão da habilitação, independentemente da quantidade de pontos acumulados.
Entre os exemplos estão dirigir sob influência de álcool, recusar-se a realizar o teste do etilômetro, disputar corrida em via pública, promover manobras perigosas e exceder em mais de 50% a velocidade máxima permitida, entre outras situações previstas no CTB.
Durante o período de suspensão, o motorista não pode conduzir qualquer veículo automotor. Após cumprir a penalidade e realizar o curso de reciclagem, poderá voltar a dirigir.
Conforme o especialista em trânsito Celso Mariano, a suspensão tem caráter educativo.
“A suspensão busca interromper temporariamente o direito de dirigir para que o condutor reflita sobre sua conduta e atualize seus conhecimentos de trânsito antes de voltar às vias”, explica.
Quando a CNH pode ser cassada?A cassação está prevista no artigo 263 do Código de Trânsito Brasileiro e possui hipóteses específicas de aplicação.
Uma das situações mais conhecidas ocorre quando o motorista é flagrado dirigindo durante o período em que sua CNH está suspensa.
Outra hipótese é a reincidência, no prazo de 12 meses, em determinadas infrações gravíssimas previstas pela legislação. Entre elas estão entregar ou permitir a direção a pessoa não habilitada, dirigir veículo para categoria diferente da habilitação, participar de competições não autorizadas em vias públicas e realizar manobras perigosas, entre outras condutas descritas no CTB.
A cassação também pode decorrer de condenação judicial por crime de trânsito, nos casos previstos em lei.
De acordo com Celso Mariano, muitos motoristas confundem a cassação com o simples acúmulo de multas. “Existe a falsa ideia de que basta receber muitas multas para perder definitivamente a CNH. Na verdade, a cassação depende de situações específicas previstas na legislação e sempre ocorre dentro de um processo administrativo ou por determinação judicial, quando for o caso”, diz.
O que muda para o motorista?A principal diferença entre as duas penalidades está na forma de recuperar o direito de dirigir.
Na suspensão, o condutor permanece sem dirigir pelo período estabelecido na penalidade. Depois disso, realiza o curso de reciclagem e, cumpridas as exigências legais, pode voltar a conduzir veículos.
Na cassação, o cenário é bem diferente. O motorista fica impedido de dirigir por dois anos. Encerrado esse prazo, não basta solicitar a devolução da CNH. Será necessário iniciar um novo processo de habilitação, passando novamente pelos exames exigidos para obtenção da carteira de motorista.
O motorista pode recorrer?Sim. Tanto a suspensão quanto a cassação dependem da instauração de processo administrativo, garantindo ao condutor o direito à ampla defesa e ao contraditório.
O motorista pode apresentar defesa prévia e recursos nas instâncias administrativas previstas na legislação. Somente após o encerramento definitivo do processo é que a penalidade passa a produzir efeitos, respeitadas as regras aplicáveis a cada caso.
Por isso, acompanhar as notificações enviadas pelos órgãos de trânsito é fundamental para não perder prazos importantes.
Quadro comparativo: suspensão x cassação Suspensão da CNHCassação da CNHPenalidade temporáriaPenalidade mais severa prevista no CTBO motorista fica proibido de dirigir durante o período da penalidadeO motorista perde o direito de dirigir por dois anosPode ocorrer por excesso de pontos ou infração autossuspensivaOcorre apenas nas hipóteses previstas no artigo 263 do CTBExige curso de reciclagem para recuperar o direito de dirigirExige novo processo de habilitação após cumprir o prazo legalA CNH continua válida, mas o direito de dirigir fica suspensoA habilitação é cassada e deixa de produzir efeitos Respeitar a legislação continua sendo a melhor prevençãoAs penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro têm como objetivo proteger a segurança viária e desestimular comportamentos de risco.
Enquanto a suspensão busca afastar temporariamente o motorista da direção para que ele reflita sobre sua conduta, a cassação é reservada para situações consideradas mais graves ou para condutores que descumprem penalidades já impostas.
Para Celso Mariano, compreender essas diferenças também ajuda o cidadão a conhecer melhor seus direitos e deveres.
“Mais importante do que saber como recuperar a habilitação é adotar uma postura preventiva no trânsito. O respeito às normas reduz o risco de penalidades e, principalmente, contribui para preservar vidas”, orienta.
A orientação é que os condutores acompanhem regularmente a situação da CNH junto ao Detran do seu estado, mantenham o endereço atualizado para receber notificações e adotem uma condução responsável, evitando infrações que possam comprometer o direito de dirigir.
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Dia do Motorista: Setcemg convida motoristas a compartilharem histórias e lições da profissão em campanha
Todos os dias, milhares de motoristas percorrem estradas que ligam cidades, abastecem empresas e garantem o funcionamento da economia brasileira. Ao longo dessas viagens, acumulam aprendizados sobre segurança, responsabilidade, superação e convivência. Para dar voz a essas histórias, o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) lança a campanha “Lições da Estrada”, iniciativa que convida motoristas a compartilharem, em vídeo, os ensinamentos construídos ao longo da profissão. A ação integra a programação especial do Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, e tem como objetivo reconhecer o papel dos profissionais que movimentam o transporte rodoviário de cargas e inspirar as novas gerações que chegam ao setor.
O presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior, a campanha quer destacar um patrimônio muitas vezes invisível, o conhecimento adquirido por quem passa grande parte da vida nas estradas.
“Com a campanha, queremos reconhecer esses profissionais e mostrar que o futuro do transporte também se constrói a partir das lições de quem vive essa realidade todos os dias”, afirma.
Cada empresa associada poderá indicar até dois motoristas para participar da campanha.Os profissionais deverão gravar um vídeo de até um minuto respondendo, de forma espontânea, quais foram as principais lições que aprenderam na estrada e quais conselhos deixariam para os futuros motoristas.
Os vídeos deverão ser gravados em formato vertical e podem ser feitos em frente ao caminhão, na empresa ou em qualquer ambiente onde o motorista se sinta confortável. O material será utilizado na programação especial preparada pelo Setcemg para homenagear os profissionais do transporte rodoviário de cargas.
“São profissionais que enfrentam desafios diariamente e desempenham um papel essencial para o desenvolvimento do país”, afirma o presidente do Setcemg.
Antonio Luis complementa que dar espaço para que os próprios motoristas contem suas histórias é uma forma de valorizar a profissão e aproximar a sociedade da realidade vivida nas estradas.
Como participarOs vídeos devem ter até 1 minuto de duração, ser gravados em formato vertical, ser feitos em frente ao caminhão, na empresa ou em outro local de preferência do motorista.
Os materiais devem ser enviados até 17 de julho para o e-mail marketing@setcemg.org.br .
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Comissão aprova despacho gratuito de cadeirinhas infantis em voos e cria regras para locadoras
gromaler para Depositphotos
Famílias que viajam com crianças podem ganhar mais facilidade para cumprir as regras de segurança no transporte infantil. A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que obriga as companhias aéreas a permitirem o despacho gratuito de dispositivos de retenção infantil, como cadeirinhas e assentos de elevação, além de criar novas regras para a oferta desses equipamentos por locadoras de veículos.
A proposta busca reduzir obstáculos para que pais e responsáveis utilizem os equipamentos exigidos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), especialmente durante viagens que envolvem deslocamentos aéreos e aluguel de veículos.
Cadeirinha poderá ser despachada gratuitamentePelo texto aprovado, cada criança transportada terá direito ao despacho gratuito de um dispositivo de retenção infantil em voos comerciais. O benefício valerá para cadeirinhas, assentos de elevação e outros equipamentos utilizados para o transporte seguro de crianças em automóveis.
A medida não substituirá a franquia regular de bagagem nem afetará outros itens que já podem ser transportados gratuitamente pelas famílias, como carrinhos de bebê e bebês-conforto.
Conforme a relatora da proposta, deputada Helena Lima, a iniciativa facilita o cumprimento das normas de trânsito relacionadas à proteção das crianças.
“A proposta ajuda a cumprir a lei sobre o uso de cadeirinhas, porque garante que o transporte do equipamento no trecho aéreo seja gratuito e seguro.”
Para utilizar o benefício, o responsável deverá comprovar, no momento do check-in, que a idade da criança exige o uso do dispositivo de retenção, conforme as regras previstas no CTB. As companhias aéreas poderão estabelecer critérios técnicos para o acondicionamento dos equipamentos durante o transporte.
Locadoras terão de informar preços com transparênciaO projeto também trata da oferta de cadeirinhas e assentos infantis pelas locadoras de veículos.
A versão original previa que esses equipamentos fossem disponibilizados gratuitamente. No entanto, o texto aprovado permite a cobrança pelo acessório, desde que os preços sejam informados de forma clara no momento da reserva.
Além disso, a proposta proíbe a venda casada, garantindo ao consumidor o direito de escolher entre levar seu próprio equipamento ou contratar o acessório oferecido pela locadora.
De acordo com a relatora, a mudança busca equilibrar a proteção das crianças com a viabilidade econômica das empresas do setor.
Equipamentos deverão atender normas de segurançaO texto estabelece que os dispositivos fornecidos pelas locadoras deverão seguir os padrões de segurança definidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia e estar em condições adequadas de uso.
Outra exigência prevê que equipamentos envolvidos em acidentes de trânsito sejam descartados, evitando que voltem a ser utilizados sem garantia de segurança.
A responsabilidade pela conservação da cadeirinha durante o período de locação ficará a cargo do cliente, conforme as condições previstas em contrato.
Segurança infantil continua sendo obrigatóriaA proposta reforça uma regra já existente no trânsito brasileiro: o uso de dispositivos de retenção infantil é obrigatório para crianças transportadas em veículos, conforme critérios de idade, peso e altura definidos pela legislação.
Especialistas em segurança viária apontam que a utilização correta das cadeirinhas reduz significativamente o risco de mortes e lesões graves em caso de colisões.
Ao facilitar o transporte desses equipamentos durante viagens e trazer mais transparência para sua locação, o projeto busca ampliar as condições para que as famílias cumpram as exigências legais e transportem crianças com mais segurança.
Próximos passosO projeto ainda não virou lei. Ou seja, a proposta seguirá para análise das comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois disso, ainda precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
Com informações da Agência Câmara
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Brasil entra em campo e o trânsito também: como torcer sem colocar vidas em risco
Hoje tem jogo do Brasil novamente e quando a Seleção entra em campo em uma Copa do Mundo, não é apenas o futebol que movimenta o país. Bares lotam, empresas flexibilizam horários, famílias se reúnem e milhares de pessoas saem de casa para assistir à partida ou comemorar o resultado (esperamos!). Toda essa mudança de comportamento também se reflete no trânsito.
Embora seja comum observar redução no movimento durante o horário do jogo, os momentos que antecedem o apito inicial e, principalmente, logo após o término da partida costumam concentrar deslocamentos simultâneos. Dependendo do resultado, também aumentam as celebrações nas ruas, buzinaços e, infelizmente, situações de risco envolvendo motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Por isso, especialistas em segurança viária alertam que a empolgação com o futebol não pode fazer com que regras básicas de trânsito sejam deixadas de lado.
Antes de qualquer coisa, planeje como vai voltar para casaPara quem pretende assistir ao jogo em bares, restaurantes ou eventos públicos, o planejamento começa antes mesmo da partida.
Caso haja consumo de bebidas alcoólicas, a orientação continua sendo a mesma durante todo o ano: quem bebe não dirige. O ideal é definir previamente quem será o motorista da rodada, utilizar transporte por aplicativo, táxi ou transporte coletivo, ou até optar por assistir ao jogo próximo de casa.
Além da questão legal, dirigir sob efeito de álcool reduz os reflexos, prejudica a percepção de risco e aumenta significativamente a probabilidade de sinistros graves.
Vale lembrar que a chamada Lei Seca prevê tolerância zero para o consumo de álcool por condutores, além de multa elevada, suspensão do direito de dirigir e outras consequências administrativas e criminais, dependendo da situação.
O perigo também está na euforiaMesmo quem não consumiu bebida alcoólica pode colocar a segurança em risco durante as comemorações.
Buzinar de forma excessiva, colocar o corpo para fora do veículo, transportar passageiros na carroceria de caminhonetes, dirigir em comboios desorganizados ou desrespeitar sinais de trânsito são comportamentos que costumam aparecer em grandes celebrações e aumentam o risco de ocorrências.
Outro ponto de atenção é a distração. Muitos motoristas acabam utilizando o celular para gravar vídeos, fazer transmissões ao vivo ou responder mensagens enquanto dirigem, prática proibida pela legislação brasileira e que compromete a atenção ao volante.
Pedestres e motociclistas exigem atenção redobradaDias de grandes eventos esportivos também alteram a dinâmica das cidades. Em regiões com bares e locais de transmissão das partidas, é comum haver maior circulação de pedestres atravessando vias, muitas vezes fora da faixa ou em locais com pouca iluminação.
Ao mesmo tempo, motociclistas que realizam entregas ou trabalham com transporte de passageiros continuam circulando normalmente para atender ao aumento da demanda.
Essa combinação exige ainda mais cautela dos condutores, especialmente em cruzamentos, áreas comerciais e vias próximas aos locais de concentração de torcedores.
Mudanças na rotina das cidadesDiversas empresas costumam flexibilizar o expediente em dias de jogos da Seleção, enquanto órgãos públicos e instituições de ensino podem adotar horários especiais. Com isso, há uma redistribuição dos horários de pico, concentrando deslocamentos antes da partida e logo após o encerramento. Hoje isso será um pouco diferente pois é domingo.
Embora essa alteração possa reduzir congestionamentos durante os 90 minutos de jogo, ela também cria momentos de maior intensidade no trânsito em curtos períodos.
Por isso, quem precisa dirigir deve sair com antecedência, evitar pressa e considerar possíveis mudanças no fluxo viário.
Futebol e responsabilidade podem jogar no mesmo timePara o especialista em trânsito Celso Mariano, grandes eventos esportivos são momentos de celebração coletiva, mas não podem servir de justificativa para comportamentos inseguros.
De acordo com ele, a emoção do jogo termina quando o árbitro apita o fim da partida, mas as consequências de uma decisão irresponsável no trânsito podem permanecer por toda a vida. A melhor comemoração é aquela que permite que todos cheguem em casa em segurança.
“A recomendação vale para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Respeitar a sinalização, evitar distrações, não dirigir após consumir bebida alcoólica e agir com paciência continuam sendo atitudes capazes de prevenir sinistros, independentemente do placar”, orienta Mariano.
Em um país apaixonado por futebol, a vitória mais importante continua sendo preservar vidas. Afinal, comemorar um gol faz parte da festa; voltar para casa em segurança deve ser a prioridade de todos.
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Trânsito mata mais do que muita guerra e o Brasil ainda chama isso de acidente
*Paulo Buriti
Mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2025. Mais de 72 mil sinistros em um único ano. O Brasil segue figurando entre os países com maior índice de mortalidade no trânsito do mundo. Quando olhamos para realidades como as do Japão, da Suécia e da Noruega, que reduziram suas mortes nas estradas em cerca de 50%, uma pergunta fica no ar: o que eles enxergam que nós ainda nos recusamos a ver?
A resposta, por mais incômoda que seja, passa por uma escolha simples: esses países decidiram que morrer no trânsito não é normal. Nós ainda achamos que é.
Existe uma ideia enraizada na nossa sociedade de que tragédias no trânsito são meras fatalidades, algo que sempre aconteceu, sempre vai acontecer e que só nos resta lamentar. Essa mentalidade é um dos maiores obstáculos para a prevenção. Quando normalizamos o absurdo, deixamos de cobrar soluções.
Criar o Dia Nacional de Mobilização em Memória das Vítimas de Trânsito é um gesto simbólico importante, mas símbolos sem atitude perdem o sentido rapidamente. O Brasil não precisa de mais uma data no calendário; precisa de uma mudança real de postura.
O problema não está na leiDirigir alcoolizado, usar o celular ao volante ou realizar ultrapassagens proibidas já são condutas previstas e punidas pela legislação brasileira. O verdadeiro problema é que boa parte dos infratores acredita que dificilmente será fiscalizada. Nossa legislação não é fraca. O que falta é fiscalização consistente, capaz de transformar comportamento em vez de apenas punir quem foi flagrado ocasionalmente.
Os países que conseguiram reduzir drasticamente as mortes no trânsito não criaram leis revolucionárias. Eles tornaram a fiscalização inevitável, utilizando tecnologia para ampliar a capacidade de prevenção e tornar a gestão do trânsito mais inteligente.
Hoje, sistemas equipados com inteligência artificial conseguem identificar em tempo real comportamentos de risco como uso do celular ao volante, mudanças bruscas de faixa, distrações, excesso de velocidade e outras condutas perigosas. A lógica é simples: agir antes da tragédia, e não apenas contabilizar suas consequências.
Essa evolução também chegou à gestão de frotas. Soluções modernas de videotelemetria permitem acompanhar não apenas o veículo, mas o comportamento do condutor e as condições da operação. O resultado é mais controle, mais segurança e uma redução significativa de acidentes, perdas operacionais e interrupções logísticas.
A fadiga que ninguém quer verEntre as principais causas de acidentes graves nas rodovias brasileiras está uma das mais negligenciadas: a fadiga. Motoristas submetidos a jornadas excessivas frequentemente enfrentam longos períodos ao volante sob pressão por produtividade e prazos cada vez mais apertados. Embora a legislação determine períodos obrigatórios de descanso, a realidade das estradas mostra que o esgotamento ainda faz parte da rotina de muitos profissionais do transporte.
Quando um veículo de carga ou um ônibus se envolve em um acidente provocado por sonolência, dificilmente estamos diante de uma fatalidade. Na maioria das vezes, existe uma falha de gestão por trás da ocorrência. O descanso não pode ser tratado como obstáculo à operação, mas como um dos pilares da segurança viária.
A boa notícia é que a tecnologia já oferece respostas concretas para esse problema. Sistemas de visão computacional e videotelemetria conseguem identificar sinais de fadiga, distração e perda de atenção por meio da análise do comportamento do motorista, emitindo alertas em tempo real antes que o risco se transforme em acidente. Fechamento prolongado dos olhos, movimentos repetitivos da cabeça, bocejos frequentes e mudanças no padrão de condução são alguns dos sinais que já podem ser detectados por essas ferramentas.
O desafio atual deixou de ser tecnológico.As soluções existem, apresentam resultados comprovados e já são utilizadas por empresas comprometidas com a segurança viária. O que falta é ampliar sua adoção e aproximar o conhecimento técnico do setor privado das políticas públicas de trânsito. Empresas que já conseguem reduzir acidentes por meio da prevenção raramente são chamadas para contribuir na construção de estratégias públicas de segurança.
Não faz sentido manter soluções capazes de prevenir acidentes restritas a uma parcela do mercado enquanto milhares de vidas continuam sendo perdidas todos os anos nas estradas brasileiras.
Cada morte no trânsito tem uma causa identificável: uma decisão adiada, uma fiscalização insuficiente ou uma medida preventiva que deixou de ser adotada. Não estamos falando de azar. Estamos falando de escolhas.
O Brasil já possui dados, tecnologia e legislação para enfrentar esse problema. Falta tratá-lo como o que realmente é: uma emergência de saúde pública. Planos, datas e campanhas de conscientização só salvam vidas quando se transformam em ações concretas.
Enquanto a mudança permanecer apenas no discurso, continuaremos assistindo ao crescimento de números que poderiam estar diminuindo. E mais famílias continuarão aprendendo sobre segurança viária da forma mais dolorosa possível.
*Paulo Buriti é gerente corporativo da Corpvs, empresa especializada em soluções de monitoramento e segurança patrimonial.
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Pesquisa da FEI cria “modelo de alerta precoce” para apoiar a gestão de obras públicas
Um modelo analítico foi desenvolvido no país para funcionar como um sistema de previsão e gestão de obras públicas. A ferramenta foi criada pelos pesquisadores Marco Antonio Portugal e Gabriela Scur dentro do Programa de Pós-Graduação em Administração do Centro Universitário FEI, instituição reconhecida por seu pioneirismo ao criar o primeiro curso de Administração do Brasil e da América Latina. O objetivo do projeto é orientar prefeituras, ministérios federais e órgãos de fiscalização a identificarem riscos em contratos de infraestrutura antes da paralisação formal das obras.
Na prática, o produto entregue pela pesquisa também funciona como uma matriz de desempate para o gestor público, para priorizar o orçamento, e a retomada de obras paralisadas. O modelo combina dados financeiros e indicadores sociais, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município e as metas de sustentabilidade da ONU (ODS) e gera uma classificação de criticidade, indicando quais obras devem ser priorizadas.
Para desenvolver o modelo de alerta, os pesquisadores utilizaram uma base de dados do Tribunal de Contas da União (TCU) com mais de 46 mil contratos.A análise dessa base revelou que 86,98% dos contratos apresentaram ao menos um sinal objetivo de atraso, estagnação ou desequilíbrio físico-financeiro, reforçando a importância do monitoramento preventivo.
A pesquisadora Gabriela Scur, professora de Administração da FEI, explica: “O senso comum costuma atribuir a paralisação de obras apenas à falta de recursos, mas a pesquisa mostra que falhas de governança, coordenação e gestão contratual também são determinantes. Desenvolvemos uma matriz de monitoramento preventivo para apoiar gestores públicos na identificação de sinais de risco antes que a paralisação da obra se consolide.”
Ao transformar dados complexos em uma matriz de apoio à decisão, o estudo da FEI foi desenhado para ser aplicado de forma prática por prefeituras, ministérios e Tribunais de Contas na gestão de obras públicas.
A implementação do modelo permite que os agentes atuem de forma preventiva, orientada a riscos e baseada em evidências, corrigindo os rumos dos contratos em andamento. Com essa abordagem técnica e padronizada, a instituição busca contribuir diretamente para a eficiência das políticas públicas, garantindo maior transparência e reduzindo desperdícios de recursos públicos no país.
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