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Atualizado: 27 minutos 56 segundos atrás

Micromobilidade cresce e muda o perfil das mortes no trânsito no Brasil

qui, 02/04/2026 - 08:15
A micromobilidade aparece ao mesmo tempo como parte da solução e como um novo desafio para a segurança viária. Foto: Canetti para Depositphotos

O aumento dos acidentes envolvendo bicicletas elétricas, patinetes e outros veículos autopropelidos não é apenas um fenômeno isolado ou pontual. Ele faz parte de uma mudança maior: a transformação do perfil das vítimas no trânsito brasileiro.

Reportagens recentes mostram que os acidentes com veículos de micromobilidade praticamente triplicaram em algumas cidades, como o Rio de Janeiro. O crescimento acompanha a popularização desses veículos, que passaram a fazer parte da mobilidade urbana, especialmente em deslocamentos curtos.

Mas quando esse aumento é analisado junto com os dados de mortalidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, surge um alerta importante: o trânsito está mudando e o perfil das vítimas também.

O trânsito não mata mais como antes

Durante décadas, o trânsito brasileiro matava principalmente em colisões entre veículos, especialmente em rodovias. Hoje, o cenário é diferente.

Os dados mostram que o perfil das vítimas varia conforme a idade:

Faixa etáriaPerfil mais comum das vítimas0 a 4 anosPassageiros5 a 14 anosPedestres e ciclistas15 a 29 anosMotociclistas30 a 59 anosMotociclistas e motoristas60+Pedestres

Isso revela uma mudança importante: as vítimas mais frequentes hoje são usuários vulneráveis, ou seja, pessoas que estão fora do carro.

E é exatamente nesse grupo que entram os usuários de micromobilidade.

A micromobilidade entrou no trânsito — mas as cidades não se adaptaram

Bicicletas elétricas, patinetes e outros veículos autopropelidos se popularizaram rapidamente porque resolvem um problema real: o deslocamento curto nas cidades.

Eles são mais baratos que um carro, mais rápidos que caminhar e muitas vezes mais práticos que o transporte público para pequenas distâncias.

Do ponto de vista urbano e ambiental, a micromobilidade tem vantagens importantes:

  • reduz o uso do carro;
  • diminui congestionamentos;
  • reduz poluição;
  • amplia o acesso à mobilidade;
  • facilita a integração com transporte público.

O problema é que esses veículos passaram a circular em cidades que ainda não têm infraestrutura adequada para eles.

Eles disputam espaço com:

  • carros,
  • ônibus,
  • caminhões,
  • motocicletas,
  • pedestres,
  • ciclistas.

E essa mistura aumenta o risco.

Um novo usuário vulnerável

O usuário de micromobilidade é, na prática, um usuário vulnerável, assim como o pedestre e o ciclista. Ele não tem a proteção da carroceria de um veículo, é menos visível e está mais exposto ao impacto em caso de colisão.

Quando esse usuário é uma criança, um adolescente ou um idoso, o risco é ainda maior.

Conforme o especialista em trânsito Celso Mariano, o problema não está necessariamente na micromobilidade, mas na forma como o sistema viário está organizado. “A micromobilidade é uma solução de mobilidade urbana. O problema é que as cidades brasileiras ainda são pensadas para o carro. Quando você coloca bicicletas elétricas e patinetes para dividir espaço com ônibus e caminhões, o risco aumenta muito. E quem paga essa conta são os usuários mais vulneráveis.”

O que os dados mostram

Quando se analisam os dados de mortalidade no trânsito ao longo dos últimos anos, aparece uma tendência clara:

  • as mortes de ocupantes de automóveis reduziram ao longo do tempo;
  • as mortes de motociclistas aumentaram muito;
  • pedestres continuam morrendo em grande número;
  • ciclistas e usuários de veículos leves começam a aparecer cada vez mais nas estatísticas.

Ou seja, o trânsito brasileiro está deixando de matar principalmente quem está dentro do carro e está matando principalmente quem está fora dele.

“O trânsito mudou. Antes, o grande risco estava dentro do carro, nas rodovias. Hoje, o grande risco está nas cidades, para quem está a pé, de bicicleta, de moto ou em veículos leves. O sistema viário brasileiro ainda não acompanhou essa mudança”, explica Celso Mariano.

O desafio agora é outro

O crescimento da micromobilidade traz benefícios importantes para a mobilidade urbana, mas também cria novos desafios de segurança viária.

Entre os principais problemas apontados por especialistas estão:

  • falta de ciclovias e infraestrutura;
  • velocidade incompatível em áreas urbanas;
  • conflito entre modais diferentes;
  • uso em calçadas;
  • falta de fiscalização;
  • falta de equipamentos de segurança;
  • regulamentação ainda em adaptação em muitas cidades.

Ou seja, a micromobilidade não é o problema em si — o problema é a falta de planejamento para a convivência entre modais tão diferentes.

Uma mudança silenciosa no trânsito

O acidente que matou mãe e filho na Tijuca, envolvendo uma bicicleta elétrica e um ônibus, é um exemplo dessa mudança silenciosa que está acontecendo no trânsito.

O trânsito continua matando passageiros, pedestres e motociclistas. Mas agora também começa a matar com mais frequência usuários de micromobilidade.

E isso muda completamente o foco das políticas públicas de segurança viária.

“A discussão de trânsito hoje não pode mais ser só sobre carro. Tem que ser sobre pessoas. Sobre pedestres, ciclistas, motociclistas e agora também sobre a micromobilidade. A cidade precisa ser pensada para proteger quem é mais vulnerável”, afirma Celso Mariano.

O que precisa mudar

De acordo com especialistas, reduzir mortes no trânsito nesse novo cenário passa por medidas como:

  • redução de velocidade em áreas urbanas;
  • ampliação de ciclovias;
  • melhor regulamentação da micromobilidade;
  • fiscalização;
  • educação para o trânsito;
  • planejamento urbano com foco em segurança viária.

Porque o trânsito está mudando — e as cidades precisam mudar com ele.

Hoje, o maior risco no trânsito brasileiro não está apenas nas rodovias. Está nas cidades, na convivência entre modais diferentes e na falta de proteção aos usuários mais vulneráveis.

E, nesse cenário, a micromobilidade aparece ao mesmo tempo como parte da solução e como um novo desafio para a segurança viária.

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PRF inicia Operação Semana Santa 2026 com foco em ultrapassagens

qua, 01/04/2026 - 13:30
Com o aumento do fluxo de veículos durante o feriado, a tendência é de maior risco nas rodovias. Foto: Divulgação PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) inicia nesta quinta-feira (2) a Operação Semana Santa 2026, com reforço na fiscalização e ações educativas nas rodovias federais de todo o país. A operação segue até domingo (5) e, neste ano, terá foco especial em um dos comportamentos mais perigosos no trânsito: as ultrapassagens em local proibido.

O motivo é preocupante. Dados da PRF mostram que as ultrapassagens proibidas continuam entre as principais causas de sinistros graves e mortes nas rodovias federais.

Ultrapassagens proibidas mataram mais de 400 pessoas

Em 2025, a PRF registrou 1.770 sinistros provocados por ultrapassagens proibidas, um aumento de 9% em relação a 2023, quando ocorreram 1.620 sinistros por essa causa.

O número de mortes cresceu ainda mais: foram 404 mortes em 2025, aumento de 15% em comparação com 2023. Além disso, 2.760 pessoas ficaram feridas nesse tipo de ocorrência.

Os dados de 2026, até 22 de março, já apontam:

  • 401 sinistros;
  • 80 mortes;
  • 654 feridos.

Ou seja, mesmo antes dos feriados mais movimentados do ano, como Páscoa e Corpus Christi, os números já acendem um alerta.

Estados com mais mortes por ultrapassagem irregular

Em 2025, os estados com mais registros de mortes e feridos em sinistros causados por ultrapassagens proibidas foram:

  • Bahia – 64 mortes;
  • Paraná – 44 mortes;
  • Minas Gerais – 39 mortes.

Minas Gerais, Bahia e Paraná também lideram o número total de sinistros por esse tipo de infração.

Mais de 250 mil motoristas foram multados

Mesmo com campanhas educativas e fiscalização, o número de infrações ainda é alto. Em 2025, foram registradas mais de 253 mil autuações por ultrapassagens irregulares, considerando infrações como:

  • Forçar ultrapassagem;
  • Ultrapassar pelo acostamento;
  • Ultrapassar em curvas;
  • Ultrapassar em pontes e locais sem visibilidade.

Essas infrações estão previstas nos artigos 191, 202 e 203 do Código de Trânsito Brasileiro e são consideradas infrações gravíssimas.

Por que a ultrapassagem é tão perigosa?

A ultrapassagem é uma das manobras mais arriscadas no trânsito, principalmente em rodovias de pista simples. Um erro de cálculo de tempo, distância ou velocidade pode resultar em colisões frontais, que estão entre os sinistros com maior número de mortes.

Além disso, também aumenta o risco quando o motorista tenta ultrapassar vários veículos pesados de uma só vez ou realiza a manobra sem visibilidade suficiente, mesmo em local permitido.

Dicas para viajar com segurança no feriado

A PRF orienta os motoristas a adotarem alguns cuidados antes de pegar a estrada:

  • Fazer revisão do veículo;
  • Descansar antes de dirigir;
  • Verificar as condições da rodovia;
  • Conferir a previsão do tempo;
  • Não consumir bebida alcoólica;
  • Usar cinto de segurança;
  • Respeitar os limites de velocidade;
  • Não usar o celular ao volante;
  • Ultrapassar apenas em local permitido e com segurança.

Com o aumento do fluxo de veículos durante o feriado, a tendência é de maior risco nas rodovias. Por isso, a principal orientação dos especialistas é simples: em caso de dúvida, não ultrapasse.

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Acidente em prova da CNH acende alerta sobre novo modelo de formação

qua, 01/04/2026 - 08:15
O caso de Goiânia levanta uma discussão mais ampla sobre o processo de formação de condutores no Brasil. Foto: Reprodução Redes Sociais

O atropelamento que deixou quatro pessoas feridas durante uma prova prática de direção em Goiânia, no fim de março, não foi apenas mais um acidente. O caso acendeu um alerta sobre as mudanças recentes no processo de formação de condutores no Brasil, especialmente em relação à flexibilização das regras, ao uso de veículos sem duplo comando e ao novo modelo de formação mais flexível.

Durante o exame, uma candidata perdeu o controle do veículo e acabou atingindo pessoas que aguardavam no local. O detalhe que mais chamou a atenção foi o fato de a prova estar sendo realizada em um carro particular, sem duplo comando, ou seja, sem a possibilidade de o examinador intervir diretamente no controle do veículo em uma situação de emergência.

O caso reacende um debate importante: até que ponto a flexibilização do processo de habilitação pode impactar a segurança — inclusive durante a própria prova?

O que mudou no processo de habilitação

Nos últimos meses, o processo de formação de condutores passou por mudanças significativas no Brasil. Entre elas, a possibilidade de maior flexibilização na formação, a atuação de instrutores autônomos e, em alguns casos, a realização de aulas e exames com veículos que não possuem duplo comando.

A proposta dessas mudanças foi ampliar o acesso à habilitação e reduzir custos para o candidato. No entanto, especialistas alertam que a formação de condutores não pode ser analisada apenas sob a ótica do custo, pois envolve diretamente a segurança viária.

A etapa prática da formação sempre foi tratada como uma atividade de risco controlado. Tradicionalmente, as aulas e exames eram realizados em veículos de autoescola com duplo comando, permitindo que o instrutor ou examinador interviesse em situações de emergência, evitando acidentes.

Sem esse recurso, o cenário muda.

Na prática, o exame deixa de ser um ambiente totalmente controlado — e isso altera o nível de risco da atividade.

Segurança durante o exame entra em debate

Para o especialista em trânsito Celso Mariano, deve-se analisar o episódio como um sinal de alerta sobre o rumo da formação de condutores no Brasil.

Conforme ele, o processo de habilitação não é apenas uma etapa burocrática, mas um processo de formação que precisa ocorrer em ambiente seguro e controlado.

“O processo de habilitação não é apenas uma etapa administrativa. Ele é, antes de tudo, um processo de formação e de avaliação em ambiente controlado. Quando se retira o duplo comando e se flexibilizam etapas, é preciso redobrar — e não reduzir — os protocolos de segurança”, explica.

O especialista afirma que a discussão sobre o custo da CNH é legítima, mas não pode ignorar o papel da formação na segurança viária.

“Baratear o processo não pode significar empobrecer a formação. O trânsito é um ambiente de risco, e a formação do condutor precisa ser tratada como uma política de segurança pública, não apenas como um serviço que precisa ser mais barato”, afirma.

O que diz o Detran

Após o acidente, o Detran-GO informou que vai revisar os protocolos de segurança das provas práticas. Entre as medidas anunciadas estão a reavaliação do espaço onde são realizados os exames, o reposicionamento das áreas de espera e mudanças operacionais para aumentar a segurança de candidatos e examinadores.

O órgão também afirmou que o uso de veículos particulares segue normas nacionais e que acidentes podem ocorrer mesmo em veículos com duplo comando, indicando que o problema estaria mais relacionado ao ambiente e à organização do local de prova do que necessariamente ao modelo de veículo utilizado.

A posição do Detran é importante e traz um ponto relevante: o ambiente de prova precisa ser seguro. No entanto, especialistas apontam que a possibilidade de intervenção direta no veículo sempre foi considerada um elemento adicional de segurança, justamente por se tratar de candidatos ainda em processo de formação.

Uma discussão que vai além de um acidente

O caso de Goiânia levanta uma discussão mais ampla sobre o processo de formação de condutores no Brasil. A flexibilização do modelo, a redução de custos e a simplificação de etapas são medidas que têm apelo social, mas precisam ser analisadas também sob a perspectiva da segurança.

Formar um condutor não é apenas ensinar alguém a passar em uma prova. É preparar uma pessoa para conduzir um veículo em um ambiente complexo, com riscos reais e consequências potencialmente graves.

Conforme Mariano, quando se fala em formação de condutores, o debate não pode ser apenas econômico. Ele precisa ser técnico e, principalmente, voltado à segurança viária. “Não se deve tratar o acidente durante a prova prática apenas como uma fatalidade ou como um erro individual. Ele levanta uma pergunta importante: o sistema está preparado para garantir segurança em todas as etapas do processo de habilitação?”, questiona.

Para o especialista, flexibilizar regras pode ampliar o acesso. Mas a formação de condutores continua sendo uma questão de segurança pública. E, nesse campo, é preciso fazer qualquer mudança com cautela, planejamento e responsabilidade.

“Porque, no trânsito, erros de formação não aparecem apenas na prova. Eles aparecem, depois, nas ruas — e muitas vezes cobram um preço alto demais”, conclui.

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Falta de transporte ainda faz pacientes perderem consultas no SUS

ter, 31/03/2026 - 13:30
Quando uma pessoa falta a uma consulta por não ter como chegar ao hospital, o problema não é apenas da saúde — é também de mobilidade urbana. Foto: GaudiLab para Depositphotos

A dificuldade de deslocamento ainda é um dos motivos que fazem pacientes faltarem a consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). E esse é um problema que não está ligado apenas à saúde, mas também à mobilidade urbana e ao acesso ao transporte.

Uma parceria entre a empresa de mobilidade 99 e o Ministério da Saúde mostrou, na prática, o impacto que o transporte pode ter no acesso ao atendimento médico. Durante um mutirão nacional de exames e cirurgias que aconteceu nos dias 21 e 22 de março, foram oferecidos vouchers de transporte gratuito para pacientes da rede pública. Ao todo, mais de 36 mil mulheres de 40 cidades brasileiras receberam o benefício.

Transporte como fator de acesso à saúde

A iniciativa integrou o programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, e teve como objetivo reduzir faltas em consultas, exames e cirurgias por falta de transporte — um problema mais comum do que se imagina, principalmente para pacientes que vivem longe dos hospitais ou não têm acesso fácil ao transporte público.

Houve a disponibilização de 73,6 mil vouchers de deslocamento (ida e volta), no valor de até R$ 150, para garantir que as pacientes conseguissem chegar aos hospitais e clínicas onde os procedimentos estavam agendados. O mutirão envolveu mais de 940 hospitais públicos, universitários, privados e filantrópicos em todo o país.

De acordo com Fernando Paes, Diretor Sênior de Políticas Públicas e Relações Governamentais da 99, a iniciativa buscou justamente reduzir uma barreira que muitas vezes impede o atendimento.

“Essa parceria contribui para a nossa missão de ampliar o acesso de brasileiros e brasileiras à mobilidade. Com ela, reafirmamos nosso compromisso em facilitar o dia a dia das pacientes e garantir que ninguém deixe de ser atendido por falta de transporte — sobretudo as mulheres, que representam mais de 60% das usuárias do nosso app de mobilidade. Temos orgulho de ter contribuído para a participação delas em uma iniciativa pioneira de saúde pública”, afirmou.

Mobilidade também é política pública

Embora muitas vezes o debate sobre trânsito e mobilidade fique restrito a congestionamentos, infraestrutura viária ou fiscalização, ações como essa mostram que o transporte também tem impacto direto em áreas como saúde, educação e acesso a serviços públicos.

Quando uma pessoa falta a uma consulta por não ter como chegar ao hospital, o problema não é apenas da saúde — é também de mobilidade urbana.

Nesse caso, houve a distribuição dos vouchers pelos próprios hospitais, que entravam em contato com as pacientes para confirmar os agendamentos e orientavam sobre como usar o aplicativo e o cupom de transporte para o deslocamento até a unidade de atendimento.

Conforme a empresa, a iniciativa reforça um debate importante: garantir acesso ao transporte também é garantir acesso a direitos básicos, como saúde, trabalho e educação.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde muitas pessoas moram longe dos grandes centros assim como dos serviços públicos, pensar mobilidade não é apenas pensar em trânsito — é pensar em acesso e qualidade de vida.

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5 coisas que o ranking de infrações de trânsito 2026 revela sobre o motorista brasileiro

ter, 31/03/2026 - 08:15
Apesar de amplamente divulgado como comportamento de risco, muitos motoristas ainda subestimam o perigo da distração ao volante. Foto: F01photo para Depositphotos

Um levantamento com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) sobre as infrações mais registradas no Brasil nos dois primeiros meses de 2026 revela mais do que um simples ranking de multas. Ele ajuda a traçar um retrato do comportamento dos motoristas brasileiros nas ruas e rodovias.

O excesso de velocidade lidera com ampla vantagem o ranking, especialmente a infração por dirigir até 20% acima do limite permitido, que ultrapassou 6,1 milhões de registros apenas em janeiro e fevereiro.

No entanto, para especialistas em segurança viária, os números revelam tendências importantes sobre como os condutores se comportam no trânsito.

A seguir, veja cinco conclusões que é possível tirar a partir desses dados.

1. O excesso de velocidade continua sendo o principal problema

Se somadas as três infrações relacionadas à velocidade — até 20% acima do limite, entre 20% e 50% e acima de 50% — o total ultrapassa 7,6 milhões de registros em apenas dois meses.

Isso mostra que o desrespeito aos limites de velocidade continua sendo um dos principais desafios da segurança viária no país.

Conforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, o problema não é apenas a frequência da infração, mas também o impacto que ela tem nos sinistros.

“A velocidade influencia diretamente a gravidade dos acidentes. Pequenos aumentos já ampliam muito o risco de morte ou de lesões graves. Por isso o controle de velocidade é uma das medidas mais importantes para salvar vidas no trânsito”, explica.

2. Muitos motoristas ainda desrespeitam regras básicas

Entre as infrações mais registradas também aparecem comportamentos que deveriam ser considerados básicos para qualquer condutor.

É o caso de:

  • avançar o sinal vermelho ou parada obrigatória;
  • usar o celular ao volante;
  • não utilizar o cinto de segurança.

Todas essas infrações estão diretamente associadas ao aumento do risco de acidentes.

De acordo com especialistas, o dado mostra que ainda há espaço para avançar na conscientização e na educação para o trânsito.

3. O celular ao volante segue sendo um problema crescente

O uso do celular durante a condução aparece entre as infrações mais registradas no país, com mais de 600 mil registros nos dois primeiros meses do ano.

Apesar de amplamente divulgado como comportamento de risco, muitos motoristas ainda subestimam o perigo da distração ao volante.

Estudos indicam que manusear o celular pode aumentar em até quatro vezes o risco de acidentes, já que reduz significativamente a atenção do condutor.

4. Parte das multas não está ligada à direção, mas à documentação

Outro dado que chama atenção no ranking é a presença de infrações administrativas entre as mais registradas.

Entre elas estão:

  • não registrar a transferência do veículo no prazo de 30 dias;
  • conduzir veículo não devidamente licenciado.

Somadas, essas duas infrações ultrapassam 960 mil registros apenas em janeiro e fevereiro.

Isso indica que muitos proprietários ainda enfrentam dificuldades ou deixam de regularizar a situação do veículo dentro dos prazos legais.

5. Os dados mostram onde a fiscalização está mais presente

O ranking também revela indiretamente onde a fiscalização está mais concentrada.

Infrações como excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho aparecem no topo porque são frequentemente detectadas por equipamentos eletrônicos de fiscalização, como radares e câmeras.

Isso não significa necessariamente que outras infrações não ocorram com frequência, mas sim que algumas são mais facilmente registradas pelos sistemas de fiscalização automática.

Para Celso Mariano, os dados devem ser usados para orientar políticas públicas.

“Os números ajudam a entender onde estão os principais problemas do trânsito. A partir daí, é possível direcionar melhor as ações de fiscalização, educação e engenharia de tráfego”, afirma.

Um retrato do trânsito brasileiro

Mais do que um ranking de multas, o levantamento funciona como um retrato do comportamento no trânsito.

Ele mostra que, apesar dos avanços na legislação e na fiscalização, ainda persistem desafios importantes, especialmente relacionados à velocidade, à distração ao volante e ao cumprimento das regras básicas de circulação.

Para especialistas, enfrentar esses problemas passa não apenas pela fiscalização, mas também pela educação para o trânsito e pela mudança de cultura entre os condutores.

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Motociclistas profissionais de SP terão até 2 anos para fazer curso obrigatório sem levar multa

seg, 30/03/2026 - 13:30
A exigência de curso e prova para motociclistas profissionais está prevista em lei federal, no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e em normas do Contran. Foto: Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo

Motociclistas profissionais de São Paulo terão um prazo de até dois anos para cumprir a exigência de curso especializado e prova teórica para o exercício de atividade remunerada, sem risco de multa durante esse período. A decisão foi regulamentada pelo Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo (CETRAN-SP) dentro das ações do programa Mão na Roda.

Na prática, isso significa que, durante esse prazo, a fiscalização será educativa e orientativa, sem aplicação de penalidades relacionadas à falta do curso obrigatório para motofretistas e mototaxistas. A cobrança continuará existindo, mas o objetivo, neste primeiro momento, será orientar e permitir que os profissionais tenham tempo para se regularizar.

A exigência do curso não é nova. Ela já está prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e em normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que determinam a realização de curso especializado e aprovação em prova teórica para quem exerce atividade remunerada com motocicleta.

Fiscalização continua para outras irregularidades

É importante destacar que a fiscalização não deixa de existir. O que muda é apenas a forma como se tratará a exigência do curso especializado nesse período de adaptação.

Infrações relacionadas a outros itens continuam sendo fiscalizadas normalmente, como:

  • Pneus em mau estado de conservação;
  • Problemas no sistema de iluminação;
  • Documentação irregular;
  • Restrições na CNH;
  • Irregularidades na motocicleta.

Ou seja, o prazo de dois anos vale apenas para a exigência do curso e da prova teórica.

Curso e prova serão gratuitos

Um dos principais pontos do programa Mão na Roda é justamente garantir que os motociclistas profissionais tenham acesso gratuito à regularização. O Governo de São Paulo vai oferecer:

  • Curso obrigatório gratuito;
  • Prova teórica gratuita;
  • Emissão gratuita da CNH digital.

Segundo o governo paulista, a economia pode chegar a cerca de R$ 400 por trabalhador.

O curso será oferecido de forma online pela Escola Pública de Trânsito, com carga horária de 30 horas, e poderá ser feito pelo celular ou computador, o que permite que o profissional faça a capacitação sem precisar parar de trabalhar.

Mudança de lógica: primeiro estruturar, depois punir

A medida representa uma mudança importante na forma de implementação da lei. Em vez de começar pela punição, o Estado optou por estruturar o acesso ao curso e à prova antes de iniciar a fiscalização punitiva.

Segundo o presidente do CETRAN-SP, Frederico Arantes, a decisão está alinhada ao Plano de Segurança Viária do Estado e tem como foco a proteção dos usuários mais vulneráveis do trânsito, como os motociclistas.

De acordo com dados do Infosiga, São Paulo registrou redução de 10% no número de óbitos no primeiro trimestre deste ano, resultado atribuído a ações de planejamento e segurança viária.

Profissionalização e segurança

A exigência de curso para motofretistas e mototaxistas tem como objetivo aumentar a segurança desses profissionais, que estão entre os que mais se envolvem em sinistros de trânsito no Brasil.

Mais do que uma exigência burocrática, a formação busca preparar o motociclista para situações de risco, direção defensiva, transporte de cargas e passageiros, além de legislação específica para quem trabalha com a motocicleta.

Nesse sentido, dar prazo e oferecer o curso gratuitamente pode ser uma forma mais eficaz de garantir o cumprimento da lei e melhorar a segurança, sem retirar imediatamente a fonte de renda de quem ainda não conseguiu se regularizar.

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CNH 2026: o que o novo modelo realmente retirou da formação de condutores

seg, 30/03/2026 - 08:15
Novo formato de emissão da CNH entrou em vigor em 2026. Foto: Félix Carneiro/Governo do Tocantins

A promessa de tornar o processo de habilitação mais acessível, moderno e menos burocrático tem sido o principal argumento do governo federal para defender as mudanças implementadas a partir da Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). No discurso oficial, a flexibilização teria como objetivo reduzir custos, ampliar o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e incorporar novas tecnologias ao processo de formação.

Na prática, porém, o que se observa é um cenário bem diferente do prometido. O processo de habilitação não ficou mais barato. Ele foi desmontado, perdeu etapas importantes e passou a entregar menos formação ao futuro condutor, sem redução proporcional de custos. Ou seja, o candidato paga praticamente o mesmo — ou até mais — por um processo mais enxuto e menos robusto.

Menos horas práticas: o núcleo da aprendizagem foi encolhido

A formação prática sempre foi o eixo central da aprendizagem do condutor. É nesse momento que o aluno desenvolve percepção de risco, coordenação, tomada de decisão, leitura do ambiente viário e convivência com outros usuários da via.

Com o novo modelo, houve redução da exigência mínima de aulas práticas, quando comparada às regras anteriores. Embora o governo argumente que o candidato pode realizar aulas adicionais, especialistas alertam que o problema está no padrão estabelecido.

Quando o mínimo exigido diminui, o nível médio de formação também cai. Em um país onde o custo da CNH pesa no orçamento familiar, a tendência é que o candidato contrate apenas o pacote mínimo, ainda que ele não seja suficiente para uma formação segura.

O resultado é um paradoxo: menos aulas, menos aprendizado e nenhuma garantia de economia real para quem busca a habilitação.

Ensino teórico esvaziado e cada vez mais distante

Outro ponto sensível está no ensino teórico. O novo modelo ampliou o uso de aulas remotas, plataformas automatizadas e conteúdos terceirizados, reduzindo o vínculo entre aluno, instrutor e autoescola.

Conforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, essa mudança compromete o caráter educativo do processo.

“Tecnologia é ferramenta, não método. O problema é quando o ensino teórico deixa de formar e passa apenas a cumprir carga horária. Isso empobrece o processo e não reduz o custo final de forma significativa para o candidato”, afirma.

De acordo com ele, o que se observa é um deslocamento de custos: menos investimento pedagógico e mais dependência de soluções externas, que nem sempre resultam em um processo mais barato ou mais eficiente.

Menos formação, mesmo preço — ou custo maior

Um dos aspectos mais críticos do novo modelo é justamente a relação entre custo e entrega. Ao reduzir etapas presenciais, horas práticas e exigências pedagógicas, criou-se a expectativa de que o processo ficaria mais barato. Isso, porém, não se confirmou de forma estrutural.

O que mudou foi a composição do serviço. O candidato passa a pagar por um processo mais simplificado, com menos acompanhamento e menor carga formativa. Em alguns casos, para alcançar um nível mínimo de segurança, ele precisa contratar aulas extras, elevando o custo final.

Na prática, o processo não foi barateado; ele foi empobrecido. Atualização e cursos especializados enfraquecidos

As mudanças também atingiram cursos especializados e de atualização, que historicamente funcionavam como instrumentos de reciclagem e aperfeiçoamento técnico. O novo regramento enfraqueceu a lógica da formação continuada, justamente em um trânsito cada vez mais complexo, com novos modais, tecnologias e conflitos viários.

Menos exigência de atualização significa condutores menos preparados para realidades mais desafiadoras, sem que isso represente economia relevante para o sistema.

Da formação à simples emissão da CNH

O conjunto das alterações aponta para uma inversão perigosa de lógica: o foco deixa de ser a formação consistente e passa a ser a facilitação administrativa.

“O sistema parece mais preocupado em emitir CNHs do que em formar condutores. E o custo disso não aparece na taxa paga hoje, mas amanhã, nos sinistros, nas vítimas e na sobrecarga do sistema de saúde”, alerta Celso Mariano.

O risco invisível da flexibilização

Modernizar é necessário. Simplificar processos burocráticos também. Mas flexibilizar não pode significar desmontar a formação.

Ao reduzir horas práticas, esvaziar o ensino teórico presencial, enfraquecer a atualização contínua e entregar menos conteúdo por um custo que permanece alto, o novo modelo corre o risco de habilitar sem formar.

E no trânsito, essa escolha não é neutra. Ela se traduz em comportamentos inseguros, erros evitáveis e consequências que custam muito mais caro do que qualquer taxa de habilitação.

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Vendas de motos crescem quase 10% em fevereiro de 2026

dom, 29/03/2026 - 13:30
O mês de fevereiro foi marcado por contrastes acentuados entre as fabricantes. Foto: Divulgação

Sobre duas rodas, a economia brasileira parece ter encontrado um atalho para desviar da crise. Enquanto outros setores ainda buscam estabilidade no cenário de 2026, o mercado de motocicletas acelerou o passo, registrando 171.508 novos emplacamentos em fevereiro. O volume representa uma alta de 9,97% em relação ao mesmo mês do ano passado, consolidando o veículo não apenas como transporte, mas como motor da microeconomia nacional.

Dados

Embora o balanço mensal tenha mostrado uma leve retração de 3,93% em comparação a janeiro de 2026, o dado é visto com otimismo pelo setor. A queda absoluta é explicada pela logística do calendário: fevereiro teve apenas 17 dias úteis, contra 21 do mês anterior. Na prática, a média de emplacamentos por dia aumentou, indicando que o apetite do consumidor continua em expansão. No acumulado do primeiro bimestre, o salto é ainda mais impressionante, com um crescimento de 13,68% sobre o mesmo período de 2025, sinalizando que o segmento caminha a passos largos para um novo recorde histórico.

O mês de fevereiro foi marcado por contrastes acentuados entre as fabricantes. No campo dos destaques positivos, a Mottu apresentou um crescimento exponencial de 63%, impulsionada pela demanda de locação para serviços, seguida pela Dafra, que avançou 7%. Por outro lado, o mês foi de retração para marcas como a Triumph, que recuou 25%, além de quedas registradas pela Bajaj (-15%), Royal Enfield (-14%), Yamaha (-11%) e Shineray (-9%).

No topo da pirâmide, a hierarquia das montadoras permanece consolidada sob o domínio das gigantes tradicionais.

A Honda segue isolada na liderança absoluta, detendo 65% de participação de mercado no acumulado do ano. A Yamaha aparece em segundo lugar com 14% de share, enquanto a Shineray ocupa a terceira posição com 7%. Juntas, essas marcas ditam o ritmo de um setor que se tornou a alternativa preferencial de mobilidade e renda para milhões de brasileiros.

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O valor de compra não é o único fator. Manutenção, consumo, peças, seguro e impostos devem ser considerados, pois variam de acordo com o modelo e impactam o custo total ao longo do tempo.

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O cenário positivo traçado pelos números de fevereiro reforça que a motocicleta deixou de ser um artigo de conveniência para se tornar um pilar da economia brasileira. Em um mercado cada vez mais diversificado, a orientação correta é o diferencial que separa um investimento seguro de uma escolha impulsiva.

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PRF alerta para irregularidades no uso do Arla 32 em caminhões e ônibus

dom, 29/03/2026 - 08:15
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realiza ação educativa voltada a empresários do transporte de carga e passageiros, supervisores de frota e motoristas. Foto: Divulgação PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem intensificado as orientações ao setor de transporte sobre o funcionamento correto dos sistemas de controle de emissões em veículos movidos a diesel. O foco está principalmente no uso adequado do Arla 32, reagente químico essencial para reduzir a emissão de poluentes em caminhões e ônibus mais modernos.

Conforme a corporação, fiscalizações realizadas nas rodovias federais têm identificado uma série de irregularidades relacionadas ao sistema responsável por reduzir gases nocivos ao meio ambiente. Entre os problemas mais comuns estão adulterações no equipamento, intervenções indevidas e falhas provocadas por falta de manutenção.

Essas práticas, além de comprometerem o controle ambiental, podem gerar infrações administrativas, danos mecânicos ao veículo e até enquadramento por crime ambiental, dependendo da situação.

O que é o Arla 32

O Arla 32 é um agente redutor líquido composto por ureia de alta pureza e água desmineralizada. Ele é utilizado em veículos equipados com o sistema conhecido como Redução Catalítica Seletiva (SCR), tecnologia que passou a ser adotada para atender às normas ambientais mais rigorosas aplicadas aos motores a diesel.

Nesse sistema, o produto é injetado no escapamento do veículo e reage com os gases gerados pelo motor. A reação química transforma os óxidos de nitrogênio (NOx) — poluentes altamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente — em substâncias menos nocivas, como nitrogênio e vapor de água.

Quando o sistema funciona corretamente, é possível reduzir a emissão desses poluentes de forma significativa, contribuindo para melhorar a qualidade do ar, especialmente em áreas com grande circulação de veículos pesados.

Irregularidades ainda são comuns

Apesar da obrigatoriedade do sistema em grande parte da frota de caminhões e ônibus produzidos nos últimos anos, a PRF alerta que ainda são frequentes as tentativas de burlar o funcionamento do equipamento.

Entre as irregularidades identificadas nas fiscalizações estão:

  • bloqueio ou desativação do sistema de injeção do Arla 32;
  • instalação de dispositivos eletrônicos para simular o funcionamento do equipamento;
  • retirada de componentes do sistema de controle de emissões;
  • uso inadequado ou ausência do reagente.

Além de aumentar significativamente a emissão de poluentes, essas práticas podem comprometer o funcionamento do veículo e, além disso, gerar custos elevados de manutenção.

Falta de manutenção também gera problemas

Outro ponto de atenção destacado pelas autoridades é a falta de manutenção adequada dos sistemas de controle de emissões.

Sensores, catalisadores e componentes eletrônicos que fazem parte do sistema SCR são sensíveis e exigem funcionamento correto para garantir a eficiência na redução de poluentes.

Quando há falhas nesses componentes ou utilização de reagentes fora do padrão de qualidade, o sistema pode apresentar alertas no painel do veículo, redução de potência e outras restrições de funcionamento.

Fiscalização deve aumentar

De acordo com a PRF, as orientações fazem parte de um conjunto de ações voltadas a ampliar o conhecimento de transportadoras e motoristas profissionais sobre as exigências técnicas e legais relacionadas ao controle de emissões.

A expectativa é que se reforce a fiscalização desse tipo de irregularidade nas rodovias federais ao longo de 2026, com foco tanto na preservação ambiental quanto no cumprimento da legislação.

Por isso, a recomendação é que empresas e condutores mantenham os sistemas de controle de poluentes em pleno funcionamento, utilizem Arla 32 de procedência confiável e realizem a manutenção preventiva dos veículos.

Além de evitar autuações, essas medidas contribuem para reduzir o impacto ambiental do transporte rodoviário assim como garantir o desempenho adequado dos veículos a diesel.

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NTC&Logística divulga levantamento e aponta queda no roubo de cargas em 2025

sab, 28/03/2026 - 13:30
De acordo com o estudo, em 2025 foram registradas 8.570 ocorrências. Foto: olly18 para Depositphotos

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), entidade que há mais de duas décadas monitora e analisa o roubo de cargas no Brasil, divulgou seu levantamento anual sobre o tema. Referência nacional desde 1998, a entidade consolida dados e contribui ativamente para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança no Transporte Rodoviário de Cargas.

De acordo com o estudo, em 2025 foram registradas 8.570 ocorrências, representando uma redução de 16,7% em relação a 2024.

Apesar da queda, o impacto financeiro permanece elevado.

O prejuízo direto estimado chega a aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar os efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, seguros e impacto no preço final dos produtos.

Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, os dados reforçam a importância da continuidade das ações conjuntas, mas evidenciam que a superação do problema está longe – ainda que haja avanços importantes no campo institucional e legislativo.

“A redução registrada ao longo dos últimos anos demonstra que o trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público tem gerado resultados. Ao mesmo tempo, evoluímos em pautas importantes, fruto de um trabalho consistente de articulação e construção técnica. Um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime. E vemos, agora, um avanço concreto nesse sentido com a sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, fortalecendo o enfrentamento das estruturas criminosas e ampliando os mecanismos de punição e investigação. Essa é uma medida importante para dar mais segurança a quem atua dentro da legalidade. Ainda assim, o cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país” – enfatiza Rebuzzi.

O levantamento mostra ainda que o crime segue concentrado em regiões estratégicas do país. O Sudeste responde por 86,8% das ocorrências, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, que concentram a maior parte dos registros nacionais.

Além da concentração geográfica, o estudo aponta uma evolução no perfil das ações criminosas.

As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez – como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos – e adotado estratégias mais sofisticadas, como interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas e corredores logísticos.

O vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, destaca que o cenário atual exige uma resposta ainda mais coordenada. “Mesmo com a redução no volume de ocorrências, o crime vem se tornando cada vez mais sofisticado. As organizações criminosas atuam de forma estruturada e com inteligência, o que exige do setor e das autoridades uma resposta igualmente integrada, com uso de tecnologia, informação e cooperação contínua.”

O roubo de cargas é um problema que ultrapassa a esfera criminal, impactando a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas, a previsibilidade logística e o custo Brasil. No levantamento, também se evidencia desafios estruturais, como a fragmentação de dados e a necessidade de maior integração entre os sistemas de segurança pública.

Nesse contexto, a entidade reafirma seu papel histórico e institucional no enfrentamento do problema, priorizando a produção de estudos, articulação com autoridades e promoção de iniciativas voltadas à segurança logística no país. 

“Nosso compromisso é seguir contribuindo com dados, inteligência e articulação institucional. O enfrentamento do roubo de cargas passa por uma visão sistêmica, que envolve toda a cadeia logística e, principalmente, o combate às estruturas que financiam essa atividade criminosa”, conclui Rebuzzi.

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Motoristas de carros elétricos podem ter tempo máximo para usar vagas de recarga

sab, 28/03/2026 - 08:15
A gestão eficiente dessas vagas tende a ganhar importância, especialmente em áreas urbanas com maior circulação de veículos elétricos. Foto: Scharfsinn para Depositphotos

Com o crescimento da frota de veículos elétricos no Brasil, o uso das vagas destinadas à recarga começa a entrar no radar da legislação de trânsito. Um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe estabelecer regras para evitar que esses espaços fiquem ocupados além do necessário.

O PL 801/2026, apresentado pelo deputado Marcos Soares (União/RJ), altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para disciplinar a permanência de veículos em vagas públicas destinadas à recarga de carros elétricos e híbridos plug-in. A proposta também cria uma infração específica para ocupação indevida dessas vagas.

A ideia central é garantir rotatividade no uso da infraestrutura de recarga, que ainda tem limitações em muitas cidades.

Permanência só durante o carregamento

Pelo texto do projeto, o veículo poderá permanecer na vaga enquanto o processo de recarga estiver em andamento. Após a conclusão do carregamento, o motorista terá até 15 minutos para retirar o veículo.

Caso se ultrapasse esse prazo, a conduta será uma infração de natureza grave, sujeita a multa e remoção do veículo.

Além disso, a proposta estabelece que, 30 minutos após o término da recarga, a remoção do veículo deverá ocorrer obrigatoriamente.

Para isso, o projeto inclui um novo inciso no artigo 181 do CTB, que trata das infrações relacionadas ao estacionamento irregular.

Rotatividade também em estacionamentos privados

O texto também prevê regras para estacionamentos de uso coletivo ou privado que disponibilizem pontos de recarga.

Esses estabelecimentos deverão adotar mecanismos de rotatividade, garantindo que a vaga seja liberada após o carregamento, respeitando critérios de razoabilidade e uso eficiente da infraestrutura.

Lacuna na legislação atual

Na justificativa do projeto, o deputado argumenta que o Código de Trânsito Brasileiro ainda não trata diretamente da permanência indevida em vagas destinadas à recarga de veículos elétricos.

Segundo ele, essa ausência de previsão legal acaba dificultando a fiscalização e permite que veículos permaneçam ocupando essas vagas mesmo após o fim da recarga.

No texto da justificativa, o parlamentar afirma que a utilização prolongada dessas vagas “compromete a eficiência do sistema e restringe o acesso de outros condutores que necessitam do serviço”.

Ele também defende que a medida pode estimular que se realize recargas mais longas em estações privadas, residenciais ou comerciais, liberando as vagas públicas para uso rotativo.

Infraestrutura de recarga ainda tem limites

A proposta surge em um momento de expansão gradual da mobilidade elétrica no país. Apesar do crescimento nas vendas de veículos eletrificados, ainda se considera a rede de recarga pública pequena em muitas regiões.

Nesse cenário, especialistas apontam que a gestão eficiente dessas vagas tende a ganhar importância, especialmente em áreas urbanas com maior circulação de veículos elétricos.

O PL 801/2026 ainda passará pelas comissões temáticas da Câmara antes de eventual votação.

Se aprovado, o projeto poderá criar uma regra nacional para o uso das vagas públicas de recarga. Assim, acompanhando a evolução da mobilidade elétrica e estabelecendo limites para garantir que a infraestrutura seja compartilhada entre os usuários.

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Caminhoneiros podem se vacinar contra a gripe de forma gratuita

sex, 27/03/2026 - 13:30
A imunização é fundamental não apenas para a proteção, mas também para reduzir o risco de complicações causadas pela gripe. Foto: Divulgação Setcemg

O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística de Minas Gerais (Setcemg) alerta para a importância da vacinação contra a gripe, especialmente entre os caminhoneiros, que fazem parte do grupo prioritário da campanha nacional de imunização.

Devido à rotina intensa e contato frequente com diferentes regiões e pessoas, esses profissionais estão mais expostos a vírus respiratórios, como o da influenza. A imunização é fundamental não apenas para a proteção, mas também para reduzir o risco de complicações causadas pela gripe.

Adesão

Para o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior, a adesão à campanha é essencial para todo o setor.

“Os caminhoneiros desempenham um papel estratégico para o país, e cuidar da saúde desses profissionais é essencial. A vacinação é uma medida simples, segura e fundamental para prevenir doenças”, destaca.

O Setcemg reforça que a vacina contra a gripe é gratuita e está disponível nos postos de saúde para os grupos prioritários. A entidade orienta que os caminhoneiros procurem a unidade de saúde mais próxima e mantenham a caderneta de vacinação atualizada.

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Detran reforça orientações para reduzir sinistros com motociclistas

sex, 27/03/2026 - 08:15
A combinação entre educação, fiscalização e mudança de comportamento continua sendo o caminho mais eficaz para reduzir mortes e lesões graves. Foto: Detran / Divulgação

Os motociclistas seguem entre os usuários mais expostos aos riscos no trânsito brasileiro — e os números ajudam a explicar o alerta. Em Minas Gerais, eles já representam cerca de 25% dos condutores registrados, somando mais de 2,2 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, estão envolvidos em uma parcela significativa dos sinistros com vítimas.

Diante desse cenário, o Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) intensificou ações educativas voltadas a esse público e reforça um ponto essencial: comportamentos simples podem fazer a diferença entre a vida e a morte no trânsito.

De acordo com dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), foram registrados mais de 47,8 mil acidentes com motociclistas no estado. Desse total, cerca de 7,1 mil tiveram lesões graves ou fatais. A principal causa presumida? Um fator recorrente nas estatísticas brasileiras: a falta de atenção.

Vulnerabilidade exige mais do que habilidade

Ao contrário dos ocupantes de veículos fechados, motociclistas contam com proteção estrutural praticamente inexistente. Isso significa que qualquer erro — próprio ou de terceiros — pode ter consequências muito mais severas.

Por isso, especialistas em segurança viária costumam reforçar que, para quem pilota, não basta dominar a motocicleta. É preciso desenvolver uma postura ativa de autoproteção, antecipando riscos e adotando uma condução defensiva em tempo integral.

Nesse contexto, o Detran-MG destaca que imprudência, negligência e desatenção ainda figuram entre as principais causas dos sinistros envolvendo motos, reforçando a necessidade de investimento contínuo em educação para o trânsito.

Educação como ferramenta de prevenção

Segundo o órgão, a segurança no trânsito é uma responsabilidade compartilhada — mas, no caso dos motociclistas, a margem para erro é menor. Por isso, atitudes como respeitar a legislação, manter atenção constante e adotar comportamentos seguros são fundamentais.

“O comportamento no trânsito impacta diretamente os índices de acidentes. Pequenas mudanças de hábito no dia a dia podem ser determinantes para evitar ocorrências graves”, reforça o Detran-MG.

Além das campanhas, o órgão também oferece ações educativas direcionadas, como palestras voltadas a empresas que atuam com motofretistas e associações de motociclistas. A iniciativa busca ampliar a conscientização e promover um trânsito mais seguro e humano.

10 atitudes que podem salvar a vida do motociclista

Em meio a um cenário preocupante, algumas medidas continuam sendo essenciais — e muitas vezes negligenciadas no dia a dia. Veja as principais orientações reforçadas pelo Detran-MG:

  • Use capacete certificado e sempre afivelado
  • Utilize equipamentos de proteção (luvas, botas e jaqueta)
  • Respeite os limites de velocidade
  • Mantenha distância segura dos demais veículos
  • Evite trafegar nos pontos cegos
  • Reduza a velocidade em cruzamentos
  • Realize manutenção preventiva regularmente
  • Evite o uso do celular durante a pilotagem
  • Pratique a direção defensiva
  • Nunca pilote sob efeito de álcool, drogas ou com sono
Um alerta que vale para todo o Brasil

Embora os dados sejam de Minas Gerais, o cenário reflete uma realidade nacional: motociclistas seguem como um dos grupos mais vulneráveis no trânsito.

E, nesse contexto, a combinação entre educação, fiscalização e mudança de comportamento continua sendo o caminho mais eficaz para reduzir mortes e lesões graves.

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Depois da flexibilização da CNH, Congresso volta a discutir como o Brasil forma condutores

qui, 26/03/2026 - 12:03
A discussão sobre a formação de condutores vai além do processo para obter a CNH. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A recente flexibilização nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que trouxeram alterações ao processo de formação de condutores, voltaram a colocar em debate um tema central para a segurança viária: como o Brasil deve formar seus motoristas. O assunto foi discutido ontem na Câmara dos Deputados por especialistas e parlamentares, que defenderam a necessidade de uma formação mais completa, com foco no comportamento e na percepção de riscos no trânsito — e não apenas no ensino de regras e técnicas de direção.

O debate ocorreu na comissão especial que analisa o Projeto de Lei 8085/14 e outras propostas que tratam de mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Relator da comissão, o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) levantou uma questão que norteou a discussão: como inserir, já no início da formação dos novos condutores, o conceito de “Visão Zero”, estratégia internacional de segurança viária que parte do princípio de que nenhuma morte no trânsito é aceitável.

“O atual processo de formação brasileiro contribui para essas metas ou é um entrave? Como inserir o conceito de Visão Zero já no primeiro dia de aula do candidato à CNH?”, questionou o parlamentar.

Comportamento é a principal causa dos sinistros

Especialistas que participaram do debate destacaram que a maioria dos sinistros de trânsito está relacionada ao comportamento humano. Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), afirmou que o modelo brasileiro ainda prioriza habilidades mecânicas e deixa em segundo plano a formação comportamental do condutor.

Conforme ele, o comportamento dos motoristas está por trás das mais de 37 mil mortes registradas todos os anos no trânsito brasileiro. Para o especialista, o conceito de Visão Zero deve ser trabalhado desde cedo, inclusive no ambiente escolar. “Mais do que decorar placas, as crianças devem aprender conceitos de cidadania, responsabilidade e respeito ao próximo”, afirmou.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César da Silva reforçou esse entendimento ao afirmar que o comportamento dos condutores está presente em cerca de 90% das ocorrências de trânsito. Ele defendeu que o processo de habilitação seja mais rigoroso e que o trânsito seja entendido como um ambiente social, onde as escolhas individuais impactam toda a coletividade.

“A banalização da vida não se dá só no trânsito. Nossa sociedade banaliza a vida, a cidadania e o respeito ao outro”, alertou.

De acordo com o professor, a formação precisa considerar a forma como as pessoas se comportam no ambiente viário. “Existe uma relação entre o aspecto comportamental e o aspecto ambiental. Esse é um princípio a se adotar em qualquer processo de formação”, explicou.

Formação para o trânsito pode começar na escola

Outra proposta discutida durante o encontro foi a inclusão de conteúdos mais técnicos sobre trânsito no ensino médio. O vice-presidente do Instituto Nacional de Projetos para Trânsito e Segurança (Inprotran), Francisco Garonce, defendeu que se trate a formação para o trânsito como um conhecimento técnico e prático, preparando o jovem antes mesmo do processo de habilitação.

De acordo com ele, é necessário desenvolver habilidades reais de percepção de risco. “As regras de trânsito não são naturais do ser humano; é preciso ensiná-las para que o jovem desenvolva habilidades reais de percepção de riscos”, explicou.

Garonce também criticou a visão de que os Centros de Formação de Condutores funcionam apenas como uma etapa burocrática para obtenção da CNH, e não como parte fundamental da formação do motorista.

Debate ocorre após mudanças nas regras da CNH

A discussão sobre a formação de condutores acontece em um momento de mudanças importantes no processo de habilitação no Brasil. Em 2026, entraram em vigor novas regras com a Resolução nº 1.020/25 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que trouxeram alterações como a possibilidade de curso teórico em formato digital, flexibilização da obrigatoriedade de autoescolas, mudanças na carga de aulas práticas e ampliação da digitalização de serviços.

Durante o debate, a presidente da Associação de Trânsito de Santa Catarina (Atraesc), Yomara Ribeiro, criticou a flexibilização do processo de formação bem como afirmou que a medida pode trazer riscos à segurança viária. Para ela, retirar a intermediação das autoescolas e dos instrutores credenciados pode transferir ao próprio aluno uma responsabilidade que exige acompanhamento técnico.

“Qual é o tipo de trânsito que nós queremos: um trânsito mais barato ou mais seguro?”, questionou.

Proposta de um plano nacional de formação

O presidente da Federação Nacional das Autoescolas, Ygor Valença, defendeu a criação de um Plano Nacional de Formação de Condutores para padronizar o ensino em todo o país assim como evitar que se definam mudanças estruturais apenas por decisões políticas.

Ele também sugeriu que o processo de formação passe a avaliar efetivamente as habilidades do futuro motorista, em vez de apenas contabilizar a carga horária de aulas. “Carga horária, com 20, 40 horas, é ruim para o cidadão, ninguém quer. Agora, se eu coloco um checklist para que ele comprove o que ele faz, eu estou preparando uma pessoa para ser motorista”, afirmou.

Que motorista o Brasil quer formar?

A discussão sobre a formação de condutores vai além do processo para obter a CNH. Trata-se, na prática, de definir que tipo de motorista o Brasil quer formar e, consequentemente, que tipo de trânsito o país quer ter no futuro.

Especialistas defendem que, sem uma formação sólida, com foco em comportamento, percepção de risco e responsabilidade, dificilmente o país conseguirá reduzir de forma consistente as mortes e lesões no trânsito.

Com informações da Agência Câmara

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Acidente de trânsito sem vítimas: o que fazer para evitar multa e transtornos

qui, 26/03/2026 - 08:15
Os sinistros sem vítimas representam grande parte das ocorrências registradas diariamente no Brasil. Foto: monkeybusiness para Depositphotos

Envolver-se em um acidente de trânsito sem vítimas é uma situação comum nas cidades brasileiras e, ainda assim, cercada de dúvidas. Muitos motoristas acreditam que devem permanecer no local aguardando a chegada de uma viatura de trânsito, mesmo quando há apenas danos materiais. No entanto, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece procedimentos claros para esses casos.

De acordo com a legislação, quando não há feridos, a prioridade deve ser garantir a fluidez do trânsito e a segurança da via, evitando novos riscos e autuações desnecessárias.

“Acidente” ou “sinistro”: o que diz a lei

O CTB passou a adotar oficialmente o termo “sinistro de trânsito”, em substituição à palavra “acidente”. A mudança reflete o entendimento de que grande parte das ocorrências no trânsito não é fruto do acaso, mas de comportamentos evitáveis, como imprudência, desatenção ou desrespeito às normas.

O uso do termo já está incorporado aos documentos oficiais, registros de ocorrência e comunicações dos órgãos de trânsito em todo o país.

Sinistro sem vítimas: registre e libere a via

Quando a colisão resulta apenas em danos materiais, o motorista não deve permanecer parado na via, especialmente se o veículo ainda puder ser movimentado com segurança. O procedimento correto é:

  • Retirar os veículos da pista para não obstruir o tráfego;
  • Registrar a ocorrência de forma eletrônica, por meio dos canais oficiais disponibilizados pelos órgãos de trânsito ou pelas plataformas integradas de registro;
  • Preencher corretamente os dados dos veículos e as informações do ocorrido.

A presença de agentes de trânsito no local, nesses casos, não é obrigatória. O acionamento de viatura é reservado, prioritariamente, para ocorrências com vítimas.

Veículo parado na via pode gerar multa

Um erro frequente é deixar os veículos exatamente no ponto da colisão para “comprovar” o ocorrido. Além de desnecessária, essa atitude pode gerar penalidade.

O artigo 178 do Código de Trânsito Brasileiro é claro: deixar o veículo imobilizado na via, quando não há vítimas e ele pode ser removido, configura infração, por comprometer a fluidez e a segurança do trânsito. Nessas situações, o condutor está sujeito à autuação.

E quando há vítimas?

O procedimento muda completamente quando o sinistro envolve pessoas feridas. Nesses casos, o órgão de trânsito deve ser acionado imediatamente para o envio de viatura e para o registro da ocorrência no local.

Cabe ressaltar que os agentes de trânsito não avaliam culpa nem a gravidade clínica das lesões. O papel do órgão é garantir a segurança da via, organizar o tráfego e registrar formalmente os fatos.

Atenção às informações prestadas

Outro ponto importante é a responsabilidade sobre as informações fornecidas no registro da ocorrência. Declarar dados falsos em documento público é crime, assim como fraudes relacionadas a seguros. Deve-se fazer o preenchimento com atenção, clareza e veracidade.

Educação no trânsito segue como prioridade

Os sinistros sem vítimas representam grande parte das ocorrências registradas diariamente no Brasil. A orientação correta aos condutores, aliada a campanhas educativas, é uma das estratégias adotadas pelos órgãos de trânsito para reduzir conflitos viários, especialmente aqueles que envolvem motociclistas, grupo que concentra parcela significativa dos sinistros no país.

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SP cria pacote que zera custos de cursos e provas para motociclistas e motoristas profissionais

qui, 26/03/2026 - 08:10
Motociclistas profissionais estão entre os mais expostos no trânsito; o Mão na Roda reduz custos, amplia a qualificação e reforça a proteção da categoria. Foto: Divulgação/Governo de SP

O Governo de São Paulo lançou um pacote de medidas voltado a motociclistas e motoristas profissionais que prevê gratuidade em cursos obrigatórios, provas e emissão da CNH digital. A iniciativa, chamada de “Mão na Roda”, pretende reduzir custos para quem trabalha com o veículo e, ao mesmo tempo, ampliar a qualificação desses profissionais.

De acordo com o governo paulista, será possível beneficiar cerca de 3,5 milhões de pessoas pelas medidas, que incluem cursos especializados e exames exigidos pela legislação federal para o exercício de atividades como motofrete e mototáxi.

A proposta é transformar uma exigência legal — o curso especializado e a aprovação em prova para o exercício da atividade profissional — em um serviço gratuito. Na prática, conforme o governo, a medida representa uma economia de aproximadamente R$ 390 para o condutor profissional, considerando curso, prova e emissão da CNH digital sem custo.

“Estamos tirando o peso do custo de quem trabalha e colocando o Estado como facilitador. É mais acesso, mais dignidade e mais segurança para quem move São Paulo todos os dias”, afirmou o presidente do Detran-SP, Eduardo Aggio.

Foco em motociclistas profissionais

A iniciativa tem como foco principal os motociclistas profissionais, que estão entre os usuários mais vulneráveis no trânsito e utilizam o veículo como instrumento de trabalho e renda.

A avaliação do governo paulista é que, ao reduzir custos e ampliar o acesso à qualificação, o programa pode contribuir para a formação desses profissionais, melhorar as condições de trabalho e aumentar a segurança viária.

O programa também está alinhado ao Plano de Segurança Viária do Estado de São Paulo, que deve estabelecer metas de redução de mortes no trânsito com base em conceitos como o Sistema Seguro e a Visão Zero, abordagem que considera inaceitável qualquer morte no trânsito.

“Além de elevar a qualificação, o Mão na Roda representa uma mudança de lógica na política pública. Em vez de criar obstáculos financeiros ou impor uma lógica punitiva, o Estado passa a oferecer condições reais para que o trabalhador se adeque com segurança, previsibilidade e apoio. Teremos diversas ações educativas e de conscientização para garantir que o foco esteja sempre na melhoria da segurança de todos, e não na punição de quem usa o seu veículo para tirar o sustento”, disse Aggio.

Implementação será gradual

De acordo com o governo de São Paulo, a implementação das medidas ocorrerá de forma gradual. A ideia é que os profissionais tenham tempo para se adequar às exigências antes do início de eventual fiscalização, criando um período de transição.

O lançamento do portal com as informações sobre o programa acontecerá nos próximos dias e reunirá orientações sobre cursos, provas e emissão da CNH digital gratuita para os profissionais que exercem atividade remunerada com veículo.

Outras medidas para motociclistas

O novo pacote se soma a outra iniciativa anunciada pelo governo paulista em 2026, que concedeu isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas no estado. De acordo com o governo, a medida beneficia milhões de proprietários de motocicletas. Além disso, tem como objetivo reduzir custos para quem utiliza o veículo como meio de trabalho e transporte.

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Consultar a situação do veículo pela internet ajuda a evitar multas, dívidas e problemas com o licenciamento

qui, 26/03/2026 - 07:50
O objetivo é dar mais transparência ao processo. Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

Manter a documentação do veículo em dia é uma das principais responsabilidades do proprietário, mas muita gente só descobre pendências quando já está com o licenciamento atrasado ou até impedido de emitir o CRLV. Para evitar esse tipo de situação, o Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) orienta os motoristas a utilizarem a consulta online da situação do veículo, disponível gratuitamente pela internet.

O serviço permite verificar débitos, multas, restrições e pendências de licenciamento de forma rápida, segura e sem a necessidade de ir até uma unidade de atendimento presencial.

O que é possível consultar

Por meio da consulta, o proprietário pode acessar um relatório completo com a situação do veículo. Entre as informações disponíveis estão:

  • Pendências do licenciamento anual
  • Multas e autuações registradas
  • Restrições administrativas
  • Restrições financeiras
  • Informações sobre recall
  • Situação do pagamento do IPVA
  • Situação da Taxa de Renovação do Licenciamento Anual (TRLAV)

Essas informações são importantes porque qualquer pendência pode impedir a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV), documento obrigatório para circulação.

Como fazer a consulta

Para realizar a consulta, o procedimento é simples e totalmente digital:

  1. Acessar o site do Detran do estado onde o veículo está registrado.
  2. Procurar a área de Veículos.
  3. Clicar em “Consultar a situação do veículo”.
  4. Fazer login com a conta gov.br.
  5. Informar os dados do veículo.

Após esse processo, o sistema gera um relatório com a situação atual do veículo.

Consulta evita surpresas e problemas no licenciamento

A principal recomendação é que os proprietários façam consultas periódicas, principalmente antes do vencimento do licenciamento. Isso porque, além de débitos, o sistema também permite verificar se há multas com prazo para defesa ou recurso, o que pode evitar prejuízos e perda de prazos.

Circular com o veículo sem o CRLV em dia é infração gravíssima, gera multa, pontos na CNH e remoção do veículo.

Serviço também ajuda quem vai comprar veículo usado

A consulta da situação do veículo também é uma ferramenta importante para quem pretende comprar um carro usado. Antes de fechar negócio, o ideal é verificar se existem débitos, restrições ou irregularidades que possam gerar problemas futuros para o novo proprietário.

Nesse caso, a orientação é que o comprador peça ao vendedor para acessar o relatório e apresentar a situação do veículo, garantindo mais segurança na negociação.

No trânsito, informação também é uma forma de prevenção. Consultar a situação do veículo regularmente pode evitar multas, dívidas inesperadas e até a apreensão do veículo por documentação irregular.

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Lei cria selo para identificar carros que transportam pessoas com autismo

qui, 26/03/2026 - 07:45
Barulhos como buzinas, alto volume de caixas de som, escapamento adulterado e apitos podem provocar mal-estar nas pessoas com TEA. Foto: Banco de Imagem/ Divulgação Alerj

Uma nova lei sancionada no Estado do Rio de Janeiro pretende chamar a atenção para um problema pouco discutido no trânsito: o impacto do ruído em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Lei 11.133/26 autoriza o governo estadual a fornecer adesivos de identificação para veículos que transportam pessoas com autismo, com o objetivo de orientar outros motoristas a evitarem ruídos sonoros próximos a esses carros.

A norma, de autoria original do deputado Fred Pacheco, foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sancionada pelo governo estadual e publicada no Diário Oficial no dia 20 de março. O fornecimento do selo ocorrerá gratuitamente.

Objetivo é alertar outros motoristas

A proposta é que o adesivo funcione como um alerta visual para que outros condutores evitem buzinar, utilizar som em alto volume, trafegar com escapamento adulterado ou produzir ruídos excessivos próximos ao veículo identificado. Isso porque pessoas com TEA podem apresentar sensibilidade auditiva, e sons intensos podem provocar crises, ansiedade ou mal-estar.

De acordo com o autor da lei, cerca de 90% das pessoas com autismo apresentam algum tipo de sensibilidade sonora.

“Essas medidas visam a promover a inclusão social e a segurança dessas pessoas, sensibilizando a população e incentivando a colaboração de todos para criar um ambiente mais acolhedor e seguro”, afirmou o deputado Fred Pacheco.

Como solicitar o selo

Para obter a identificação veicular, o interessado ou o responsável deverá comparecer ao órgão competente com a documentação necessária que comprove a condição de pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Após o cadastro, deve-se colocar a credencial no vidro traseiro do veículo.

A lei prevê ainda que os materiais adesivos, orientações aos motoristas e campanhas de conscientização poderão ser fornecidos pela Subsecretaria de Cuidados Especiais do Estado do Rio de Janeiro ou pelos municípios, em parceria com o Detran-RJ.

Um ponto importante é que o selo não concede nenhum benefício ou prioridade no trânsito. A proposta tem caráter exclusivamente educativo e de conscientização.

Um tema que também envolve educação para o trânsito

A criação de sinalizações e campanhas educativas voltadas a públicos específicos faz parte de uma abordagem mais moderna da segurança viária. Ela leva em consideração as características e vulnerabilidades das pessoas, e não apenas as regras de circulação.

Nesse contexto, especialistas em segurança viária defendem que deve-se pensar o trânsito como um ambiente coletivo. Nele, atitudes individuais — como buzinar ou produzir ruído excessivo — podem impactar diretamente a saúde e o bem-estar de outras pessoas.

A identificação dos veículos que transportam pessoas com autismo, portanto, não tem o objetivo de criar privilégios, mas sim de estimular empatia, respeito e convivência mais segura e humana no trânsito.

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Rodovias que perdoam

qui, 26/03/2026 - 07:40
Um dos principais elementos das rodovias que perdoam é a segurança passiva. Foto: psodaz para Depositphotos

Por João Castelhano *

Uma ponte, um desvio de trajetória e um erro que não teve segunda chance. Em fevereiro, um motorista morreu após perder o controle da direção na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), entre Itaí e Paranapanema (SP). O acidente aconteceu enquanto passava pela ponte localizada no quilômetro 273 da pista, e ele acabou caindo com o carro dentro do rio. O caso não é isolado e está longo de ser uma exceção. De acordo com dados da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transporte da Fundação Dom Cabral (PILT/FDC), o Brasil registrou mais de 53 mil acidentes em rodovias federais em 2025. Segundo o levantamento, 4.799 pessoas morreram e outras 15.098 ficaram gravemente feridas ao longo do ano passado.

Quando um erro humano termina em morte, a pergunta não deveria ser apenas o que aconteceu, mas o que a estrada poderia ter feito para evitar. Essa abordagem moderna de engenharia viária se chama rodovias que perdoam. Ela entende que os acidentes não ocorrem por acaso, mas resultam de uma cadeia de eventos que pode ser prevista e mitigada.

Basicamente, trata-se de vias projetadas com infraestrutura inteligente para prevenir colisões ou reduzir drasticamente a gravidade dos impactos, evitando que as falhas humanas resultem em mortes ou lesões graves. A ideia central é que a via, em vez de punir o erro do condutor, adote elementos preventivos e de contenção para proteger a vida do motorista. Esse tipo de rodovia não evita a falha humana, mas impede que ela seja fatal e dá uma segunda chance aos usuários.

Principais elementos das rodovias que perdoam

Um dos principais elementos das rodovias que perdoam é a segurança passiva. Isso inclui principalmente equipamentos que reduzem danos após a perda de controle da direção, como barreiras de concreto do tipo New Jersey, defensas metálicas, barreiras flexíveis, atenuadores de impacto e dispositivos de contenção. Eles ajudam a desacelerar e redirecionar os veículos, evitando que eles saiam da pista ou se choquem contra obstáculos rígidos. Esses elementos são estrategicamente instalados em pontos críticos e locais com alto risco de colisão, visando proteger os condutores. As zonas livres de obstáculos são outro elemento importante e consistem em áreas laterais à pista de rolamento sem árvores, postes, rochas taludes críticos ou terrenos intransitáveis. Elas são projetadas para serem transpassáveis para veículos desgovernados, e permitem que o motorista retome o controle ou pare com segurança.

A infraestrutura preventiva também faz parte dessa estratégia.

Um bom exemplo disso é a sinalização eficiente para melhorar a percepção da via e reduzir acidentes causados por desatenção ou fadiga na direção. Além disso, é possível usar faixas sonoras para alertar motoristas sonolentos que eles estão invadindo o acostamento. Elas funcionam através de ranhuras, ondulações ou pinturas no asfalto que geram trepidação e ruído intenso quando os pneus do veículo passam sobre elas, chamando a atenção do condutor para que ele retorne à pista. As áreas de escape de escape são extremamente úteis em regiões serranas para parar veículos pesados, como caminhões sem freio, e impedir acidentes graves.

Essas pistas laterais são feitas com materiais como argila expandida ou brita e funcionam como rampas de desaceleração, reduzindo a velocidade com segurança e evitando colisões fatais.

O mais interessante é que a implementação dessas tecnologias não exige necessariamente grandes intervenções das rodovias, podendo ser aplicada com pequenas modificações pontuais. Alguns estudos estimam que é possível resolver uma grande parte dos problemas de segurança com um aumento de apenas 7% no orçamento. São soluções de baixo custo e rápido retorno, com potencial para salvar até 2.500 vidas e prevenir 45 mil feridos em apenas três anos de acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

Implementação no Brasil e no mundo

O conceito das rodovias que perdoam não é recente e a primeira iniciativa desse tipo surgiu na década de 60, nos Países Baixos. Na época, eles tornaram as vias mais largas e com traçados mais retilíneos para reduzir o número de mortes nas rodovias. Pouco tempo depois, os Estados Unidos também adotaram medidas de segurança viária e publicaram o relatório Highway Design and Operational Practices Related to Highway Safety, o primeiro documento oficial focado nos elementos perigosos presentes nas estradas e sugeriu o tratamento adequado para muitos deles. A iniciativa foi ampliada na Suécia, em 1997, e até hoje o país é uma das principais referências no assunto e conta uma das menores taxas de mortalidade no trânsito no mundo.

No Brasil, o conceito foi introduzido pela norma ABNT NBR 15486, publicada em 2007 e revisada em 2016, que estabelece um conjunto de orientações para a segurança viária e para a instalação de dispositivos de contenção. Atualmente, o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) defende que os erros humanos são inevitáveis e, portanto, os projetistas das rodovias devem considerá-los como parte do processo de planejamento. A entidade promove a metodologia Rodovias que Perdoam – Brasil (RQP-BR) centrada na premissa de que o design da via deve perdoar o erro do condutor, aumentando a segurança com custos relativamente baixos.

* João Castelhano é Engenheiro civil, projetista de sinalização e EPS

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Ergonomia ao volante: o ajuste que melhora a direção e aumenta a segurança nas estradas

qui, 26/03/2026 - 07:35
Imagem Divulgação Dunlop

Dirigir bem não é só uma questão de experiência ou reflexos rápidos. Muitas vezes, o verdadeiro controle da sua viagem começa antes mesmo de você dar a partida: na forma como você se posiciona no carro. A ergonomia ao volante é a sua melhor amiga para garantir segurança e conforto, seja no trânsito pesado do dia a dia ou naquela viagem longa com a família. Ajustar a postura melhora a sua visão, diminui o cansaço e te deixa pronto para reagir a qualquer imprevisto.

E o melhor: são ajustes rápidos que mudam tudo. Leia o conteúdo da Dunlop Pneus.

Por que a ergonomia influencia diretamente a segurança?

Se você dirige muito afastado do volante, com o banco “deitado” ou os espelhos mal posicionados, seu corpo paga a conta com tensão muscular. Logo vêm as dores, o desconforto e, o mais perigoso: a distração.

E não para por aí. Uma postura ruim atrapalha o seu tempo de resposta em emergências e pode até diminuir a eficácia de itens vitais do veículo, como o cinto de segurança e os airbags. Ou seja: dirigir cansado é dirigir com postura inadequada controle.

Pensando nisso, nós da Dunlop, como aquele parceiro que entende do seu carro, separamos as dicas essenciais para você encontrar a posição perfeita e dirigir com segurança e inteligência.

Banco: a base para o controle total

Tudo começa aqui. Regular a distância é o primeiro passo: você precisa conseguir pressionar fundo o pedal da embreagem (ou do freio, nos automáticos) sem esticar a perna toda. O joelho tem que ficar um pouco flexionado para garantir força e agilidade na pisada.

O encosto deve apoiar totalmente as costas. Aquela posição muito inclinada pode parecer relaxante, mas prejudica o seu controle e aumenta rapidamente o cansaço.

A altura do banco também é chave: você precisa enxergar o painel com facilidade e ter uma visão clara por cima do capô, esta ação também irá beneficiar sua região do pescoço, evitando dores. Quanto melhor você enxerga a rua, mais rápido antecipa os riscos.

Volante: reflexos rápidos e braços descansados

Nada de braços totalmente esticados! Ao segurar o volante, seus cotovelos devem ficar levemente dobrados.

O teste de ouro: Encoste os punhos na parte de cima do volante sem afastar as costas do banco. Se você conseguiu fazer isso, a distância está ótima. Esse pequeno detalhe faz toda a diferença se você precisar desviar de um obstáculo repentino ou dar uma freada brusca.

Espelhos: visibilidade é prevenção

Espelho bom é espelho bem posicionado. O retrovisor interno precisa enquadrar o máximo possível do vidro de trás.

Já nos laterais, a regra é fugir do ponto cego: ajuste-os até que você veja apenas uma “lasquinha” bem fina da lateral do seu próprio carro. Assim, você ganha um campo de visão muito mais amplo e não precisa ficar virando o pescoço toda hora para trocar de faixa.

Apoio de cabeça: proteção que muitos ignoram

Muita gente acha que é um item de conforto para “encostar”, mas o apoio de cabeça é um equipamento de segurança seríssimo. Ele precisa ficar na altura do centro da sua cabeça, e não no pescoço. Em uma batida na traseira (o famoso “engavetamento” urbano), esse detalhe evita lesões cervicais graves.

Cinto de segurança: ajuste certo faz diferença

O cinto deve ficar firme ao corpo, mas um detalhe que muitos motoristas esquecem de conferir é a regulagem de altura na coluna do carro. O ajuste perfeito faz com que a faixa superior passe exatamente pelo meio do seu ombro (sobre a clavícula) e cruze o centro do peito.

Se o ajuste estiver muito alto, o cinto pode incomodar ou até machucar o pescoço em uma freada brusca. Se estiver muito baixo, a faixa pode escorregar pelo braço no momento de um impacto e não segurar o seu corpo como deveria. Já a parte de baixo deve passar sempre sobre os ossos do quadril, nunca na barriga.

Além de salvar vidas e atuar em conjunto com os airbags, um cinto ajustado na altura certa “veste” você no banco, deixando a sua postura muito mais estável e confiante para manobrar.

Conforto reduz fadiga e aumenta atenção

Fadiga não é só sono. Ombros tensos e pernas esticadas gastam a energia do seu corpo, roubam a sua atenção e transformam um trajeto simples em um sacrifício. Com a ergonomia certa, você dirige mais leve, reduz o estresse e foca no que importa.

Ergonomia é um hábito de direção inteligente

O Ajuste ergonômico correto leva menos de um minuto, mas é o que separa uma direção comum de uma direção totalmente adequada e segura. Crie esse hábito antes de sair da garagem.

Dica para andar bem: Para destinos longos, a cada 2 horas de trajeto, pare 10 minutos, alongue seus braços e pernas, esta ação melhora a sua circulação sanguínea, ficar sentado por muito tempo reduz o nosso fluxo sanguíneo, principalmente nas pernas. O alongamento ativa a circulação e evita inchaço e sensação de formigamento, além de prevenir tensões musculares, contraturas e dores lombares.

E lembre-se: do mesmo jeito que a ergonomia te dá o controle dentro da cabine, a nossa tecnologia te dá a aderência e a tranquilidade lá fora. Quem tem Dunlop, anda bem — porque conta com a segurança e o conforto da escolha inteligente em cada quilômetro rodado.

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