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Atualizado: 35 minutos 41 segundos atrás

Poluição do trânsito pode causar 47% mais mortes no Brasil até 2050

sab, 08/08/2026 - 13:30
Sem novas medidas, as mortes prematuras causadas pela poluição do transporte rodoviário poderão crescer 74% até 2050. Foto: criação de IA

O envelhecimento da população brasileira, aliado ao crescimento da frota de veículos, pode ampliar significativamente os impactos da poluição do ar na saúde pública nas próximas décadas. Um estudo inédito do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) projeta que, sem mudanças mais rápidas na composição da frota, o número de mortes prematuras relacionadas à poluição gerada pelo transporte rodoviário deverá aumentar 47% no Brasil até 2050.

Conforme o relatório Health Benefits of Zero-Emission Transport Through 2050, o avanço da expectativa de vida faz com que uma parcela maior da população fique mais vulnerável aos efeitos da exposição contínua aos poluentes emitidos pelos veículos, especialmente aqueles movidos a combustíveis fósseis.

Os pesquisadores defendem que acelerar a adoção de veículos de emissão zero pode reduzir esse impacto e evitar milhares de mortes nas próximas décadas.

População mais idosa aumenta a vulnerabilidade aos poluentes

De acordo com Jonathan Benoit, desenvolvedor de modelos do ICCT e coautor do estudo, o envelhecimento populacional é um fator decisivo para o crescimento das mortes associadas à poluição do ar.

“À medida que a população envelhece, ela se torna biologicamente mais suscetível a mortes prematuras causadas pela poluição do ar. A combinação do crescimento populacional, do envelhecimento e do aumento no uso de veículos — especialmente em regiões com normas menos rigorosas — explica por que projetamos um aumento na mortalidade mesmo com reduções modestas em algumas emissões. O ganho de uma frota gradualmente mais limpa acaba sendo engolido pelo aumento do número de veículos rodando e pela maior vulnerabilidade da população”, argumenta.

O estudo aponta ainda que, atualmente, a poluição provocada pelo transporte rodoviário é responsável por uma morte a cada 45 segundos no mundo e por um novo caso de asma infantil a cada dois minutos.

Brasil registra milhares de mortes relacionadas à poluição do trânsito

Segundo o levantamento, o transporte rodoviário foi responsável por cerca de 8 mil mortes prematuras no Brasil em 2024, colocando o país na 17ª posição no ranking mundial de óbitos atribuídos a essa fonte de poluição.

Além disso, o Brasil ocupou o 10º lugar no mundo em novos casos de asma pediátrica relacionados às emissões do trânsito, com aproximadamente 9.200 diagnósticos registrados entre crianças e adolescentes em um único ano.

Os pesquisadores destacam que a exposição contínua a poluentes como material particulado fino, dióxido de nitrogênio e ozônio está associada ao surgimento e agravamento de diversas doenças.

Entre elas estão:

  • acidente vascular cerebral (AVC);
  • infarto do miocárdio;
  • doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • câncer de pulmão;
  • diabetes tipo 2;
  • infecções respiratórias graves em adultos;
  • asma em crianças.
País avançou, mas ritmo ainda é considerado insuficiente

O estudo reconhece que o Brasil vem adotando medidas para reduzir as emissões veiculares. Entre elas estão as fases P-8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), voltada aos veículos pesados, e L-8, aplicada aos veículos leves.

O relatório também destaca que, no segundo trimestre de 2026, os veículos leves eletrificados representaram 15% das vendas nacionais, sendo 8% de modelos totalmente elétricos e 7% de híbridos plug-in.

Apesar desse avanço, os pesquisadores avaliam que a velocidade da transição ainda não é suficiente para compensar o crescimento da frota.

No transporte de cargas, por exemplo, os caminhões de emissão zero representam menos de 0,5% das vendas.

Para André Cieplinski, pesquisador sênior do ICCT, serão necessárias medidas adicionais para acelerar essa mudança.

“Apesar da recente aceleração nas vendas de veículos elétricos leves, o Brasil ainda não está alinhado ao cenário necessário para cortar mortes prematuras. As novas metas do programa MOVER oferecem incentivos pontuais, como a redução de 2% no IPI em relação aos veículos flex, mas não são suficientemente ambiciosas para impulsionar a migração em massa. Serão necessários incentivos adicionais e uma redução nos custos dos veículos de zero emissão para que o país alcance uma virada real na saúde pública”, diz.

Cenário mais ambicioso pode evitar mais de 65 mil mortes

O relatório comparou dois cenários para as próximas décadas: a manutenção das políticas atuais e uma transição acelerada para veículos de emissão zero.

Nesse cenário considerado mais ambicioso, o Brasil deveria atingir 61% das vendas de veículos leves elétricos até 2035 e 100% até 2045. Para os veículos pesados, a meta seria alcançar 54% das vendas até 2035 e também 100% até 2045.

Segundo os pesquisadores, apenas essa trajetória permitiria reverter o aumento das mortes relacionadas à poluição veicular.

A estimativa é que esse cenário resulte em uma redução de 35% nas mortes prematuras anuais até 2050. Entre 2024 e 2050, aproximadamente 65.200 mortes prematuras e 18.600 novos casos de asma infantil poderiam ser evitados no Brasil.

Jonathan Benoit ressalta que o crescimento da frota torna essa transição ainda mais necessária. “Para reverter a tendência de aumento nos óbitos, o ritmo de incorporação de novos veículos de emissão zero à frota precisa mais do que compensar o aumento da frota a combustão decorrente do crescimento das vendas. Projetamos que a frota total de veículos cresça cerca de 30% no Brasil até 2050. Se não acelerarmos a entrada de modelos limpos, o aumento de veículos em circulação continuará ampliando o impacto na saúde da população, conclui.

Especialistas defendem ações complementares

Além da eletrificação da frota, o ICCT aponta outras medidas capazes de reduzir a poluição causada pelo transporte rodoviário.

Entre elas estão programas de renovação da frota antiga, implantação de Zonas de Baixa Emissão (LEZs) em áreas urbanas e fiscalização mais rigorosa das emissões em condições reais de circulação.

Segundo o relatório, testes realizados na Região Metropolitana de São Paulo pela iniciativa TRUE mostraram que veículos em circulação frequentemente ultrapassam os limites previstos pelo PROCONVE, inclusive caminhões novos certificados na fase P8.

Para Marcel Martin, diretor-geral do ICCT Brasil, a eletrificação representa um caminho importante para reduzir os impactos da poluição na saúde.

“O Brasil começa a dar sinais positivos em direção à eletrificação, e iniciativas como o TRUE demonstram o quanto essa tecnologia é necessária. Quando observamos os poluentes locais e seus impactos diretos na saúde humana, os benefícios de acelerar essa transição tornam-se incontestáveis”.

O estudo também chama atenção para o cenário mundial. Sem novas medidas, as mortes prematuras causadas pela poluição do transporte rodoviário poderão crescer 74% até 2050, chegando a 1,2 milhão de vítimas por ano. Segundo Josh Miller, diretor sênior do ICCT e coautor da pesquisa, uma transição mais rápida para veículos de emissão zero pode evitar quase 9 milhões de mortes prematuras em todo o mundo até meados do século.

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Mortes de pedestres idosos aumentam no Brasil e acendem alerta no trânsito

sab, 08/08/2026 - 08:15
O envelhecimento da população torna ainda mais urgente pensar cidades capazes de atender diferentes ritmos e necessidades. Foto: serezniy para Depositphotos

A morte de um pedestre de 60 anos após ser atropelado na BR-343, em Parnaíba (PI), na noite de quinta-feira (6), chama novamente a atenção para um problema que vai muito além de uma ocorrência isolada: a vulnerabilidade das pessoas idosas que se deslocam a pé no trânsito brasileiro.

Dados do Ministério da Saúde divulgados anteriormente pelo Portal do Trânsito mostram que 6.274 pessoas com mais de 60 anos morreram em decorrência de sinistros de trânsito em 2023. O número representou crescimento de 3% em relação a 2022 e de 10% na comparação com 2021. Entre essas vítimas, os atropelamentos tiveram participação expressiva.

O cenário preocupa especialmente diante do envelhecimento da população brasileira. Afinal, se cada vez mais pessoas chegam à terceira idade, ruas, avenidas e rodovias precisam estar preparadas para usuários que podem caminhar mais devagar, necessitar de mais tempo para atravessar e apresentar limitações naturais decorrentes do envelhecimento.

Os números mostram que o problema não começou agora

A vulnerabilidade dos pedestres mais velhos já aparecia claramente nas estatísticas há alguns anos. Em 2020, 5.120 pessoas morreram em decorrência de atropelamentos no Brasil. Desse total, 2.657 tinham mais de 50 anos, ou seja, mais da metade das vítimas. Entre elas, 1.693 tinham 60 anos ou mais.

Os dados já demonstravam uma participação elevada das faixas etárias mais avançadas nas mortes de pedestres.

Nos anos seguintes, outros indicadores continuaram acendendo o alerta. Levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) mostrou crescimento das internações de pedestres traumatizados em sinistros de trânsito entre 2022 e 2023.

Na comparação entre o primeiro semestre dos dois anos, as internações aumentaram 37,9% entre pessoas de 60 a 69 anos. Entre aquelas de 70 a 79 anos, a alta foi de 26,6%. Já no grupo com 80 anos ou mais, o crescimento chegou a 34,2%.

Embora os levantamentos se refiram a períodos diferentes e não devam ser comparados diretamente, observados em conjunto eles mostram que a vulnerabilidade dos pedestres mais velhos é um problema persistente de segurança viária.

Por que o pedestre idoso é mais vulnerável?

Qualquer pedestre está exposto em uma colisão porque não possui uma estrutura de proteção contra o impacto de um veículo. No caso dos idosos, porém, algumas alterações associadas ao envelhecimento podem aumentar essa vulnerabilidade.

Problemas de visão e audição, redução da mobilidade, menor equilíbrio e aumento do tempo necessário para reagir podem interferir na maneira como a pessoa percebe e responde às situações do trânsito.

O médico do tráfego Flávio Emir Adura, então diretor científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), já explicou ao Portal do Trânsito que alterações musculoesqueléticas, de visão, audição e tempo de reação estão entre os fatores que podem aumentar a exposição dos idosos aos atropelamentos.

Mas o próprio especialista apontou outro aspecto fundamental: o ambiente de trânsito nem sempre está adequadamente planejado para as necessidades das pessoas de idade mais avançada.

O tempo do semáforo acompanha o tempo do idoso?

Essa é uma questão que merece atenção especial.

Uma pessoa jovem pode atravessar rapidamente uma avenida larga. Um idoso com mobilidade reduzida pode precisar de muito mais tempo para percorrer exatamente a mesma distância.

Uma pesquisa da Direção Geral de Tráfego (DGT), da Espanha, citada anteriormente pelo Portal do Trânsito, apontou entre os obstáculos enfrentados pelos pedestres idosos o excesso de velocidade dos veículos, a condução imprudente e, em muitos casos, o curto tempo do semáforo destinado à travessia.

Isso significa que a segurança não depende exclusivamente da decisão do pedestre.

Faixas bem posicionadas, iluminação adequada, calçadas acessíveis, tempos semafóricos compatíveis, refúgios em avenidas largas e velocidades adequadas ao ambiente são medidas que podem tornar uma travessia significativamente mais segura.

A responsabilidade não pode ficar apenas com o idoso

É importante orientar o pedestre a utilizar as faixas, respeitar a sinalização e observar atentamente o trânsito antes de atravessar.

Mas atribuir toda a responsabilidade pela própria segurança ao usuário mais vulnerável ignora uma parte importante do problema.

Conforme Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, proteger essa população exige também mudanças no ambiente viário.

“Manutenção de calçadas, de iluminação, investimentos em tecnologias que favoreçam a travessia segura, enfim, é preciso transformar a via pública num ambiente de menor risco para o idoso. Além disso, é preciso que os condutores de veículos comecem a perceber mais e redobrar os cuidados ao se depararem com pessoas idosas no trânsito”, afirma Mariano.

A lógica é simples: se determinado usuário possui maior vulnerabilidade, o sistema de trânsito precisa oferecer condições para compensá-la, e não simplesmente exigir que essa pessoa se adapte a um ambiente que não considera suas limitações.

Motorista também precisa entender que nem todos atravessam no mesmo ritmo

O comportamento dos condutores é outro componente fundamental para evitar atropelamentos.

Ao perceber uma pessoa idosa iniciando ou realizando uma travessia, o motorista deve reduzir a velocidade e dar tempo suficiente para que ela chegue ao outro lado com segurança.

Buzinar, acelerar ou aproximar excessivamente o veículo para pressionar o pedestre pode provocar susto e até desequilíbrio.

Também é preciso considerar que nem sempre uma pessoa idosa conseguirá acelerar o passo porque o semáforo mudou ou porque percebeu a aproximação de um automóvel.

Para quem está dentro do veículo, esperar alguns segundos pode representar apenas um pequeno atraso. Para quem atravessa a pé, esse tempo pode ser determinante para chegar ao outro lado da rua com segurança.

Velocidade aumenta o risco e a gravidade

A proteção aos pedestres passa necessariamente pela velocidade praticada pelos veículos.

Quanto maior a velocidade, menor o tempo disponível para que o motorista perceba o pedestre, compreenda o risco, reaja e consiga parar.

Ao mesmo tempo, a energia envolvida no impacto aumenta conforme a velocidade cresce, elevando a possibilidade de ferimentos graves ou morte.

Para uma pessoa idosa, que pode apresentar maior fragilidade física, as consequências de um atropelamento podem ser ainda mais severas.

Por isso, locais com circulação intensa de pedestres precisam combinar infraestrutura adequada, fiscalização e velocidades compatíveis com a convivência entre diferentes usuários da via.

Envelhecimento da população também é um desafio para a mobilidade

Discutir a segurança do pedestre idoso não significa defender que pessoas mais velhas deixem de circular pelas cidades.

É justamente o contrário.

Caminhar permite acesso ao transporte público, comércio, serviços de saúde, lazer e convivência social. Um ambiente que provoca medo de sair de casa também compromete a autonomia e a qualidade de vida.

O envelhecimento da população torna ainda mais urgente pensar cidades capazes de atender diferentes ritmos e necessidades.

Calçadas acessíveis, travessias seguras, boa iluminação, sinalização adequada, redução da velocidade em áreas de grande circulação e mais tempo para atravessar são medidas que beneficiam não apenas idosos, mas também crianças, pessoas com deficiência e todos os demais pedestres.

De acordo com Mariano, o atropelamento ocorrido em Parnaíba traz novamente o problema para o debate, mas as estatísticas mostram que o alerta não começou agora.

“Reduzir as mortes de pedestres idosos exige reconhecer uma realidade básica: nem todas as pessoas enxergam, caminham ou reagem com a mesma rapidez. Um trânsito verdadeiramente seguro precisa estar preparado para essas diferenças”, finaliza.

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Frio também afeta os pneus; veja os cuidados antes de viajar

sex, 07/08/2026 - 17:30
As baixas temperaturas também podem evidenciar problemas de manutenção já existentes, como desalinhamento e desbalanceamento das rodas. Foto: robdragan para Depositphotos

Com a chegada do inverno e as férias escolares, muitos brasileiros aproveitam o período para viajar e visitar destinos de serra e regiões mais frias do país. No entanto, antes de pegar a estrada,é importante entender que as baixas temperaturas também provocam alterações no comportamento dos veículos, especialmente dos pneus, componentes fundamentais para a segurança durante a condução.

Embora o inverno brasileiro não apresente temperaturas extremas na maior parte do território, o frio, aliado à maior incidência de neblina, chuva e pistas úmidas, exige uma atenção especialdos motoristas. A manutenção preventiva torna-se ainda mais importante para garantir a estabilidade, a frenagem adequada e o desempenho do veículo.

Um dos principais efeitos das baixas temperaturas está relacionado à pressão de ar interna dos pneus. Como o ar se contrai em ambientes mais frios, é comum que a calibragem sofra alterações,reduzindo a pressão e comprometendo a área de contato do pneu com o solo.

“A calibragem correta é um dos cuidados mais simples e, ao mesmo tempo, mais importantes para a segurança do veículo. Pequenas variações de temperatura podem impactar a pressão de ar, alterandoseu desempenho, aumentando o desgaste irregular e até elevando o consumo de combustível”, explica Fábio Torres, Gerente de Vendas e Marketing da DUNLOP Pneus.

Além da variação de pressão de ar, a própria composição da borracha sofre influência pelas baixas temperaturas.

Em ambientes frios, o material tende a se tornar mais rígido, levando mais tempopara atingir sua faixa ideal de operação. Isso pode comprometer a aderência, especialmente nos primeiros quilômetros de uso.

O cenário exige atenção redobrada em pistas molhadas ou com neblina, situações comuns durante o inverno e que aumentam o risco de derrapagens e da perda de controle do veículo, especialmentequando os pneus já apresentam desgaste excessivo.

Outro ponto importante é observar o estado geral dos pneus antes de viagens mais longas. Sulcos desgastados reduzem significativamente a capacidade de escoamento da água e comprometem a aderênciaem pisos úmidos, aumentando a possibilidade de aquaplanagem.

As baixas temperaturas também podem evidenciar problemas de manutenção já existentes, como desalinhamento e desbalanceamento das rodas. Vibrações no volante, desgaste irregular e a tendênciade o veículo puxar para um dos lados são sinais que não devem ser ignorados.

Além disso, um item frequentemente esquecido pelos motoristas merece atenção especial: o estepe. Antes de qualquer viagem, é fundamental verificar sua calibragem e condições gerais de uso,garantindo que ele esteja apto para uma eventual necessidade.

Checklist: o que revisar no carro antes de viajar durante o inverno

Para aumentar a segurança e evitar imprevistos nas estradas, a DUNLOP recomenda alguns cuidados preventivos:

  • Verifique a calibragem dos pneus conforme as recomendações do fabricante do veículo;
  • Faça a calibragem sempre com os pneus frios;
  • Inspecione a profundidade dos sulcos e observe sinais de desgaste irregular;
  • Confira as condições e a pressão de ar do estepe;
  • Realize alinhamento e balanceamento periodicamente;
  • Verifique o estado dos limpadores de para-brisa e o nível do reservatório de água;
  • Faça uma revisão da bateria, que tende a ser mais exigida em períodos de temperaturas mais baixas;
  • Redobre a atenção em situações de chuva, neblina e pistas escorregadias.
  • Verifique o funcionamento dos faróis (alto e baixo), luzes de posição, freio e setas, garantindo boa visibilidade e sinalização

Mais do que preparar o roteiro da viagem, investir alguns minutos na revisão preventiva do veículo faz toda a diferença para garantir tranquilidade, economia e segurança durante o inverno.

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Chuva forte, granizo e ventos colocam motoristas em alerta; veja como dirigir com segurança

sex, 07/08/2026 - 12:00
Em períodos de instabilidade meteorológica, planejamento e prudência são tão importantes quanto habilidade ao volante. Foto: scherbinator para Depositphotos

A combinação de chuva intensa, ventos fortes e possibilidade de granizo coloca motoristas em alerta nesta sexta-feira (7). O mau tempo já afeta o Sul do Brasil e as condições meteorológicas adversas podem avançar para outras áreas do país, aumentando os riscos para quem precisa pegar a estrada.

No Rio Grande do Sul, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que monitora as rodovias federais e já houve registros de quedas de galhos, árvores, postes e fios de energia na BR-116. A orientação é para que os condutores redobrem a atenção, principalmente diante da possibilidade de acúmulo de água sobre a pista e redução da visibilidade.

Em situações de tempo severo, porém, dirigir mais devagar nem sempre é suficiente. Dependendo da intensidade da tempestade, interromper a viagem e procurar um local seguro pode ser a decisão mais prudente.

Chuva forte exige redução da velocidade e mais distância

Quando começa a chover, a aderência dos pneus ao pavimento diminui e a distância necessária para frear o veículo aumenta. Por isso, uma das primeiras providências deve ser reduzir a velocidade e aumentar significativamente a distância em relação ao veículo da frente.

Movimentos bruscos também devem ser evitados. Acelerações, frenagens e mudanças repentinas de direção aumentam a possibilidade de perda de controle.

Outro cuidado essencial é manter os faróis acesos e utilizar os limpadores de para-brisa em velocidade compatível com a intensidade da chuva.

Aquaplanagem: não freie bruscamente

O acúmulo de água na pista pode provocar a aquaplanagem, situação em que os pneus perdem contato com o pavimento e passam a deslizar sobre uma camada de água.

Nesse momento, o motorista pode sentir o volante mais leve e perceber que o veículo deixou de responder normalmente aos comandos.

Se isso acontecer, a recomendação é manter a calma, retirar gradualmente o pé do acelerador e manter o volante firme, evitando movimentos bruscos.

Frear repentinamente ou virar o volante de forma agressiva pode aumentar a perda de controle.

Pneus em boas condições e corretamente calibrados também são fundamentais para reduzir o risco de aquaplanagem.

A visibilidade ficou muito ruim? Pode ser hora de parar

Há um momento em que continuar dirigindo deixa de ser uma atitude prudente. Se a intensidade da chuva impedir que o motorista enxergue adequadamente a pista, a sinalização ou os demais veículos, o mais seguro é procurar um local apropriado para interromper a viagem e aguardar a melhora das condições.

Mas atenção: não pare sobre a pista nem no acostamento, salvo em uma situação de emergência.

O ideal é buscar um posto de combustível, área de serviço, estacionamento ou outro local seguro e afastado da circulação.

Também é importante evitar parar debaixo de árvores, placas, estruturas metálicas ou outras construções que possam ser atingidas ou derrubadas por rajadas de vento.

Granizo exige ainda mais cuidado

Uma tempestade de granizo pode surgir rapidamente e provocar perda significativa de visibilidade. A primeira reação de muitos motoristas é tentar encontrar imediatamente alguma cobertura para proteger o veículo. Esse comportamento, entretanto, não deve colocar a segurança das pessoas em segundo plano.

Nunca pare no meio da rodovia, sob viadutos, dentro de túneis ou em outros pontos que possam bloquear a circulação simplesmente para evitar danos ao automóvel.

Se houver possibilidade de sair da rodovia e estacionar em um local seguro e coberto, faça isso. Caso contrário, reduza a velocidade, aumente a distância dos demais veículos e avalie as condições para prosseguir.

Proteger o carro contra o granizo é importante, mas evitar uma colisão é prioridade.

Ventos fortes podem deslocar o veículo

Rajadas laterais também representam perigo, principalmente em rodovias abertas, pontes e locais sem barreiras naturais. Veículos altos e leves podem sofrer ainda mais com a ação do vento.

Nessas situações, mantenha as duas mãos firmes no volante, reduza a velocidade e evite movimentos repentinos.

A atenção deve aumentar ao ultrapassar caminhões e ônibus. Esses veículos podem funcionar temporariamente como uma barreira contra o vento e, ao concluir a ultrapassagem, o carro pode ser atingido repentinamente por uma rajada lateral.

Cuidado com árvores, postes e objetos na pista

Temporais também aumentam o risco de queda de árvores, galhos, postes, placas e outros objetos sobre as vias.

Foi justamente esse tipo de ocorrência que já levou a PRF a registrar problemas na BR-116, no Rio Grande do Sul.

Ao encontrar um obstáculo, reduza a velocidade com antecedência e evite desvios bruscos.

Se houver fios de energia caídos sobre a pista, não se aproxime nem tente removê-los. Mantenha distância e acione os serviços responsáveis pela emergência.

Nunca tente atravessar uma área alagada

Esse é um dos cuidados mais importantes durante períodos de chuva intensa. Mesmo que a água pareça rasa, o motorista não consegue saber com segurança qual é a profundidade, se existe algum buraco escondido ou se a correnteza tem força suficiente para deslocar o veículo.

Também pode haver danos no pavimento que não são visíveis sob a água.

Ao encontrar uma via alagada, a recomendação mais segura é não atravessar. Procure outra rota ou aguarde em local protegido.

Pisca-alerta não deve ser usado com o veículo em movimento

Outro erro comum durante chuva intensa é ligar o pisca-alerta enquanto continua dirigindo.

O equipamento deve ser utilizado nas situações previstas na legislação, como imobilizações ou emergências, e seu uso indevido durante o deslocamento pode confundir outros motoristas, especialmente em condições de baixa visibilidade.

Durante a chuva, utilize corretamente a iluminação do veículo e mantenha distância segura dos demais.

Antes de pegar a estrada, consulte as condições do tempo

Em episódios de tempo severo, a prevenção começa antes mesmo de ligar o veículo.

Quem pretende viajar deve consultar a previsão meteorológica, verificar as condições das rodovias e avaliar se realmente é necessário iniciar o deslocamento naquele momento.

Também vale conferir pneus, limpadores de para-brisa, iluminação e sistema de desembaçamento.

Se houver alerta para tempestades severas no horário previsto para a viagem, adiar a saída pode ser mais seguro do que enfrentar condições extremas na estrada.

Nem sempre continuar a viagem é a melhor decisão

Motoristas costumam receber orientações sobre como dirigir na chuva, mas existe uma recomendação ainda mais importante: reconhecer quando as condições ultrapassaram um limite seguro.

Chuva torrencial, rajadas intensas, granizo, árvores caindo ou visibilidade praticamente inexistente não são situações normais de condução.

Nesses casos, reduzir a velocidade pode não ser suficiente. Encontrar um local seguro e aguardar a tempestade passar pode evitar que uma viagem termine em acidente.

Em períodos de instabilidade meteorológica, planejamento e prudência são tão importantes quanto habilidade ao volante. Nenhum compromisso ou horário justifica colocar a própria vida e a dos demais usuários da via em risco.

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Estudo revela quais tipos de veículos apresentam maior risco de morte no trânsito

sex, 07/08/2026 - 08:15
Nem todos os veículos oferecem o mesmo nível de proteção em uma colisão. Um estudo internacional mostra que o porte, o peso e a potência influenciam os riscos. Foto: criação de IA

Na hora de escolher um veículo, muitos consumidores observam consumo, preço e itens de conforto. A segurança costuma aparecer entre os critérios mais importantes, mas um novo estudo mostra que as características do automóvel podem influenciar o risco de morte em um acidente de formas diferentes — tanto para quem está dentro dele quanto para os demais usuários da via.

Levantamento divulgado pelo Instituto de Seguros para Segurança Rodoviária (IIHS), dos Estados Unidos, aponta que carros pequenos e modelos esportivos ou com motores mais potentes continuam concentrando as maiores taxas de mortalidade entre seus próprios condutores. Já as picapes de grande porte aparecem entre os veículos que mais oferecem risco aos motoristas de outros automóveis envolvidos em colisões.

Embora os dados tenham sido obtidos a partir da frota norte-americana, as conclusões ajudam a compreender fatores que também fazem parte da realidade brasileira, como a influência do peso, do porte do veículo e, principalmente, do comportamento do motorista na gravidade dos acidentes.

Carros pequenos continuam mais vulneráveis em colisões

O estudo mostra que mais da metade dos modelos com as maiores taxas de mortalidade de condutores pertence às categorias de carros pequenos, esportivos ou muscle cars. Entre os veículos com os menores índices, predominam SUVs de diferentes tamanhos, muitos deles equipados com tecnologias avançadas de proteção aos ocupantes.

Conforme os pesquisadores, um dos principais motivos é a diferença de massa entre os veículos. Em colisões envolvendo automóveis de portes muito distintos, modelos menores tendem a absorver uma parcela maior da energia do impacto, aumentando o risco de lesões graves para seus ocupantes.

Isso, entretanto, não significa que veículos maiores sejam automaticamente seguros em qualquer situação ou eliminem o risco de acidentes.

Veículos maiores também podem representar perigo para terceiros

Uma das novidades do levantamento foi analisar não apenas as mortes dos próprios condutores, mas também o risco que determinados modelos representam para motoristas de outros veículos.

Nesse cenário, diversas picapes grandes e de serviço pesado aparecem entre os modelos com os maiores índices de mortalidade de terceiros. O peso elevado e a estrutura desses veículos fazem com que colisões contra automóveis menores tenham potencial para provocar consequências mais severas.

A análise reforça um conceito importante da segurança viária: um veículo pode oferecer boa proteção aos seus ocupantes e, ao mesmo tempo, aumentar o risco para quem está do outro lado da colisão.

Potência e comportamento caminham juntos

Os pesquisadores também identificaram que diversos carros esportivos e modelos equipados com motores mais potentes apresentam taxas elevadas de mortalidade.

De acordo com o IIHS, esse resultado não está relacionado apenas às características mecânicas dos veículos. O perfil de utilização também exerce influência significativa, já que modelos voltados ao desempenho costumam ser conduzidos em velocidades mais altas ou de forma mais agressiva.

Esse aspecto reforça uma das principais conclusões do estudo: a tecnologia embarcada ajuda a reduzir riscos, mas não consegue compensar decisões inseguras tomadas pelo motorista.

O que essa pesquisa ensina aos motoristas brasileiros?

Mesmo considerando diferenças entre as frotas dos Estados Unidos e do Brasil, é possível aplicar algumas conclusões à realidade nacional.

Motoristas de veículos compactos precisam estar atentos ao compartilhar a via com caminhões, ônibus, SUVs e picapes maiores. Dessa forma, mantendo distância segura e evitando permanecer em pontos cegos desses veículos.

Já quem dirige utilitários esportivos ou caminhonetes deve lembrar que o porte avantajado exige maior distância para frenagem, amplia os pontos sem visibilidade e pode provocar impactos muito mais severos em caso de colisão com automóveis menores, motocicletas, bicicletas ou pedestres.

Esses cuidados ganham ainda mais importância no Brasil, onde a convivência entre diferentes tipos de veículos é intensa tanto nas áreas urbanas quanto nas rodovias.

Testes de segurança não contam toda a história

Outro ponto que o levantamento destaca é que não se deve confundir as taxas de mortalidade com os tradicionais testes de colisão.

Enquanto os ensaios laboratoriais avaliam o desempenho estrutural dos veículos em condições controladas, os índices de mortalidade refletem situações reais de trânsito. Assim, incorporando fatores como perfil dos condutores, tipo de utilização e exposição ao risco.

Por isso, um automóvel bem avaliado em testes de segurança não garante, por si só, menor probabilidade de envolvimento em acidentes graves.

Ao apresentar os resultados, o presidente do IIHS destacou que características como tamanho, potência, resistência estrutural e sistemas de prevenção de acidentes são importantes, mas lembrou que uma parcela significativa da segurança continua dependendo da forma como cada pessoa dirige.

Essa talvez seja a principal mensagem do estudo. A evolução tecnológica tornou os veículos mais seguros do que há algumas décadas, mas nenhum recurso substitui atitudes como respeitar os limites de velocidade, manter distância segura, evitar distrações e conduzir de forma defensiva. Em qualquer categoria de veículo, essas continuam sendo as medidas mais eficazes para preservar vidas no trânsito.

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Carregar o carro elétrico todo dia estraga a bateria? Saiba quais são os mitos e verdades

qui, 06/08/2026 - 17:30
Além dos cuidados com a bateria, outro ponto importante é observar a infraestrutura de carregamento disponível na rotina do motorista. Foto: Scharfsinn para Depositphotos

“E se a bateria acabar rápido?” ou “será que ela dura poucos anos?”. Essas ainda estão entre as principais dúvidas de quem pensa em comprar um carro elétrico. Mesmo assim, a demanda por esse tipo de veículo segue em alta no mundo todo. Prova disso é que um modelo elétrico liderou o ranking global de vendas em 2025, segundo levantamento da consultoria MarkLines, mostrando como essa tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia dos consumidores. 

Conforme Alan Ladeia, CEO da Carflix, parte dessa insegurança acontece porque muitos consumidores ainda tentam comparar os carros elétricos com hábitos dos veículos a combustão.

“O carro elétrico ainda desperta muitas dúvidas porque é uma tecnologia relativamente nova para boa parte dos brasileiros. Mas a verdade é que os sistemas atuais são muito mais inteligentes e seguros do que as pessoas imaginam. Hoje, os próprios veículos possuem mecanismos que ajudam a preservar a bateria automaticamente”, afirma. 

Mas afinal, quais são os mitos e verdades sobre os cuidados com a bateria do carro?  1-Carregar todos os dias vicia a bateria?  

MITO – Os carros elétricos modernos utilizam baterias de íon-lítio com sistemas avançados de gerenciamento eletrônico. Isso significa que carregar diariamente não cria vício nem compromete drasticamente a durabilidade da bateria. 

2-Manter a carga entre 20% e 80% ajudam na preservação

VERDADE – No uso diário, muitos fabricantes recomendam evitar deixar o veículo constantemente em 100% de carga. Isso porque manter níveis extremos por longos períodos pode acelerar o desgaste natural da bateria ao longo dos anos. 

3- Calor excessivo pode impactar o desempenho 

VERDADE – Temperaturas muito altas influenciam a eficiência térmica das baterias. Por isso, sempre que possível, o ideal é evitar deixar o veículo exposto ao sol intenso por muitas horas, especialmente durante o carregamento. 

4- Carregamento rápido estraga imediatamente a bateria 

MITO – O carregamento ultrarrápido não estraga a bateria, mas o uso excessivo e frequente pode gerar maior aquecimento do sistema. Por isso, é recomendável alternar entre carregamentos rápidos e convencionais na rotina. 

5- Deixar a bateria zerar com frequência não é recomendado 

VERDADE – Ao contrário do que muita gente acredita, esperar a bateria descarregar totalmente para recarregar não traz benefícios. Descargas profundas constantes podem acelerar o desgaste natural. 

6- Carro elétrico não exige manutenção 

MITO – Apesar de terem menos componentes mecânicos que os veículos tradicionais, os carros elétricos também precisam de acompanhamento periódico. Pneus, sistema de arrefecimento da bateria, freios e atualizações de software continuam exigindo atenção. 

Além dos cuidados com a bateria, outro ponto importante é observar a infraestrutura de carregamento disponível na rotina do motorista. Hoje, muitos condomínios, shoppings, supermercados e até empresas já oferecem pontos de recarga, o que tem ajudado a tornar os elétricos mais acessíveis no dia a dia. 

“Existe muito mito em torno do carro elétrico, principalmente sobre autonomia e durabilidade da bateria. Mas a tecnologia evoluiu rápido nos últimos anos e os modelos atuais já oferecem uma experiência muito mais prática para o consumidor”, finaliza Alan Ladeia.

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Receita Federal pode utilizar giroflex? O que diz o Código de Trânsito Brasileiro

qui, 06/08/2026 - 15:00
O uso de luzes de emergência em veículos é regulamentado pelo CTB e por normas do Contran. Foto: Chalabala para Depositphotos

Roger de Amorim Bastos*

É cada vez mais comum encontrar viaturas da Receita Federal circulando com luzes vermelhas e azuis acionadas, seja em um simples deslocamento ou durante operações de combate ao contrabando, descaminho e outros ilícitos aduaneiros. Para a maioria dos motoristas, a cena transmite uma ideia quase automática: trata-se de um veículo de emergência e, portanto, deve receber as mesmas prerrogativas concedidas às viaturas policiais.

Mas será que essa percepção encontra respaldo na legislação?

A resposta, ao menos sob a ótica do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), merece uma reflexão mais cuidadosa.

O art. 29, inciso VII, do CTB confere prioridade de circulação, parada e estacionamento apenas a determinadas categorias de veículos, entre elas os destinados ao socorro de incêndio e salvamento, os veículos de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias. Trata-se de uma norma excepcional, que estabelece prerrogativas especiais e, justamente por isso, deve ser interpretada de forma restritiva.

O primeiro ponto que chama a atenção é que a Receita Federal não integra o rol de órgãos de segurança pública previsto no art. 144 da Constituição Federal. Embora exerça importante atividade de fiscalização e atue no combate ao contrabando e ao descaminho, sua natureza jurídica permanece vinculada à Administração Tributária da União.

Essa distinção costuma gerar um equívoco frequente. Muitos confundem o chamado “poder de polícia” com a condição de “órgão de polícia”. São conceitos diferentes. Diversos órgãos da Administração Pública exercem poder de polícia administrativa, como o Ibama, a Vigilância Sanitária e a própria Receita Federal. Isso, entretanto, não transforma esses órgãos em instituições policiais.

Essa diferença ganha relevância quando se analisa a regulamentação do trânsito.

A Resolução CONTRAN nº 970/2022 autoriza a utilização de lanternas especiais de emergência exclusivamente pelos veículos contemplados na legislação de trânsito. Como o CONTRAN exerce apenas competência regulamentar, sua atuação deve limitar-se à fiel execução da lei, não podendo ampliar, por resolução, as categorias previstas pelo legislador.

Esse entendimento, inclusive, já foi enfrentado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Em julgamento envolvendo a matéria, o Tribunal concluiu que a Receita Federal não pode ser equiparada à categoria de “veículo de polícia” prevista no art. 29 do Código de Trânsito Brasileiro, destacando que o exercício do poder de polícia administrativa não altera a natureza constitucional do órgão.

A discussão, entretanto, vai muito além do uso das luzes de emergência.

Como as viaturas da Receita Federal não são abrangidas pelo art. 29, inciso VII, do CTB, surgem consequências práticas relevantes. Uma delas diz respeito ao art. 189 do próprio Código, que pune o condutor que deixa de dar passagem a veículos de polícia, ambulâncias, bombeiros e demais veículos de emergência. Afinal, seria possível aplicar essa infração quando o veículo sequer estiver contemplado pelo dispositivo legal? A resposta logica é que caso, não!

Há ainda outra consequência pouco debatida. A própria Resolução nº 970/2022 prevê o enquadramento da infração do art. 230, inciso XII, quando veículo que não seja de emergência estiver equipado com lanternas especiais. Caso prevaleça o entendimento de que a Receita Federal não integra as categorias autorizadas pelo art. 29 do CTB, abre-se espaço para um novo debate: a regularidade da instalação desses equipamentos em suas viaturas. Ou seja, os veiculas da receita deveriam ser autuados (o que dificilmente acontecerá) 

Naturalmente, isso não significa diminuir a importância das atividades desempenhadas pela Receita Federal. Muito pelo contrário. O combate ao contrabando, ao descaminho e aos demais ilícitos aduaneiros possui enorme relevância para a segurança das fronteiras, para a economia nacional e para a proteção da sociedade.

Talvez justamente por isso o tema mereça ser enfrentado pelo Congresso Nacional.

Se o Estado entende que a Receita Federal necessita das mesmas prerrogativas conferidas aos veículos de emergência, a solução juridicamente mais adequada não está na ampliação interpretativa da legislação nem em atos regulamentares do Poder Executivo. O caminho constitucionalmente correto é a alteração do próprio Código de Trânsito Brasileiro, ampliando, por meio de lei, o rol de veículos autorizados a utilizar lanternas especiais de emergência.

Mais do que uma discussão sobre o uso de giroflex, o debate revela um princípio essencial do Estado de Direito: prerrogativas excepcionais devem decorrer da lei, e não da interpretação administrativa. Quando a realidade institucional evolui, cabe ao legislador atualizar a legislação, preservando a segurança jurídica tanto para a Administração Pública quanto para os cidadãos.

*Roger de Amorim Bastos é bacharel em Direito e especialista em Direito de Trânsito

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Fumaça na pista pode ser tão perigosa quanto a chuva; saiba como agir ao encontrar uma queimada

qui, 06/08/2026 - 13:30
Trabalho de roçada é realizado de forma contínua ao longo dos 628 km de rodovias sob concessão – Crédito da imagem: Assessoria de Imprensa – EPR Paraná

O período de estiagem exige atenção redobrada de quem trafega pelas rodovias. Além dos impactos ambientais, as queimadas às margens das estradas podem reduzir drasticamente a visibilidade, aumentar o risco de sinistros de trânsito e até provocar danos à infraestrutura viária. Diante desse cenário, a EPR Paraná reforçou as ações de prevenção e divulgou orientações para motoristas sobre como agir ao encontrar fumaça na pista.

Desde o início da concessão, em 10 de março de 2026, a empresa atuou em 125 ocorrências de incêndio às margens dos 628 quilômetros de rodovias sob sua administração. Segundo a concessionária, o período mais seco do ano exige monitoramento constante das faixas de domínio, serviços de conservação e conscientização de motoristas e comunidades próximas às rodovias.

Embora os dados sejam referentes às rodovias administradas pela EPR Paraná, os cuidados recomendados são válidos para qualquer motorista que viaje durante a estiagem.

Fumaça reduz a visibilidade e aumenta o risco de sinistros

De acordo com a concessionária, grande parte dos focos de incêndio registrados nas margens das rodovias tem origem em ações humanas, como o descarte de bitucas de cigarro pela janela do veículo, a queima de lixo e o uso inadequado do fogo em atividades rurais.

Além dos prejuízos ao meio ambiente, a fumaça pode comprometer significativamente a visibilidade dos condutores, dificultando a percepção da pista, dos demais veículos e da sinalização, o que aumenta o risco de colisões.

Outro problema apontado pela empresa é que o calor provocado pelas chamas pode danificar equipamentos instalados ao longo das rodovias, como placas de sinalização, sistemas de comunicação e outros dispositivos utilizados na operação da via.

Monitoramento e conservação fazem parte da estratégia

Para reduzir os riscos, a EPR Paraná informa que mantém equipes realizando monitoramento permanente das rodovias.

Quando um foco de incêndio é identificado pelas equipes de inspeção ou comunicado pelos usuários, o Centro de Controle Operacional (CCO) aciona o Corpo de Bombeiros e os demais órgãos competentes, além de prestar apoio às operações de combate às chamas.

Paralelamente, a concessionária realiza serviços contínuos de roçada, limpeza assim como de conservação das faixas de domínio, com o objetivo de reduzir o acúmulo de vegetação seca e resíduos que podem facilitar a propagação do fogo.

Conforme Mauro Bertelli, gerente de Operações da EPR Paraná, a prevenção é uma das principais ferramentas para reduzir os impactos das queimadas.

“O trabalho preventivo é um dos pilares da nossa estratégia de segurança viária. O monitoramento permanente e as ações de conservação ajudam a identificar riscos, permitem respostas mais rápidas e contribuem para proteger usuários, comunidades e o patrimônio ambiental ao longo das rodovias”, explica.

Como agir ao encontrar fumaça na rodovia

Além das medidas preventivas, a concessionária orienta os motoristas sobre os procedimentos mais seguros quando houver fumaça sobre a pista.

As recomendações são:

  • reduzir a velocidade gradualmente;
  • aumentar a distância em relação ao veículo da frente;
  • manter os vidros fechados e utilizar a ventilação interna ou o ar-condicionado;
  • trafegar com o farol baixo aceso;
  • não utilizar o farol alto, pois a luz pode refletir na fumaça e reduzir ainda mais a visibilidade;
  • evitar parar o veículo na pista ou no acostamento;
  • se a fumaça impedir completamente a visão, procurar um local seguro, distante das chamas e fora da rodovia para aguardar.

Essas medidas ajudam a reduzir o risco de colisões e preservam a segurança dos ocupantes do veículo e dos demais usuários da via.

Prevenção depende também dos motoristas

A concessionária reforça que pequenas atitudes dos condutores podem contribuir para evitar o surgimento de incêndios às margens das rodovias.

Entre elas estão não jogar lixo ou bitucas de cigarro pela janela do veículo e jamais acender fogo próximo à faixa de domínio das estradas.

Caso o motorista aviste fumaça ou um foco de incêndio durante a viagem, a orientação é reduzir a velocidade com segurança e comunicar a ocorrência à concessionária somente quando estiver em um local seguro.

Com a intensificação da estiagem em diversas regiões do país, a prevenção continua sendo a principal aliada para reduzir os riscos provocados pelas queimadas e garantir viagens mais seguras.

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Nem todo calçado é permitido na moto; veja o que diz o CTB

qui, 06/08/2026 - 08:15
Um calçado que escorrega facilmente ou pode sair do pé durante a condução compromete a pilotagem justamente nos momentos em que o motociclista mais precisa de controle. Foto: criação de IA

Capacete afivelado, documentação em dia e atenção ao trânsito costumam ser as principais preocupações dos motociclistas antes de sair de casa. Mas existe outro detalhe que também pode fazer diferença durante uma fiscalização e, principalmente, na segurança da pilotagem: o calçado.

Embora muitas pessoas associem a regra apenas ao uso de chinelos, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não proíbe um modelo específico. A legislação estabelece que o condutor não deve dirigir utilizando calçado que não se firme aos pés ou que comprometa o acionamento seguro dos comandos do veículo.

Na prática, isso significa que alguns tipos de calçados podem gerar autuação e, mais importante, aumentar o risco de sinistros de trânsito.

O que diz o CTB

O artigo 252, inciso IV, do Código de Trânsito Brasileiro considera infração dirigir veículo utilizando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais.

A infração é de natureza média, sujeita à multa de R$ 130,16 e ao registro de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Embora a redação faça referência aos pedais, a regra também é aplicada aos motociclistas, já que os pés são utilizados para acionar comandos essenciais da motocicleta, como o freio traseiro e a troca de marchas.

Por que alguns calçados representam risco?

O objetivo da legislação não é estabelecer um padrão estético para quem dirige ou pilota. A preocupação é garantir que o condutor consiga acionar todos os comandos do veículo com precisão e segurança.

No caso das motocicletas, um calçado que escorrega facilmente ou pode sair do pé durante a condução compromete a pilotagem justamente nos momentos em que o motociclista mais precisa de controle, como em uma frenagem de emergência, uma redução de marcha ou uma manobra para desviar de um obstáculo.

Além disso, em caso de queda, os pés estão entre as partes do corpo mais expostas a impactos.

Quais calçados exigem mais atenção?

O exemplo mais conhecido é o chinelo, mas ele não é o único. Também merecem atenção modelos que não ficam firmes nos pés ou que podem dificultar o controle da motocicleta, como:

  • tamancos;
  • rasteirinhas sem fixação no calcanhar;
  • calçados muito largos ou instáveis.

Já tênis, botas e sapatos fechados costumam oferecer maior firmeza e proteção durante a pilotagem.

Mais do que cumprir a legislação, optar por um calçado adequado melhora o controle da motocicleta e reduz riscos em situações inesperadas.

E pilotar descalço?

Essa é outra dúvida frequente. Ao contrário do que muitos imaginam, o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito orienta que a infração está relacionada ao uso de calçado inadequado, e não ao fato de o condutor estar descalço.

Assim, a simples ausência de calçado, por si só, não caracteriza a infração prevista no artigo 252 do CTB.

Isso não significa, porém, que pilotar descalço seja uma prática recomendável.

Sem qualquer proteção, os pés ficam mais vulneráveis a impactos, queimaduras provocadas por partes quentes da motocicleta e lesões em caso de queda.

Segurança deve vir antes da multa

Para Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, a escolha do calçado deve ser encarada como parte da pilotagem segura.

“A legislação não foi criada para determinar qual calçado o motociclista deve usar, mas para garantir que ele consiga controlar a moto com segurança. Se o calçado pode escapar do pé ou dificultar o acionamento dos comandos, ele deixa de ser apenas uma questão de conforto e passa a representar um risco”, alerta.

Conforme ele, o motociclista deve pensar no calçado da mesma forma que pensa no capacete: como um equipamento que contribui para reduzir riscos durante a condução.

Pequenos cuidados fazem diferença

No dia a dia, é comum que muitos motociclistas utilizem a moto apenas para deslocamentos curtos e acabem deixando de lado alguns cuidados por acreditarem que “é logo ali”.

De acordo com Mariano, no entanto, a duração do trajeto não altera os riscos envolvidos na pilotagem.

“Escolher um calçado firme, utilizar os equipamentos de proteção e manter a atenção durante todo o percurso são atitudes simples que ajudam a evitar sinistros e tornam a condução mais segura. Mais do que evitar uma multa, a escolha do calçado adequado pode fazer diferença justamente no momento em que o motociclista mais precisar controlar a moto”, conclui.

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Agosto Vermelho alerta: quase duas pessoas por dia são vítimas de acidentes com a rede elétrica no Brasil

qua, 05/08/2026 - 17:30
252 brasileiros perderam a vida em acidentes envolvendo a rede elétrica em 2025. Foto: criação de IA

Agosto é o mês em que o Brasil acende um alerta para um risco presente nas ruas, nas obras, no campo e até dentro de casa. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) promove mais uma edição do Agosto Vermelho, movimento nacional de conscientização sobre os perigos envolvendo a rede elétrica e a importância da prevenção.  

O alerta se sustenta por números que continuam preocupando. A Abradee divulgou um levantamento nacional que aponta que houve o registro de 703 acidentes envolvendo a rede létrica no país em 2025, o equivalente a quase duas ocorrências por dia. Embora o número de mortes tenha apresentado redução em relação ao ano anterior, 252 pessoas perderam a vida em acidentes relacionados à eletricidade.  

Conforme a diretora de comunicação e sustentabilidade da Abradee, Cristina Garambone, mais do que estatísticas, os dados representam histórias interrompidas, famílias impactadas e situações que, em grande parte dos casos, poderiam ser evitadas com informação e comportamentos seguros.  

“A energia está presente em praticamente todos os momentos da nossa vida. Por isso, a informação continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir acidentes e preservar vidas. Segurança deve vir sempre em primeiro lugar”, afirma. 

Entre as principais causas dos acidentes registrados estão, por exemplo, atividades da construção civil, operações com equipamentos próximos à rede elétrica, cabos energizados no solo, ligações clandestinas e furto de cabos. A construção civil segue liderando as estatísticas nacionais, com 227 ocorrências e 68 mortes registradas em 2025. 

Um risco invisível

Diferentemente de outros tipos de acidentes, a eletricidade muitas vezes não apresenta sinais aparentes de perigo. Por isso, especialistas alertam para a importância de respeitar distâncias de segurança da rede elétrica, evitar improvisos em instalações, não se aproximar de cabos caídos e redobrar os cuidados durante obras, reformas e atividades próximas à rede.  

“O Agosto Vermelho é um convite para que a sociedade pare por alguns instantes e reflita sobre atitudes simples que podem salvar vidas. Quando falamos de segurança elétrica, estamos falando de pessoas”, reforça Cristina Garambone.

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Brasileiros que viajam ao Paraguai também podem ser alvo do golpe da falsa multa de trânsito

qua, 05/08/2026 - 13:30
Adotar cuidados no ambiente digital ajuda a evitar prejuízos financeiros e o uso indevido de dados pessoais. Foto: jopstock para Depositphotos

Viajar de carro ao Paraguai para fazer compras, turismo ou negócios faz parte da rotina de milhares de brasileiros, especialmente nos estados da região Sul. No entanto, um alerta emitido pela Prefeitura de Ciudad del Este chama a atenção para um golpe que pode atingir justamente quem circula pelas ruas da cidade: o envio de falsas multas de trânsito por mensagem de celular.

Conforme a administração municipal, criminosos estão encaminhando mensagens de texto (SMS) informando que o motorista teria cometido uma infração de trânsito no Paraguai. O texto inclui um link para consulta da suposta multa ou para o pagamento imediato do débito.

A prefeitura esclareceu que essas mensagens são fraudulentas e reforçou que não utiliza esse tipo de comunicação para notificar condutores.

Como funciona o golpe

A fraude utiliza uma estratégia já conhecida em diversos países: criar uma falsa sensação de urgência para levar a vítima a agir rapidamente.

Nas mensagens, os golpistas simulam comunicações oficiais da Polícia Municipal de Trânsito de Ciudad del Este, informando a existência de uma multa pendente e oferecendo um link para regularizar a situação.

Ao clicar, o motorista pode ser direcionado para páginas falsas que imitam sites oficiais e têm como objetivo obter dados pessoais, informações bancárias ou pagamentos indevidos.

Prefeitura orienta motoristas a desconfiar

Em comunicado oficial, a Prefeitura de Ciudad del Este reforçou que não envia notificações de multas por SMS nem solicita pagamentos por links enviados por mensagem.

O município informou ainda que qualquer pagamento relacionado a multas municipais deve ser realizado apenas pelos canais oficiais e nos locais autorizados para atendimento ao cidadão.

A recomendação é simples: quem receber esse tipo de mensagem deve ignorá-la, não clicar nos links e jamais fornecer informações pessoais ou financeiras.

Brasileiros precisam redobrar a atenção

Embora o alerta tenha sido emitido pelas autoridades paraguaias, a orientação também vale para brasileiros que costumam atravessar a fronteira de carro.

Muitos visitantes desconhecem como funciona a fiscalização de trânsito no país vizinho. Ao receber uma mensagem informando uma suposta infração, é natural que o motorista fique em dúvida e considere a possibilidade de ter cometido alguma irregularidade durante a viagem.

É justamente essa incerteza que os criminosos tentam explorar para convencer a vítima a acessar links fraudulentos ou realizar pagamentos indevidos.

Golpe é semelhante ao aplicado no Brasil

A falsa multa de trânsito não é uma novidade para os brasileiros. Nos últimos anos, golpes semelhantes passaram a ser enviados por SMS, e-mail e aplicativos de mensagens utilizando indevidamente nomes de órgãos de trânsito para dar aparência de legitimidade às cobranças.

Em muitos casos, as mensagens informam que o motorista possui uma infração pendente, ameaça aplicar penalidades mais severas em caso de atraso e direciona a vítima para páginas falsas.

Por isso, especialistas em segurança digital orientam que qualquer comunicação relacionada a multas seja confirmada exclusivamente pelos canais oficiais do órgão responsável.

Como identificar uma falsa multa

Algumas características costumam aparecer nesse tipo de fraude:

  • mensagens com tom de urgência ou ameaça de penalidades;
  • links para pagamento imediato;
  • solicitação de dados pessoais ou bancários;
  • remetentes desconhecidos ou sem identificação oficial;
  • erros de linguagem ou endereços eletrônicos suspeitos.

Ao identificar qualquer um desses sinais, o mais seguro é interromper o contato e verificar a informação diretamente junto ao órgão de trânsito competente.

O que fazer se receber uma mensagem suspeita

Caso receba uma suposta notificação de multa durante ou após uma viagem ao Paraguai, a recomendação é não agir por impulso.

Antes de qualquer pagamento, confirme se a comunicação realmente foi emitida pela autoridade responsável. Em caso de dúvida, procure atendimento pelos canais oficiais da Prefeitura de Ciudad del Este ou do órgão de trânsito competente.

Também é importante evitar compartilhar dados pessoais, números de documentos, senhas ou informações bancárias por meio de links recebidos em mensagens.

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Inteligência artificial pode multar motoristas? Entenda como funciona a nova fiscalização

qua, 05/08/2026 - 08:15
Câmeras com inteligência artificial ampliam a fiscalização de trânsito, mas a aplicação da multa continua dependendo da análise da autoridade competente. Foto: nirutdps para Depositphotos

A presença da inteligência artificial (IA) no trânsito brasileiro é cada vez maior. Sistemas capazes de analisar imagens em tempo real passaram a integrar a fiscalização em diversas rodovias e vias urbanas, ampliando a capacidade de identificar comportamentos de risco e possíveis infrações.

Com isso, surgiu uma dúvida entre muitos motoristas: afinal, a inteligência artificial pode aplicar multas automaticamente?

A resposta é não. Embora a tecnologia seja capaz de detectar indícios de irregularidades com rapidez e precisão, a autuação continua dependendo da análise e da validação por um agente da autoridade de trânsito. Em outras palavras, a IA funciona como uma ferramenta de apoio à fiscalização, e não como substituta da atuação humana.

Como funciona a fiscalização com inteligência artificial?

Os sistemas utilizam câmeras de alta resolução e algoritmos treinados para reconhecer padrões de comportamento associados a infrações de trânsito.

Ao analisar continuamente as imagens captadas nas vias, a inteligência artificial consegue identificar situações que merecem atenção, como um motorista aparentemente utilizando o celular ou um ocupante do veículo sem o cinto de segurança.

Quando o sistema detecta uma possível irregularidade, ele gera um alerta e separa as imagens para posterior análise.

Essa tecnologia permite que milhares de veículos sejam monitorados simultaneamente, tornando a fiscalização mais eficiente e aumentando a capacidade de identificar condutas que colocam a segurança viária em risco.

A inteligência artificial não aplica multas

Apesar dos avanços tecnológicos, a inteligência artificial não possui competência legal para autuar um condutor.

No Brasil, o auto de infração continua sendo um ato administrativo vinculado à autoridade de trânsito, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Na prática, a IA atua como uma ferramenta de triagem. Ela identifica possíveis infrações e apresenta os registros para análise. Somente após essa verificação é que a autoridade competente poderá confirmar a irregularidade e dar continuidade ao processo de autuação, quando for o caso.

Essa etapa é importante justamente para reduzir o risco de erros e garantir que a penalidade seja aplicada apenas quando houver elementos suficientes para caracterizar a infração.

Quais infrações a tecnologia consegue identificar?

Os sistemas de inteligência artificial vêm sendo treinados para reconhecer diferentes comportamentos considerados de risco.

Entre as infrações que já podem ser identificadas por algumas dessas tecnologias estão:

  • uso do celular durante a condução do veículo;
  • motorista sem o cinto de segurança;
  • passageiros sem o cinto de segurança;
  • outras condutas que possam ser reconhecidas pelos sistemas utilizados pelos órgãos de fiscalização.

À medida que a tecnologia evolui, novas funcionalidades podem ser incorporadas, sempre respeitando os procedimentos previstos na legislação.

Quais infrações ainda dependem da abordagem presencial?

Embora a inteligência artificial tenha ampliado a capacidade de fiscalização, nem todas as infrações podem ser constatadas apenas por câmeras e sistemas automatizados.

Em diversas situações, a presença do agente de trânsito continua sendo indispensável para verificar a ocorrência da infração ou realizar procedimentos previstos na legislação.

Entre os principais exemplos estão:

  • Embriaguez ao volante: exige a realização dos procedimentos legais, como o teste do etilômetro (bafômetro) ou a constatação de sinais de alteração da capacidade psicomotora, conforme previsto na legislação.
  • Recusa ao teste do bafômetro: depende da abordagem do condutor para que o exame seja oferecido.
  • Condições físicas ou psicológicas do motorista: situações como mal súbito, sonolência ou outros fatores que comprometam a capacidade de dirigir exigem avaliação presencial.
  • Fiscalização de documentos: embora alguns sistemas permitam consultas eletrônicas, determinadas verificações ainda dependem da abordagem do veículo e da conferência realizada pelo agente.
  • Outras infrações que exigem constatação direta: algumas condutas previstas no CTB somente é possível confirmar mediante fiscalização presencial, de acordo com o procedimento estabelecido para cada caso.

Na prática, a inteligência artificial amplia a capacidade de monitoramento e auxilia os órgãos de trânsito na identificação de possíveis irregularidades. No entanto, ela não substitui completamente a atuação dos agentes, que continuam exercendo um papel fundamental na fiscalização e na correta aplicação da legislação.

A inteligência artificial pode cometer erros?

Como qualquer tecnologia baseada em reconhecimento de imagens, os sistemas de inteligência artificial também estão sujeitos a limitações.

Condições de iluminação, reflexos, objetos no interior do veículo e até o posicionamento dos ocupantes podem influenciar a interpretação das imagens.

É justamente por esse motivo que a análise humana continua sendo uma etapa essencial do processo.

A revisão por um agente da autoridade de trânsito ajuda a evitar autuações indevidas e garante maior segurança jurídica para o procedimento.

O que muda para os motoristas?

Mesmo sem substituir a atuação dos agentes, a inteligência artificial representa uma mudança importante na fiscalização de trânsito.

Com maior capacidade de processamento, esses sistemas conseguem monitorar um volume muito maior de veículos ao longo do dia, inclusive em períodos noturnos e em locais onde nem sempre seria possível manter equipes de fiscalização de forma permanente.

Na prática, isso significa que infrações antes mais difíceis de serem identificadas, como o uso do celular ao volante ou a falta do cinto de segurança, passam a ter maior probabilidade de serem detectadas.

Mais do que aumentar o número de autuações, a expectativa é que a tecnologia tenha um efeito preventivo, estimulando os motoristas a adotarem comportamentos mais seguros.

Tecnologia e segurança viária

Conforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, a incorporação da inteligência artificial à fiscalização faz parte de um movimento maior de modernização da gestão do trânsito.

“Quando utilizada de forma responsável e dentro dos limites estabelecidos pela legislação, a tecnologia pode contribuir para tornar a fiscalização mais eficiente, ampliar a capacidade de monitoramento e direcionar a atuação dos agentes para situações que realmente exigem intervenção”, explica.

De acordo com ele, isso é especialmente importante em um cenário em que o uso do celular ao volante e o não uso do cinto de segurança continuam entre as condutas que mais colocam vidas em risco. “Para os motoristas, a principal mensagem permanece a mesma: independentemente de haver um agente na via ou uma câmera equipada com inteligência artificial, respeitar as normas de trânsito continua sendo a melhor forma de evitar multas e, principalmente, reduzir o risco de sinistros”, conclui.

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Waze vai alertar sobre escolas em rodovias federais

ter, 04/08/2026 - 17:30
O recurso tende a beneficiar especialmente os motoristas profissionais. Foto: criação de IA

O Waze começou a disponibilizar um novo recurso voltado à segurança viária nas rodovias federais. Em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o aplicativo passa a emitir alertas automáticos quando o motorista se aproxima de escolas localizadas às margens das BRs. A medida tem como objetivo estimular a redução da velocidade em pontos considerados mais sensíveis e ampliar a proteção dos estudantes durante os horários de entrada e saída das aulas.

A funcionalidade integra o programa Waze for Cities e utiliza dados de geolocalização das instituições de ensino combinados com estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre ocorrências registradas nas rodovias. Com base nesse cruzamento de informações, o sistema identifica áreas prioritárias e envia notificações visuais e sonoras antes da chegada ao perímetro escolar.

Nesta primeira etapa, o monitoramento contempla 279 escolas participantes do programa Conexão DNIT, distribuídas em 98 municípios brasileiros.

O governo federal prevê ampliar gradualmente o mapeamento ao longo de 2026, incorporando novas unidades públicas e privadas. As informações também deverão orientar futuras intervenções de engenharia, como implantação de passarelas, reforço da sinalização, melhorias na iluminação e instalação de redutores de velocidade.

Conforme o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, a novidade amplia a capacidade de antecipação dos condutores em locais onde pequenas variações de velocidade podem fazer diferença.

“Quem conduz um veículo de grande porte precisa trabalhar sempre com antecedência. Em muitos trechos, a movimentação de estudantes só é percebida quando o caminhão já está muito próximo da escola. Um aviso prévio permite reduzir a velocidade de forma progressiva, sem manobras bruscas, e torna a passagem por esses locais mais segura para todos.”

Boizinho ressalta, porém, que ferramentas digitais devem complementar as intervenções físicas previstas para esses pontos. “O alerta no aplicativo é um apoio importante para quem está ao volante, mas ele não substitui passarelas, sinalização adequada, iluminação e fiscalização. A redução dos acidentes depende da combinação entre tecnologia, infraestrutura e conscientização de todos os usuários das rodovias.”

De acordo com a avaliação do diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, o recurso tende a beneficiar especialmente os motoristas profissionais. Ou seja, aqueles que percorrem longas distâncias e enfrentam diferentes condições de tráfego ao longo da jornada.

“O caminhoneiro toma decisões continuamente durante uma viagem. Receber uma informação antecipada sobre uma área escolar permite adaptar a condução de maneira gradual, preservando a estabilidade do conjunto e reduzindo os riscos tanto para os pedestres quanto para os demais veículos. É uma solução simples, mas que pode contribuir para evitar ocorrências graves.”

O transporte rodoviário responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil, o que torna a segurança nas estradas um dos principais desafios da logística nacional. Na avaliação do Sinaceg, iniciativas que ampliam a previsibilidade para os condutores representam um avanço, sobretudo quando associadas à modernização da infraestrutura e ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção de acidentes.

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Velocidade média pode virar multa no Brasil? Entenda como funciona o sistema

ter, 04/08/2026 - 12:00
O objetivo não é fazer o motorista frear apenas diante de um radar, mas estimular uma condução segura durante todo o percurso. Foto: jarous para Depositphotos

Um sistema capaz de calcular a velocidade média dos veículos entre dois pontos de uma rodovia voltou ao centro das discussões sobre segurança viária no Brasil. A tecnologia, que já vem sendo utilizada em caráter educativo e para monitoramento de trechos perigosos, revelou recentemente que muitos motoristas reduzem a velocidade apenas ao passar por radares e voltam a acelerar logo depois.

Apesar disso, ainda não é possível autuar os condutores com base nesse cálculo. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê que a infração por excesso de velocidade seja constatada por equipamento medidor no momento da passagem do veículo. Para que a velocidade média possa gerar multas, será necessária uma mudança na legislação.

O assunto voltou à pauta após experiências realizadas em rodovias federais e reacendeu um debate antigo: seria mais eficiente fiscalizar a velocidade em um único ponto ou ao longo de todo o percurso?

A tecnologia já existe

Embora o tema tenha ganhado destaque recentemente, a tecnologia utilizada para calcular a velocidade média não é novidade.

Conforme o Portal do Trânsito mostrou em reportagem publicada anteriormente, muitos dos equipamentos atualmente utilizados nas rodovias já possuem capacidade técnica para registrar a passagem dos veículos em diferentes pontos e calcular a velocidade desenvolvida durante determinado trecho. O que impede a aplicação de multas não é uma limitação tecnológica, mas a ausência de previsão legal para esse tipo de fiscalização.

Hoje, os dados são utilizados para monitoramento, estudos sobre o comportamento dos condutores e ações educativas voltadas à segurança viária.

Como funciona o sistema?

O princípio é relativamente simples. Ao passar pelo primeiro ponto de monitoramento, o veículo tem sua placa identificada pelo sistema. O mesmo procedimento ocorre no segundo ponto de controle.

Conhecendo a distância entre os equipamentos e o tempo gasto para percorrer esse trecho, o sistema calcula a velocidade média desenvolvida pelo veículo.

Diferentemente do radar convencional, que registra a velocidade em um único instante, esse método permite verificar o comportamento do motorista durante todo o percurso monitorado.

O comportamento dos motoristas chamou atenção

Foi justamente esse tipo de monitoramento que revelou um dado preocupante em um trecho da BR-050, próximo a Uberaba (MG).

Segundo a concessionária responsável pela rodovia, aproximadamente 1,5 mil veículos ultrapassaram o limite de velocidade ao passar por um dos radares no primeiro semestre de 2026.

No entanto, quando se analisou a velocidade média entre dois equipamentos instalados a cerca de 11 quilômetros de distância, o número de ocorrências foi 66 vezes maior.

Os dados indicam que muitos motoristas diminuem a velocidade apenas nos locais onde sabem que existe fiscalização eletrônica, retomando velocidades superiores ao limite logo em seguida.

Além da BR-050, a tecnologia também passou a ser utilizada para monitoramento em trechos da Ponte Rio-Niterói, principalmente durante o período noturno.

Por que esse sistema ainda não gera multas?

Atualmente, a legislação brasileira não permite que se use a velocidade média para autuar motoristas.

Pelas regras em vigor,deve-se constatar a infração por excesso de velocidade por equipamento medidor no momento da passagem do veículo.

Isso significa que, embora o sistema consiga demonstrar que um motorista percorreu determinado trecho acima da velocidade permitida, essa informação ainda não possui validade para aplicação de penalidades administrativas.

No Congresso Nacional, entretanto, já existem propostas que discutem a possibilidade de alterar essa realidade.

Outros países já utilizam esse modelo

A fiscalização por velocidade média está longe de ser uma novidade no cenário internacional. Países europeus utilizam esse tipo de tecnologia há vários anos, especialmente em trechos com elevado índice de acidentes, túneis e rodovias onde se busca incentivar o respeito contínuo aos limites de velocidade.

Nesses locais, o objetivo não é fazer o motorista frear apenas diante de um radar, mas estimular uma condução segura durante todo o percurso.

O foco é mudar o comportamento, não apenas aplicar multas

O estudo realizado na BR-050 reforça uma constatação antiga dos especialistas em segurança viária: a simples presença de um radar costuma provocar uma redução momentânea da velocidade, mas nem sempre modifica o comportamento do motorista ao longo da viagem.

A proposta da fiscalização por velocidade média parte justamente da lógica inversa. Em vez de avaliar apenas um ponto da rodovia, busca incentivar o respeito permanente aos limites estabelecidos para aquele trecho.

Independentemente de uma futura mudança na legislação, a discussão reforça um aspecto importante da segurança viária: reduzir a velocidade apenas diante do radar não torna a viagem mais segura. O que efetivamente reduz o risco de sinistros é manter uma velocidade compatível com as condições da via durante todo o percurso.

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Carro com limitador de velocidade? Entenda a proposta em discussão na Europa

ter, 04/08/2026 - 08:15
Não há qualquer proposta semelhante em discussão no Brasil neste momento. Foto: criação de IA

Um carro que decide, sozinho, qual a velocidade máxima permitida em cada trecho da via pode parecer cenário de ficção científica, mas essa possibilidade está sendo discutida na Europa. A Comissão Europeia avalia, ainda em caráter exploratório, uma evolução dos atuais sistemas de assistência à velocidade que poderia reduzir automaticamente a velocidade do veículo sempre que o limite da via fosse ultrapassado.

A proposta ainda não se transformou em legislação e, até o momento, não há uma decisão para tornar esse recurso obrigatório. Ainda assim, o tema tem despertado debates entre especialistas, fabricantes e motoristas sobre até que ponto a tecnologia deve interferir na condução do veículo.

Como funcionaria esse sistema?

A ideia parte de uma tecnologia que já existe em muitos veículos vendidos na Europa: o Intelligent Speed Assistance (ISA), ou Assistente Inteligente de Velocidade.

Hoje, esse sistema utiliza câmeras capazes de identificar placas de velocidade e cruza essas informações com dados do GPS e de mapas digitais. Quando o motorista ultrapassa o limite permitido, o veículo pode emitir alertas sonoros, visuais ou até oferecer resistência no acelerador. Entretanto, o condutor continua podendo acelerar caso considere necessário.

A proposta em discussão seria um passo além. Em vez de apenas alertar, o sistema passaria a reduzir automaticamente a velocidade do veículo, impedindo que ele ultrapassasse o limite estabelecido para a via. Conforme reportagens internacionais, essa possibilidade vem sendo debatida para uma eventual aplicação em veículos novos a partir de 2030, mas ainda não existe um projeto definitivo nem uma decisão oficial nesse sentido.

O sistema já existe, mas funciona de outra forma

Desde 2024, os veículos novos comercializados na União Europeia devem contar com sistemas de assistência inteligente de velocidade, conforme o Regulamento Geral de Segurança Veicular. Em julho de 2026, novas exigências de segurança também passaram a valer para veículos novos vendidos no bloco.

No modelo atualmente exigido, porém, o motorista continua tendo a palavra final. O sistema auxilia na observação dos limites de velocidade, mas não impede que o condutor acelere quando julgar necessário.

É justamente essa possibilidade de intervenção humana que diferencia a tecnologia atual da proposta que está sendo discutida.

Benefícios e desafios

A velocidade excessiva está entre os principais fatores associados aos sinistros de trânsito em todo o mundo. Por isso, tecnologias capazes de auxiliar os motoristas no cumprimento dos limites são vistas como importantes aliadas da segurança viária.

Estudos sobre os sistemas ISA indicam que eles podem contribuir para reduzir a velocidade média dos veículos e melhorar o respeito aos limites estabelecidos nas vias.

Por outro lado, um sistema que passe a controlar automaticamente a velocidade também levanta questionamentos.

Um dos principais desafios é a confiabilidade das informações utilizadas pelo veículo. Placas encobertas, sinalização inadequada, obras temporárias, mapas desatualizados e até falhas na leitura das câmeras podem levar o sistema a interpretar incorretamente o limite de velocidade da via.

Outro ponto discutido é como o veículo reagiria em situações excepcionais, nas quais o motorista precise acelerar momentaneamente para evitar um risco, como durante uma ultrapassagem ou uma manobra de emergência.

O que isso tem a ver com o Brasil?

Não há qualquer proposta semelhante em discussão no Brasil neste momento. Ainda assim, o tema merece atenção porque muitas tecnologias de assistência à condução chegam ao mercado brasileiro após serem adotadas inicialmente na Europa e em outros mercados internacionais.

Recursos como frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa, alerta de fadiga e reconhecimento de placas de trânsito já equipam diversos modelos vendidos no país, principalmente em veículos de categorias superiores.

À medida que essas tecnologias se tornam mais comuns e seus custos diminuem, a tendência é que também passem a integrar veículos mais acessíveis.

Tecnologia ajuda, mas não substitui o motorista

Conforme Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, independentemente dos avanços tecnológicos, nenhum sistema elimina a responsabilidade do condutor.

“Os assistentes eletrônicos são desenvolvidos para reduzir riscos e auxiliar na condução, mas continuam dependendo de infraestrutura adequada, sinalização correta e da atenção do motorista para funcionarem de maneira eficiente”, explica.

Enquanto a proposta europeia segue em fase de discussão, o debate reforça uma tendência observada na indústria automotiva: os veículos estão cada vez mais conectados, inteligentes e capazes de auxiliar na prevenção de sinistros.

Para Mariano, o desafio será encontrar o equilíbrio entre a automação e a autonomia do condutor, preservando tanto a segurança quanto a capacidade de decisão em situações inesperadas.

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SBOT-PR mobiliza motociclistas para pesquisa sobre o trânsito

seg, 03/08/2026 - 17:30
O objetivo é fortalecer ações de prevenção e contribuir para a redução dos acidentes de trânsito, um dos principais problemas de saúde pública do país. Foto: contact@vladispas.ro para Depositphotos

Como parte da mobilização nacional promovida pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a Regional Paraná (SBOT-PR) está incentivando motociclistas de todo o estado a participarem da Pesquisa Nacional sobre o Comportamento dos Motociclistas, iniciativa que busca reunir informações sobre hábitos, desafios e percepções de quem utiliza a motocicleta no dia a dia. O objetivo é fortalecer ações de prevenção e contribuir para a redução dos acidentes de trânsito, um dos principais problemas de saúde pública do país.

A campanha ganha ainda mais relevância diante dos números observados pelos ortopedistas brasileiros. Conforme levantamento realizado pela SBOT com especialistas que atuam no atendimento a vítimas de acidentes, 64% dos pacientes atendidos são motociclistas, enquanto 26% são passageiros e 10% pedestres. Entre os motociclistas acidentados, 34% ficam com sequelas permanentes, e 40% têm entre 20 e 29 anos, evidenciando o impacto dos acidentes justamente sobre a população economicamente ativa.

Conforme o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Paraná (SBOT-PR), Dr. Thiago Sampaio Busato, a participação dos motociclistas é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a realidade do trânsito e orientar futuras ações de prevenção.

“A SBOT Nacional desenvolveu essa pesquisa para compreender melhor o comportamento dos motociclistas e subsidiar campanhas cada vez mais efetivas. Como Regional Paraná, estamos mobilizando os condutores do nosso estado para que participem dessa iniciativa. Quanto maior a participação, mais representativo será o diagnóstico e maior será nossa capacidade de contribuir com estratégias voltadas à segurança no trânsito e à redução dos acidentes”, destaca.

O público-alvo da pesquisa são motociclistas de todo o país.

A SBOT-PR também convida centrais de distribuição, empresas de entregas, associações, sindicatos da categoria, motofretistas, mototaxistas, assim como demais instituições ligadas ao setor a compartilharem o questionário e ampliarem o alcance da campanha.

É possível responder a pesquisa até o dia 14 de agosto, por meio do link: bit.ly/motoparana.

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PRF multa 280 motoristas todos os dias por descumprir Lei do Descanso 

seg, 03/08/2026 - 13:30
PRF durante fiscalização em rodovia federal. Foto: Divulgação PRF

Nos primeiros seis meses de 2026, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) autuou 50.484 motoristas por descumprimento à Lei do Descanso nas rodovias federais brasileiras. O número caiu 12,5% frente aos 57.738 flagrantes do mesmo período de 2025, mas a aparente melhora engana. Conforme dados da PRF, a fiscalização recuou de forma ainda mais expressiva: os comandos operacionais passaram de 18.276 para 14.778, uma retração de 19,14%. 

“Quando se cruza o volume de multas com o de operações realizadas, vemos que a taxa de autuação por comando subiu de 3,16 para 3,42 infrações por abordagem. Ou seja, a cada vez que a PRF vai a campo, encontra mais motoristas dirigindo além do limite legal de horas ao volante”, observa Adalgisa Lopes, especialista em segurança viária e presidente da Actrans.

Por dia, quase 280 motoristas foram autuados por violação à Lei do Descanso nas rodovias federais do país.

Parte do problema está na falta de infraestrutura para que os caminhoneiros descansem. São apenas 139 Pontos de Parada e Descanso certificados em todo o território nacional, distribuídos em 22 estados e ao longo de 37 rodovias, para uma malha rodoviária federal de 75,8 mil quilômetros, segundo dados da PRF. Há vastos trechos onde o motorista simplesmente não encontra um lugar seguro para estacionar e dormir. Quando a escolha é entre parar no acostamento de uma rodovia escura e deserta, sob risco de roubo, ou seguir adiante custe o que custar, muitos condutores preferem arriscar a própria vida e a de terceiros a perder a carga ou o prazo de entrega.

Para Adalgisa, o problema assume contornos ainda mais graves quando se olha para o tipo de veículo envolvido. Caminhoneiros conduzem máquinas com mais de seis toneladas. Motoristas de ônibus carregam dezenas de vidas em uma única viagem. Quando um condutor exausto perde o controle de um desses veículos, a energia liberada no impacto é proporcional ao tamanho e peso do veículo. 

“90% dos acidentes de trânsito têm causas em fatores humanos, e a fadiga figura entre os principais gatilhos dessas falhas. O cansaço é o organismo dizendo que seus sistemas estão entrando em colapso. Ele destrói a capacidade de julgamento e afeta o córtex pré-frontal, responsável pela avaliação de riscos e pela tomada de decisões”, afirma. “O motorista perde a noção do próprio limite, acredita que aguenta mais uma hora quando suas funções cognitivas já estão severamente degradadas. A percepção de risco fica distorcida, a tolerância à frustração diminui, e surgem irritabilidade e impulsividade. Isso aumenta consideravelmente o risco de acidentes.”

Impacto da restrição de sono 

Giovana Varonni, especialista em Psicologia do Trânsito da Actrans, detalha o que acontece na mente de um condutor privado de sono. Segundo ela, permanecer acordado por 19 horas seguidas gera uma degradação do desempenho psicomotor equivalente a uma alcoolemia de 0,05%. Vinte e quatro horas sem dormir equivalem a 0,10%, patamar que configura crime de trânsito no Brasil.

De acordo com o especialista, o cérebro exausto ativa mecanismos de defesa involuntários, como o microssono, que dura de um a cinco segundos. Nesse intervalo, o motorista pode estar de olhos abertos, mas está clinicamente dormindo. A 80 quilômetros por hora, quatro segundos de microssono significam quase 90 metros percorridos sem nenhum controle do veículo.

Varonni descreve também o fenômeno da hipnose da estrada: a condução prolongada em pistas monótonas induz a um estado de dissociação em que o motorista executa os movimentos de forma automática, mas a mente está desconectada do ambiente. O resultado é a chamada cegueira por desatenção, em que o condutor olha para a pista, mas o cérebro não processa o que está à sua frente.

Retrato nacional

Os três estados com maior número de autuações no primeiro semestre de 2026 refletem a geografia da pressão logística brasileira. A Bahia lidera com 5.049 infrações, seguida por Minas Gerais com 4.256 e Mato Grosso com 4.183. Bahia e Minas são estados de trânsito obrigatório que conectam as regiões Sul e Sudeste ao Nordeste, com rodovias de pista simples, relevo sinuoso e longas distâncias que desgastam fisicamente o condutor. Mato Grosso registrou o único aumento entre os três estados, com as autuações crescendo 8,34% em relação ao mesmo período de 2025. Como principal polo do agronegócio, o estado vive uma pressão sazonal intensa durante o escoamento de safras, com prazos de entrega que empurram os motoristas para além dos limites legais de jornada.

O que prevê a Lei do Descanso

A Lei nº 13.103, conhecida como Lei do Descanso, estabelece que a cada cinco horas e meia seguidas ao volante o motorista profissional deve fazer uma parada de 30 minutos, além de uma parada obrigatória de uma hora para alimentação durante a jornada. A cada 24 horas, o condutor precisa descansar 11 horas e apenas oito horas podem ser ininterruptas na direção. Entre duas viagens, há um intervalo diário mínimo de 11 horas, que pode ser adiado apenas se ficar demonstrado que o motorista estava buscando alcançar um local que oferecesse segurança e atendimento adequado.

O controle desse tempo é responsabilidade do próprio motorista, que deve registrar as informações em um diário de bordo quando o veículo não dispuser de um registrador mecânico ou eletrônico. A lei se aplica tanto a motoristas de caminhões quanto a condutores de ônibus, e tem como objetivo garantir que se intercale o tempo de direção com períodos adequados de repouso, protegendo a saúde do condutor e a segurança nas rodovias.

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7 situações em que a prova prática da CNH pode nem começar

seg, 03/08/2026 - 08:15
Examinador verifica se candidato, veículo e condições de segurança atendem aos requisitos para o início da prova prática da CNH. Foto: criação de IA

Quem está se preparando para conquistar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) costuma concentrar os estudos nas manobras e nas regras de circulação. No entanto, um detalhe pouco conhecido pode colocar tudo a perder antes mesmo de o veículo sair do lugar: em algumas situações, a prova prática simplesmente não pode começar.

O novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), elaborado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), padroniza os exames práticos em todo o país e estabelece uma série de requisitos que precisam ser cumpridos pelo candidato, pelo veículo e até pelas condições climáticas para que a avaliação seja realizada com segurança. O objetivo é tornar o processo mais uniforme, transparente e alinhado à realidade do trânsito brasileiro.

As mudanças fazem parte da Resolução Contran nº 1.020/2025, considerada uma das maiores reformas no processo de habilitação dos últimos anos. Ao mesmo tempo em que o novo modelo de exame busca aproximar a avaliação da realidade do trânsito, a norma flexibilizou significativamente a formação de condutores ao reduzir a carga horária mínima obrigatória de aulas práticas, que passou de 20 horas/aula para apenas duas horas/aula antes da realização da prova, desde que cumpridos os demais requisitos previstos na regulamentação.

Para vários especialistas em segurança viária ouvidos pelo Portal do Trânsito, essa mudança gera preocupação, já que competências como percepção de riscos, direção defensiva e tomada de decisões seguras costumam ser desenvolvidas ao longo de um processo de aprendizagem mais amplo, e não apenas durante a preparação para o exame.

Antes mesmo de demonstrar suas habilidades ao volante, portanto, o candidato precisa cumprir uma série de exigências previstas no MBEDV. Confira sete situações em que a prova prática pode nem começar.

1. Comparecer usando chinelo ou outro calçado inadequado

    O manual determina que o candidato deve utilizar calçados que fiquem firmemente presos aos pés e permitam o acionamento seguro dos pedais. O uso de chinelos ou outros calçados inadequados impede a realização da prova prática.

    2. Esquecer os óculos, aparelho auditivo ou outro dispositivo obrigatório

      Quem possui restrição registrada no exame de aptidão física e mental deve utilizar os dispositivos indicados, como lentes corretivas, aparelho auditivo ou próteses. Sem eles, o exame não poderá ser iniciado.

      3. Apresentar sinais de embriaguez ou uso de substâncias psicoativas

        O candidato deve estar em plenas condições físicas e mentais para dirigir. Caso haja indícios de consumo de álcool ou outras substâncias que comprometam a condução, a avaliação não será realizada.

        4. Não apresentar condições emocionais para realizar a prova

          É natural sentir ansiedade antes do exame. No entanto, quando o nervosismo evolui para uma instabilidade emocional evidente ou um comportamento incompatível com a realização da avaliação, o MBEDV prevê que o exame seja suspenso ou nem mesmo iniciado.

          5. O veículo não oferecer condições de segurança

            O veículo utilizado na prova também precisa atender aos requisitos previstos na legislação. Problemas em itens como sistema de freios, pneus, iluminação ou documentação podem impedir a realização do exame.

            6. O veículo não ter combustível ou autonomia suficiente

              Um detalhe que passa despercebido por muitos candidatos: o veículo precisa ter combustível — ou autonomia, no caso dos elétricos — suficiente para realizar todo o percurso previsto para o exame. Caso contrário, a avaliação não poderá começar.

              7. Chuva intensa ou outras condições climáticas colocarem a segurança em risco

                Se houver chuva forte, granizo, enchentes, ventos intensos ou qualquer condição climática que comprometa a condução segura, cabe ao examinador decidir pelo adiamento da prova prática.

                E se a prova já tiver começado?

                O MBEDV também prevê situações em que o exame pode ser interrompido antes do fim do percurso. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o candidato demonstra incapacidade técnica para continuar dirigindo com segurança, apresenta instabilidade emocional durante a avaliação ou pratica alguma conduta que leve à eliminação imediata. Nesses casos, o exame é encerrado e o motivo da interrupção deve ser registrado formalmente pela comissão examinadora.

                Mais do que chegar ao exame, é preciso estar preparado

                Para o especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, Celso Mariano, o novo manual traz um avanço importante ao aproximar a prova prática das situações que o futuro condutor encontrará no dia a dia. No entanto, ele alerta que isso torna ainda mais necessária uma formação consistente.

                “Quanto mais o exame busca avaliar situações reais do trânsito, mais evidente fica que o candidato precisa chegar preparado. Não basta decorar um percurso ou aprender apenas o necessário para passar na prova. É preciso desenvolver competências que serão utilizadas durante toda a vida como condutor”, afirma.

                Conforme Mariano, essa discussão ganha ainda mais relevância após as mudanças promovidas pela Resolução Contran nº 1.020/2025.

                “A habilitação deveria ser o resultado de um processo de formação, e não apenas uma etapa burocrática. A redução da carga horária mínima obrigatória aumenta a responsabilidade do próprio candidato em buscar uma formação mais completa. A autoescola continua sendo o ambiente mais adequado para desenvolver percepção de riscos, direção defensiva e comportamento seguro no trânsito”, destaca.

                Na avaliação do especialista, o verdadeiro desafio não é apenas conseguir iniciar ou concluir a prova prática, mas sair dela preparado para enfrentar as situações que encontrará quando estiver sozinho ao volante.

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                Quando enxergar o outro se torna urgente

                dom, 02/08/2026 - 17:00
                Humanizar o trânsito exige empatia, educação e visão coletiva. Foto: criação de IA

                Por Rafael Lourenço*

                O Brasil vive um paradoxo sobre duas rodas. Ao mesmo tempo em que a motocicleta se consolida como ferramenta de mobilidade, trabalho e acesso à renda para milhões de brasileiros, crescem também os sinistros envolvendo motociclistas. 

                Segundo dados da Fenabrave, a previsão é que sejam comercializadas 2,4 milhões de motos em 2026, um aumento de 10% em relação a 2025. Esse volume deve se somar às mais de 37 milhões de motocicletas e motonetas em circulação no País, refletindo uma transformação importante na mobilidade urbana brasileira. 

                Se, por um lado, esse crescimento representa acesso, praticidade e oportunidade de geração de renda, por outro também acende um alerta.

                As ocorrências envolvendo motociclistas nas cidades vêm aumentando de forma preocupante. Em São Paulo, por exemplo, os sinistros com motos cresceram quase 20% em 2024 na comparação com 2023, segundo dados do Infosiga. 

                A combinação de diversos fatores como jornadas extensas, trânsito intenso e a falta de infraestrutura adequada criam um ambiente de risco constante. Em muitas cidades brasileiras, o motociclista passou a ocupar um papel central na dinâmica urbana, mas ainda segue invisível em boa parte das discussões sobre mobilidade e segurança viária. Não por acaso, o tema do Maio Amarelo do Observatório Nacional de Segurança Viária neste ano foi: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.” E talvez neste momento o maior desafio esteja justamente em ampliar o significado desse “enxergar”. 

                Enxergar o outro no trânsito é compreender que todos compartilham o mesmo espaço urbano — motociclistas, motoristas, ciclistas e pedestres — e que a segurança depende da forma como cada um se relaciona com o outro nas ruas.

                Os sinistros não acontecem por acaso. Eles são resultado de uma combinação de fatores. Há espaço para melhoria em diversas frentes como redução da velocidade de pilotagem, infraestrutura, formação do motociclista, imprudência dos condutores e na consistência das políticas públicas. 

                Esse esforço de conscientização também ganha força com iniciativas voltadas especificamente à proteção dos motociclistas.

                A Semana Nacional de Prevenção a Acidentes com Motociclistas busca conscientizar a sociedade sobre os riscos e a importância da segurança no trânsito para quem utiliza motocicletas. Realizada anualmente em julho, a iniciativa reforça a necessidade de manter o tema em evidência e estimular ações permanentes de prevenção e educação no trânsito. Por isso, empresas do setor, poder público, fabricantes, empregadores e condutores precisam assumir uma responsabilidade conjunta nessa transformação. Segurança viária não pode se resumir a ações em campanhas pontuais. Precisa ser um compromisso contínuo, sustentado por educação, conscientização, investimento e planejamento urbano. 

                Na Yamaha, entendemos a segurança viária dessa forma. Investimos em iniciativas permanentes de conscientização, cursos de pilotagem, treinamentos para mulheres, palestras educativas e ações voltadas à proteção de colaboradores que utilizam motocicletas diariamente. Neste ano, por exemplo, iniciamos a entrega de kits de segurança para funcionários da fábrica em Manaus e ampliamos as ações de treinamento do Yamaha Riding Academy em diferentes regiões do País. Mas é importante reconhecer que ainda estamos longe do ideal. Nenhuma empresa, sozinha, conseguirá mudar esse cenário. 

                A boa notícia é que a tecnologia começa a abrir caminhos promissores. O mercado vem avançando no desenvolvimento de sistemas de frenagem ABS mais inteligentes, controle de tração, sensores de ponto cego, iluminação adaptativa e estudos com inteligência artificial voltados à prevenção de colisões. Ainda assim, tecnologia sem consciência não basta. 

                Humanizar o trânsito exige empatia, educação e visão coletiva. Exige enxergar o motociclista não como estatística ou obstáculo, mas como alguém que compartilha o mesmo espaço urbano que nós, que sustenta uma família e que quer voltar para casa em segurança. 

                *Rafael Lourenço é gerente de Relações Institucionais da Yamaha Brasil

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                Programa Despoluir ultrapassa 5,3 milhões de avaliações ambientais em veículos a diesel

                dom, 02/08/2026 - 13:30
                O Despoluir disponibiliza, sem custos para os empresários do transporte, serviços técnicos especializados que contribuem para a melhoria do desempenho ambiental e operacional das frotas. Foto: Virrage Images para Depositphotos

                O Programa Despoluir, iniciativa do Sistema Transporte voltada à redução das emissões de poluentes do transporte rodoviário, ultrapassou a marca de 5,3 milhões de avaliações ambientais realizadas em veículos movidos a diesel em todo o Brasil. O número coincide com os 19 anos de atuação do programa, criado em 18 de julho de 2007, e evidencia a dimensão do monitoramento ambiental realizado junto à frota de caminhões e ônibus do país.

                Ao longo de quase duas décadas, o programa ampliou sua atuação e passou a combinar avaliações ambientais, orientação técnica aos transportadores e o uso de inteligência de dados para apoiar decisões das empresas e contribuir com políticas públicas voltadas à sustentabilidade do transporte.

                Monitoramento ambiental alcança todo o país

                Criado para reduzir as emissões atmosféricas dos veículos pesados, o Despoluir se consolidou como um dos principais programas de monitoramento ambiental do setor de transporte rodoviário.

                Atualmente, a iniciativa está presente em todos os estados brasileiros por meio de uma rede formada por 24 federações do transporte e 115 unidades de atendimento. As equipes realizam os serviços diretamente em empresas transportadoras, terminais de carga e rodovias, facilitando o acesso dos transportadores às avaliações técnicas.

                Somente em 2025, o programa realizou 434,2 mil avaliações ambientais em mais de 232 mil veículos movidos a diesel. Nesse período, foram atendidos 12.208 transportadores, entre empresas e caminhoneiros autônomos.

                Desde sua criação, o Despoluir já prestou atendimento a mais de 27 mil empresas transportadoras e 28 mil transportadores autônomos em todo o país.

                Avaliações ajudam a reduzir emissões e melhorar a eficiência

                Entre os principais serviços oferecidos gratuitamente está a Avaliação Veicular Ambiental (AVA), que mede a emissão de poluentes dos veículos a diesel por meio de equipamentos específicos.

                Além de identificar possíveis irregularidades na combustão, a avaliação orienta os transportadores sobre ajustes que podem contribuir para reduzir a emissão de poluentes. E, assim, melhorar a eficiência energética dos veículos e diminuir o consumo de combustível.

                O programa também realiza a Avaliação da Qualidade do Diesel (AQD), que verifica se o combustível utilizado atende aos padrões previstos na legislação. A análise permite identificar contaminações que podem provocar falhas mecânicas e contribuir para o aumento das emissões.

                Desde a implementação do serviço, o Despoluir já analisou 3.705 amostras de diesel. Desse total, 86% correspondiam ao diesel S-10, combustível com menor teor de enxofre e menor impacto ambiental.

                Orientação técnica beneficia empresas e caminhoneiros

                Além do monitoramento das emissões, o programa utiliza os resultados das avaliações para orientar ações corretivas e incentivar a manutenção preventiva das frotas.

                Conforme o Sistema Transporte, essas medidas contribuem para melhorar a eficiência operacional dos veículos. Além disso, reduzir gastos com combustível e estimular boas práticas ambientais entre empresas transportadoras e caminhoneiros autônomos.

                O objetivo é combinar ganhos econômicos para os transportadores com benefícios ambientais, por meio da redução das emissões e do incentivo ao uso de combustíveis mais limpos.

                Dados passam a apoiar decisões e políticas públicas

                Após reunir milhões de avaliações ao longo de 19 anos, o Despoluir entra em uma nova etapa. Agora, voltada ao aproveitamento das informações produzidas durante esse período.

                O programa está investindo na integração de sistemas, digitalização de processos, automação de análises e ampliação do uso de ferramentas de Business Intelligence (BI). O objetivo é transformar a base de dados em inteligência para empresas, entidades do setor e gestores públicos.

                De acordo com a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, esse é um dos principais avanços da iniciativa.

                “Ao longo de 19 anos, o Despoluir construiu uma base técnica única sobre a operação da frota pesada brasileira. Hoje, essas informações vão além do monitoramento ambiental. Elas apoiam estudos da CNT, ampliam o conhecimento sobre o comportamento dos veículos em circulação e ajudam empresas e gestores a tomar decisões mais eficientes”, explica.

                Segundo Nicole Goulart, a modernização tecnológica permitirá ampliar a contribuição do programa para a competitividade e a sustentabilidade do transporte rodoviário. “Queremos transformar milhões de dados produzidos ao longo desses anos em conhecimento que contribua para uma gestão mais eficiente das frotas. Além disso, para a formulação de políticas públicas e para o avanço da agenda de sustentabilidade do transporte.”

                Entre as iniciativas previstas para essa nova fase estão a integração das bases de dados, o fortalecimento do uso de ferramentas de BI, a automação de processos e o desenvolvimento de novas soluções digitais para ampliar o aproveitamento das informações obtidas nas avaliações ambientais.

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