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Regularização de multas evita transtornos e garante circulação segura
Com a proximidade do período de licenciamento anual nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e a intensificação das ações de fiscalização em todo o país, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) alerta que a falta de regularização de multas e outros débitos veiculares pode gerar consequências imediatas previstas em lei, afetando diretamente o direito de circulação dos condutores.
Entre as principais implicações estão o impedimento do licenciamento anual, a retenção ou apreensão do veículo em fiscalizações, a inscrição do débito em Dívida Ativa da União, além de restrições de crédito e inclusão no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (CADIN), conforme estabelece a Lei nº 10.522/2002. Essas medidas podem dificultar o acesso do cidadão a serviços, benefícios e contratos com a Administração Pública.
Sem o licenciamento em dia, o veículo fica impedido de circular regularmente, aumentando o risco de autuação e apreensão em blitzes realizadas pelo DNIT, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelos Detrans, especialmente em períodos de fiscalização reforçada.
Inadimplência e impacto financeiroLevantamento do DNIT aponta um quadro expressivo de inadimplência por Unidade da Federação, com 3.943.486 multas não pagas, que somam aproximadamente R$ 793,1 milhões em valores em aberto. Os estados com maior volume de débitos concentram parcela significativa das infrações e dos recursos não arrecadados.
Esses valores, quando devidamente arrecadados, são legalmente vinculados a ações de segurança viária, como investimentos em engenharia de tráfego, sinalização, fiscalização e educação para o trânsito, fundamentais para a prevenção de sinistros e a preservação de vidas nas rodovias federais.
Fiscalização e multas como instrumentos de proteção à vidaPara o coordenador de Multas e Educação para o Trânsito do DNIT, Julio Pellizzon, a fiscalização e a aplicação de multas devem ser compreendidas como ferramentas de segurança, e não apenas como medidas punitivas.
“A fiscalização e as multas fazem parte do tripé da segurança viária, ao lado da engenharia e da educação para o trânsito. Elas existem para coibir comportamentos de risco, induzir condutas mais seguras e contribuir diretamente para a preservação de vidas nas rodovias. O objetivo principal é proteger as pessoas”, destaca Pellizzon.
Dívida Ativa e reflexos no CPF e CNPJApós o vencimento do prazo legal para pagamento, as multas podem ser inscritas em Dívida Ativa, com acréscimo de encargos que elevam o valor devido e podem resultar em protestos cartoriais e ações judiciais.
Nessa situação, o CPF ou o CNPJ do devedor pode constar em cadastros mantidos pela administração pública. E, nos termos da Lei nº 12.414/2011, as informações podem ser compartilhadas com entidades de proteção ao crédito, impactando o score e a análise de risco para financiamentos e outras operações financeiras.
Regularização digital, simples e acessívelCom o objetivo de facilitar a quitação dos débitos, o DNIT disponibiliza um processo totalmente digital, seguro e sem necessidade de comparecimento presencial, por meio do Portal de Multas.
No portal, o cidadão pode:
- Consultar multas por CPF, CNPJ ou veículo;
- Pagar à vista via Pix ou GRU;
- Parcelar os débitos no cartão de crédito, com simulação e escolha das condições junto a empresas previamente credenciadas, de acordo com sua realidade financeira.
Como regularizar as multas:
- Acesse o portal do DNIT em https://servicos.dnit.gov.br/multas/ e faça login com a conta Gov.br;
- Clique em “Consulta de Multas”;
- Escolha a forma de consulta (Pessoa Física, Pessoa Jurídica ou Veículo);
- Verifique as infrações pendentes;
- Avance para o pagamento;
- Escolha a forma de quitação ou parcelamento disponível;
- Conclua o pagamento e aguarde a baixa automática, conforme os prazos operacionais.
Contribuintes com débitos já inscritos em Dívida Ativa têm até o fim do mês de janeiro para aderir ao programa Resolve Dívidas, da Advocacia-Geral da União (AGU). A iniciativa abrange exclusivamente créditos inscritos até novembro de 2024 e permite a regularização de forma totalmente digital.
O programa oferece descontos de até 50% e parcelamento em até 60 meses para débitos de até 60 salários mínimos, incluindo multas administrativas. A adesão está disponível para pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte, por meio do portal Resolve Dívidas AGU, com acesso via Gov.br.
Para confirmar a existência de débitos na Dívida Ativa, os interessados podem utilizar os seguintes canais e orientações:
- Portal Resolve Dívidas AGU: acessível com login Gov.br;
- Empresas: devem vincular o CNPJ à conta Gov.br, conforme instruções disponíveis em gov.br/governodigital;
- Emissão de guias: também é possível fazer diretamente pelo link https://supersapiens.agu.gov.br/divida, sem necessidade de login.
Manter os débitos em dia vai além do cumprimento de uma obrigação legal. Trata-se de uma atitude de responsabilidade social e cidadania, alinhada às diretrizes nacionais de segurança viária, que contribui para a organização do trânsito, a redução de sinistros e a preservação da vida.
Desacelere. Seu bem maior é a vida.
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São Paulo volta a registrar mais de mil mortes no trânsito e pedestres puxam alta
O trânsito da maior cidade do país fechou 2025 com um dado que interrompe a tendência de queda observada em anos anteriores e reacende o alerta sobre segurança viária. Levantamento da plataforma estadual Infosiga mostra que a capital paulista contabilizou 1.034 mortes em acidentes de trânsito ao longo do ano — cinco a mais do que em 2024, quando foram registradas 1.029 vítimas fatais.
O resultado coloca 2025 como o segundo pior ano desde o início da série histórica, iniciada em 2015. Naquele primeiro levantamento, São Paulo havia registrado 1.101 mortes. Desde então, os números oscilaram, mas nunca mais haviam ultrapassado novamente a marca de mil até agora.
A composição das vítimas também ajuda a explicar o cenário.Os motociclistas seguem como o grupo mais atingido nas ruas paulistanas. Eles representam 37% de todas as mortes registradas no ano, com predominância de homens jovens, especialmente na faixa entre 25 e 29 anos. Outro dado preocupante revelado pelo Infosiga é o dia da semana com maior concentração de ocorrências fatais: os domingos lideram, sobretudo em vias urbanas.
Embora o total de mortes envolvendo motos tenha apresentado uma pequena redução — de 481 em 2024 para 475 em 2025, queda de apenas 1% — o impacto desse grupo ainda é decisivo nas estatísticas gerais, reforçando a vulnerabilidade dos condutores de duas rodas no ambiente urbano.
Mas o crescimento mais expressivo não veio das motos.Os pedestres foram os que mais perderam espaço na segurança das ruas. O número de atropelamentos fatais saltou 10% em apenas um ano, passando de 372 mortes em 2024 para 410 em 2025. Na prática, isso significa que quatro em cada dez vítimas fatais no trânsito paulistano são pessoas que sequer estavam conduzindo veículos.
Especialistas em mobilidade costumam apontar que esse tipo de avanço nos atropelamentos está diretamente relacionado a fatores como excesso de velocidade em áreas urbanas, travessias inseguras, iluminação deficiente e aumento da circulação de motocicletas e veículos em corredores de grande fluxo. A combinação desses elementos transforma o pedestre no elo mais frágil do sistema viário.
Em contrapartida, outras categorias apresentaram retração.As mortes em acidentes com carros caíram de forma significativa: foram 85 óbitos em 2025, contra 100 no ano anterior, redução de 15%. Já entre ciclistas, a queda foi ainda maior, chegando a 20%, com os registros passando de 44 para 35 vítimas fatais.
Apesar dessas reduções, elas não foram suficientes para compensar o avanço dos atropelamentos e o peso ainda elevado das ocorrências envolvendo motocicletas. O resultado final é um retrato duro da capital: mais mortes, mais vulnerabilidade dos usuários não motorizados e uma estagnação na redução dos acidentes com motos.
Dados oficiais de registros de ocorrências alimentam o Infosiga que monitora os sinistros com vítimas fatais em todo o estado de São Paulo. Na capital, os números servem como um termômetro importante das políticas públicas de trânsito e revelam que, mesmo com campanhas educativas e fiscalização, a cidade ainda enfrenta desafios estruturais para proteger quem circula a pé e em veículos de menor proteção.
O avanço das mortes de pedestres em 2025 reforça uma constatação recorrente: a violência no trânsito urbano não se limita aos motoristas imprudentes, mas também reflete falhas no desenho das vias, na gestão da mobilidade e na prioridade dada aos modos mais seguros de deslocamento.
Enquanto motos seguem dominando as estatísticas e atropelamentos crescem, São Paulo volta a conviver com um patamar de mortes semelhante ao de uma década atrás. Ou seja, um sinal claro de que o trânsito da capital ainda está longe de ser seguro para todos.
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Bicicletas elétricas crescem mais de 80% e lideram retomada da indústria no Brasil
A indústria brasileira de bicicletas encerrou 2025 com um sinal claro de recuperação puxado por um protagonista cada vez mais presente nas ruas e nas estatísticas: as bicicletas elétricas. Dados da Abraciclo mostram que a produção no Polo Industrial de Manaus (PIM) chegou a 335.560 unidades no ano passado, acima das projeções iniciais. Para 2026, a expectativa do setor é atingir 350 mil bicicletas fabricadas, crescimento de 4,3%.
Dentro desse movimento, as e-bikes deixaram de ser apenas uma categoria em expansão e passaram a ocupar posição estratégica na transformação do mercado nacional.
Somente em dezembro de 2025, a produção de bicicletas elétricas — incluindo modelos urbanos, e-MTB, híbridos e dobráveis — registrou alta de 80,5% na comparação com dezembro de 2024. Mesmo sendo um mês tradicionalmente impactado por parada industrial programada, o segmento ampliou sua participação e respondeu por 40,2% de toda a produção do período. No mesmo mês do ano anterior, essa fatia era de 23,1%.
O avanço revela uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Se antes a maior parte das vendas estava concentrada em bicicletas recreativas e esportivas, agora cresce de forma acelerada a busca por alternativas de mobilidade mais eficientes, econômicas e sustentáveis — sobretudo nos grandes centros urbanos, que concentram mais da metade da distribuição das bicicletas produzidas no PIM.
Para David Peterle, CEO da Oggi Bikes, esse crescimento representa uma virada estrutural no setor.
“O crescimento das e-bikes não é pontual, é uma tendência estrutural. O consumidor brasileiro está mais atento à mobilidade urbana, ao custo de deslocamento e à eficiência energética. A bicicleta elétrica deixa de ser um produto de nicho e passa a ocupar um espaço central no mercado”, afirma.
Crescimento com escala e valor agregadoEmbora outras categorias também tenham apresentado avanço expressivo — como os modelos urbanos e de lazer, que cresceram 285% em dezembro na base anual — as bicicletas elétricas se destacam por unir dois fatores decisivos: crescimento consistente e maior valor agregado.
Com ticket médio superior e forte conteúdo tecnológico, as e-bikes vêm atraindo públicos que tradicionalmente não utilizavam a bicicleta como meio de transporte diário.
“A e-bike tem um ticket médio superior, maior conteúdo tecnológico e dialoga com novos públicos, incluindo usuários que antes não consideravam a bicicleta como meio de transporte”, explica Peterle.
Esse reposicionamento impacta diretamente toda a cadeia produtiva. A fabricação de bicicletas elétricas exige maior integração tecnológica, investimentos em engenharia e qualificação da mão de obra, além de adaptação às normas de segurança e regulamentação específicas.
Brasil ganha força no cenário globalO desempenho das e-bikes também reforça a relevância do Brasil no mercado mundial. O país já ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de bicicletas do planeta, com mais de 70 milhões de unidades em circulação. Agora, vê no segmento elétrico uma oportunidade concreta de ampliar competitividade e inovação industrial.
Segundo a Oggi Bikes, o avanço das elétricas não se resume ao volume de produção, mas representa uma evolução tecnológica inevitável para o setor.
“Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor. A bicicleta elétrica demanda integração entre áreas, avanço tecnológico, além de atenção à legislação e à segurança. Esse é um caminho sem volta para o setor”, completa Peterle.
Com consumidores cada vez mais atentos a soluções sustentáveis e cidades pressionadas por alternativas ao transporte motorizado, as bicicletas elétricas consolidam-se como um dos principais motores de crescimento da mobilidade urbana no Brasil. Além disso, como peça-chave na nova fase da indústria nacional.
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Campanha em Curitiba usa moto feita com peças de 12 veículos para alertar sobre mortes no trânsito
A Prefeitura de Curitiba lançou ontem (15/01) uma campanha educativa de forte impacto visual e emocional para chamar atenção aos riscos enfrentados por motociclistas no trânsito urbano. Batizada de “A Moto Mais Mortal do Mundo”, a iniciativa tem como símbolo uma motocicleta construída com peças de outras 12 motos envolvidas em acidentes com vítimas fatais na capital paranaense.
O lançamento ocorreu no Centro Cívico e contou com a presença do prefeito Eduardo Pimentel, além de autoridades ligadas à segurança viária e ao trânsito. A proposta é clara: usar histórias reais de perdas para sensibilizar condutores e reforçar a importância do respeito às leis e da adoção de comportamentos seguros nas ruas.
“É uma campanha importante de conscientização para quem usa a moto para o seu ganha-pão, para o lazer ou para se deslocar para o trabalho. É voltada para todos os motoristas. Nós queremos impactar e mostrar que os acidentes com moto causam traumas graves, invalidez e mortes”, afirmou o prefeito.
Conforme ele, cada peça da motocicleta exposta representa uma vida interrompida e a dor de famílias que convivem diariamente com a ausência.
Histórias reais por trás dos númerosEntre os relatos que dão rosto às estatísticas está o de Gleicy Kelli Fernandes Torres, que perdeu o pai, Esmael Torres, de 51 anos, em um acidente de moto ocorrido em julho do ano passado. Ele morreu após colidir com um carro que realizou uma conversão proibida e, na sequência, ser atropelado por outro veículo que fugiu sem prestar socorro. “Essa campanha vai prevenir muitas mortes que trazem dor para as famílias. A conscientização dos motoristas é muito importante para evitar que outras famílias passem pelo que a gente passou”, disse Gleicy, emocionada.
A campanha aposta justamente nessa aproximação com o público: mais do que números frios, são histórias reais que evidenciam as consequências da imprudência e da falta de atenção no trânsito.
Motociclistas entre os mais vulneráveisDados apresentados durante o lançamento reforçam a urgência do tema. Informações do Comitê de Dados do Programa Vida no Trânsito (PVT) indicam que 66 motociclistas morreram em Curitiba em 2024. Em 2025, esse número subiu para 91 mortes, um aumento aproximado de 38% — ainda sujeito a validação final.
Os registros do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) mostram que, em 2024, a cidade contabilizou 5.597 vítimas em acidentes envolvendo motocicletas. Embora 2025 tenha registrado leve redução no total de vítimas (5.274 até 18 de dezembro), houve aumento nos casos mais graves, com crescimento dos ferimentos com risco à vida.
“Em Curitiba são registrados, em média, 19 acidentes envolvendo motociclistas por dia. Isso gera impacto direto no sistema de saúde, com tratamentos longos e, em alguns casos, invalidez permanente”, alertou o secretário de Defesa Social e Trânsito, Rafael Vianna.
De acordo com ele, a campanha busca provocar uma reflexão coletiva: “No trânsito, um precisa cuidar do outro”.
Ações permanentes e foco na prevençãoSegundo o superintendente de Trânsito de Curitiba, Gustavo Garrett, as ações da campanha serão contínuas. “A moto é hoje o modal mais crítico em acidentes e fatalidades. Registramos uma morte de motociclista a cada cinco dias na cidade. Vamos trabalhar juntos para que nenhuma morte aconteça mais”, afirmou.
Entre as medidas práticas previstas está a distribuição de mais de 3 mil antenas corta-pipa, equipamento essencial para reduzir o risco de ferimentos causados por linhas com cerol. A primeira antena foi instalada simbolicamente na motocicleta de um servidor público durante o lançamento.
Exposição itinerante pela cidadeAlém da motocicleta montada com peças reais, a campanha conta com uma exposição itinerante composta por painéis que narram a história das 12 famílias envolvidas. A mostra ficará no hall de entrada da Prefeitura até o dia 24 de janeiro. Depois, seguirá para as dez Ruas da Cidadania e outros pontos da cidade. No domingo (18/1), as ações também estarão presentes no evento Domingo no Centro, na Rua XV de Novembro.
A iniciativa tem apoio de diversos órgãos, entre eles o Detran-PR, forças de segurança e representantes do Legislativo municipal.
Ao transformar estatísticas em histórias e dar forma concreta às consequências dos acidentes, Curitiba aposta em uma mensagem direta: a segurança no trânsito depende de escolhas individuais — e cada decisão pode salvar vidas.
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Verão nas rodovias: calor e carga elevam riscos e exigem atenção redobrada com pneus de caminhões
Com a retomada intensa do transporte rodoviário de cargas em janeiro, o verão brasileiro traz um fator adicional de risco para quem vive na estrada: o impacto das altas temperaturas sobre os pneus dos caminhões. Longas distâncias, veículos operando com carga máxima e calor excessivo formam uma combinação que pode comprometer diretamente a segurança e a eficiência das operações logísticas.
Em um cenário de maior fluxo de cargas logo após a virada do ano, especialistas alertam que a manutenção preventiva dos pneus se torna ainda mais crítica, já que eles são o principal ponto de contato entre o veículo pesado e o asfalto.
Para a Bridgestone, líder mundial em soluções para mobilidade sustentável e segura, o calor gerado pelo atrito contínuo nas rodovias pode elevar a pressão interna dos pneus e acelerar o desgaste da estrutura, aumentando significativamente o risco de falhas durante o trajeto.
“Em períodos de altas temperaturas, como o verão, o pneu já trabalha naturalmente mais aquecido. Quando isso se soma a longas distâncias, carga elevada e calibragem inadequada, o risco de superaquecimento e falhas aumenta significativamente”, explica Roberto Ayala, Gerente de Engenharia de Vendas da Bridgestone.
Pressão interna sob efeito do calorO aumento da temperatura do asfalto provoca variações diretas na pressão interna dos pneus. Quando essa mudança não é monitorada corretamente, o caminhão pode rodar com sobrepressão — elevando o risco de estouro — ou com pressão abaixo do recomendado, situação que também causa aquecimento excessivo e desgaste prematuro.
Segundo Ayala, a calibragem é um dos pontos mais sensíveis da segurança no transporte pesado.
“A calibragem correta é um dos fatores mais importantes para a segurança do caminhão. Rodar com pressão inadequada compromete a estrutura do pneu, reduz a vida útil e pode levar a situações críticas, como o estouro, especialmente quando o veículo está carregado”, alerta.
Além disso, respeitar rigorosamente a capacidade de carga indicada pelo fabricante é indispensável. O excesso de peso gera deformações internas na carcaça, eleva ainda mais a temperatura e aumenta a probabilidade de falhas estruturais.
Inspeção visual pode evitar acidentesAntes de iniciar viagens longas — comuns neste período de maior demanda logística — a verificação visual dos pneus é uma medida simples, mas essencial. Cortes, rachaduras, bolhas, desgaste irregular ou objetos presos na banda de rodagem são sinais de alerta que não podem ser ignorados.
Outro cuidado importante é o rodízio periódico dos pneus, prática que ajuda a equilibrar o desgaste entre os eixos, prolonga a vida útil do conjunto e contribui para maior estabilidade do caminhão.
Segurança e eficiência caminham juntasPneus em boas condições impactam diretamente a dirigibilidade, a eficiência da frenagem e o controle do veículo, especialmente em situações de emergência. Em meses de maior circulação de cargas, esses cuidados também ajudam a reduzir paradas inesperadas, prejuízos operacionais e acidentes nas rodovias.
“A manutenção preventiva dos pneus não deve ser encarada apenas como uma questão operacional, mas como um investimento direto em segurança. Pneus em bom estado contribuem para a estabilidade do conjunto, reduzem o risco de acidentes e ajudam a manter a operação rodando com mais previsibilidade”, reforça Ayala.
Boas práticas recomendadas para rodar no verãoA Bridgestone orienta caminhoneiros e transportadoras a adotarem uma rotina rigorosa de cuidados:
- Verificar a calibragem sempre com o pneu frio e conforme especificações do fabricante;
- Realizar inspeções visuais frequentes antes de pegar a estrada;
- Fazer o rodízio periódico para equilibrar o desgaste;
- Evitar sobrecarga e respeitar os limites de peso de cada pneu.
Essas medidas, embora simples, são decisivas para reduzir riscos em um período em que calor, carga e estrada colocam os pneus à prova todos os dias.
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Dos pits às ruas: carros com motor de F1 e o futuro 2026
A relação entre a Fórmula 1 e os carros de rua sempre foi marcada por troca de tecnologia, mas em alguns casos essa conexão foi levada ao extremo. Ao longo das últimas décadas, montadoras ousaram colocar motores derivados da F1 ou conceitos muito próximos deles em veículos pensados para circular em estradas e avenidas das grandes cidades.
O resultado dessa inovação é impressionante. Com motores potentes, foram criadas máquinas raríssimas, extremamente rápidas e, consequentemente, difíceis de serem cuidadas. Naturalmente, todas elas viraram objetos de culto entre colecionadores e entusiastas.
Esses projetos ajudam a entender não apenas o fascínio pelo desempenho máximo, mas também como a F1 funciona como laboratório para a indústria automotiva. Em um momento em que a categoria se prepara para uma grande mudança regulatória em 2026, revisitar esses carros ajuda a enxergar o caminho da inovação.
Carros de rua com “coração” de F1Ao falar de carros de rua com DNA direto da Fórmula 1, alguns nomes se destacam imediatamente. Um dos mais curiosos é o Alfa Romeo 164 ProCar, desenvolvido no fim dos anos 1980. Apesar da aparência de sedã executivo, o modelo escondia sob a carroceria um motor V10 central, derivado de um projeto da própria Alfa para competições. A ideia era disputar a Fórmula S, uma categoria que usaria carrocerias de modelos de rua, mas o campeonato nunca saiu do papel. Ainda assim, o protótipo se tornou lendário pela ousadia.
Outros exemplos seguiram caminhos semelhantes, adaptando motores de altíssimo giro, originalmente pensados para corridas, a carros homologados para uso urbano. Em todos os casos, a exclusividade foi regra. Produções limitadas, custos elevados e manutenção complexa tornaram esses modelos praticamente impossíveis de popularizar, reforçando seu status quase mítico.
O que foi adaptado do box para a rua?Transformar um motor de Fórmula 1 em algo utilizável fora das pistas exige mudanças profundas. Motores de F1 são projetados para operar em rotações altíssimas, com foco absoluto em desempenho e vida útil curta. Para o uso em carros de rua, foi necessário reduzir limites de giro, alterar deslocamento, reforçar componentes e aumentar a confiabilidade.
Além do motor em si, sistemas de arrefecimento, transmissão e eletrônica precisaram ser redesenhados. O objetivo deixou de ser vencer corridas e passou a ser permitir que o carro funcionasse em tráfego comum, enfrentando variações climáticas e não exigindo revisões a cada poucas centenas de quilômetros.
Como funciona um F1 hoje: chassi, aerodinâmica e unidade híbridaA Fórmula 1 moderna é muito diferente da era dos V10 e V12 que inspiraram projetos como o 164 ProCar. Hoje, os carros utilizam chassis de fibra de carbono extremamente leves e rígidos, aliados a uma aerodinâmica altamente sensível, capaz de gerar enormes níveis de pressão contra o solo.
No centro do projeto está a unidade de potência híbrida, formada por um motor V6 turbo e sistemas elétricos de recuperação de energia, conhecidos como ERS. Parte da energia é recuperada nas frenagens e no calor dos gases de escape, sendo utilizada para impulsionar o carro. Trata-se de um nível de eficiência que nenhum carro de rua alcança de forma tão extrema.
2026 em foco: mais energia elétrica e câmbio simplificadoA partir de 2026, a F1 passará por uma das maiores reformulações técnicas de sua história recente. As novas regras preveem maior participação da energia elétrica na entrega de potência, a eliminação do sistema MGU-H e um conjunto mecânico mais simples, incluindo caixas de câmbio com menos marchas.
Essas mudanças têm como objetivo reduzir custos, atrair novas montadoras e alinhar a categoria às demandas ambientais, sem abandonar o DNA de alta performance. Para os carros de rua, isso significa que conceitos ligados à eficiência energética, gestão de baterias e combustíveis sustentáveis devem ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.
Por que a F1 diz que elétrico não é a única saída?Apesar do avanço da eletrificação, a Fórmula 1 defende que o futuro da mobilidade não depende apenas de carros 100% elétricos. A categoria aposta fortemente em combustíveis sustentáveis, capazes de reduzir drasticamente as emissões sem exigir uma ruptura total com o motor a combustão.
Essa visão reforça o papel da F1 como vitrine tecnológica. Em vez de escolher um único caminho, a categoria busca soluções múltiplas que possam ser adaptadas à realidade de diferentes mercados e consumidores com segurança.
Da pista à estrada: o que realmente chega ao seu carroNem toda tecnologia da Fórmula 1 chega diretamente aos carros de rua, mas conceitos como eficiência, materiais leves e eletrônica avançada acabam influenciando projetos comerciais ao longo do tempo. Mesmo modelos extremos do passado ajudam a contar essa história de transferência de conhecimento.
Hoje, esse interesse se reflete também na forma como o público acompanha o automobilismo. O desempenho, as inovações técnicas e até as projeções de resultados movimentam debates e análises fora das pistas, inclusive em ambientes digitais onde bets autorizadas acompanham de perto o impacto esportivo e tecnológico da Fórmula 1. Jogue com responsabilidade.
Com a chegada do novo regulamento em 2026, a expectativa é que essa conexão entre corrida e estrada se torne ainda mais evidente. Seja em supercarros raríssimos ou em soluções aplicadas ao dia a dia, a Fórmula 1 segue moldando o futuro do automóvel e mantendo vivo o fascínio por máquinas que nasceram nos pits, mas deixaram marcas profundas também nas ruas.
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As normas menos conhecidas do CTB que surpreendem motoristas
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é extenso, detalhado e constantemente atualizado. Por isso, muitos motoristas conhecem apenas as regras mais básicas — e acabam descumprindo normas pouco divulgadas, que geram infrações, multas e até riscos à segurança. A seguir, reunimos algumas das regras menos conhecidas, mas essenciais, que ainda pegam muita gente de surpresa.
Poucos condutores sabem, por exemplo, que trafegar com o veículo desligado em descidas (popularmente chamado de “banguela”) é infração média. A prática, além de perigosa, compromete o controle do veículo e reduz a eficiência dos sistemas de frenagem e direção.
Outra regra pouco lembrada é sobre o uso da buzina.O CTB determina que sua utilização deve ser breve e realizada apenas para advertências necessárias.
Buzinar em excesso, especialmente à noite, pode caracterizar infração leve. Essa norma busca reduzir poluição sonora e conflitos urbanos.
Também surpreende muitos motoristas o fato de que dirigir com o braço para fora da janela é infração média. Embora comum nas ruas brasileiras, a prática representa risco importante em colisões laterais e atropelamentos.
Pisca-alertaOutra norma raramente divulgada é a que proíbe o uso do pisca-alerta em movimento — exceto em situações de extrema baixa visibilidade. Usar o alerta enquanto o veículo está trafegando confunde outros condutores e pode provocar sinistros. O uso correto é com o veículo parado, sinalizando emergência.
A classificação de cargas também gera confusão. Transportar objetos que ultrapassem as dimensões do veículo sem sinalização adequada é infração grave.
No transporte de crianças, por exemplo, muitas famílias ainda desconhecem detalhes da legislação. Crianças de 0 a 10 anos devem ser transportadas em equipamento adequado ao peso e idade, sempre no banco traseiro, salvo exceções previstas. Não cumprir essa regra é infração gravíssima.
Outro ponto pouco conhecido diz respeito à água jogada pela via. Motorista pode ser autuado se, ao passar por poças, molhar pedestres ou outros veículos. A justificativa é simples: além do incômodo, a manobra pode ser perigosa.
A lista inclui ainda regras como o uso obrigatório de farol baixo em túneis, mesmo durante o dia; a proibição de som alto que possa ser ouvido fora do veículo; assim como, a obrigação de manter as placas limpas e legíveis o tempo todo.
Essas normas, embora menos discutidas, têm um objetivo comum: proteger vidas. Conhecê-las evita multas, mas principalmente contribui para um trânsito mais harmonioso e seguro.
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Cadastro no RNPC: passo a passo para ter acesso à renovação automática da CNH
A renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) começou a valer no Brasil e trouxe uma mudança relevante na relação entre o motorista e o sistema de trânsito. Para ter acesso ao novo modelo — que dispensa ida ao Detran, exames presenciais e pagamento de taxas — o condutor precisa cumprir um requisito central: estar inscrito no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
Criado para valorizar motoristas sem histórico recente de infrações, o RNPC ganhou um papel muito mais relevante com a adoção da renovação automática da CNH. Na prática, quem não estiver cadastrado fica fora da nova regra, mesmo que não tenha cometido infrações.
A seguir, o Portal do Trânsito explica como se cadastrar no RNPC, quem pode participar e por que o tema exige atenção do ponto de vista da segurança viária.
O que é o Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC)O RNPC é um banco de dados nacional que reúne motoristas considerados “bons condutores”, ou seja, aqueles que não cometeram infrações de trânsito nos últimos 12 meses.
Previsto em lei e regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito, o cadastro funciona de forma voluntária e depende do consentimento expresso do motorista para que seus dados sejam consultados por órgãos públicos e empresas parceiras.
Com a entrada em vigor da renovação automática da CNH, o RNPC deixou de ser apenas um cadastro voltado a benefícios e passou a ser condição essencial para a renovação digital do documento.
Quem pode se cadastrar no RNPCPara entrar no Registro Nacional Positivo de Condutores, é necessário:
- Ter CNH válida;
- Não ter cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses;
- Não ter pontos registrados na CNH nesse período;
- Autorizar expressamente a inclusão no cadastro.
Condutores com CNH suspensa, cassada ou vencida há mais de 30 dias ficam impedidos de participar.
Veja também Carteira de Habilitação (CNH) Renovação automática da CNH entra em vigor; entenda como funcionará Carteira de Habilitação (CNH) Renovação automática da CNH é risco sanitário: quando a estatística ignora a saúde, a vida entra em perigo Carteira de Habilitação (CNH) CNH do Brasil: renovação automática da CNH, redução de taxas e dispensa do documento físico Passo a passo: como se cadastrar no RNPC Acesse a Carteira Digital de Trânsito, ou agora CNH do BrasilO cadastro é feito exclusivamente de forma digital, pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), agora chamado de CNH do Brasil, disponível para Android e iOS.
O app é gerenciado pela Secretaria Nacional de Trânsito e concentra diversos serviços relacionados à CNH e aos veículos.
Faça login com sua conta gov.brUse seu CPF e a senha cadastrada no portal gov.br. Caso ainda não tenha conta, será necessário criar uma antes de prosseguir.
Localize a opção “Cadastro Positivo de Condutores”Dentro do aplicativo, procure pela funcionalidade relacionada ao Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
Leia os termos e autorize o cadastroO sistema exibirá as regras do RNPC e solicitará o consentimento expresso para inclusão no banco de dados. Sem essa autorização, não se conclui o cadastro.
Confirme a inscriçãoApós a confirmação, o sistema faz a verificação automática do histórico do condutor. Se os critérios forem atendidos, o motorista passa a constar no RNPC.
RNPC e renovação automática da CNH: qual a relaçãoCom a nova regra, apenas motoristas que estejam cadastrados no RNPC e não tenham infrações nem pontos nos últimos 12 meses terão a CNH renovada automaticamente, de forma digital, diretamente na CNH Digital, sem necessidade de comparecimento ao Detran ou realização de exames médicos e psicológicos.
Conforme o governo, a proposta busca reduzir burocracia e custos administrativos. A estimativa oficial é que cerca de 70% dos condutores em fase de renovação possam se enquadrar no modelo.
O alerta dos especialistas: bom histórico não é sinônimo de aptidãoEmbora o cadastro no RNPC se apresente como um selo de boa conduta, especialistas em medicina e psicologia do tráfego chamam atenção para um ponto sensível: ausência de infrações não equivale, necessariamente, à aptidão para dirigir.
Doenças visuais, cardiovasculares, neurológicas, metabólicas e transtornos psicológicos podem evoluir de forma silenciosa, sem gerar qualquer registro administrativo. No entanto, elas têm impacto direto na capacidade de condução.
Ao dispensar exames periódicos, o novo modelo transfere para o histórico passado de infrações um peso que, tradicionalmente, sempre se equilibrou com avaliações médicas e psicológicas presenciais.
Entre conveniência e segurança viáriaO Registro Nacional Positivo de Condutores pode, sim, funcionar como instrumento de incentivo à boa conduta no trânsito. No entanto, sua utilização como pilar exclusivo para a renovação da CNH levanta questionamentos legítimos sobre saúde pública e prevenção de riscos.
A simplificação de processos não pode ignorar que dirigir é uma atividade que exige condições físicas, mentais e emocionais adequadas — e que essas condições não aparecem em cadastros administrativos.
O Portal do Trânsito seguirá acompanhando os impactos da renovação automática da CNH e os desdobramentos técnicos, jurídicos e sanitários dessa mudança. Isso porque ela marca uma das maiores alterações recentes no sistema de habilitação brasileiro.
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Pneus na chuva: verão 2026 traz alerta de altas temperaturas e chuva acima da média
O verão 2025/2026 no Hemisfério Sul começou em 21 de dezembro de 2025 e segue até 20 de março de 2026. Na estação deve ocorrer temperaturas acima da média histórica em grande parte do país e volumes de chuva acima do normal na região Norte e no estado do Rio Grande do Sul. Um cenário que exige muita atenção dos motoristas, especialmente com as condições dos pneus, que são decisivos para a segurança em pistas molhadas.
Conforme previsões de estudos conjuntos do INMET, Inpe e Funceme, o trimestre do verão é tradicionalmente chuvoso em boa parte do Brasil, com ocorrência frequente de tempestades severas, acompanhadas de ventos fortes, descargas elétricas e, em alguns casos, granizo. Para este verão, a tendência é de chuva acima da média em grande parte da região Norte e no Rio Grande do Sul, enquanto áreas do Nordeste, Sudeste e partes do Centro-Oeste devem registrar volumes abaixo da média climatológica.
Com pistas molhadas e menor aderência, pneus em más condições aumentam significativamente o risco de aquaplanagem e acidentes.
“O pneu é o único ponto de contato do veículo com o solo. Em situações de chuva intensa, problemas como desgaste excessivo, irregular ou deformações na estrutura comprometem seriamente a segurança”, alerta Alexandre Xavier, vice-presidente de ESG da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ).
Manter os pneus em bom estado de conservação é essencial.Desgaste irregular, abaixo do limite mínimo na profundidade dos sulcos da banda de rodagem (chamado TWI – Indicador de desgaste), bolhas, cortes ou sinais de ressecamento indicam a necessidade de substituição imediata. Além disso, é fundamental observar o prazo de validade, que geralmente é de até cinco anos a partir da data de fabricação. Mesmo pneus com pouca rodagem podem se deteriorar com o tempo. “A data de fabricação está na lateral do pneu: os dois primeiros números indicam a semana e os dois últimos, o ano (“3024” significa 30ª semana de 2024). Esse cuidado deve incluir também o estepe, que muitas vezes as pessoas esquecem, mas pode ser decisivo em uma emergência”, reforça Xavier.
Outro ponto importante é verificar se os pneus, sejam novos ou reformados, possuem o Selo de conformidade compulsório do Inmetro, que comprova que o produto passou por ensaios rigorosos de segurança e desempenho, como Eficiência Energética (consumo de combustível), Aderência em Piso Molhado (segurança na chuva, distância de frenagem) e Ruido Externo (conforto acústico). “O selo é uma garantia mínima de que aquele pneu atende aos requisitos técnicos exigidos no Brasil, afirma o vice-presidente da ABRIQ.
A regulamentação do Inmetro classifica o “Desempenho em Pista Molhada”, critério que deve se levarem conta na hora da compra. A recomendação é optar por pneus com classificação A ou B, que oferecem melhor capacidade de frenagem assim como aderência em superfícies molhadas.
Calibragem e balanceamentoAlém do estado geral dos pneus, a calibragem correta, conforme o manual do veículo, é indispensável. Pneus murchos ou excessivamente cheios perdem eficiência, desgastam mais rápido e aumentam o consumo de combustível. Também se deve verificar o balanceamento periodicamente, pois garante a distribuição uniforme do peso entre as rodas, evitando vibrações, desgaste irregular e problemas na suspensão e na direção.
“Com um verão que deve combinar calor intenso e chuvas acima da média em regiões importantes do país, manter os pneus em perfeito estado é uma das formas mais simples e eficazes de reduzir o risco de acidentes. Cuidar dos pneus é cuidar da própria vida e da vida de quem está no trânsito”, conclui Xavier, vice-presidente de ESG da ABRIQ.
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Curtidas acima da lei: quando likes viram incentivo à infração no trânsito
Os vídeos de motoristas cometendo infrações no trânsito, muitas vezes acompanhados de milhões de visualizações e curtidas, viraram um fenômeno nas redes sociais. Seja em rachas, manobras perigosas ou excesso de velocidade, a prática ganhou espaço digital e levanta um alerta: até que ponto a busca por engajamento online pode colocar vidas em risco nas ruas e estradas brasileiras?
Especialistas em segurança viária alertam que, mesmo sem previsão legal específica para punir quem divulga esse tipo de conteúdo, é possível enquadrar a prática em dispositivos já existentes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e do Código Civil. O simples fato de exibir comportamentos ilegais pode configurar apologia a infrações e, em alguns casos, gerar responsabilização administrativa, civil e até criminal.
O risco da banalizaçãoDe acordo com especialistas em trânsito, a normalização de vídeos que mostram infrações traz consequências sérias. Ao transformar em entretenimento condutas que deveriam ser coibidas, há o risco de influenciar outros motoristas, especialmente os mais jovens, a repetirem os mesmos comportamentos em busca de visibilidade.
Além disso, o incentivo à prática de infrações pela busca de curtidas cria uma cultura perigosa: a de que transgredir as regras de trânsito pode ser sinônimo de fama ou status. Esse ciclo retroalimenta a exposição de situações de risco e fragiliza os esforços de educação e conscientização no trânsito.
Tentativa de criminalização foi vetada em 2021Em 24 de fevereiro de 2021, foi publicada no Diário Oficial da União a Lei 14.304/21, que vedava a divulgação, publicação ou disseminação de registros de infrações de trânsito em redes sociais e outros meios digitais. O texto previa punições pesadas: multa de natureza gravíssima multiplicada por dez — equivalente hoje a R$ 2.934,70 —, suspensão do direito de dirigir por 12 meses e até cassação da CNH em caso de reincidência.
No entanto, o então presidente Jair Bolsonaro vetou praticamente toda a proposta. Em sua justificativa, alegou que a medida seria inconstitucional por invadir competências de órgãos estaduais e municipais de trânsito, além de violar o princípio da separação dos poderes. Bolsonaro também considerou a lei desproporcional e contrária ao interesse público, afirmando que impor multas a pessoas físicas ou jurídicas por divulgar os vídeos extrapolava as penalidades já previstas no Código de Trânsito Brasileiro.
O projeto também previa obrigar plataformas digitais e redes sociais a impedir a publicação desses conteúdos, mas essa parte também teve veto sob a justificativa de que configuraria “censura prévia”.
O que diz a legislação atualEmbora a tentativa de regulamentar a questão de forma mais direta tenha sido barrada, é possível aplicar outras normas. O CTB, por exemplo, prevê punições para quem promove ou participa de competições não autorizadas, bem como para quem dirige de maneira perigosa, gerando risco à coletividade.
Já na esfera civil, é possível responsabilizar quem compartilha conteúdo capaz de estimular condutas perigosas caso se comprove o nexo entre a divulgação e um acidente ou infração posterior. Além disso, o Marco Civil da Internet prevê mecanismos para remoção de conteúdo que viole a lei ou direitos de terceiros, o que é possível utilizar em situações desse tipo.
Na prática, isso significa que tanto os autores quanto os divulgadores desses vídeos podem ser alvos de processos judiciais, principalmente se houver indícios de que a exibição das imagens estimulou condutas que resultaram em danos.
O papel das plataformas digitaisOutro ponto em debate é a responsabilidade das plataformas digitais. Embora a lei não as obrigue a remover automaticamente vídeos desse tipo, é possível acionar redes sociais judicialmente para retirar o conteúdo. Em muitos casos, elas próprias já possuem políticas internas que proíbem a divulgação de práticas ilegais ou que incentivem comportamentos de risco.
O desafio, entretanto, está na velocidade da propagação. Mesmo quando se apaga um vídeo, muitas vezes já circulou em outros perfis e grupos, tornando difícil sua eliminação completa.
Educação e conscientização como caminhoPara Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, mais do que punir, é preciso investir em educação para o trânsito. Mostrar a gravidade de comportamentos aparentemente “inofensivos” e os riscos de transformar infrações em entretenimento pode evitar que jovens motoristas sigam influenciadores que banalizam o perigo.
“O trânsito é um espaço coletivo e exige responsabilidade. Quando alguém posta um vídeo de uma infração, está não só desrespeitando a lei, mas influenciando negativamente milhares de pessoas. A busca por curtidas não pode estar acima da preservação da vida”, reforça.
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Saúde do carro em dia: 6 dicas infalíveis para cuidar do seu motor
A manutenção preventiva de um carro é essencial para garantir segurança, desempenho e economia. Apesar disso, muitas práticas simples ainda são negligenciadas no dia a dia, o que pode comprometer o funcionamento do motor e elevar custos de manutenção. A seguir, Arley Silva, Gerente de Engenharia da Promax Bardahl apresenta orientações fundamentais para a durabilidade dos sistemas.
Abasteça com combustível de procedência confiávelCombustíveis adulterados ou de baixa qualidade podem causar falhas no sistema de injeção eletrônica como bicos injetores e válvulas e reduzir a vida útil de filtros. Sempre abasteça em postos de confiança e utilize o Bardahl Max Top, que ajuda na prevenção de depósitos e na manutenção do sistema.
Utilize aditivos na frequência corretaO uso frequente de aditivos é uma das formas mais eficazes de proteger o motor. Eles limpam o sistema, previnem o acúmulo de resíduos e otimizam o consumo de combustível. É importante seguir as orientações do fabricante do aditivo e escolher produtos específicos para cada necessidade, como o Bardahl Flex, formulados para motores a gasolina ou flex.
Mantenha atenção ao tanque de combustívelRodar com o tanque na reserva com frequência pode não só danificar a bomba de combustível, mas também aumentar as chances de contaminação por partículas e água, o que pode causar corrosão em peças do veículo e afetar seu desempenho. Em veículos híbridos, o uso intermitente do motor a combustão torna ainda mais importante evitar longos períodos com combustível envelhecido, reforça o especialista da Promax Bardahl.
Tenha atenção ao sistema de injeção e igniçãoProblemas no sistema de alimentação de combustível, bicos injetores sujos e falhas na combustão podem resultar em perda de potência e aumento do consumo. Apenas profissionais especializados devem realizar a limpeza corretiva em estágio avançado. No entanto, a utilização de produtos específicos para descarbonização do sistema, como o Bardahl Fuel Special Cleaner 6 em 1 — capaz de limpar e remover carbono de todos os componentes do sistema de alimentação, incluindo carburadores, injetores, válvulas de admissão e câmaras de combustão — representa uma alternativa mais econômica, ágil e eficiente antes da contratação de um serviço especializado.
Cuidado com o tempo de troca de óleo e filtrosDeve-se substituir o óleo lubrificante e os filtros de óleo, ar e combustível conforme o manual do veículo. Adiar essas trocas pode causar aumento de atrito, superaquecimento e desgaste interno, afirma Arley Silva, da Promax Bardahl.
Invista em revisões preventivas regularesA manutenção preventiva é a maneira mais eficiente de evitar problemas mecânicos e custos elevados. Revisões programadas garantem o bom funcionamento de todo o sistema, incluindo combustível, lubrificação e arrefecimento. Realizar as manutenções com produtos e procedimentos recomendados ajuda a prolongar a vida útil do veículo.
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Como o cérebro toma decisões ao volante: o que a neurociência revela
A forma como conduzimos um veículo vai muito além da habilidade motora. Dirigir é um processo altamente complexo que envolve atenção, memória, percepção, tomada de decisão e resposta rápida a estímulos inesperados. A neurociência tem se dedicado a compreender como o cérebro se comporta ao volante — e os resultados explicam muitos dos erros, distrações e comportamentos arriscados que observamos nas ruas.
Para começar, é importante entender que dirigir exige a integração simultânea de diferentes áreas cerebrais. O córtex pré-frontal, responsável por decisões e planejamento, atua em conjunto com o sistema límbico, que regula emoções, e com o cerebelo, responsável pela coordenação motora. Quando esses sistemas trabalham em harmonia, a condução se torna fluida. Quando há sobrecarga, a performance cai drasticamente.
Veja também Fiscalização e Legislação Afinal, cidadãos podem fiscalizar as leis de trânsito? Segurança A falsa sensação de segurança no banco de trás: por que ainda negligenciamos o cinto? Comportamento Psicóloga alerta: precisamos desacelerar não só no trânsito Um dos maiores desafios da direção moderna é a “atenção fragmentada”.Estudos recentes mostram que o cérebro humano não consegue dividir o foco entre múltiplas tarefas simultâneas. Isso significa que atividades como mexer no celular, ajustar telas multimídia ou conversar de forma intensa prejudicam o processamento das informações da via, ainda que o motorista acredite que está “no controle”.
A neurociência mostra que a atenção funciona como um holofote: ilumina apenas uma parte do cenário por vez. Quanto mais estímulos competem por esse holofote, maior o risco de perder detalhes importantes — um pedestre, uma mudança no semáforo, um carro freando à frente. Essa limitação natural explica por que a distração é hoje uma das maiores causas de sinistros no trânsito.
Outro ponto crucial é a influência das emoções. O sistema límbico, especialmente a amígdala, desempenha papel decisivo em situações de estresse. Motoristas irritados, ansiosos ou apressados tendem a assumir comportamentos mais agressivos. O cérebro, em estado de alerta, interpreta pequenos estímulos como ameaças, resultando em reações impulsivas, como acelerar, “fechar” alguém ou assumir riscos desnecessários.
A memória de trabalho — que nos ajuda a manter informações momentâneas, como a rota que estamos seguindo — também tem limitações. Em vias desconhecidas, seu esforço aumenta, o que reduz a capacidade de prever movimentos de outros usuários. Por isso, viagens em locais novos exigem ainda mais atenção e tempo de resposta.
A neurociência também reforça a importância das pausas.Estudos mostram que, após 90 minutos de atividade contínua, a capacidade de concentração começa a cair. A fadiga mental faz com que o cérebro responda mais lentamente, diminua a percepção de risco e reduza a precisão motora. Pequenos intervalos, hidratação e respiração profunda ajudam a restaurar o nível de alerta.
Por fim, os avanços tecnológicos podem ser aliados, mas também trazem armadilhas. Sistemas de assistência ao motorista (ADAS) oferecem suporte importante, porém podem gerar excesso de confiança. Quando o cérebro entende que o carro “faz tudo sozinho”, há tendência de relaxamento da atenção — e isso abre espaço para erros.
A neurociência confirma: o trânsito é um ambiente que exige foco, equilíbrio emocional e respeito aos limites cognitivos humanos. Reconhecer essas limitações é o primeiro passo para dirigir de forma mais segura e consciente.
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Os principais erros que motoristas cometem ao interpretar placas de trânsito
As placas de trânsito são parte essencial da segurança viária. Elas guiam, alertam e informam os condutores sobre riscos, condições da via e regras específicas. Ainda assim, muitos motoristas cometem erros frequentes ao interpretar alguns sinais — e isso pode gerar infrações ou situações perigosas.
Um exemplo clássico está nas placas de regulamentação. Muitos motoristas confundem a sinalização de “proibido estacionar” com “proibido parar e estacionar”. A diferença é enorme: na primeira, permite-se parar momentaneamente; na segunda, não. Essa confusão é responsável por boa parte das autuações em áreas urbanas.
Outra placa que causa dúvidas é a de “velocidade máxima permitida”. Alguns condutores acreditam que o limite é apenas uma recomendação. Outros interpretam o valor como velocidade obrigatória. O CTB é claro: trata-se do limite superior permitido, e não de um padrão obrigatório de velocidade. Em condições adversas, o motorista deve reduzir, mesmo dentro do limite.
As placas de advertência também são frequentemente ignoradas. Sinais como “curva perigosa”, “pista escorregadia” ou “animais na pista” não são decorativos: alertam sobre riscos reais. Motoristas que as ignoram reduzem seu tempo de reação e aumentam as chances de sinistro.
Placas educativas, por sua vez, são muitas vezes consideradas “menos importantes”.No entanto, elas ajudam a reforçar comportamentos seguros, como uso do cinto e respeito ao pedestre. Embora não tenham caráter punitivo, são essenciais para orientar a conduta no trânsito.
Outro erro comum acontece com as placas de indicação. Muitos motoristas não entendem corretamente a diferença entre orientação de destino e orientação de serviços. Isso prejudica a fluidez, especialmente em vias com tráfego intenso. Motoristas indecisos tendem a mudar de faixa no último momento, criando risco para todos.
A interpretação incorreta de placas temporárias também gera problemas. Em trechos de obras, sinalizações provisórias indicam novas regras, desvios e limites específicos. Ignorá-las é infração e coloca em risco trabalhadores e usuários da via.
É importante lembrar que, embora o Brasil tenha um sistema de sinalização padronizado, algumas regiões possuem placas desgastadas, cobertas ou mal posicionadas. Nesses casos, o motorista deve redobrar a atenção.
Saber interpretar corretamente as placas é mais do que cumprir a lei — é uma atitude de respeito e cuidado. Um trânsito seguro depende do entendimento e da aplicação correta das orientações fornecidas por cada sinal.
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Goiás registra queda de 11,1% no número de mortes no trânsito
O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) divulga o panorama do trânsito, com dados comparativos de 2024 e 2025, que apontam uma redução significativa no número de mortes e reforçam a efetividade das ações de fiscalização, educação e gestão da segurança viária desenvolvidas pela autarquia em parceria com diversos órgãos.
De acordo com os números consolidados, o total de acidentes de trânsito permaneceu praticamente estável no período analisado. Em 2024, houve o registro de 100.977 acidentes, enquanto em 2025 o número foi de 100.917, o que representa uma variação negativa de 0,06%. Em 2023, foram registrados 102.933 acidentes.
Mortes no trânsitoO dado mais relevante do levantamento é a redução no número de mortes. Em 2024, Goiás registrou 1.021 mortes no trânsito. Em 2025, esse número caiu para 908 vítimas fatais, uma redução de 11,1%. No ano de 2023, houve o registro de 1.084 óbitos em decorrência de sinistros de trânsito.
De acordo com o presidente do Detran-GO, Delegado Waldir, apesar de apontarem tendência de queda, os dados ainda preocupam.
“Há cerca de 15 anos, tínhamos quase duas mil mortes por ano. O número caiu pela metade, mas ainda é intolerável pensar que 908 famílias estão de luto por algo que poderia ter sido evitado se houvesse respeito às leis de trânsito.”
Em relação ao número de feridos, houve aumento de 0,43%. Em 2024, houve o registro de 101.967 feridos, contra 102.405 em 2025. O indicador reforça a necessidade de intensificar ações educativas e de conscientização, especialmente voltadas ao comportamento seguro no trânsito.
A maior parte dos acidentes são em áreas urbanas. Em 2024, 86,9% dos sinistros ocorreram em zonas urbanas e 13,1% em áreas rurais. Em 2025, os acidentes em zona urbana representaram 86% do total, enquanto a zona rural concentrou 14% das ocorrências.
Quanto ao perfil das vítimas fatais por gênero, os homens seguem sendo a maioria. Em 2024, 69% das mortes no trânsito foram de homens e 31% de mulheres. Em 2025, os homens representaram 68,1% das vítimas fatais, enquanto as mulheres corresponderam a 31,9%.
Segundo o presidente do Detran-GO, o excesso de velocidade, a combinação de álcool e direção, o uso do celular ao volante e as ultrapassagens em locais proibidos estão entre as principais causas de acidentes com vítimas.
Compromisso com a vidaPara o presidente do Detran-GO, os dados evidenciam que a redução da letalidade no trânsito é resultado da integração de ações, como fiscalização estratégica, campanhas educativas permanentes, uso de dados para planejamento e articulação com forças de segurança e órgãos de saúde.
Somente no último ano, o Detran-GO reforçou as campanhas educativas, que renderam quatro prêmios nacionais pela qualidade. Por meio da Escola Pública de Trânsito, a autarquia ampliou a quantidade de ações, cursos e palestras em escolas e empresas voltados à segurança viária.
Em parceria com a Polícia Militar, o Detran-GO intensificou a fiscalização com a criação de 21 núcleos regionais da Balada Responsável. Também investiu em infraestrutura e equipamentos de fiscalização, como bafômetros, carros, quadriciclos, motocicletas e barreiras pantográficas, fornecidas a outros órgãos autuadores.
Com o Programa Sinaliza Goiás, o Detran-GO realiza a implantação e revitalização da sinalização horizontal e vertical em áreas urbanas, contribuindo diretamente para a redução de acidentes e para a melhoria da mobilidade.
A iniciativa já beneficiou os 246 municípios goianos. Por meio de repasses à Agência Goiana de Infraestrutura (Goinfra) fomenta o recapeamento das vias urbanas.
Mini CidadeAinda com foco na proteção da vida, a autarquia inaugurou a primeira etapa da Mini Cidade, um espaço pioneiro no Brasil voltado à educação para o trânsito de crianças. O objetivo central da iniciativa é formar crianças e jovens mais conscientes e responsáveis sobre seu papel no trânsito, promovendo desde cedo a compreensão de valores como cidadania, segurança, respeito às leis e preservação da vida.
Delegado Waldir reforça que a preservação da vida no trânsito é um compromisso permanente e que os números, embora positivos, indicam a necessidade de avançar ainda mais em políticas públicas baseadas em dados, educação para o trânsito e responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade.
VeículosA análise por tipo de veículo mostra que os automóveis, motocicletas e registros classificados como ignorados concentram a maior parte das mortes no trânsito. Em 2024, das 1.021 mortes, 34,7% envolveram automóveis, 32,4% motocicletas e 32,9% foram classificadas como tipo de veículo ignorado.
Em 2025, dos 908 óbitos registrados, 30,1% envolveram motocicletas, 27,1% automóveis e 31,8% foram classificados como ignorados.
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10 lições que todo condutor precisa aprender na prática
Obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é apenas o primeiro passo na vida de um condutor. Embora a formação inicial forneça a base necessária para dirigir, a experiência diária nas ruas e rodovias traz aprendizados que não estão nos manuais. Reunimos 10 lições práticas que todo condutor deveria conhecer, para dirigir com mais segurança, confiança e consciência.
1. A lógica dos radaresSaber os limites de velocidade é essencial, mas compreender por que os radares estão posicionados em determinados pontos ajuda a dirigir de forma mais consciente. Muitos visam locais críticos, como curvas perigosas e áreas escolares.
Dica: encare os radares como aliados da segurança, e não apenas como fiscalização.
2. Manutenção básica do carroTrocar um pneu, conferir o nível de óleo ou identificar vazamentos pode evitar acidentes e grandes despesas.
Prática recomendada: faça revisões periódicas em pneus, fluidos e luzes do veículo.
3. Como agir em casos de imprevistos ou sinistrosPoucos motoristas aprendem a lidar com acidentes leves ou situações de emergência.
Regra prática: em sinistros sem feridos, sinalize o local e registre digitalmente a ocorrência. Se houver vítimas, não mova ninguém e acione imediatamente o socorro.
4. Dirigir com chuva exige técnicas específicasA chuva reduz a aderência do veículo e aumenta a distância de frenagem. Além de manter velocidade adequada, ligar o ar-condicionado para desembaçar vidros e usar o farol baixo durante o dia são medidas essenciais.
5. Uso do freio motorO freio motor protege os freios convencionais e aumenta o controle em descidas.
Como aplicar: reduza gradualmente as marchas ao enfrentar ladeiras ou serras, evitando o superaquecimento do sistema.
6. Comunicação por faróisPiscar os faróis pode ser um aviso de perigo, de ultrapassagem ou indicar fiscalização à frente.
Atenção: nunca substitua a sinalização oficial por esses sinais; use-os apenas como complemento.
7. O perigo real do celular ao volanteDistrações causadas por celular são uma das principais causas de sinistros de trânsito.
Dica: mantenha o aparelho fora do alcance ou utilize aplicativos que bloqueiem notificações enquanto dirige.
8. Documentação digital é válidaCNH e CRLV digitais têm a mesma validade que os documentos físicos e facilitam o controle durante fiscalizações.
Sugestão: baixe o app Carteira Digital de Trânsito (CDT) para ter tudo na palma da mão.
9. Planejamento de rotas e tempo de viagem faz diferençaMuitos condutores só percebem na prática que sair sem planejar o percurso ou o tempo necessário aumenta o estresse e o risco de sinistros. Conhecer alternativas de trajeto, horários de pico e condições das vias ajuda a dirigir de forma mais tranquila e segura.
Dica prática: use aplicativos de navegação para checar trânsito, mas mantenha atenção plena na via e não se distraia com o celular enquanto dirige.
10. Dirigir cansa e exige atenção constanteLongos períodos ao volante geram fadiga mental e física.
Cuidados: faça pausas a cada duas horas ou 200 km percorridos. Alongue-se, hidrate-se e evite viagens sozinho em trechos longos.
Experiência que complementa a formaçãoA base fornecida no processo de habilitação é essencial, mas a estrada é uma escola contínua.
Aplicar essas 10 lições na prática faz do condutor alguém mais consciente, preparado e capaz de reduzir riscos para si e para os outros usuários da via.
Veja também CFCs “A escola não é o problema, é parte da solução”, alerta especialista sobre proposta que torna autoescola opcional Estatísticas A cada 2 minutos, um brasileiro é internado por sinistros de trânsito Primeira Habilitação Recebeu a PPD? Veja como evitar problemas e garantir sua CNH definitivaThe post 10 lições que todo condutor precisa aprender na prática appeared first on Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.
Faixa azul para motos: nova estratégia para organizar o tráfego urbano
A circulação de motocicletas nas cidades brasileiras cresce de forma acelerada, impulsionada pelo aumento das entregas e pelo uso do veículo como meio de transporte diário. Nesse cenário, surge uma nova proposta de engenharia viária: a faixa azul, um espaço pintado no asfalto que orienta o deslocamento preferencial das motos entre as faixas de rolamento.
Criada inicialmente pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo em 2022, a iniciativa busca organizar o fluxo de motocicletas e aumentar a previsibilidade entre os condutores, reduzindo o risco de colisões laterais.
O projeto já despertou o interesse de várias capitais, como Fortaleza, Belo Horizonte e Curitiba, que receberam autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para desenvolver experiências locais.
Como funciona a faixa azulA faixa azul é uma delimitação preferencial, e não exclusiva, para o tráfego de motocicletas. Normalmente, é posicionada entre as faixas da esquerda e do meio e tem largura entre 1,10 m e 1,20 m, conforme o limite de velocidade da via.
A ideia é que o motociclista a utilize principalmente em situações de lentidão ou congestionamento, quando o deslocamento entre veículos se torna mais previsível e seguro.
Segundo os princípios adotados no projeto, a iniciativa segue conceitos internacionais de segurança viária, como o Sistema Seguro, que reconhece a possibilidade de erros humanos e busca projetar o trânsito de modo a evitar que esses erros resultem em lesões graves ou mortes.
Resultados e percepções iniciaisOs primeiros testes indicaram redução em alguns índices de sinistros em determinadas avenidas de São Paulo, mas os órgãos técnicos alertam que ainda é cedo para conclusões definitivas.
A Senatran acompanha os resultados das cidades-piloto assim como deve avaliar os dados até 2026, antes de considerar a expansão em larga escala.
Em Fortaleza, por exemplo, a aplicação do modelo ocorrerá em quatro avenidas de grande fluxo e monitorado quanto ao comportamento dos condutores, à velocidade média e à quantidade de ocorrências registradas.
A importância da educação e da fiscalizaçãoPara especialistas em trânsito, não se deve ver a faixa azul como solução isolada, mas como parte de um conjunto de medidas integradas.
O educador e especialista em segurança viária Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e do grupo Tecnodata, lembra que “infraestrutura é apenas um dos pilares do sistema seguro — o comportamento dos condutores é o que determina o verdadeiro impacto de qualquer intervenção”.
Segundo Mariano, a faixa azul pode contribuir para a organização e convivência mais harmônica entre veículos, desde que tenha acompanhamento de educação contínua, fiscalização adequada e comunicação clara sobre seu uso.
“O sucesso da medida depende de como ela será compreendida e utilizada no dia a dia”, reforça o especialista.
Adaptação local e próximos passosA Senatran incentiva que cada município adapte o projeto à sua realidade — considerando volume de motos, tipo de via, comportamento dos condutores e capacidade de fiscalização.
Com o crescimento da frota de motocicletas em todo o país, o desafio das gestões públicas é equilibrar mobilidade, segurança e sustentabilidade urbana.
A expectativa é de que as experiências em andamento sirvam como base para uma futura regulamentação nacional, capaz de garantir segurança tanto para motociclistas quanto para os demais usuários das vias.
Um passo em direção à convivência mais seguraO aumento da frota de motos reflete transformações sociais e econômicas no Brasil. A faixa azul surge, portanto, como uma tentativa de resposta técnica a essa nova realidade.
Mais do que uma pintura no asfalto, ela representa um laboratório urbano para repensar a convivência entre modais e fortalecer a cultura da segurança no trânsito.
Se bem planejada e acompanhada, a faixa azul pode se tornar um instrumento de gestão eficiente e de preservação de vidas nas vias brasileiras.
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Nova norma do CONTRAN muda validade de curso exigido para transporte rodoviário de produtos perigosos
Em dezembro de 2025, com a publicação da Resolução CONTRAN nº 1.020/2025, o setor de transporte rodoviário de produtos perigosos passou por uma importante mudança regulatória ao deixar de existir um prazo geral de validade para os cursos especializados, incluindo o Curso Especializado para Condutores de Veículos de Transporte de Produtos Perigosos (MOPP). A capacitação é obrigatória para motoristas que atuam nesse segmento e garante segurança operacional, conformidade regulatória e mitigação de riscos à saúde e ao meio ambiente.
Diante dessa alteração, os condutores cujo vencimento da capacitação ocorreu após a publicação da norma no Diário Oficial da União, em 9 de dezembro de 2025, não precisam realizar a renovação do curso. Por outro lado, os motoristas que tiveram o MOPP vencido antes desta data seguem obrigados a renovar a capacitação para permanecerem aptos ao transporte de produtos perigosos, conforme as regras vigentes à época da expiração.
A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), entidade que representa exclusivamente o setor no país, acompanha atentamente os desdobramentos da norma. Oswaldo Caixeta, presidente da ABTLP, destaca a importância da regularidade das operações das empresas e colaboradores do setor.
“A ABTLP é uma entidade que preza pela segurança, pela conformidade regulatória e pela excelência nas operações. Os procedimentos internos de verificação de documentação, capacitação técnica e conformidade do condutor já fazem parte da rotina das empresas associadas e devem ser mantidos normalmente”, afirma Caixeta.
O transporte de produtos perigosos envolve milhares de substâncias com potencial de risco elevado.De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de três mil produtos são classificados como perigosos no transporte, exigindo a aplicação de regras claras, capacitação técnica contínua e fiscalização eficiente. No Brasil, esse controle é exercido por diferentes órgãos, como o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e instituições de fiscalização federais e estaduais.
Diante da mudança regulatória, a ABTLP orienta empresas e profissionais a manterem atenção redobrada e organização interna, considerando a atuação descentralizada dos órgãos fiscalizadores e a importância de garantir segurança jurídica nas operações. “O texto regulatório é claro quanto à validade, e essa mesma informação já consta de forma expressa na CNH Digital, com a devida referência à resolução e ao artigo que trata do tema. Isso confere maior segurança jurídica aos condutores e às empresas”, afirma Caixeta
A entidade acompanha de perto as definições dos órgãos reguladores assim como os detalhes que influenciam diretamente a operação. Ainda existem dúvidas no setor sobre quais situações podem levar um motorista a perder o curso especializado, quais orientações e recomendações serão aplicadas para atualizações operacionais e de que forma essas diretrizes serão comunicadas na prática. Com possíveis orientações adicionais dos órgãos reguladores, o setor deve ganhar ainda mais clareza sobre procedimentos e regras, reforçando a continuidade de operações seguras e em conformidade em 2026.
No atual cenário, a atuação institucional da ABTLP se torna ainda mais relevante para orientar empresas, apoiar a correta interpretação das normas e contribuir para a estabilidade e a segurança das operações em todo o país.“Riscos de interpretação sempre vão existir, especialmente em um país de dimensão continental como o Brasil, com diversos órgãos e agentes fiscalizadores atuando de forma descentralizada. Diante disso, estamos averiguando os motivos da suspensão desta renovação para, com base nesse esclarecimento, definir de forma responsável quais serão os nossos próximos passos”, conclui.
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Novas regras para exames da CNH levantam alerta sobre segurança viária
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) intensificou sua mobilização institucional diante das recentes mudanças anunciadas pelo governo federal em relação aos exames no processo de obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em articulação com o Poder Executivo e o Legislativo, a entidade avalia que as novas diretrizes podem comprometer a qualidade das avaliações exigidas dos condutores e trazer impactos diretos para a segurança viária no país.
Entre os pontos que mais preocupam o Conselho está a fixação de um teto nacional de R$ 180,00 para o conjunto dos exames de saúde — médico e psicológico — exigidos para a habilitação. Na avaliação do CFP, a medida desconsidera a complexidade técnica envolvida nessas avaliações e pode afetar tanto a atuação dos profissionais da Psicologia do Trânsito quanto a efetividade dos exames como instrumentos de proteção à vida.
Em um cenário no qual o Brasil ainda registra milhares de mortes no trânsito todos os anos, além de graves consequências sociais e econômicas decorrentes dos sinistros, o Conselho avalia que estabelecer parâmetros financeiros sem diálogo técnico representa um risco adicional.
Para a entidade, reduzir custos sem considerar a natureza do cuidado envolvido pode fragilizar um dos pilares da política de segurança viária.
Entidade pede debateDiante desse contexto, o CFP encaminhou ofício ao Ministério dos Transportes e à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) solicitando a realização de uma reunião técnica. O objetivo é dialogar sobre a medida e reafirmar o entendimento de que a avaliação psicológica não é um procedimento burocrático, mas uma ação essencial de proteção à vida e de promoção da segurança no tráfego.
A Psicologia do Trânsito tem papel estratégico na prevenção de acidentes ao avaliar aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais que influenciam diretamente a condução segura de veículos. Esses fatores incluem atenção, tomada de decisão, controle emocional, percepção de risco e reação a situações de estresse — elementos que não se pode tratar de forma superficial ou padronizada exclusivamente por critérios de custo.
Como parte das ações de fortalecimento da área, o CFP também avançou internamente na organização técnica da profissão.Em dezembro de 2025, no âmbito da Assembleia das Políticas Administrativas e Financeiras (APAF), criou-se o Grupo de Trabalho Nacional de Psicologia do Trânsito. A iniciativa tem como objetivo revisar e atualizar as normativas que orientam a atuação dos psicólogos nessa área específica, buscando garantir qualidade técnica, ética profissional e maior proteção à sociedade.
De acordo com o Conselho, esse movimento é fundamental em um momento de mudanças estruturais no modelo de formação e avaliação de condutores no Brasil. A atualização das normas e o diálogo com os órgãos responsáveis pelas políticas de trânsito são caminhos indispensáveis para evitar retrocessos, bem como assegurar que continue se tratando a segurança viária como prioridade.
Ao se posicionar publicamente, o CFP reforça que qualquer alteração nos processos de habilitação deve considerar evidências técnicas, ouvir os profissionais envolvidos e, sobretudo, preservar o interesse coletivo.
No entendimento da entidade, decisões que impactam diretamente a vida no trânsito não podem ser tomadas apenas sob a lógica da redução de custos, sob pena de ampliar riscos em um sistema já marcado por altos índices de sinistros.
O Conselho informa que seguirá acompanhando o tema assim como orienta a sociedade a acompanhar seus canais oficiais para se manter informada sobre os desdobramentos das ações em defesa da Psicologia do Trânsito e da segurança viária.
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O trânsito que a gente constrói todos os dias — e quase nunca percebe
Quando se fala em trânsito, é comum apontar culpados externos: a rua mal sinalizada, o outro motorista, o pedestre distraído, o motociclista apressado, o poder público. Raramente o olhar se volta para um ponto mais desconfortável — o papel individual na construção do trânsito do dia a dia.
O trânsito não é apenas o resultado de leis, obras ou fiscalização. Ele é, sobretudo, o reflexo direto das decisões cotidianas de milhões de pessoas que compartilham o mesmo espaço. Pequenas escolhas, feitas quase automaticamente, moldam o ambiente viário de forma contínua, muitas vezes sem que haja consciência disso.
Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, costuma lembrar que o trânsito não existe fora das pessoas.
“O trânsito não é algo que acontece com a gente. Ele é algo que a gente faz acontecer todos os dias, pelas nossas atitudes”, afirma.
Essa construção cotidiana aparece em situações simples: decidir acelerar ou esperar alguns segundos; ceder passagem ou forçar a preferência; respeitar o tempo do outro ou agir como se todos fossem obstáculos. Nenhuma dessas decisões costuma parecer relevante isoladamente, mas, somadas, elas definem o clima do trânsito.
Outro aspecto pouco percebido é a normalização do comportamento inadequado.Quando atitudes de risco se tornam comuns, passam a ser vistas como parte da rotina. Avançar um pouco o sinal, estacionar “rapidinho” em local proibido ou usar o celular por alguns segundos deixam de causar estranhamento — até que algo dá errado.
Celso Mariano alerta para esse processo silencioso. “O problema não é o erro isolado, é quando o erro vira hábito e o hábito vira cultura. Aí o risco deixa de ser exceção”, observa.
O trânsito também reflete como lidamos com frustração e limites. Engarrafamentos, atrasos e imprevistos expõem a forma como cada pessoa reage quando não tem controle total da situação. Para alguns, isso resulta em paciência; para outros, em agressividade.
Essas reações não ficam restritas a quem dirige. Pedestres atravessam com pressa excessiva, ciclistas se sentem obrigados a disputar espaço, motociclistas buscam brechas cada vez menores. O ambiente coletivo vai se tornando mais tenso, menos previsível e mais perigoso.
O exemploHá ainda um fator importante: o exemplo. Crianças observam como adultos dirigem, falam e reagem no trânsito. Passageiros absorvem comportamentos. A forma como alguém conduz um veículo influencia diretamente a percepção de quem está ao redor.
Celso Mariano destaca que mudança real começa no cotidiano.
“Não existe trânsito seguro construído só com campanhas ou punição. Ele começa quando cada pessoa entende o impacto das próprias escolhas”, ressalta.
Isso não significa assumir culpa individual por todos os problemas do trânsito, mas reconhecer que há um espaço de decisão pessoal que faz diferença. Reduzir a velocidade, evitar conflitos desnecessários, respeitar o tempo do outro e aceitar que nem tudo depende da nossa vontade são atitudes simples, mas poderosas.
O trânsito que desejamos — mais seguro, humano e previsível — não nasce apenas de grandes mudanças estruturais. Ele começa nas pequenas atitudes repetidas todos os dias, muitas vezes sem plateia, sem recompensa imediata e sem aplauso.
Perceber esse papel é desconfortável, mas também libertador. Significa entender que cada deslocamento é uma oportunidade de contribuir para um ambiente melhor — ou de reforçar problemas que já conhecemos bem.
No fim das contas, o trânsito não é algo distante ou abstrato. Ele é construído a cada esquina, a cada decisão e a cada interação. E quase sempre, sem que a gente perceba.
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Detran abre recadastramento de instrutores de trânsito sob novas regras do Contran
O Detran-PR iniciou, nesta semana, o processo de recadastramento dos Instrutores de Trânsito no estado. A medida segue as novas diretrizes estabelecidas pela Resolução nº 1.020/2025 do Contran, que promove mudanças relevantes na forma de atuação desses profissionais e no modelo de formação de condutores no país.
Entre as principais novidades está a possibilidade de o instrutor optar por se vincular a um Centro de Formação de Condutores (CFC) ou atuar de forma autônoma, desde que cumpra todos os requisitos legais. A flexibilização do vínculo profissional reflete o novo desenho normativo da formação de condutores, que vem sendo amplamente debatido no setor por seus impactos diretos na segurança viária, na organização das autoescolas e na qualificação do ensino.
Quem pode se recadastrar como instrutor de trânsitoPara estar apto ao recadastramento no Paraná, o instrutor precisa atender a uma série de exigências definidas pela nova regulamentação. Entre elas, estão critérios relacionados à idade, habilitação, escolaridade, antecedentes e formação profissional.
Confira os requisitos obrigatórios:
- Ser pessoa física (possuir CPF);
- Ter 21 anos ou mais;
- Possuir CNH há pelo menos dois anos;
- Não ter cometido infração de natureza gravíssima nos últimos 60 dias;
- Não ter a CNH cassada;
- Ter Ensino Médio completo;
- Possuir certificado do Curso de Formação de Instrutor de Trânsito;
- Apresentar Certidão Negativa de Antecedentes Criminais, emitida pela Vara de Execuções Penais, por meio do Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), do domicílio ou residência, com emissão nos últimos 90 dias;
- Comprovar, em momento oportuno, o pagamento da taxa de crachá, conforme tabela vigente do Detran-PR.
O atendimento a esses critérios é condição indispensável para que o profissional possa seguir atuando legalmente, seja em autoescolas ou como instrutor independente.
Autonomia em debate no setorA possibilidade de atuação autônoma, prevista na Resolução 1.020/2025, representa uma mudança estrutural no modelo tradicional de formação de condutores, historicamente centralizado nos CFCs. Para o Detran-PR, o recadastramento é uma etapa administrativa necessária para adequar o cadastro estadual à nova realidade normativa.
Especialistas do setor, no entanto, alertam que a flexibilização exige atenção redobrada à fiscalização e à padronização da qualidade do ensino, especialmente nas aulas práticas. O instrutor passa a assumir um papel ainda mais central na formação do condutor, o que reforça a importância de critérios rigorosos de habilitação e controle.
Como fazer o recadastramentoO Detran-PR orienta que o processo de recadastramento seja realizado de forma online. Para se inscrever, o instrutor deve acessar o link disponibilizado pelo órgão, onde estão detalhadas as etapas, a documentação exigida e os prazos.
Além disso, o Departamento disponibiliza outro link específico para quem deseja aprofundar o entendimento sobre as mudanças no processo de habilitação de condutores, introduzidas pela nova regulamentação nacional.
Impactos para a formação de condutoresO recadastramento dos instrutores é apenas uma das frentes de adaptação às novas regras da formação de condutores no Brasil. As alterações previstas pelo Contran vêm provocando debates intensos entre profissionais do trânsito, entidades representativas e especialistas em segurança viária, sobretudo quanto aos riscos de um eventual enfraquecimento do controle sobre a qualidade do ensino.
No Paraná, o Detran afirma que seguirá acompanhando a implementação das novas normas e reforça que o recadastramento é fundamental para manter o cadastro atualizado e garantir que apenas profissionais habilitados atuem no sistema.
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