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Atualizado: 22 minutos 31 segundos atrás

Os carros mais e menos seguros do Brasil em 2025: o que os testes do Latin NCAP revelam

ter, 30/12/2025 - 13:30
Entre os veículos testados ao longo do ano, alguns se destacaram ao alcançar a classificação máxima de cinco estrelas. Foto: Divulgação LatinNCAP

Latin NCAP voltou a chamar atenção em 2025 ao escancarar diferenças relevantes no nível de segurança dos veículos vendidos no Brasil. Ao longo do ano, os testes do programa independente mostraram que, enquanto alguns modelos alcançaram cinco estrelas, outros apresentaram desempenho preocupante, com notas baixas — ou até zero — nos ensaios de colisão e nos sistemas de assistência à condução.

Mais do que um ranking, os resultados reforçam um alerta importante: segurança veicular ainda não é tratada de forma homogênea pelas montadoras, especialmente quando se observam projetos mais antigos ou versões simplificadas para reduzir custos no mercado brasileiro.

Segurança deve pesar na escolha do consumidor

Os testes realizados em 2025 evidenciaram que veículos da mesma categoria podem oferecer níveis de proteção muito diferentes. Estrutura da carroceria, número de airbags, controle eletrônico de estabilidade e, principalmente, sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) passaram a ter peso decisivo no protocolo atual do Latin NCAP.

Nesse contexto, cresce o debate sobre:

  • compromisso real das montadoras com a segurança;
  • a diferença entre atender à legislação mínima e oferecer proteção efetiva;
  • a necessidade de mais transparência para o consumidor, que nem sempre tem acesso fácil a essas informações no momento da compra.
Os modelos mais seguros avaliados em 2025

Entre os veículos testados ao longo do ano, alguns se destacaram ao alcançar a classificação máxima de cinco estrelas, demonstrando bom desempenho estrutural, alta proteção para ocupantes adultos e crianças e presença de tecnologias de prevenção de acidentes.

Destaques com cinco estrelas no Latin NCAP

Nissan Kicks (nova geração)

Avaliado antes mesmo de chegar às concessionárias, o modelo apresentou estrutura estável em impactos frontais e laterais. O bom resultado está associado ao pacote de segurança de série, com seis airbags, controle eletrônico de estabilidade e frenagem autônoma de emergência.

Volkswagen Tera

Um dos lançamentos mais relevantes do ano, o SUV fabricado em Taubaté (SP) teve desempenho elevado em todos os quesitos, incluindo proteção de pedestres e sistemas de assistência à condução.

Volkswagen Taos

Mesmo após atualizações recentes, manteve alto nível de segurança estrutural e bons índices nos sistemas ativos, confirmando sua posição entre os SUVs médios mais seguros da região.

Renault Kardian

Após evoluções no pacote de segurança, tornou-se o primeiro modelo da marca a alcançar cinco estrelas no protocolo atual. A inclusão de frenagem autônoma de emergência foi determinante para o salto na avaliação.

Kia Sportage

Testado no fim do ano, apresentou desempenho consistente em impactos e forte presença de assistências à condução, confirmando a tendência de projetos globais mais alinhados aos padrões internacionais de segurança.

Volkswagen Tiguan (nova geração)

Mesmo antes de iniciar as vendas no Brasil, o modelo já mostrou alto nível de proteção para ocupantes e usuários vulneráveis da via, com destaque para os sistemas de prevenção de acidentes.

Os carros com pior desempenho em segurança

Se por um lado houve avanços importantes, por outro, 2025 também expôs resultados preocupantes, com veículos que ficaram muito abaixo do esperado para os padrões atuais de segurança veicular.

Modelos com notas baixas ou reprovação

Toyota Yaris Cross

Recebeu apenas duas estrelas. Apesar de contar com itens básicos de segurança, perdeu pontos relevantes pela ausência ou limitação de sistemas avançados exigidos pelo protocolo atual, além de falhas na proteção do tórax do motorista.

Peugeot 2008

Avaliado com apenas uma estrela, apresentou estrutura considerada instável em colisões frontais. A ausência de airbags de cortina como item de série na versão testada pesou negativamente no resultado.

Citroën Basalt

O pior desempenho do ano: nota zero. O modelo apresentou falhas graves na estrutura, baixa proteção para adultos e crianças e praticamente nenhuma tecnologia de assistência à condução, o que comprometeu completamente sua avaliação.

O que os resultados dizem sobre o mercado brasileiro

Os testes do Latin NCAP em 2025 deixam claro que:

  • cumprir a legislação mínima não garante segurança real;
  • projetos globais e atualizados tendem a oferecer proteção muito superior;
  • a ausência de tecnologias de prevenção de acidentes impacta diretamente a nota — e a segurança dos usuários.

Para o consumidor, o recado é direto: preço, design e conectividade não devem se sobrepor à segurança.

Consultar os resultados do Latin NCAP passou a ser uma etapa essencial para quem pretende comprar um veículo novo no Brasil.

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Posso ser multado se dirigir descalço ou de chinelo?

ter, 30/12/2025 - 08:15
Para dirigir, prefira tênis ou sapatos fechados, que dão maior firmeza e conforto. Foto: NewAfrica para Depositphotos

Entre as dúvidas mais comuns dos motoristas brasileiros está a seguinte: é permitido dirigir descalço ou de chinelo? A cena é corriqueira: alguém sai da praia, do clube ou mesmo de casa e assume a direção sem se preocupar com o calçado. Mas será que essa prática pode gerar multa e até perda de pontos na CNH?

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece regras específicas sobre condutas que oferecem risco à segurança viária. Apesar disso, muitas interpretações equivocadas acabam gerando mitos. Entender o que a lei realmente prevê é fundamental para evitar penalidades e, acima de tudo, sinistros de trânsito.

O que diz o Código de Trânsito

O CTB não menciona de forma literal o ato de dirigir descalço. O que está previsto é o artigo 252, inciso IV, que considera infração de trânsito “dirigir usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais”.

Isso significa que a lei não proíbe dirigir sem calçados, mas proíbe dirigir com chinelos de dedo, tamancos ou sapatos que não tenham fixação adequada, justamente porque podem escapar dos pés ou prender nos pedais, dificultando a condução segura.

A penalidade para essa infração é multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH, classificada como média.

Afinal, dirigir descalço é permitido?

Sim. Não existe infração para quem dirige descalço. Pelo contrário, em algumas situações, estar sem calçado pode até ser mais seguro do que usar chinelos que possam escapar dos pés.

No entanto, é importante ter atenção: embora permitido, dirigir descalço pode trazer desconforto e dificultar a aplicação da força correta nos pedais, principalmente em viagens longas. Além disso, caso o motorista esteja em uma situação emergencial (como sair rapidamente de um local de risco), dirigir sem calçados pode aumentar a vulnerabilidade fora do veículo.

E quanto ao uso de chinelos?

Aqui está o ponto de maior risco. Chinelos de dedo ou similares não oferecem estabilidade, podem escorregar ou ficar presos entre os pedais, aumentando significativamente as chances de acidentes.

“Um chinelo solto pode parecer inofensivo, mas basta ele travar entre os pedais para causar a perda de controle do veículo. É exatamente por isso que o CTB prevê a infração”, explica Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito.

Conforme ele, não se trata apenas de uma questão legal, mas de segurança. “O risco é real, e a fiscalização existe para evitar que uma simples escolha de calçado coloque vidas em perigo.”

Outros calçados que podem gerar infração

Embora os chinelos sejam os mais lembrados, outros tipos de calçados também podem levar à multa:

  • Sapatos de salto alto, que alteram a posição natural do pé e prejudicam a firmeza nos pedais;
  • Tamancos, por não possuírem fixação suficiente;
  • Sandálias frouxas, que podem escapar facilmente.

Por outro lado, calçados esportivos, tênis, sapatilhas e sapatos fechados em geral são considerados adequados, pois garantem firmeza e segurança.

E se eu for abordado?

Caso um agente de trânsito flagre o motorista dirigindo com calçados inadequados, a multa é aplicada na hora, e o condutor perde quatro pontos na CNH. Diferentemente da falta de licenciamento, por exemplo, essa situação não gera remoção do veículo, mas pode pesar no bolso e contribuir para a soma de pontos que leva à suspensão da habilitação.

Boas práticas para evitar problemas

Para não correr riscos, alguns cuidados simples podem ajudar:

  • Tenha sempre um calçado adequado no carro, principalmente em viagens;
  • Evite improvisos, como dirigir de chinelo “só um trechinho curto”;
  • Se estiver descalço, avalie se isso não prejudicará sua condução, especialmente em trajetos longos;
  • Prefira tênis ou sapatos fechados, que dão maior firmeza e conforto.

Essas atitudes não apenas evitam multas, mas aumentam a segurança de todos no trânsito.

Segurança deve vir em primeiro lugar

O mito de que dirigir descalço é proibido ainda confunde muitos motoristas, mas a verdade é que o problema não está na ausência de calçado, e sim no uso de sapatos ou sandálias que comprometem a firmeza ao volante.

“Mais do que seguir a letra da lei, o condutor deve pensar na segurança. O trânsito é um ambiente coletivo, e escolhas aparentemente simples, como o calçado, podem ter grande impacto na prevenção de acidentes”, reforça Celso Mariano.

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A resposta é clara: dirigir descalço não gera multa, mas dirigir de chinelo ou com calçados que não se fixam nos pés é infração de trânsito. Para não correr riscos, a recomendação é simples: escolha calçados adequados e seguros sempre que assumir o volante. Essa é uma forma de proteger a si mesmo e aos demais usuários das vias.

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Itens domésticos podem representar risco quando transportados fora dos padrões de segurança, alerta ABTLP

seg, 29/12/2025 - 18:00
O órgão que regula o transporte rodoviário de produtos perigosos é a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Foto: Banco de imagens / Canva

Muitos consumidores não percebem, mas grande parte dos produtos que usamos no dia a dia são considerados perigosos quando transportados e exigem cuidados especializados. Perfumes, pilhas, combustíveis, produtos de limpeza e até aerossóis comuns podem representar risco ao meio ambiente e à saúde humana quando não transportados adequadamente devido às suas propriedades físico-químicas. Por isso, o transporte e a logística desses produtos exigem normas específicas, procedimentos técnicos e profissionais devidamente treinados para garantir que eles cheguem com segurança ao consumidor final.

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O órgão que regula o transporte rodoviário de produtos perigosos é a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como consta na Resolução ANTT nº 5.998/2022, que atualiza o regulamento aplicável e exige a sinalização adequada dos veículos, identificação das embalagens e documentação específica para cada expedição. O marco regulatório tem origem em padrões internacionais, como os critérios estabelecidos no Manual de Ensaios e Critérios das Nações Unidas, usados para classificar o risco desses produtos no transporte, e as regras que se aplicam mesmo a produtos comuns quando enquadrados como perigosos.

Conforme Oswaldo Caixeta, presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), principal entidade do setor, compreender essa realidade é fundamental para fortalecer a segurança em toda a cadeia de distribuição.

“O transporte de produtos perigosos não pode ser realizado por amadores. É uma atividade altamente especializada, que exige o cumprimento rigoroso de uma série de requisitos técnicos, operacionais e legais. Para que uma operação seja segura, é indispensável que condutores, equipes operacionais e empresas passem por treinamentos específicos, possuam certificações válidas, adotem procedimentos padronizados, mantenham documentação obrigatória atualizada e assegurem que todos os equipamentos, veículos e embalagens atendam às normas vigentes”, afirma Caixeta.

Cuidados no transporte

Itens comuns no dia a dia podem parecer inofensivos, mas exigem cuidados específicos no transporte. “Embora muitos consumidores não percebam, o transporte classifica diversos produtos presentes no dia a dia como perigosos. Entre eles, destacam-se removedores, tintas, vernizes e solventes, que contêm substâncias inflamáveis como tolueno e acetona; inseticidas domésticos e agrícolas, enquadrados como tóxicos; raticidas, que apresentam alto risco à saúde; e resinas e colas industriais, frequentemente inflamáveis ou com componentes químicos nocivos. Considera-se perigosos até mesmo produtos que se utiliza de forma ampla na área da saúde, como o oxigênio hospitalar, devido ao seu potencial de intensificar incêndios”, afirma o presidente.

O rigor tem implicações concretas: em 2025, uma operação coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio de órgãos como a ANTT e a Polícia Rodoviária Federal, abordou 587 veículos e apreendeu 62 unidades em todo o país, além de aplicar cerca de R$ 1,2 milhão em multas por irregularidades no transporte de produtos perigosos. Os números evidenciam o esforço fiscalizatório e os riscos potenciais quando as normas deixam de ser cumpridas.

A ABTLP reforça que, além da conformidade técnica, toda a cadeia precisa investir em gestão de riscos, planos de emergência e auditorias internas para cumprir requisitos de órgãos como ANTT, IBAMA, Inmetro e ABNT.

“Para que uma operação seja segura, é indispensável que condutores, equipes operacionais e empresas passem por treinamentos específicos, possuam certificações válidas, adotem procedimentos padronizados, mantenham documentação obrigatória atualizada e assegurem que todos os equipamentos, veículos e embalagens atendam às normas vigentes”, diz o executivo.

Além disso, o setor demanda gestão de riscos, planos de emergência, auditorias internas e conformidade permanente com regulamentações como ANTT, IBAMA, Inmetro, ABNT e demais órgãos competentes. Entre as exigências legais, transportadoras que operam interestadualmente com produtos perigosos devem possuir o Cadastro Técnico Federal e a Autorização Ambiental para Transporte Interestadual (AATIPP) emitidos pelo IBAMA, além de eventuais autorizações da Polícia Federal ou Civil e do Exército Brasileiro, conforme a natureza da carga e a classificação de risco. Esses requisitos impactam diretamente a capacitação dos condutores, a documentação necessária e a estruturação operacional das empresas, reforçando a complexidade da logística de produtos perigosos no Brasil.

De acordo com Oswaldo Caixeta, a correta movimentação desses itens traz benefícios que vão muito além do cumprimento das normas. “A ABTLP é a única entidade de classe destinada a representar, de forma exclusiva, os transportadores de produtos perigosos no país. Nosso papel é defender os interesses do setor, promover a segurança bem como a conformidade regulatória, apoiar o aprimoramento técnico-operacional das empresas, fortalecer o diálogo com os órgãos reguladores e contribuir para a construção de políticas públicas que elevem o padrão de qualidade, sustentabilidade e profissionalização do Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos.”, conclui.

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A uberização da formação de condutores: quando o país transforma uma política pública em um experimento arriscado

seg, 29/12/2025 - 13:30
Para o médico, a lição é clara: quando governos se apaixonam por seus próprios planos e fecham os ouvidos para quem alerta, o custo não é apenas político, é social. Foto: Félix Carneiro/Governo do Tocantins

Alysson Coimbra

O Brasil está diante de uma mudança que parece técnica, administrativa e até moderna, mas que carrega um impacto profundo sobre a segurança viária: a flexibilização crescente da formação de condutores e a transferência progressiva desse processo para plataformas digitais. À primeira vista, o discurso soa convincente, fala em menos custos, burocracias e exigências, promete agilidade e inclusão, cria a sensação de que finalmente estamos simplificando um sistema “engessado”.

Mas basta olhar com atenção para perceber que não estamos simplificando.

Estamos redesenhando a lógica de formação de motoristas e, no meio do caminho, abrindo espaço para algo muito maior: a uberização da formação de condutores no Brasil.

Uberização, aqui, significa a União retirar dos Estados seu papel estruturante, fragmentar responsabilidades, transferir riscos para o indivíduo e concentrar ganhos nas plataformas que intermediam o processo e, consequentemente, em quem passa a apoiá-las nos bastidores de Brasília. É exatamente isso que começa a acontecer.

Incentivar o autoaprendizado da legislação de trânsito por EAD pode soar inovador, mas ignora que estamos falando de um conhecimento que salva vidas, que exige mediação, debate, exemplificação e reflexão crítica. Quando, além disso, se reduz o tempo mínimo de direção, retira-se do candidato a vivência diária das ruas, o convívio com o erro supervisionado, o enfrentamento gradual de situações reais. Forma-se mais rápido, mas se forma pior.

Enquanto esse discurso ganha espaço, surgem plataformas digitais intermediando aulas particulares e oferecendo descontos maiores quanto mais o aluno compra, quase sempre muito além das duas horas prometidas como “suficientes”, algo que sabemos que não é. Ao mesmo tempo, taxas administrativas sobem em alguns Estados e surge um mercado novo, pouco transparente, que passa a concentrar recursos e influência. A promessa pública é de barateamento e agilidade, mas a realidade é uma cadeia de intermediação que desloca o dinheiro, reorganiza o poder e não entrega o que anuncia, e até mais caro do que custava antes desse novo alinhamento que cria nos inimigos públicos: como CFC,s e profissionais da saúde.

Esse movimento não acontece no vazio, se encaixa em um país que, desde os anos 1970, ampliou de forma acelerada sua frota de motocicletas, impulsionado por incentivos industriais e renúncias fiscais ,especialmente na Zona Franca de Manaus que permanecem até hoje sem justificativa clara. É como se o Estado continuasse premiando o setor que mais gera mortes e custos ao sistema público. O resultado está nas ruas: risco elevado, sequelas permanentes, famílias destroçadas. Não são estatísticas abstratas, são trajetórias interrompidas.

O mais grave é que, mesmo diante desse cenário, políticas recentes caminham na direção oposta do que a prudência recomendaria.

Permite-se comprar motocicleta sem exigir CNH, fiscaliza-se pouco, mantém-se aberta a possibilidade de alguém sair da loja pilotando sem jamais ter passado por formação adequada. Algo que poderia ter sido corrigido na mesma Medida Provisória que hoje desarticula um sistema que, com todos os seus problemas, ainda formava, cuidava e fiscalizava candidatos e condutores há mais de 27 anos.

Essa tendência não é nova na história brasileira. O país já apostou, mais de uma vez, em soluções centralizadoras e narrativas sedutoras que ignoraram alertas técnicos. Na era Vargas, a crença de que o poder concentrado resolveria tudo abriu crises profundas e tensões institucionais difíceis de administrar. Antes do impeachment de Dilma Rousseff, sinais de desajuste fiscal e decisões arriscadas foram minimizados até que a realidade explodiu diante do país.

A lição é clara: quando governos se apaixonam por seus próprios planos e fecham os ouvidos para quem alerta, o custo não é apenas político, é social.

Hoje, vemos algo semelhante no trânsito. Um governo com contas públicas pressionadas aposta em um plano apresentado como moderno, mas que desmonta mecanismos de proteção, amplia risco e transfere responsabilidades. E o faz sob a condução de um ministro que, apesar de estrutura e visibilidade, não conseguiu resultados suficientemente sólidos para obter avaliações técnicas amplamente positivas das instituições que acompanham essas políticas.

Não se trata de personalizar o problema. Trata-se de reconhecer o risco: é temerário reorganizar um sistema que envolve vidas humanas com base em promessas mais retóricas do que técnicas.

Enquanto isso, o transporte público segue caro, lotado e ineficiente, capturado por estruturas que concentram poder e influenciam decisões políticas. Sem alternativas, trabalhadores recorrem à moto como meio de sobrevivência e depois entram na estatística que insistimos em chamar de “fatalidade”.

Não é fatalidade. É consequência.

Flexibilizar a formação, empurrar o aprendizado para plataformas digitais, reduzir prática e criar um mercado de intermediação crescente não é modernizar. É abdicar do papel estatal que protege, transformar formação em produto e aceitar que parte da sociedade pagará com o corpo e com a vida o preço da pressa.

Por isso, é preciso dizer sem rodeios: não estamos diante de um avanço inevitável. Estamos diante de um experimento perigoso.

Governos passam, plataformas mudam, ciclos políticos se encerram. Mas cemitérios, UTIs e famílias quebradas permanecem.

A sociedade precisa reagir. Parlamentares, mesmo em período de recesso, precisam debater com seriedade. Os Governadores precisam se aprofundar nessa pauta com profundidade para evitar responsabilidades civis e descumprimento de leis de responsabilidade fiscal.

Por fim o governo precisa parar de contar uma história confortável e encarar os dados que gritam o contrário.

Porque, quando políticas públicas viram laboratório e cidadãos viram cobaias, não estamos falando de modernização. Não estamos falando de democratização. Estamos falando de reorganização econômica sobre um tema que é, antes de tudo, de segurança pública. ‎

Alysson Coimbra é Médico Especialista em Trânsito e Coordenador Nacional da Mobilização de Médicos e Psicólogos do Tráfego – @alyssondotransito

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Curso de reciclagem da CNH: nova regra acaba com EaD gravado e exige participação ao vivo

seg, 29/12/2025 - 08:15
A norma veda o uso de EaD assíncrono, exigindo participação em tempo real do condutor. Foto: nuchylee para Depositphotos

O curso de reciclagem para condutores infratores também sofreu alterações com a publicação da Resolução Contran nº 1.020/25, complementada pela Portaria Senatran nº 923/25. Juntas, as normas esclarecem em quais situações é possível exigir o curso, quem deve realizá-lo, como ele funciona e quais conteúdos passam a ser obrigatórios.

Embora o curso de reciclagem já estivesse previsto no Código de Trânsito Brasileiro, as novas normas reorganizam sua aplicação e ampliam hipóteses, o que exige atenção dos condutores.

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Conforme o art. 87 da Resolução 1020/25, o condutor será submetido ao curso de reciclagem nas seguintes situações:

  • Quando estiver com o direito de dirigir suspenso;
  • Quando se envolver em sinistro grave de trânsito para o qual tenha contribuído, independentemente da existência de processo judicial;
  • Quando for condenado judicialmente por crime de trânsito, a qualquer tempo;
  • Quando for constatado que o condutor está colocando em risco a segurança do trânsito, mesmo sem decisão judicial;
  • De forma preventiva, nos termos do art. 261, § 5º do Código de Trânsito Brasileiro.

A Portaria Senatran nº 923/25 reafirma essas hipóteses ao definir o público-alvo do curso, deixando claro que a reciclagem não se restringe apenas aos casos clássicos de suspensão, podendo ser aplicada também como medida preventiva ou administrativa.

Onde será possível realizar o curso de reciclagem

A Resolução Contran nº 1.020/25 alterou também as normas de quem pode ofertar o curso de reciclagem e, principalmente, em quais formatos ele pode ser realizado, reforçando a exigência de acompanhamento efetivo do condutor durante as aulas.

De acordo com a norma, o curso de reciclagem poderá ser realizado junto aos seguintes órgãos ou entidades, desde que devidamente autorizados:

  • Autoescolas (CFCs), na modalidade presencial ou EaD síncrono;
  • Entidades de ensino a distância, exclusivamente na modalidade EaD síncrono;
  • SENAT, com oferta presencial ou EaD síncrono;
  • Escolas Públicas de Trânsito, também nas modalidades presencial ou EaD síncrono;
  • Órgãos ou entidades integrantes do Sistema Nacional de Trânsito, igualmente nas modalidades presencial ou EaD síncrono.

Na prática, isso significa que o curso poderá continuar sendo feito de forma remota, desde que haja participação em tempo real do condutor, com controle de frequência e acompanhamento das atividades, conforme critérios definidos pelo órgão ou entidade responsável.

A principal mudança trazida pela nova regulamentação é a vedação expressa do EaD assíncrono. Com isso, aulas gravadas, assistidas a qualquer momento e sem interação direta, deixam de ser aceitas para fins de cumprimento do curso de reciclagem.

Para o condutor, a mudança altera a dinâmica do cumprimento da reciclagem. Será necessário reservar horários específicos, acompanhar as aulas em tempo real e atender aos critérios de frequência estabelecidos. Já para as instituições, o novo modelo exige estrutura tecnológica, controle rigoroso e adaptação dos formatos de ensino.

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A Resolução estabelece que a responsabilidade de submeter o condutor ao curso de reciclagem é do órgão ou entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal onde o condutor possui residência ou domicílio registrado no Renach.

Mesmo quando outro órgão aplica a penalidade de suspensão — como PRF ou órgãos municipais — caberá ao Detran estadual ou distrital operacionalizar a reciclagem, a partir das informações disponibilizadas pelo órgão máximo executivo de trânsito da União.

Etapas obrigatórias do processo de reciclagem

De acordo com a Resolução 1020/25, o processo de reciclagem é composto por duas etapas:

  1. Realização do curso de reciclagem;
  2. Realização dos exames teóricos.

Além dessas etapas, a norma prevê uma exigência adicional: condutores enquadrados nas hipóteses de sinistro grave, condenação judicial ou risco à segurança do trânsito deverão, obrigatoriamente, se submeter à avaliação psicológica.

Carga horária e conteúdos do curso

Aqui entra a complementação trazida pela Portaria Senatran nº 923/25, que define de forma objetiva a estrutura pedagógica do curso de reciclagem.

A nova carga horária passa a ser de 45 horas, com os mesmos conteúdos previstos para a obtenção da CNH, alterando apenas a distribuição do tempo entre as disciplinas:

  • Sinalização viária de trânsito: 8 horas
  • Infrações de trânsito: 18 horas
  • Normas de circulação, conduta e direção defensiva: 14 horas
  • Meio ambiente e primeiros socorros: 5 horas

A maior concentração de carga horária em infrações e conduta/direção defensiva evidencia o foco da reciclagem: revisão de regras e reorientação do comportamento do condutor.

Avaliação, frequência e certificação

A conclusão do curso depende de dois critérios:

  • Avaliações de aprendizagem;
  • Controle de frequência.

Deve-se informar os critérios de aprovação previamente ao condutor, garantindo transparência. O certificado de conclusão serve exclusivamente para comprovar a realização do curso, não substituindo a avaliação oficial.

A verificação do domínio dos conteúdos ocorre nos exames teóricos aplicados pelo Detran, e não no curso em si. O certificado será disponibilizado em formato digital, conforme padrão definido pelo órgão máximo executivo de trânsito da União.

Retorno ao direito de dirigir

Somente após:

  • Registro da realização do curso no Renach;
  • Aprovação no exame teórico;
  • Cumprimento integral do prazo da suspensão, quando houver,

é que ocorrerá:

  • A eliminação dos pontos da CNH;
  • A devolução do documento, se recolhido;
  • A autorização para voltar a dirigir.

O curso, portanto, é etapa necessária, mas não suficiente, para o retorno ao direito de dirigir.

O que o condutor precisa observar

Com a entrada em vigor da Resolução Contran nº 1.020/25, complementada pela Portaria Senatran nº 923/25, o curso de reciclagem passa a ter regras mais claras e restritivas quanto à forma de realização, especialmente no que se refere ao formato das aulas. A vedação do EaD assíncrono e a exigência de participação em tempo real alteram significativamente a dinâmica do cumprimento dessa etapa.

Para o condutor, isso significa que a reciclagem deixa de ser uma atividade realizada com total flexibilidade de horários e passa a exigir organização prévia, disponibilidade para acompanhar aulas ao vivo e cumprimento rigoroso de frequência. A escolha da instituição ofertante e da modalidade passa a ter impacto direto no prazo para conclusão do curso e, consequentemente, no retorno ao direito de dirigir.

Além disso, como a aplicação das novas regras depende da adequação dos sistemas e dos procedimentos pelos Detrans, alguns Estados já declararam oficialmente que continuam aceitando, de forma transitória, o formato anterior do curso de reciclagem em EaD, inclusive na modalidade assíncrona, até que haja adaptação completa às novas exigências. É o caso do Paraná, por exemplo, que informou que manterá o modelo atualmente vigente enquanto promove os ajustes necessários.

Esse cenário ocorre porque a Senatran ainda não definiu orientações complementares sobre a homologação do novo formato do curso, o que exige cautela e planejamento por parte dos órgãos executivos de trânsito. Diante disso, o condutor deve sempre confirmar, junto ao Detran responsável por sua habilitação, quais modalidades de curso estão sendo aceitas no momento e quais regras estão efetivamente em vigor no seu Estado.

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Arteris lança chatbot no WhatsApp para reforçar atendimentos a usuários nas rodovias

dom, 28/12/2025 - 18:00
O lançamento do novo serviço ocorre estrategicamente em dezembro, período caracterizado pelo aumento no fluxo de veículos devido às férias escolares. Foto: Divulgação

Motoristas que trafegam pelas rodovias administradas pela Arteris, uma das principais gestoras do setor no Brasil, passam a contar agora com um novo e eficiente canal online para solicitar assistência gratuita na estrada: o chatbot Arteris. Acessível pelo WhatsApp (16) 3969-8491, a ferramenta foi desenvolvida para ampliar os canais de atendimento aos usuários e agilizar as solicitações de serviços, uma vez que o usuário consegue compartilhar sua localização exata pela plataforma, além de reforçar a segurança nas estradas. 

Lançamento

O lançamento do novo serviço, que funciona 24h por dia, sete dias por semana, ocorre estrategicamente em dezembro, período caracterizado pelo aumento no fluxo de veículos devido às férias escolares, feriados de Natal e Ano Novo, e início do verão, para reforçar os atendimentos, garantindo ainda mais agilidade nas respostas às solicitações. “O chatbot chega para reforçar a nossa capacidade de resposta. Ao simplificar e acelerar a solicitação de atendimento, nosso foco primário é reduzir o tempo de exposição do usuário na pista – fator crucial para a prevenção de acidentes e garantia de segurança nas rodovias”, afirma Marcelo Sato Mizusaki, superintendente do Núcleo de Operações da Arteris.

O chatbot Arteris possui uma completa integração à estrutura operacional da companhia: a solicitação realizada via WhatsApp, que já compartilha também a localização do usuário na rodovia, é recebida pela equipe do 0800 da companhia, que aciona imediatamente o Centro de Controle e Segurança Operacional (CCSO). Por sua vez, o CCSO é responsável por coordenar e enviar as equipes especializadas que atuam em campo. Entre elas, profissionais de viaturas de inspeção, guinchos e ambulâncias treinados para lidar com ocorrências diversas.

“O compartilhamento da localização do usuário via chatbot permite que a equipe do CCSO envie o recurso mais próximo ao local onde eles está, com a máxima precisão e agilidade, visando o pronto atendimento da ocorrência”, complementa Sato.

A nova plataforma disponibiliza ainda atendimento acessível a deficientes auditivos, em situações em que há necessidade também de interação telefônica com a equipe do 0800.

Como utilizar

A ferramenta permite ao usuário solicitar, sem custo adicional, assistência de forma rápida e intuitiva para diversas situações, como:

  • Apoio na pista em casos de panes mecânica e elétrica, pneu furado, remoção de guincho, etc
  • Atendimento pré-hospitalar em casos de acidente
  • Alerta de objeto ou animal na pista

Para utilizar o novo sistema de atendimento, o usuário deve:

  1. Salvar o número (16) 3969-8491 nos contatos do seu celular
  2. Iniciar uma conversa por WhatsApp com este contato, desde que esteja parado em local seguro. Nunca use o celular enquanto estiver dirigindo.
  3. Selecionar a opção de atendimento desejada no menu e seguir as orientações da plataforma. É necessário compartilhar também a localização para seguir com o atendimento online.

A Arteris reforça que dirigir manuseando o celular é infração gravíssima de trânsito, com punição prevista no CTB. Além disso, coloca em risco a segurança do próprio motorista e dos outros usuários nas rodovias, além de provocar acidentes e mortes no trânsito. Para fazer o acionamento dos serviços via Whatsapp, o usuário deve parar em local seguro. Ou, ainda, solicitar que outro ocupante do veículo, que não esteja dirigindo no momento, envie as mensagens.

Inovação alinhada à agenda ESG

Ainiciativa reforça o compromisso da Arteris com a inovação tecnológica e a excelência operacional, consolidando a companhia como referência em gestão e segurança viária, que é um dos pilares estratégicos da companhia, integrado à Agenda ESG e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas), por meio do ODS 3 (Saúde e Bem-estar), norteando ações nos 3.200 quilômetros de rodovias que a Arteris administra em SP, MG, RJ, SC e PR, por meio de sete concessionárias.

A atuação da empresa na área da segurança é integrada e baseada em estudos técnicos, pesquisas de comportamento, análise de tráfego, mapeamento de acidentes e aplicação de novas tecnologias. Cada concessionária possui seu próprio Plano de Redução de Acidentes (PRA), elaborado pelo Grupo Estratégico de Redução de Acidentes Rodoviários (Gerar) e estruturado em três pilares:

  • Engenharia: obras e projetos de infraestrutura que incluem duplicações, áreas de escape, melhorias na aderência do pavimento, reforços de sinalização e implantação de dispositivos de segurança;
  • Operações e tecnologia: monitoramento, reforço de equipes em períodos de alto fluxo, apoio a ações de fiscalização e organização de simulados;
  • Educação: campanhas permanentes, como os Programas Viva, que conscientizam motoristas e passageiros sobre atitudes seguras no trânsito. Somente no ano passado, houve a orientação de mais de 118 mil pessoas durante as ações educativas.

Além disso, tecnologias de monitoramento com inteligência artificial e parcerias com o policiamento rodoviário ajudam a coibir condutas imprudentes nas estradas. A Arteris reforça que todos compartilham a responsabilidade pela segurança no trânsito. Além disso, faz um apelo aos usuários para que mantenham o foco, respeitem os limites de velocidade e cumpram as demais leis de trânsito. O objetivo é evitar acidentes e fatalidades nas rodovias.

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Como o desenho urbano influencia diretamente a segurança no trânsito

dom, 28/12/2025 - 13:30
Construção de calçadas modernas e acessíveis em Curitiba. Foto: Isabella Mayer/SECOM

O trânsito não é determinado apenas pelo comportamento dos usuários. A forma como a cidade é projetada — ruas, calçadas, sinalizações, cruzamentos e iluminação — influencia profundamente a segurança viária. De fato, há décadas a engenharia de tráfego demonstra que o desenho urbano é capaz de induzir comportamentos seguros ou perigosos.

Uma via larga demais incentiva alta velocidade. Uma calçada estreita dificulta o deslocamento de pedestres. Travessias muito longas desestimularam o respeito à faixa. Ciclovias mal conectadas aumentam conflitos com veículos. Nada disso é mero detalhe: é arquitetura moldando risco.

O Portal do Trânsito analisa os principais fatores urbanísticos que interferem na segurança.

Largura das vias

Vias largas induzem velocidade. Por isso, cidades modernas vêm estreitando pistas, reduzindo faixas e inserindo elementos de “traffic calming” — como ilhas, chicanas e lombadas leves — para moderar o ritmo dos veículos.

Calçadas seguras

Calçadas planas, contínuas e acessíveis reduzem quedas, incentivam caminhadas e aumentam a convivência urbana. No Brasil, ainda se trata como responsabilidade privada, o que gera desigualdade na qualidade.

Travessias bem projetadas

Travessias curtas, elevadas e com boa visibilidade aumentam o respeito do motorista ao pedestre. Em locais onde a faixa está “solta” no meio da via, o risco é maior.

Ciclovias e ciclofaixas

A conexão entre trechos é tão importante quanto a existência da infraestrutura. Ciclovias interrompidas aumentam risco de colisão com veículos e abrem espaço para comportamentos arriscados.

Sinalização clara

Placas mal posicionadas, apagadas ou excessivas confundem. Boa sinalização orienta escolhas e reduz conflitos.

Iluminação

Boa iluminação reduz atropelamentos, fortalece a sensação de segurança e melhora a visibilidade do motorista.

Por que isso importa para a segurança?

Porque o comportamento humano é altamente influenciável pelo ambiente. Ruas que parecem seguras tendem a ser usadas com mais cuidado. Ruas que transmitem sensação de “pista de corrida” acabam produzindo velocidade excessiva. Cidades que priorizam pessoas reduzem mortes.

O Brasil ainda está longe?

Muitos municípios avançaram, mas ainda falta integração entre engenharia, educação e fiscalização. Seguir padrões internacionais, como “ruas completas” e “cidade para pessoas”, poderia transformar os índices de sinistros no país.

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Por que brasileiros dirigem com tanta pressa? Uma análise cultural sobre o comportamento nas ruas

dom, 28/12/2025 - 08:15
Mesmo conscientes dos riscos, muitos condutores acreditam que conseguem “dar conta” de dirigir rápido com segurança. Foto: denrud para Depositphotos

A pressa é um dos comportamentos mais marcantes — e perigosos — do trânsito brasileiro. Acelerar em excesso, cortar caminho, pressionar outros motoristas, ignorar limites de velocidade e avançar no amarelo são atitudes comuns em diferentes regiões do país. Mas por que isso se tornou um traço cultural tão forte?

O fenômeno tem explicações sociológicas, urbanas e comportamentais. E, para entender melhor esse comportamento ouvimos Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito.

A pressa como hábito social

Muitas cidades brasileiras se desenvolveram de forma desordenada, com longos deslocamentos, transporte coletivo insuficiente e horários rígidos de trabalho. Isso faz com que a sensação de estar “sempre atrasado” seja quase permanente.

Para Celso Mariano, essa experiência altera a relação das pessoas com o tempo no trânsito. “O motorista brasileiro vive pressionado pela rotina, pelo medo do atraso e pela ideia de que precisa se mover rápido o tempo todo. A pressa acaba virando comportamento automático.”

A ilusão de controle

Mesmo conscientes dos riscos, muitos condutores acreditam que conseguem “dar conta” de dirigir rápido com segurança. É a chamada ilusão de controle, comum em ambientes de risco.

“A pessoa acredita que domina o veículo e que nada vai acontecer com ela. Mas essa sensação é enganosa, porque o trânsito é um ambiente coletivo. Não adianta você dirigir bem se o outro também está sob pressão e pode errar”, explica Mariano.

Uma cultura que normaliza riscos

O trânsito brasileiro sempre foi associado à ideia de esperteza e vantagem. Muitos motoristas acreditam que “se não acelerar, ficará para trás”. Essa lógica reforça comportamentos perigosos. “Falta ao brasileiro compreender que dirigir é um ato social. Cada escolha impacta dezenas de pessoas ao redor. A pressa cega o motorista para essa dimensão coletiva”, afirma o especialista.

Consequências graves da pressa
  • Aumento significativo de colisões traseiras
  • Mais atropelamentos em travessias
  • Maior letalidade em acidentes
  • Estresse, agressividade e conflitos
Como mudar esse cenário?

A transformação exige políticas públicas, fiscalização e, sobretudo, mudança de mentalidade. Para Celso Mariano, o primeiro passo é enxergar o trânsito como ambiente humano.

“Quando entendemos que há vidas envolvidas, reduzimos naturalmente o ritmo. Ninguém deveria dirigir como se estivesse em uma corrida.”

Fenômeno cultural

A pressa no trânsito brasileiro não é apenas um comportamento individual — é um fenômeno cultural consolidado. Entendê-lo é fundamental para reduzir sinistros e promover uma convivência mais respeitosa nas ruas.

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Vai pegar a estrada? Confira dicas para economizar combustível e evitar imprevistos nas férias de verão

sab, 27/12/2025 - 18:00
O aumento do fluxo de veículos e as longas distâncias exigem atenção redobrada não apenas com a segurança, mas também com a eficiência do carro. Foto: Divulgação.

Com a chegada das festas de fim de ano e das férias de verão, milhões de brasileiros se preparam para pegar a estrada. O aumento do fluxo de veículos e as longas distâncias exigem atenção redobrada não apenas com a segurança, mas também com a eficiência do carro. Para ajudar os motoristas a viajarem com tranquilidade, Gilberto Pose, especialista em combustíveis da Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, listou as práticas essenciais para economizar combustível, otimizar consumo e garantir a performance do veículo. 

1. Atenção redobrada com os pneus

Segundo Pose, este é um dos itens muitas vezes negligenciado e que tem grande impacto no consumo. A recomendação é calibrar os pneus semanalmente e, obrigatoriamente, antes de viajar, sempre com eles frios. Além de verificar a pressão, é fundamental checar o alinhamento e o balanceamento, pois pneus descalibrados ou desalinhados aumentam o esforço do motor e o gasto de combustível. 

2. Lubrificação em dia gera economia 

O combustível não trabalha sozinho na eficiência do carro. Gilberto Pose explica que a função primordial do lubrificante é reduzir o atrito entre os componentes móveis do motor. “Menos atrito resulta em menor desperdício de energia dissipada como calor e, consequentemente, maior eficiência de combustível”, afirma o especialista. Antes de viajar, verifique se o óleo está no prazo de validade (se for hora de trocar, substitua também o filtro do lubrificante) e cheque também os filtros de ar e de combustível. 

3. O combustível certo faz diferença na estrada

Para viagens longas, a qualidade do combustível é crítica. O uso de combustíveis aditivados, como os da linha Shell V-Power, é altamente recomendado, pois sua tecnologia limpa e protege partes vitais do motor, como válvulas e bicos injetores. “Um motor limpo e protegido opera com maior eficiência, resultando em uma combustão mais completa e otimizando a performance e o rendimento”, detalha Pose.

4. Carro Flex: liberdade para misturar na viagem 

Uma dúvida comum dos motoristas é se a mistura da gasolina e etanol no tanque pode prejudicar o funcionamento do veículo. O especialista assegura que isso é um mito. No Brasil, os motores flex e os combustíveis são desenvolvidos para operar com máxima eficiência nas misturas que já existem em nossa matriz energética. O motorista tem total liberdade para abastecer com o combustível de sua preferência ou misturá-los em qualquer proporção, de acordo com o que se encaixe em suas necessidades. Mas, atenção: ao trocar de um combustível para outro dentro do tanque (gasolina para etanol ou vice-versa), rodar com o veículo por cerca de 10 km, conforme orientam as montadoras, para que o sistema eletrônico do motor reconheça a troca, evitando-se, assim, funcionamento irregular.

5. O segredo do “pé de veludo” e o uso do ar-condicionado 

Na estrada, a forma de dirigir dita o consumo. A condução deve ser suave, evitando acelerações e frenagens bruscas, buscando manter uma velocidade constante. Sobre o conforto térmico, Pose orienta: em altas velocidades, o uso do ar-condicionado é mais eficiente do que viajar com os vidros abertos, devido à questão aerodinâmica, que “segura” o carro quando as janelas estão baixas.

“A eficiência na viagem é resultado de um conjunto: motorista consciente, manutenção em dia e produtos de qualidade. Viajar com o motor protegido não é apenas sobre economizar alguns reais no abastecimento, é sobre garantir que o veículo tenha confiabilidade para levar você e sua família ao destino com segurança”, finaliza Gilberto Pose.

Dica extra: facilidade no pagamento 

Para agilizar as paradas, o aplicativo Shell Box permite o pagamento do abastecimento de forma 100% digital e segura, acumulando pontos que podem ser trocados por benefícios, além de oferecer um mapa de postos para planejar a rota.

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Como funcionam os recursos de infração: prazos, etapas e direitos do condutor

sab, 27/12/2025 - 13:30
Tudo começa com a autuação, registrada por agente, policial ou equipamento eletrônico. Foto: Detran/PR

Receber uma multa de trânsito ainda é sinônimo de insegurança e dúvida para muitos motoristas. Embora o Código de Trânsito Brasileiro assegure o direito à ampla defesa, grande parte dos condutores desconhece como funciona o processo de recurso de infração, quais são os prazos e em quais situações vale a pena recorrer.

O sistema brasileiro prevê um rito administrativo estruturado, com etapas bem definidas, que precisam ser respeitadas tanto pelo órgão autuador quanto pelo condutor. Entender esse caminho evita perda de prazo bem como decisões precipitadas.

O primeiro ponto importante é compreender que multa e infração não são a mesma coisa.

A infração é o ato administrativo que aponta o descumprimento da norma; a multa é apenas uma das penalidades possíveis. Ou seja, antes dela, existe um processo.

Tudo começa com a autuação, registrada por agente ou equipamento eletrônico. O condutor (ou proprietário do veículo) deve receber a Notificação de Autuação, que informa a infração e abre prazo para apresentação da defesa prévia. Esse prazo varia conforme o órgão, mas geralmente é de 15 a 30 dias.

A defesa prévia serve para apontar erros formais, como inconsistências na placa, local, horário, enquadramento legal ou ausência de requisitos obrigatórios no auto de infração. Nessa fase, ainda não se discute mérito, mas legalidade do ato.

Se a defesa prévia for indeferida — ou não for apresentada — o órgão emite a Notificação de Imposição de Penalidade (NIP). É nesse momento que a multa é oficialmente aplicada assim como surge o direito de recorrer à JARI (Junta Administrativa de Recursos de Infrações).

JARI

No recurso à JARI, o condutor pode discutir o mérito da infração: sinalização inadequada, ausência de risco, falha na fiscalização, situação excepcional, entre outros argumentos técnicos e jurídicos. O prazo para esse recurso também costuma variar entre 15 e 30 dias.

Caso a JARI indefira o pedido, ainda existe a possibilidade de recurso em segunda instância, que será analisado por órgãos como o CETRAN, CONTRANDIFE ou Colegiado Especial, dependendo da origem da autuação.

Um ponto essencial: recorrer não suspende automaticamente a multa, mas suspende os efeitos da penalidade até o julgamento final, incluindo pontuação na CNH. Isso garante ao condutor segurança jurídica durante o processo.

Apesar disso, muitos motoristas perdem prazos por desconhecimento ou recorrem sem qualquer fundamentação técnica, o que reduz drasticamente as chances de êxito. Um recurso bem estruturado precisa citar o CTB, resoluções do Contran e, quando possível, provas documentais.

Conhecer o processo de recurso não é “driblar a lei”, mas exercer um direito previsto em lei. Em um sistema complexo como o trânsito brasileiro, erros acontecem — e o recurso é o instrumento legítimo para corrigi-los.

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Como pequenas intervenções urbanas salvam vidas no trânsito

sab, 27/12/2025 - 08:15
Travessia elevada em escola de Curitiba traz mais segurança para pais e alunos. Foto: Isabella Mayer/SECOM

Quando se fala em segurança viária, muitas pessoas imaginam grandes obras, investimentos milionários e mudanças estruturais complexas. No entanto, experiências no Brasil e no exterior mostram que pequenas intervenções urbanas, de baixo custo e rápida implementação, são capazes de salvar vidas.

Essas ações fazem parte do chamado urbanismo tático e do conceito de traffic calming, que têm como objetivo reduzir velocidade, organizar fluxos e tornar as ruas mais seguras para todos os usuários — especialmente pedestres e ciclistas.

Entre as intervenções mais eficazes estão o estreitamento visual de vias, ampliação de calçadas, travessias elevadas, pintura de solo, ilhas de refúgio e reorganização de cruzamentos. Embora simples, essas mudanças alteram diretamente o comportamento dos motoristas.

Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito e da Tecnodata Educacional, explica que o trânsito responde ao ambiente muito mais do que às placas.

“O motorista dirige conforme a rua ‘pede’. Se o espaço induz velocidade, ele acelera. Se o espaço induz cuidado, ele reduz naturalmente”, afirma.

Um exemplo claro são as travessias elevadas.

Ao elevar o nível da faixa de pedestres, o veículo é obrigado a reduzir a velocidade, e o pedestre ganha visibilidade e prioridade real. Estudos mostram queda significativa de atropelamentos em locais onde essa solução foi adotada.

Outro recurso simples é a redução do raio de curvas em esquinas. Curvas mais fechadas impedem conversões rápidas e diminuem conflitos entre veículos e pedestres. A mudança é barata, muitas vezes feita apenas com pintura e sinalização provisória.

Ilhas centrais e refúgios também ajudam pedestres a atravessar vias largas em duas etapas, reduzindo exposição ao risco. Já o estreitamento de pistas — mesmo que apenas visual — combate um dos principais fatores de letalidade no trânsito: a velocidade excessiva.

Segundo Celso Mariano, o erro de muitos gestores é esperar soluções complexas quando o problema é urgente. “Segurança viária não pode depender apenas de grandes obras. Pequenas intervenções, bem pensadas, salvam vidas agora”, reforça.

Além da redução de sinistros, essas intervenções trazem benefícios adicionais: melhor convivência urbana, incentivo à caminhada, valorização do comércio local e sensação maior de segurança.

Cidades que adotaram esse modelo conseguiram resultados expressivos em pouco tempo. O desafio, no Brasil, ainda é vencer a resistência cultural e a ideia de que rua boa é rua rápida.

Tratar a rua como espaço de convivência, e não apenas de passagem, é uma mudança de paradigma. E ela começa com ações simples, acessíveis e eficazes.

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Fim de ano: por que o risco de roubo de carga dispara e como as empresas podem se proteger

sex, 26/12/2025 - 18:00
As ocorrências cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025, com foco em mercadorias de alto valor agregado e de fácil revenda. Foto: Divulgação

Com a chegada do natal e o avanço das entregas de fim de ano, a movimentação de cargas no país cresce em ritmo acelerado, e, com ela, o risco de roubos, fraudes e sinistros. O aumento das vendas se traduz em mais caminhões nas estradas e maior exposição da cadeia logística.

Os números recentes reforçam o alerta. O Relatório de Análise de Roubo de Cargas, realizado pela nstech, mostra que as ocorrências cresceram 24,8% no primeiro semestre de 2025, com foco em mercadorias de alto valor agregado e de fácil revenda. Já o Panorama Transportes, da Infra S.A., aponta crescimento no volume movimentado em rodovias, ferrovias e aeroportos, ampliando ainda mais o cenário de vulnerabilidade.

Para João Paulo, CEO da Mundo Seguro e especialista em gestão de risco, essa combinação de fatores transforma o fim do ano em uma operação de risco ampliado.

“Quando a pressão por entregar mais, mais rápido e por menos aumenta, a segurança tende a ficar em segundo plano. É justamente nessa brecha que o crime organizado avança. O problema não é só o roubo em si, mas os atrasos, prejuízos operacionais e impactos na reputação da empresa”, afirma.

Por que o seguro de carga se torna ainda mais essencial no fim do ano

Conforme o executivo, muitas empresas ainda tratam o seguro como mera burocracia para liberar embarques, o que acaba resultando em apólices mal estruturadas ou com exclusões que só aparecem no momento do sinistro. “O erro mais comum é contratar um seguro padrão para um período que está longe de ser padrão. A reta final do ano exige ajustes específicos de cobertura, limites, gerenciamento de risco e regras de circulação. Sem isso, a empresa acredita que está protegida quando, na prática, não está”, explica.

Entre os principais pontos críticos, ele destaca:

  • Limites insuficientes diante do aumento do valor embarcado: produtos de maior valor costumam ser concentrados no período; sem revisão, o limite pode não cobrir toda a carga.
  • Ausência de cláusulas específicas para rotas de alto risco: alguns corredores logísticos, especialmente no Sudeste e no Nordeste, exigem regras diferenciadas.
  • Exigências obrigatórias ignoradas: escolta, monitoramento ativo, dupla checagem de lacres e análise de condutores podem ser requisitos de cobertura.
Operações mais visadas e como prevenir perdas

No fim do ano, há um padrão claro no interesse das quadrilhas: elas focam em mercadorias de alto valor agregado, fácil revenda e giro imediato no mercado ilegal. O foco das quadrilhas costumam recair sobre produtos de maior valor por volume transportado. De acordo com João Paulo, eletrônicos, eletrodomésticos pequenos, medicamentos e cosméticos seguem entre os alvos mais frequentes. “São categorias que concentram muito valor em pouca carga. Isso aumenta o risco e exige que a operação esteja ainda mais alinhada e bem protegida”, explica.

Com o aumento do fluxo de mercadorias no fim do ano, o especialista em seguros explica que o primeiro passo para reduzir riscos é revisar rapidamente as apólices. Além disso, entender limites, exclusões e o que muda quando o volume de entregas dispara. “É nessa hora que muita empresa descobre que a cobertura não conversa com a operação”, afirma.

Ele destaca também que o planejamento precisa ser integrado entre embarcador, transportadora e corretora. “Quando cada um trabalha com uma informação diferente, o risco sobe. A cobertura ideal depende de alinhamento.”

A tecnologia, segundo ele, virou peça central. Os sistemas de monitoramento comportamental conseguem identificar paradas irregulares, desvios mínimos de rota e até sinais de jamming (interferências que bloqueiam ou perturbam as comunicações sem fio). Em períodos de pico, ajustes temporários na cobertura também se tornam comuns para acompanhar o ritmo da operação.

Para João Paulo, o papel da corretora ganha peso justamente porque ela conecta seguro e operação.

“O objetivo é simples: evitar que a empresa perca duas vezes, a carga e o dinheiro. Segurança reduz o sinistro; o seguro reduz o impacto. Um só não funciona sem o outro”, conclui.

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Por que revisar o carro antes das férias evita riscos e economiza dinheiro

sex, 26/12/2025 - 13:30
Fazer uma revisão preventiva custa menos do que reparar danos causados por falhas mecânicas. Foto: AdobeStock

Com a chegada do verão e as viagens de fim de ano, cresce a importância da revisão preventiva. Muitos motoristas deixam esse cuidado para a última hora — ou sequer o realizam. O problema é que pequenas falhas não corrigidas podem se transformar em grandes riscos nas rodovias.

O primeiro ponto crítico é o sistema de freios. Pastilhas gastas, discos irregulares ou fluido vencido reduzem significativamente a eficiência de frenagem. Em situações de emergência, cada metro faz diferença. Revisar esse sistema garante resposta rápida e segura.

Os pneus são outro item fundamental.

Eles são o único ponto de contato entre o veículo e o asfalto. Pneus carecas ou com calibragem inadequada comprometem aderência, aumentam a distância de frenagem e elevam o risco de aquaplanagem. A calibragem deve ser feita com o veículo frio e seguindo as recomendações do fabricante.

A suspensão também merece atenção. Amortecedores desgastados afetam a estabilidade, especialmente em curvas ou pistas irregulares. Ruídos, balanço excessivo e desgaste irregular dos pneus são sinais de alerta.

Outro item frequentemente esquecido é o sistema elétrico. Luzes queimadas comprometem a visibilidade e podem gerar multas.

Alternador e bateria em mau estado podem deixar o veículo na mão durante a viagem.

Além disso, é fundamental verificar nível de óleo, filtro de ar, sistema de arrefecimento e correias. Cada um desses componentes desempenha papel essencial no funcionamento seguro do veículo. Ignorar esses detalhes aumenta o consumo de combustível e pode causar superaquecimento.

Para quem vai viajar com bagagem ou com a família, a carga é outro ponto importante. Excesso de peso compromete frenagem e estabilidade. É necessário utilizar o porta-malas corretamente e evitar objetos soltos no interior do carro, que podem se transformar em projéteis em caso de colisão.

Revisão preventiva

Fazer uma revisão preventiva custa menos do que reparar danos causados por falhas mecânicas. Além disso, aumenta a durabilidade do veículo, reduz o consumo e proporciona viagem mais tranquila.

A revisão não deve ser vista como gasto, mas como investimento em segurança e em economia. Planejar-se com antecedência evita filas em oficinas, garante peças de qualidade e reduz riscos nas estradas. Com vias cheias e clima instável, viajar com o carro em perfeitas condições faz toda a diferença.

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Dificuldade no curso teórico da CNH? Conheça uma alternativa complementar ao CNH do Brasil

sex, 26/12/2025 - 08:15
A proposta não é substituir o curso oficial, mas oferecer uma alternativa de apoio para quem precisa aprender melhor. Foto: Divulgação

As mudanças trazidas pela Resolução Contran nº 1.020/25 alteraram o caminho de quem busca a primeira habilitação no Brasil. Hoje, o estudo do curso teórico acontece principalmente pela plataforma CNH do Brasil, acessada por meio da conta Gov.br. A proposta é ampliar o acesso e dar mais autonomia ao candidato, mas a prática tem mostrado que esse modelo não atende igualmente a todos.

Relatos de candidatos que não conseguem estudar sozinhos, não compreendem bem o conteúdo ou já tentaram o exame teórico sem alcançar os 20 acertos mínimos exigidos entre as 30 questões da prova tornaram-se cada vez mais comuns. Em muitos estados, o curso presencial previsto na própria Resolução 1020 ainda não foi regulamentado, o que limita as opções formais para quem precisa de apoio adicional.

Quando o conteúdo existe, mas o aprendizado não acontece

Embora o conteúdo do curso teórico represente o mínimo necessário para quem pretende dirigir, ele exige atenção, compreensão e domínio de conceitos importantes sobre legislação, circulação, conduta e segurança no trânsito. Para muitos candidatos, no entanto, estudar de forma totalmente autônoma não é simples.

É justamente a partir dessa realidade que surge o curso teórico complementar da Tecnodata Educacional, empresa com mais de 25 anos de atuação na área de trânsito e formação de condutores. A proposta não é substituir o curso oficial, mas oferecer uma alternativa de apoio para quem precisa aprender melhor.

Quer acessar o curso? Clique aqui! Um curso pensado como complemento — e não como concorrência

O curso é ministrado Celso Alves Mariano, que é renomado palestrante, especialista em trânsito e Diretor da Tecnodata Educacional e do Portal do Trânsito. As aulas apresentam os conteúdos exigidos no exame teórico de forma organizada, com linguagem acessível e aprofundamento conceitual, sem perder o rigor técnico necessário à formação.

Celso Mariano reforça que o curso foi concebido para atuar de forma complementar ao CNH do Brasil, valorizando o papel dos Centros de Formação de Condutores no processo de aprendizagem. Conforme ele, a proposta é ampliar as opções de estudo para o candidato, sem romper com a lógica da formação conduzida pelos CFCs, que seguem como referência para orientação e apoio ao futuro condutor.

“É preciso que as pessoas saibam que existe um ótimo curso como complemento ao CNH do Brasil. E que os bons CFCs vão ofertá-lo”, explica.

Procure um CFC parceiro: esse é o caminho recomendado

Embora o curso exista como solução educacional acessível, a orientação da Tecnodata é que o candidato procure primeiro um CFC parceiro. São as autoescolas que conhecem o processo de habilitação, podem orientar o aluno e integrar o curso à sua formação de forma mais completa. 

A proposta não é afastar o candidato do CFC, mas fortalecer essa relação, oferecendo uma ferramenta que ajude a aprender melhor em um momento de transição do modelo de formação.

Ainda não é Parceiro Tecnodata? Envie uma solicitação pelo whatsapp 041 3361-1800 “Estudar sozinho não é exatamente um talento comum”

Um dos pontos centrais da iniciativa é o reconhecimento de que autonomia de estudo não é uma habilidade universal. Muitos candidatos só percebem essa dificuldade depois de enfrentar o conteúdo sozinhos ou após uma reprovação no exame teórico.

Nesses casos, contar com um curso estruturado, com explicações claras e metodologia adequada, pode fazer diferença não apenas para passar na prova, mas para entender o trânsito de forma mais consciente e responsável.

Aprender bem continua sendo essencial

A Resolução 1020 ampliou o acesso à primeira habilitação, mas não eliminou a necessidade de formação sólida e de qualidade. Aprender a dirigir vai além de cumprir etapas formais: envolve compreender regras, assumir responsabilidades e adotar comportamentos seguros no trânsito.

Ao apresentar um curso complementar, pensado para apoiar candidatos e trabalhar em conjunto com os CFCs, a Tecnodata reforça a ideia de que a formação de condutores continua sendo um processo que exige método, orientação e compromisso com a segurança viária.

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Alta demanda nas férias reforça a necessidade de infraestrutura estável para recarga de veículos elétricos

qui, 25/12/2025 - 18:00
O Brasil já superou a marca de 500 mil veículos eletrificados em circulação, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico. Foto: Divulgação.

Com a chegada do mês de dezembro, as viagens de fim de ano já movimentam as estradas brasileiras e aumentam significativamente a demanda por estações de recarga de veículos elétricos. A combinação entre férias escolares, deslocamentos familiares e feriados prolongados cria períodos de pico que exigem operação estável e tecnologia confiável por parte dos operadores. 

O Brasil já superou a marca de 500 mil veículos eletrificados em circulação, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Com uma frota crescente e mais motoristas planejando viagens de longa distância, a capacidade da infraestrutura de recarga de atender à alta demanda se torna cada vez mais determinante para o avanço da mobilidade elétrica.

Para a Voltbras, este é o momento de reforçar boas práticas operacionais que garantem a disponibilidade dos carregadores e evitam falhas capazes de comprometer a experiência do usuário. De acordo com Bernardo Durieux, CEO da empresa, a preparação é fundamental.

“Quando o fluxo aumenta, pequenas falhas podem se tornar grandes problemas. Operadores que se antecipam conseguem oferecer uma experiência mais segura e eficiente ao motorista”, afirma.

Uma das recomendações da Voltbras é a adoção de redundância nos métodos de pagamento.

Integrar opções como cartão e Pix reduz o risco de interrupções em caso de instabilidade financeira ou oscilação de conexão. Essa flexibilidade evita filas, diminui o tempo de espera e dá mais autonomia aos motoristas durante suas viagens. Durieux reforça a importância desse ponto ao afirmar que “o motorista precisa ter alternativas. Se um meio falhar, outro deve funcionar. Isso evita transtornos e garante que ele possa seguir viagem sem preocupação”. 

Outro pilar para enfrentar períodos de alta demanda é a manutenção de firmwares atualizados e em versões estáveis. Atualizações testadas e homologadas reduzem falhas de comunicação entre o carregador e a plataforma de gestão e evitam que o equipamento opere com lentidão ou travamentos. Em momentos de intenso fluxo, firmwares desatualizados podem gerar desconexões que impactam diretamente a rota do usuário.

A presença de um suporte técnico especializado também se torna essencial. Com mais veículos na estrada, cresce a necessidade de atendimentos ágeis que possam ser realizados de forma remota ou presencial. Respostas rápidas a falhas operacionais impedem que pequenos ajustes evoluam para longos períodos de indisponibilidade, o que afeta tanto motoristas quanto operadores. 

Além da tecnologia e do suporte, a comunicação com os usuários tem papel estratégico.

A Voltbras destaca a importância de enviar notificações sobre estações disponíveis, novos pontos de recarga e alternativas em rotas de alto fluxo. Essa orientação facilita o planejamento das viagens e distribui a demanda de maneira mais equilibrada entre diferentes locais de recarga. 

A divulgação antecipada de carregadores instalados em rodovias movimentadas também pode prevenir gargalos. Para motoristas que realizam longos deslocamentos, saber onde estão os pontos de recarga e qual a expectativa de disponibilidade transforma a experiência em algo mais previsível e confortável. 

Os riscos de não adotar boas práticas se tornam mais evidentes no fim do ano. Falhas em pagamentos, firmwares instáveis e ausência de suporte técnico podem gerar interrupções prolongadas e impactam negativamente tanto o operador quanto o consumidor. Em um período no qual mais de meio milhão de veículos eletrificados já estão nas ruas, assegurar estabilidade é prioridade para manter a confiança no setor. 

Durieux ressalta que os operadores têm papel central no bom funcionamento do ecossistema.

“Alta demanda não deve significar instabilidade. Quando o operador investe em processos sólidos e tecnologia confiável, o sistema responde melhor e o motorista viaja com tranquilidade”, afirma.

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Por que alguns países quase zeraram mortes no trânsito — e o Brasil ainda está distante disso

qui, 25/12/2025 - 13:30
O conceito de “Visão Zero”, criado na Suécia, é um dos principais modelos de sucesso. Foto: ixuskmitl@hotmail.com para Depositphotos

Ao observar países que alcançaram índices baixíssimos de mortes no trânsito — como Suécia, Noruega, Holanda e Japão — surge uma pergunta inevitável: por que o Brasil, mesmo com legislação robusta, ainda está tão distante desses resultados? A resposta envolve gestão pública, cultura de mobilidade, fiscalização, infraestrutura e prioridades políticas.

O conceito de “Visão Zero”, criado na Suécia, é um dos principais modelos de sucesso. A proposta é simples na teoria, mas complexa na implementação: nenhuma morte no trânsito é aceitável. Isso muda completamente a forma de pensar políticas públicas. Em vez de responsabilizar exclusivamente o motorista, o sistema inteiro é projetado para evitar falhas fatais.

No Brasil, apesar de avanços pontuais, essa mentalidade ainda não está consolidada. As políticas são fragmentadas e muitas vezes reativas, surgindo após grandes tragédias. Países que reduziram mortes investiram de forma contínua e estratégica.

Infraestrutura

Outro ponto é a infraestrutura. Ruas, cruzamentos e rodovias nesses países são projetados para reduzir riscos: faixas mais estreitas, rotatórias eficientes, calçadas amplas, ciclovias integradas e sinalização clara. No Brasil, falta padronização e manutenção adequada. Buracos, iluminação insuficiente, faixas apagadas e projetos antigos aumentam exponencialmente os riscos.

A fiscalização é outro diferencial. Em nações que reduziram mortes, a presença do poder público é constante e baseada em dados. Locais com maior risco recebem mais atenção. No Brasil, parte da população ainda vê a fiscalização como “arrecadatória”, e não como medida de segurança. Isso enfraquece campanhas educativas e incentiva comportamentos inadequados.

Educação

A educação também desempenha papel importante. Crianças nesses países têm contato com temas de mobilidade desde cedo. No Brasil, apesar de iniciativas e campanhas, o trânsito ainda não faz parte da rotina pedagógica de forma estruturada.

As diferenças culturais também contam. Em lugares onde pedestres têm prioridade absoluta, respeitá-los é comportamento natural. No Brasil, muitos ainda não reconhecem o pedestre como parte central da mobilidade urbana.

Tecnologia também faz diferença. Países mais seguros utilizam radares inteligentes, análise de dados e sistemas de alerta que identificam pontos críticos rapidamente. Aqui, embora haja avanços, a implementação é lenta e desigual.

Política

Por fim, há a questão política. Reduzir mortes no trânsito exige continuidade, investimentos constantes e políticas de longo prazo. Países que obtiveram bons resultados mantiveram estratégias por décadas, independentemente de mudanças de governo.

O Brasil, por outro lado, frequentemente altera diretrizes, o que compromete a construção de resultados sustentáveis.

Em resumo, não falta conhecimento — falta prioridade. O Brasil pode, sim, reduzir drasticamente as mortes no trânsito, mas isso exige vontade política, gestão integrada e compreensão de que cada vida preservada representa um avanço civilizatório.

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Direção defensiva em 2026: por que ainda é essencial

qui, 25/12/2025 - 08:15
O conceito básico permanece o mesmo: prever situações perigosas antes que aconteçam. Foto: Patryk_Kosmider para Depositphotos

A direção defensiva já foi ensinada por décadas como um dos pilares da formação de condutores. Com o avanço tecnológico, alguns acreditaram que ela se tornaria menos necessária — afinal, carros novos contam com assistentes de faixa, frenagem automática e uma série de sensores inteligentes. Mas não é isso que os números mostram.

Mesmo com veículos mais modernos, o comportamento humano ainda é o principal fator de risco no trânsito. E a direção defensiva continua sendo a ferramenta mais eficiente para compensar erros, imprevistos e limitações.

O conceito básico permanece o mesmo: prever situações perigosas antes que aconteçam. É agir de forma preventiva, entendendo que outros motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres podem errar a qualquer momento. Só isso já reduz drasticamente sinistros.

Em 2026, dirigir defensivamente significa adotar uma postura de atenção ampliada.

Com o aumento do fluxo urbano, veículos compartilhados, entregadores por app, bicicletas elétricas e patinetes, o trânsito se tornou mais complexo. Esse novo cenário exige leitura constante do ambiente.

Outro ponto é a preservação da vida. A direção defensiva não é apenas uma técnica: é um comportamento ético. Ela coloca a segurança de todos acima da pressa e da impulsividade. Em uma sociedade onde a velocidade virou hábito, essa postura é ainda mais necessária.

Mesmo com tecnologias ADAS, há riscos. Os sistemas podem falhar, sensores podem estar sujos, câmeras podem não interpretar bem o ambiente. O motorista não pode acreditar que o carro “faz tudo sozinho”. A tecnologia ajuda, mas não substitui a percepção humana.

Além disso, a direção defensiva reduz custos. Evita multas, reduz desgaste, diminui risco de colisões e até melhora o consumo de combustível, já que estimula condução suave.

Em resumo: em 2026, a direção defensiva não só continua relevante — ela se torna indispensável. O trânsito mudou, os desafios aumentaram, e quem dirige precisa estar preparado para lidar com situações imprevisíveis.

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O automóvel como extensão do ser: identidade e status nas vias urbanas

qua, 24/12/2025 - 17:00
A superação desse quadro exige uma abordagem sistêmica onde a segurança é entendida como um direito humano que se sobrepõe ao fetiche da velocidade ou da distinção social. Foto: gstockstudio para Depositphotos

Por Renan da Cunha Soares Junior*

A relação do brasileiro com o automóvel ultrapassa a funcionalidade mecânica, atingindo esferas simbólicas de poder, identidade e cidadania. No cenário contemporâneo, a posse de um automóvel transcende a mera necessidade de locomoção. O veículo consolidou-se como um dos principais mediadores de status social e um espelho da identidade do proprietário. Para compreender esse fenômeno, é preciso analisar tanto a psique do consumidor quanto as raízes socioculturais que moldam o uso do espaço público.

O comportamento do consumidor de automóveis é movido por uma complexa teia de fatores psicológicos e sociológicos. A compra não se encerra no objeto físico, mas no “pacote de significados” que a marca e o modelo carregam. O autor destaca que o automóvel atua como um símbolo de conquista e diferenciação, onde o consumidor busca projetar uma imagem de sucesso e pertencimento a determinados grupos sociais (SOARES JUNIOR et Al. , 2016). Assim, o carro deixa de ser um bem de capital para tornar-se um componente da personalidade do indivíduo.

Essa visão é profundamente ampliada pela perspectiva antropológica de Roberto DaMatta.

Em sua obra, DaMatta (2010) discute como o carro, no Brasil, funciona como uma “casa ambulante”. Para o autor, o automóvel permite que o indivíduo transporte sua privacidade e seus privilégios para o domínio público da rua. No habitáculo do veículo, o cidadão sente-se protegido e, muitas vezes, superior aos que transitam a pé. DaMatta (2010) argumenta que a “Fé em Deus e Pé na Tábua” reflete uma cultura onde as leis de trânsito são vistas como obstáculos à vontade individual, e o carro torna-se uma ferramenta de afirmação social frente ao anonimato da massa.

A convergência entre esses pensamentos revela que o status da posse do carro cria uma hierarquia invisível nas vias. Enquanto Soares Junior (2013) aponta que a escolha do modelo é uma forma de comunicação não verbal de poder aquisitivo e estilo de vida, DaMatta (2010) observa que esse poder é exercido na prática por meio da ocupação do espaço e do desrespeito à impessoalidade das normas. O automóvel, portanto, opera como um ranqueamento : quanto mais imponente o veículo, maior a percepção de que seu condutor possui direitos que se sobrepõem aos deveres coletivos.

Em suma, o status conferido pelo automóvel é um reflexo de uma sociedade que valoriza o “ter” como condição para o “ser”. A superação dos desafios de mobilidade e segurança viária passa, necessariamente, pela desconstrução dessa carga simbólica, transformando o carro de um instrumento de poder em uma ferramenta de utilidade social e responsabilidade compartilhada.

Aprofundando a análise sobre segurança viária a discussão sobre a posse do automóvel e o status social ganha uma dimensão crítica de saúde pública e responsabilidade sistêmica.

Enquanto Soares Junior foca no comportamento do consumidor e DaMatta na simbologia cultural, Pavarino (2004) propõe que a educação para o trânsito deve superar a mera transmissão de “etiqueta viária” — regras de cortesia ou técnicas de segurança — para se tornar uma prática crítica e questionadora. Para o autor, o trânsito não é apenas um fluxo de veículos, mas um “universo de relacionamento social” no espaço público onde se manifestam desigualdades e conflitos de poder.

​Pavarino reforça a visão da OMS de que as lesões no trânsito constituem uma crise global de saúde pública evitável. Ele argumenta que o foco excessivo na “falha humana” individual — que muitas vezes justifica o status de poder do condutor — mascara falhas sistêmicas no projeto das vias e na gestão da mobilidade. Sob essa ótica, a posse do carro não deveria conferir privilégios de circulação, mas sim uma responsabilidade maior, dado que o condutor opera uma máquina capaz de causar danos graves à saúde coletiva.

​Diferente de uma abordagem puramente técnica, Pavarino defende a transversalidade da educação para o trânsito. Ele propõe que se debata o tema nas escolas não apenas para “formar futuros motoristas”, mas para questionar a própria ocupação do espaço urbano e os riscos que a velocidade excessiva impõe aos mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas. Essa educação visa desconstruir a ideia de que a rua pertence prioritariamente aos veículos motorizados, um pilar central do status discutido anteriormente.

Alinhado à filosofia sueca Visão Zero, o trabalho de Pavarino enfatiza a fragilidade do corpo humano como limite para o planejamento viário.

Se o carro é um símbolo de status e “casa ambulante”, como diz DaMatta, Pavarino pondera que esse isolamento privado não pode ignorar que o sistema deve ser desenhado para perdoar o erro humano. A segurança viária, portanto, exige uma “responsabilidade compartilhada” onde o Estado, a indústria e a sociedade civil atuam juntos para reduzir a morbimortalidade.

A superação desse quadro exige uma abordagem sistêmica, como a que defende a Organização Pan-Americana da Saúde. Nela, entende-se a segurança como um direito humano que se sobrepõe ao fetiche da velocidade ou da distinção social. Em suma, salvar vidas no trânsito exige desconstruir o carro como instrumento de poder, transformando-o em uma ferramenta de utilidade social e responsabilidade compartilhada.

​Referências Bibliográficas

DAMATTA, Roberto. Fé em Deus e pé na tábua: ou como e por que o trânsito enlouquece no
Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.
OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Segurança de pedestres: manual de segurança
viária para gestores e profissionais da área. Brasília: OPAS, 2013. Disponível em:
https://iris.paho.org/items/9b1a313c-9d26-4028-ae59-dfb2ee7f57c9
PAVARINO FILHO, Roberto Victor. Aspectos da educação de trânsito decorrentes das
proposições das teorias da segurança: problemas e alternativas. Revista dos Transportes
Públicos – ANTP, São Paulo, ano 26, n. 103, p. 49-72, 2004. Disponível em :
https://transportes.anpet.org.br/anpet/article/view/127
SOARES JUNIOR, Renan da Cunha; LIMA, Ana Cristina Alves; GRUBITS, Heloisa Bruna. O
comportamento do consumidor de automóveis. Multitemas, 21(50), 2016.
https://doi.org/10.20435/1117 . Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/315849201_O_comportamento_do_consumidor_d
e_automoveis

*Renan da Cunha Soares Júnior é Psicólogo, Especialista em Psicologia do Trânsito, Educação para o Trânsito e Psicologia da Comunicação e do Marketing. Possui Mestrado em Doutorado em Psicologia da Saúde e é Diretor Nacional de Comunicação da ABRAPSIT.

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Como economizar combustível? Veja dicas

qua, 24/12/2025 - 13:30
Pequenas mudanças de hábitos e atenção à manutenção podem gerar economia significativa ao longo do mês. Foto: kegfire para Depositphotos

Com os preços dos combustíveis em constante alta, muitos motoristas procuram formas de reduzir os gastos com gasolina, etanol ou diesel sem abrir mão da segurança e do desempenho do veículo. Pequenas mudanças de hábitos e atenção à manutenção podem gerar economia significativa ao longo do mês.

1. Dirija de forma consciente

A forma como você dirige é um dos fatores mais importantes para economizar combustível. Algumas práticas simples podem reduzir o consumo:

  • Evite acelerações e frenagens bruscas: arrancadas rápidas gastam muito combustível.
  • Mantenha velocidade constante: sempre que possível, utilize o piloto automático em estradas.
  • Reduza o tempo em marcha lenta: motor ligado parado consome combustível sem necessidade.
2. Faça manutenção preventiva do veículo

Um carro bem cuidado consome menos combustível. Entre os itens essenciais:

  • Filtros limpos: ar e combustível devem estar em bom estado.
  • Velas de ignição em bom funcionamento: aumentam a eficiência do motor.
  • Pneus calibrados: pressão correta evita esforço excessivo do motor.
3. Reduza o peso e a resistência

Quanto mais pesado o carro, maior o consumo. Dicas simples:

  • Retire objetos desnecessários do porta-malas.
  • Evite usar bagageiros ou suportes externos quando não precisar.
  • Feche janelas em altas velocidades: ar-condicionado ou janelas abertas aumentam resistência e gasto.
4. Planeje rotas e evite congestionamentos

Percursos curtos e trânsito parado são vilões do consumo. Para economizar:

  • Use aplicativos de trânsito para escolher rotas mais rápidas.
  • Combine trajetos para reduzir deslocamentos desnecessários.
  • Evite horários de pico, quando possível.
5. Atenção ao combustível e abastecimento
  • Abasteça em postos confiáveis para evitar combustível adulterado, que aumenta o consumo e prejudica o motor.
  • Prefira horários mais frescos (manhã ou noite) para evitar a dilatação do combustível nos tanques por calor.
6. Tecnologias que ajudam a economizar

Alguns veículos modernos possuem recursos para auxiliar na economia:

  • Modo Eco ou Economia: ajusta aceleração e consumo do motor.
  • Start-Stop automático: desliga o motor em paradas curtas.
  • Controle de tração e estabilidade: otimiza desempenho e reduz desperdício.
7. Combustível alternativo e caronas
  • Etanol x gasolina: compare o preço por quilômetro rodado e escolha o mais vantajoso.
  • Compartilhe viagens: dividir trajetos com colegas ou familiares reduz gastos individuais.
  • Transporte público ou bicicleta: alternativas em trechos curtos ajudam a economizar combustível e contribuem com a mobilidade urbana.
Comportamento

Economizar combustível não depende apenas do preço da bomba, mas também do comportamento do motorista e da manutenção do veículo. Pequenos ajustes na forma de dirigir, na manutenção e no planejamento de rotas podem gerar redução significativa no consumo, aumentando a economia e contribuindo para um trânsito mais seguro e eficiente.

Adotar essas práticas se torna ainda mais importante em períodos de alta nos preços, ajudando a controlar gastos sem comprometer a segurança ou o conforto ao volante.

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10 atitudes que mais reduzem risco de sinistros — e por que ainda são ignoradas

qua, 24/12/2025 - 08:15
Segurança viária não depende apenas de infraestrutura ou de fiscalização. Foto: kalinovsky para Depositphotos

Quando falamos em segurança viária, parece óbvio que motoristas deveriam adotar comportamentos que diminuem riscos de sinistros. No entanto, pesquisas e dados mostram que boa parte das pessoas, mesmo conhecendo práticas seguras, não as coloca em prática. Por quê? Essa é uma pergunta que especialistas estudam há anos — e a resposta passa pela cultura, pela psicologia e pela percepção de risco.

A seguir, listamos as 10 atitudes mais eficazes para reduzir sinistros no trânsito, junto com explicações sobre por que elas ainda são negligenciadas. Respeitar o limite de velocidade

Os limites são estabelecidos com base em estudos de engenharia e comportamento humano. Mesmo assim, muitos motoristas enxergam a velocidade como algo “flexível”, especialmente em vias urbanas.

A sensação de pressa e a falsa ideia de controle contribuem para ultrapassagens perigosas.

Manter distância segura

O espaçamento entre veículos evita colisões traseiras — uma das mais comuns no trânsito. Porém, a cultura da pressa leva motoristas a “colar” no carro da frente, acreditando que isso agiliza a viagem. É o oposto: reduz o tempo de reação e aumenta o risco.

Usar sempre o cinto de segurança, inclusive no banco traseiro

Apesar da obrigatoriedade, muita gente ainda ignora o cinto atrás. A falsa crença de segurança no banco traseiro é um dos maiores erros. Em colisões, os ocupantes traseiros sem cinto podem ser arremessados para frente com força equivalente a toneladas.

Evitar o uso do celular ao volante

Talvez a infração mais praticada no Brasil. A dependência digital e a ilusão de multitarefa fazem com que motoristas subestimem o risco.

A neurociência já mostrou que basta alguns segundos olhando a tela para perder completamente a percepção da via.

Reduzir a pressa

O trânsito brasileiro é marcado por uma cultura de urgência. Motoristas correm, disputam espaço e se irritam com facilidade. A pressa, entretanto, está diretamente relacionada a decisões impulsivas.

Revisar o veículo regularmente

Muitos só fazem manutenção quando algo quebra. Pneus carecas, pastilhas gastas e luzes queimadas são fatores que contribuem para sinistros graves.

Sinalizar todas as manobras

Algo tão simples, mas tão negligenciado. A falta de uso da seta é um dos maiores fatores de conflito no trânsito. Muitos motoristas acham que “se não vem ninguém, não precisa sinalizar”, o que é um erro grave.

Usar a cadeirinha correta para crianças

A falta de fiscalização em algumas regiões faz com que parte da população ignore a regra. No entanto, a cadeirinha reduz drasticamente lesões graves em sinistros.

Dirigir descansado

A fadiga é tão perigosa quanto o álcool, segundo especialistas. O corpo perde reflexos, atenção e capacidade de decisão.

Ser cordial no trânsito

Ceder passagem, não disputar espaço, respeitar pedestres. Pequenos gestos têm impacto enorme. Mas a cultura do individualismo e da “esperteza” ainda predomina em muitas regiões do país.

    Segurança viária não depende apenas de infraestrutura ou de fiscalização. Ela exige comportamentos diários, simples e eficazes.

    Quando mais motoristas adotarem essas 10 atitudes, mais vidas serão preservadas.

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